Bundesliga retoma treinos com autorização, mesmo sem saber sobre retorno do campeonato e com país em quarentena

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, em casa

Bayern voltou aos treinos nesta segunda
Bayern voltou aos treinos nesta segunda Bayern

Entre os países mais afetados pelo coronavírus, a Alemanha tem sido uma das mais eficientes no combate à pandemia. Até esta segunda-feira, eram 103375 casos, com 1810 óbitos - taxa de mortalidade bem inferior ao de outras nações europeias como Itália e Espanha. Diante desse cenário e com aprovação das autoridades, a maioria dos clubes da Bundesliga voltou ao treinos. As exceções são Freiburg e Werder Bremen.

Todas equipes que retomaram as atividades seguem as recomendações de distanciamento social, por isso os treinos têm sido limitados e em pequenos grupos. A atitude alemã desperta muita curiosidade e atenção de todo continente. Afinal, quando a temporada continental for retomada, representantes da Bundesliga podem estar em melhores condições para os desafios em um calendário ainda sem perspectiva.

Obviamente a preocupação maior de todos é com o bem estar de toda população, por isso a notícia pegou muita gente de surpresa. No caso dos clubes, diretamente seus jogadores, funcionários e torcedores. Não pode haver dúvidas sobre prioridades nesse momento. A Alemanha segue com intenso controle da população e em quarentena.

O Bayern lidera a Bundesliga com 55 pontos após 25 jogos. Na semana passada o clube anunciou novo contrato do técnico Hansi Flick, agora efetivado 100%, até a temporada 2022-23. Nesta segunda voltou aos treinos com a novidade Robert Lewandowski, seis semanas após a lesão sofrida no joelho esquerdo. Nas imagens divulgadas pelo clubes em suas redes sociais, era possível perceber o distanciamento entre os atletas, em número bem reduzido.

Na sequência da tabela aparecem Borussia Dortmund com 51 pontos, RB Leipzig com 50 e Borussia Mönchengladbach com seis a menos que os bávaros. Há nova reunião planejada para 30 de abril e o planejamento da Bundesliga é tentar a retomada da competição em meados de maio.

Na Champions, o RB Leipzig está classificado para as quartas de final, enquanto o Bayern está virtualmente com a vaga após vencer o Chelsea, em Londres, por 3 a 0. Pela Europa League, Eintracht Frankfurt, Bayer Leverkusen e Wolfsburg ainda brigam pela classificação às quartas. Continentalmente, porém, a situação é muito mais complicada do que internamente na Alemanha, o que vai gerar um atraso maior e necessário.

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Encerrar campeonatos é uma realidade que as ligas precisarão encarar

Gustavo Hofman

Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, durante evento na sede da entidade
Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, durante evento na sede da entidade Getty

O momento é de total indefinição. O retorno do esporte mundial não está nas mãos das autoridades esportivas. Não serão dirigentes espalhados pelo mundo que decidirão o que vai acontecer com as modalidades e seus respectivos campeonatos, e sim os especialistas em saúde.

Confederações e Federações precisam trabalhar com planejamento. Ou seja, ter em mãos planos A, B, C, D... Na prática, porém, ninguém sabe quando a vida esportiva será retomada por causa da pandemia de coronavírus.

Nesta semana, o Conselho Administrativo da liga belga decidiu encerrar o campeonato com a atual classificação. O Brugge foi declarado campeão, mas o comunicado não entrou em detalhes sobre rebaixamento, por exemplo. A decisão ainda precisa ser ratificada pelos clubes em reunião no próximo dia 15.

Esse foi o primeiro passo dado pelas entidades que regulam o futebol na Europa nesse sentido. A Jupiler Pro League entendeu que não haverá formas de terminar a atual temporada, sem impactar o início da próxima. Como o Brugge tem 15 pontos de vantagem sobre o Gent, com uma rodada para terminar a fase de classificação antes dos playoffs (seis primeiros avançariam), a decisão foi facilitada. Sobre o descenso e briga por vagas continentais, certamente haverá muita discussão.

"Estamos confiantes que o futebol poderá recomeçar nos próximos meses, nas condições ditadas pelas autoridades públicas, e acreditamos que qualquer decisão de abandonar as competições domésticas é, nesse momento, prematura e sem justificativa", afirmou recentemente Aleksander Ceferin, presidente da Uefa.

Ele não está errado. Talvez os belgas realmente tenham se precipitado, mas essa é uma realidade que todas as ligas precisarão encarar, mais cedo ou mais tarde, diante do cenário à frente. A Jupiler Pro League optou, como planejamento, focar todos os esforços na realização plena da próxima temporada - ainda com a necessidade de encerrar a Copa da Bélgica, cuja final será entre Brugge e Antuérpia. Muitas ligas, se optarem por prorrogar ao máximo essa tomada de decisão, podem ficar em uma encruzilhada de datas.

A Premier League tem promovido reuniões - remotas - com seus afiliados para buscarem o melhor caminho. Diferentemente do Campeonato Belga, na Inglaterra não há fase final, o que colaboraria para um eventual encerramento da temporada. Porém, como já colocado acima, há muitas outras questões esportivas para serem decididas e financeiras também. Um grande temor dos clubes ingleses é ter que devolver enorme quantia de dinheiro pelos direitos das partidas que não serão transmitidas.

Obviamente, terminar um campeonato sem as últimas rodadas jamais será bom. Porém, é necessário entender, também, a excepcionalidade do momento que vivemos. E momentos excepcionais exigem atitudes excepcionais. Em algum momento, todos terão que ceder e, certamente, nem todos ficarão satisfeitos com o capítulo final. 

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Uma noite nicaraguense de futebol via YouTube

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, em casa

Campeonato Nicaraguense tem transmissão oficial no YouTube
Campeonato Nicaraguense tem transmissão oficial no YouTube Divulgação

Em meio à pandemia do coronavírus, o esporte mundial está paralisado. Poucos campeonatos de futebol seguem em atividade, como o Bielorrusso, já retratado aqui no blog. Outro que permanece com a bola rolando é o glorioso Nicaraguense, que teve a 13ª rodada do Clausura disputada nesta quarta-feira à noite. Com transmissão ao vivo via YouTube.

Apaixonados pelo esporte bretão, carentes pelo mundo, tiveram a oportunidade de acompanhar as cinco partidas. Eu, particularmente, assisti o empate em 1 a 1 entre Monagua e Real Estelí - líder e vice-líder da Liga Primera.

O nível técnico, obviamente, é muito baixo. Trata-se de uma liga fraca até mesmo para os padrões da Concacaf. A Nicarágua teve apenas cinco casos de coronavírus confirmados até agora, com uma morte e sem transmissão comunitária. Diante desse cenário, o governo de Daniel Ortega, contrariando as orientações da Organização Mundial de Saúde, mantém o país funcionando normalmente, sem isolamento social.

Beisebol, boxe e futebol são os três esportes mais populares da Nicarágua, e todos seguem em atividade. A Federação Nicaraguense, que controla as competições da segunda divisão para baixo e a base, já paralisou tudo. A Liga Primera é independente e optou por continuar.

O empate entre Managua e Real Estelí foi divertido, mas os visitantes mereciam sorte melhor. Criaram mais chances, finalizaram bem mais e pressionaram bastante nos últimos dez minutos. Os clubes venceram as últimas edições: Apertura 2018, Managua, e Clausura e Apertura 2019, Real Estelí - calendário europeu.

Foi curioso, também, acompanhar a reação dos muitos brasileiros que também assistiram à transmissão. Reproduzo abaixo algumas das mais variadas mensagens no chat que rolava ao vivo. Se não for paralisado, o Campeonato Nicaraguense terá a 14ª rodada do Clausura disputada no próximo final de semana.

Matheus Henrique Egidio Gomes
prorrogação não tem ?

Felipe Eduardo Stein
preferia não ter visto futebol kkkk

afael Ribeiro
Parece final de copa do mundo pro narrador

Mateus Pereira
Tanto tempo sem futebol que esqueci as regras, são dois tempos de 90 min né? e a live só caiu né?

Eduardo Luiz
tem outro ?

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O futebol terá que reajustar seus valores

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, em casa

Futebol mundial está paralisado pela pandemia de coronavírus
Futebol mundial está paralisado pela pandemia de coronavírus Getty Images - Montagem

A redução provisória em 70% dos salários dos jogadores do Barcelona chamou a atenção nesta semana. Em meio à pandemia de coronavírus, a atitude anunciada por Lionel Messi e depois compartilhada pelos companheiros foi uma das mais audaciosas na tentativa de reduzir os custos do futebol diante da inevitável recessão da economia global.

Antes, outros grandes clubes já haviam feito o mesmo, com valores diferentes - casos de Bayern Munique, Juventus, entre outros. A Premier League ainda discute a melhor forma de agir, assim como no futebol brasileiro muitas discussões estão acontecendo.

A realidade de grandes clubes e seus jogadores com salários milionários não pode ser tomada como regra. Não se deve exigir o mesmo tipo de atitude da maioria de agremiações e atletas em realidade financeira bem distinta, sem a mesma capacidade de arrecadação. Por isso é necessário um Estado forte e atuante, ou no caso da análise esportiva, uma Confederação forte e atuante, com preocupação nos menos abastecidos - respeitando, sempre, a ciência e a saúde da população.

A Federação Espanhola já mostrou o caminho, ao apresentar diversas medidas para proteger os trabalhadores do futebol nesse duro e necessário período de quarentena. Ainda são aguardadas ações da CBF nesse sentido. Recentemente, em 17 de março, a entidade anunciou receita total de R$ 957 milhões em 2019 e superávit de R$ 190 milhões, aumento de 265% em relação ao ano anterior.

É necessário encarar o presente de maneira séria e responsável. A paralisação do esporte mundial, sem qualquer previsão realista de retorno, trará impactos enormes, tanto esportivos como econômicos. Não sabemos, sequer, se as atuais temporadas europeias terminarão. E tem que ser assim, porque o mais importante é salvar vidas.

Muito além das negociações de redução de salários ou ajuda extraordinária dos órgãos competentes, há o cenário pós-pandemia.

Nos últimos dias, Carlo Ancelotti, técnico do Everton, e Uli Hoeness, ex-presidente do Bayern, já falaram sobre drástica redução nos montantes de transferências de jogadores. Nesta segunda-feira, o CIES Football Observatory publicou um estudo em que estima diminuição em 28% nos valores de negociações nas cinco grandes ligas europeias.

Um exemplo demonstrado foi Paul Pogba, que teria seu valor de mercado reduzido de 65 milhões de euros para 35 milhões. Vale ressaltar que o CIES trabalha com estimativas sobre "valores de mercado" de atletas, a partir de um algoritmo próprio.

Fato é que o mercado de futebol não passará impune por esse período difícil da civilização. Para citar ainda as cinco grandes ligas, Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França, em estágios diferentes, enfrentarão difíceis situações econômicas após a pandemia de coronavírus.

Houve, nos últimos anos, um superaquecimento no mercado de transferências, com a barreira dos 100 milhões de euros sendo quebrada e regularmente superada. Valores estratosféricos! Esse mundo, parafraseando o biólogo e pesquisador Átila Iamarino, não existe mais. Ao menos no curto prazo.

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Por que o campeonato de Belarus ainda não parou?

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, em casa
Torcedor vê jogo em Belarus durante pandemia do coronavírus
Torcedor vê jogo em Belarus durante pandemia do coronavírus Getty

A Europa segue na luta contra o coronavírus, e por conta disso todos os principais campeonatos nacionais e continentais corretamente pararam, seguindo orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Belarus segue na contramão.

Neste final de semana aconteceu a segunda rodada do Campeonato Bielorrusso. No país, a temporada segue o calendário anual, ou seja, começa e termina no mesmo ano, diferentemente da maior parte do continente. 

Nos oito jogos realizados entre sexta e domingo, 8.958 torcedores compareceram às arquibancadas, que seguem abertas. Houve um mínimo controle de temperatura das pessoas na entrada e algumas usaram máscaras. O maior público (2.150) esteve presente no estádio Junatsva, em Mozyr, interior do país, na vitória do Slavia sobre o gigante nacional BATE Borisov - segunda derrota da equipe.

Belarus teve, até este final de semana, segundo dados oficiais da mesma OMS, apenas 94 casos de pessoas infectadas por coronavírus e nenhuma morte. Esse cenário, contestado por jornalistas independentes, serve de escudo para o presidente do país, Alexander Lukashenko, se posicionar de maneira polêmica.

No cargo desde julho de 1994, ele já afirmou que a pandemia poderia ser combatida com vodka e banhos de sauna seca, além de classificar a situação atual como psicose. Com seu apoio, a federação bielorrussa de futebol manteve a abertura da Vysshaya Liga e não pensa em parar por enquanto.

"É uma grande surpresa para todos nós em Moscou assistirmos o Campeonato de Belarus. Na TV, jornalistas tentam analisar as partidas e ninguém conhece os jogadores, mesmo aqui na Rússia. É um pouco estranho, mas a principal razão de tudo isso é o presidente do país, Lukashenko", afirma o jornalista do site Championat Grigory Telingater. "Com 12 anos escrevendo sobre futebol, nunca tinha escrito sobre o Campeonato Bielorrusso", completou.

Na prática, autoridades do futebol bielorrusso querem lucrar com a situação. Jamais o campeonato nacional teve tanta repercussão como atualmente. Desde que começou, ao menos dez países compraram os direitos de transmissão, entre eles a própria Rússia, além de Israel e Índia. Nesta segunda, Lukashenko participou de uma partida de hóquei sobre o gelo e afirmou que o esporte é um "remédio anti-vírus".

Recentemente, um dos maiores ídolos na história do futebol bielorrusso, Alexander Hleb, criticou a manutenção do futebol no país. 

Em campo, o Minsk venceu o clássico com o Dínamo Minsk por 3 a 2 e foi a seis pontos, com seis gols marcados e três de saldo. A equipe lidera a competição e está à frente de Energetik-BGU, Isloch Minsk e Torpedo BelAZ, todos com 100% de aproveitamento também, nos critérios de desempate. O Dínamo Brest, atual campeão, venceu seu primeiro jogo ao fazer 1 a 0 no Slutsk, fora de casa.

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Quando uma vitória no esporte se transforma em linda ação social

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, em casa

A milagrosa cesta de Nathan Bain
A milagrosa cesta de Nathan Bain Divulgação

Em tempos de quarentena, com tantas notícias ruins pelo mundo e pelo Brasil, boas histórias merecem ser contadas. O esporte é capaz de produzir muitas delas, como tudo que aconteceu com Nathan Bain.

O ala da pequena universidade Stephen F. Austin, no Texas, era apenas mais um de tantos atletas. Natural de Freeport, nas Bahamas, viu sua vida mudar completamente após a tragédia que abalou seu país natal. Em setembro de 2019, o furacão Dorian arrasou as Bahamas e deixou um rastro de destruição - incluindo a casa de seus pais.

Ele, então, recebeu uma autorização especial da NCAA para abrir uma página de vaquinha, para receber doações e enviar para seus pais. No basquete universitário os jogadores não podem ter qualquer vantagem financeira, é absolutamente proibido pela comissão atlética. Diante da gravidade do caso, foi liberada a possibilidade.

As primeira semanas de arrecadação foram decepcionantes, com pouco mais de 2 mil dólares. Foi quando o jogo contra Duke chegou, em novembro.

A tradicional faculdade da Carolina do Norte era a melhor do país, grande favorita contra os azarões de Stephen F. Austin. Foi quando o basquete se mostrou ainda mais maravilhoso na trajetória de Nathan Bain.

Ala com médias modestas, 5,8 pontos e 3,8 rebotes, sem qualquer perspectiva de se profissionalizar no jogo. Uma cesta. A cesta da vitória sobre Duke foi suficiente para alterar completamente o futuro de toda família.

Dezenas de milhares de pessoas descobriram a página de doações de Bain e garantiram mais de 150 mil dólares para a reconstrução da vida de seus familiares nas Bahamas.

Muito além destas palavras escritas, assistam a matéria especial no Watch ESPN.

https://www.espn.com/watch/player?bucketId=23195&id=b8e7a54a-6118-4593-acce-8026ebff8f09

Tudo isso me lembro demais o que aconteceu com Andy Dalton, quarterback do Cincinnati Bengals, e os torcedores do Buffalo Bills.

Era a semana 17 da temporada 2017 da NFL. Os Bills precisavam vencer os Dolphins, em Miami, e torciam por uma derrota dos Ravens, em Baltimore, diante dos Bengals para retornar aos playoffs pela primeira vez em 17 anos.

Buffalo fez o que precisava e ganhou por 22 a 16. Faltava a parte mais difícil.

Quarta descida para 12, linha de 49 jardas, 53 segundos no cronômetro. Dalton pressionado, acha um passe incrível para Tyler Boyd, que dispara para a endzone. Touchdown Bengals, Bills classificados.

Imediatamente após a partida, a fanática torcida de Buffalo descobriu que Dalton mantinha, com a esposa Jordan, uma entidade beneficente com foco na assistência a crianças com necessidades especiais.

Por causa daquele passe, os torcedores dos Bills, em enorme quantidade, passaram a fazer doações de 17 dólares - pelo jejum fora dos playoffs - na conta da entidade. Foram mais de 150 mil dólares arrecadados! Depois foi a vez de Tyler Boyd receber o apoio, em sua entidade.

Belas histórias de amor e solidariedade através do esporte.

https://www.nfl.com/gamecenter/2017123101/2017/REG17/bengals@ravens?icampaign=GC_schedule_rr


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Único caminho para o futebol masculino olímpico é ampliar o limite de idade para Tóquio

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, em casa

Seleção brasileira está classificada para as Olimpíadas de Tóquio
Seleção brasileira está classificada para as Olimpíadas de Tóquio Lucas Figueiredo/CBF

O correto adiamento das Olimpíadas de Tóquio, que não mais acontecerão neste ano e sim em 2021, provocou enormes dificuldades para diversos esportes. Muitos não finalizaram os classificatórios e ainda terão que discutir novas formas, enquanto outros dependem do ranking das respectivas modalidades. O futebol masculino vive imbróglio diferente.

Por haver limite de idade entre os participantes, até 23 anos (nascidos a partir de 01/jan/1997), com exceção de três atletas, surgiu a inevitável pergunta: e agora?

A Fifa rapidamente aplaudiu a decisão do Comitê Olímpico Internacional em adiar o torneio, que deveria acontecer de 23 de julho a 8 de agosto. Ainda não há nova data para a realização dos Jogos, mas não é impossível que aconteça no primeiro semestre. Isso porque o calendário de Mundiais em modalidades como atletismo e natação já prevê competições para 2021, e também deve ser revisto para comportar tudo.

Além do Brasil, mais 13 países já garantiram vaga: Japão (anfitrião), Argentina, Alemanha, Espanha, França, Romênia, Nova Zelândia, Costa do Marfim, Egito, África do Sul, Austrália, Coreia do Sul e Arábia Saudita. Canadá, Costa Rica, Estados Unidos, El Salvador, Haiti, Honduras, México e República Dominicana disputam as duas últimas vagas pela Concacaf - o torneio pré-olímpico deveria ter acontecido no final de março. 

Se levarmos em conta a última convocação da seleção olímpica brasileira, feita pelo técnico André Jardine, 11 dos 23 atletas ficariam fora pelo limite de idade. Entre eles, alguns destaques, como Lucas Paquetá, Maycon e Matheus Henrique. Assim como a CBF, todas outras entidades nacionais fizeram suas preparações com uma base de jogadores nascidos dentro até a data estabelecida. Seria injusto, com atletas e treinadores, mudar a regra do jogo agora. Ainda mais diante de uma excepcionalidade, como é o gravíssimo caso da pandemia de coronavírus.

De qualquer modo, mesmo alterando a competição para sub-24, a dificuldade para liberação dos jogadores para a já desprestigiada modalidade olímpica será enorme. Os Jogos não fazem parte do calendário da Fifa, logo, os clubes não são obrigados a liberar os atletas. As negociações da CBF já haviam começado, mas enfrentarão um empecilho ainda maior em 2021.

A paralisação do esporte mundial afeta todas as ligas nacionais e os torneios continentais. É impossível, hoje, projetar o retorno das atividades no futebol, e essa não é e nem deve ser a prioridade. Confederações nacionais precisam pensar em como podem ajudar os clubes nesse período sem arrecadação.

Assim, todo impasse em relação à finalização dos torneios de clubes que estavam em andamento e o início de diversas competições de seleções - eliminatórias, Copa América, Euro - só aumenta. Na prática, congestiona ainda mais um já lotado calendário do futebol.

Após todo esse inferno passar e a população mundial superar mais esse desafio de sobrevivência, voltaremos a olhar para o futebol e nos preocupar com o esporte bretão. E muito teremos que discutir.

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Se você pudesse escolher apenas um jogo de futebol em toda história para assistir, qual seria?

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, em casa

O homem sempre sonhou em viajar no tempo. Desde os primórdios da ciência até a Teoria da Relatividade, de Albert Einstein, o estudo do tempo se mostra presente e sempre em evolução. Mas já imaginaram se fosse realmente possível voltar na história para fazer qualquer coisa?

Centenas de filmes já nos mostraram os riscos dessa experiência. Para pessoas da minha geração, De Volta para o Futuro é praticamente um dicionário sobre o tema. Mudar o passado mexe com o futuro, poderia criar multiversos, reescrever a própria história... Caramba, melhor se ater ao tema proposto no título deste texto.

Se você pudesse escolher apenas um jogo de futebol em toda história para assistir, qual seria? Vale qualquer um, incluindo aqueles que você viu e gostaria de rever. Difícil, não é mesmo?

Cada um de nós terá muitos motivos para escolher. O jogo marcante do seu time de coração, uma final de Copa do Mundo, a estreia de uma lenda do futebol, uma partida épica cheia de mistérios ou a sua primeira vez em uma arquibancada de futebol. Particularmente, apelo para a história e lembranças de infância.

Sempre fui completamente apaixonado pela Copa de 1950. Um interesse grande por uma das maiores tragédias esportivas do nosso futebol. A história do Maracanazzo permeava minha mente desde que comecei a me interessar pela leitura por conta própria e, consequentemente, buscar livros que me interessassem muito.

"Anatomia de uma derrota", de Paulo Perdigão; "Dossiê 50", de Geneton Moraes Neto; "O Rio corre para o Maracanã", de Gisella de Araújo Moura; "A Copa que ninguém viu e a que não queremos lembrar", de Armando Nogueira, Jô Soares e Roberto Muylaert; "Goleiros: heróis e anti-heróis da camisa 1", de Paulo Guilherme; "A pátria em chuteiras" e "À sombra das chuteiras imortais", de Nelson Rodrigues.

Brasil x Uruguai na final da Copa de 1950
Brasil x Uruguai na final da Copa de 1950 Getty Images

Todos esses livros têm espaço especial na minha estante e na minha memória. Eles criaram um filme no meu imaginário daquele 16 de julho de 1950. Desde toda população concentrada para o jogo decisivo, a chegada no Maracanã, a subida pela rampa, a aglomeração de pessoas, os 200 mil torcedores nas arquibancadas - ou 10% da população carioca na época.

Recentemente li outro livro delicioso sobre esse dia, uma crônica do Vinícius Mariano Neves que nos transporta em alma para tudo que aconteceu, através de uma criativa história. 

Poucos se atentam, mas não houve uma final da Copa de 1950. O regulamento previa um quadrangular decisivo, e para estes se classificaram Brasil, Uruguai e Espanha. Coincidentemente, brasileiros e uruguaios chegaram na última rodada brigando pelo título, após os comandados do polêmico Flávio Costa golearem Suecos (7x1) e Espanhóis (6x1), enquanto os vizinhos sul-americanos ficaram no 2 a 2 com a Espanha e venceram a Suécia por 3 a 2.

Isso fez com que o Brasil jogasse pelo empate, já que tinha quatro pontos, contra três do Uruguai. De tanto ler e ouvir a narração de Antônio Cordeiro, consigo visualizar o gol de Friaça aos dois minutos do segundo tempo. Sinto toda aflição no estádio com o empate de Schiaffino aos 21. Choro junto com os 200 mil brasileiros ao ver o avanço de Ghiggia pela direita aos 34 e a finalização a gol. A seguir, como genialmente descreveu Nelson Rodrigues, o silêncio ensurdecedor.

Para quem quiser reviver tudo isso também, além das leituras indicadas, é possível viajar no tempo com o áudio completo da transmissão da Rádio Nacional.

https://youtu.be/C5pvdIf50Ag

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Futebol em Belarus tem abertura do campeonato, declarações absurdas do presidente nacional e posicionamento contrário do ídolo Hleb

Gustavo Hofman
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Hleb se aposentou no ano passado
Hleb se aposentou no ano passado Divulgação

Poucas competições esportivas ainda acontecem no mundo, diante da pandemia de coronavírus. Uma delas é o Campeonato Bielorrusso de futebol da primeira divisão.

Belarus faz parte do grupo menor de nações europeias que organizam seu calendário anualmente. Ou seja, assim como faz o Brasil, as competições começam e terminam no mesmo ano. Na última quinta-feira, teve início a temporada 2020 do futebol no país.

A situação chama atenção em todo planeta, afinal de contas, a responsabilidade para conter a pandemia é de todos nós. As últimas estatísticas oficiais, atualizadas nesta segunda (23/mar), indicam 81 casos e, felizmente, nenhuma morte em Belarus.

Diante desse cenário, as autoridades do futebol bielorrusso optaram por seguir com o planejamento da temporada. A primeira rodada aconteceu normalmente, inclusive com portões abertos em todos os jogos, e a segunda está prevista para acontecer a partir da próxima sexta.

O Dinamo Brest, atual campeão, que conquistou seu primeiro título bielorrusso em 2019, estreou diante de 3648 torcedores e ficou no empate em 1 a 1 com o Smolevichy-STI - foi o jogo de maior público. Houve gol brasileiro também: o Torpedo BelAZ Zhodino surpreendeu o Shakhtyor Soligorsk e venceu por 1 a 0, fora de casa, com o estreante Gabriel Ramos sendo o herói. Algumas partidas não chegaram em mil torcedores.

Um dos maiores nomes na história do futebol bielorruso criticou a federação de seu país. Aleksandr Hleb (ex-Stuttgart, Arsenal e Barcelona, aposentado no ano passado), ironizou a situação nesta segunda. "Todo o mundo agora assiste a liga bielorrussa. Todos deveriam ir à televisão para nos assistir. Talvez Lionel Messi e Cristiano Ronaldo devam vir para a liga Belarus e seguir jogando". Na Rússia, país vizinho, onde o campeonato nacional foi paralisado, as partidas do Bielorrusso estão sendo transmitidas.

Na sequência, Hleb afirmou: "o coronavírus parou a Champions League e a Europa League. Isso é bom, porque você precisa tentar pará-lo. A Uefa acertou. Mas em Belarus, ninguém liga. É incrível. Talvez em uma ou duas semanas nós pararemos também. Talvez nosso presidente esteja apenas esperando para ver o que acontece com o vírus. Todos aqui sabem o que aconteceu na Itália e na Espanha. Isso não é bom. Mas no nosso país, as pessoas na administração presidencial acreditam que não é tão extremo como dizem as notícias".

Aleksandr Lukashenko, presidente de Belarus, concedeu diversas entrevistas polêmicas nos últimos dias. Além de afirmar ser um exagero total o fechamento de fronteiras, recomendou aos cidadãos beberem vodka, fazerem sauna seca ou trabalharem em tratores para se protegerem do coronavírus.

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Estratégia de jogo, estilo de futebol, jogadas ensaiadas: tudo isso traduzido em estatísticas na Premier League

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, em casa

Pep Guardiola é responsável por muitos desses números
Pep Guardiola é responsável por muitos desses números Getty Images (arquivo)

Com a necessária pausa do esporte mundial, mergulhei em algumas estatísticas mais avançadas da Premier League. Números que vão bem além de gols marcados, sofridos, artilheiro e tantas outras marcas destacadas rotineiramente.

É possível, através da interpretação das estatísticas, mostrar informações relevantes, que ajudam a entender vários aspectos de uma competição. Todos os números são do Wyscout, após 29 rodadas - lembrando que Manchester City, Sheffield United, Arsenal e Aston Villa estão com uma partida a menos.

Gols a cada 15 minutos

1-15 Liverpool (9)
16-30 Manchester City (14)
31-45+ Liverpool (18)
46-60 Chelsea (13)
61-75 Leicester (11)
76-90 Manchester City (17)

Liverpool e Manchester City costumam definir seus jogos ou no mínimo abrirem vantagem já no primeiro tempo. São os dois melhores ataques e os times com mais vitórias na competição.

Esquemas táticos mais utilizados

Arsenal 4-2-3-1
Chelsea 4-3-3
Manchester United 4-2-3-1
Liverpool 4-3-3
Newcastle 5-4-1
Aston Villa 4-1-4-1
Southampton 4-4-2
Everton 4-4-2
Tottenham 4-2-3-1
Manchester City 4-3-3
Norwich 4-2-3-1
Crystal Palace 4-3-3
Wolverhampton 3-4-3
Leicester 4-1-4-1
West Ham 4-1-4-1
Sheffield United 3-5-2
Watford 4-2-3-1
Burnley 4-4-2
Brighton 4-4-2
Bournemouth 4-4-2

Através desse levantamento, confirma-se a percepção da grande variedade tática que se encontra na Premier League. Há três formações que podem ser consideradas padrão: 4-42, 4-3-3 e 4-2-3-1.

Distância das finalizações

A FAVOR
Menor: Sheffield United 15.71m
Maior: Newcastle 19.51m

CONTRA
Menor: West Ham 16.64m
Maior: Arsenal 18.45m

O Sheffield United é o time que menos finaliza a gol na Premier League com média de 8,56 por jogo. Time organizado e que consegue transformar as poucas chances criadas em lances perigosos e cara a cara com os goleiros. Os comandados de Chris Wilder têm apenas o 15o melhor ataque da competição.

Média de recuperações de bola no último terço

Liverpool 17
Manchester City 16.95
Chelsea 13.46

Sem qualquer surpresa, Liverpool e City lideram essa estatística. Uma estratégia padrão de Jürgen Klopp e Pep Guardiola é a pressão constante sobre o adversário e a rápida recuperação rápida da posse de bola quando perdida.

Passes por jogo

Manchester City 614.85
Liverpool 555.55
Chelsea 536.80
Brighton 460.31
Leicester 454.45

Destaque para o Brighton que optou, nesta temporada, por uma mudança drástica na sua ideia de jogo. Ao trocar Chris Hughton por Graham Potter, a diretoria abriu mão de um jogo reativo, que garantiu o acesso à Premier League e manteve o clube por pelo menos duas temporadas, por um estilo mais ofensivo. O lateral Bernardo, em entrevista no podcast Correspondentes Premier, já comentou sobre essa troca.

Posse de bola longa

+45 segundos

Manchester City 360 jogadas
Liverpool 282 jogadas
-
Newcastle 77 jogadas
Burnley 63 jogadas

Média por posse de bola

Manchester City 22,1s
Liverpool 18,4s
-
Newcastle 12s
Burnley 11,1s

Aqui é, acima de tudo, curioso destacar a diferença nos estilos das equipes. Muitas vezes, parece que alguns times jogam esportes diferentes pela forma como se comportam em campo. Enquanto os melhores da Premier League priorizam a manutenção da posse de bola, os mais fracos - por estratégia ou por carência técnica - jogam em transição rápida.

Cruzamentos (média)
Manchester City 21.92

Dribles (média)
Wolverhampton 31.24

Toques na área (média)
Manchester City 32.46

Faltas sofridas (média)
Aston Villa 11.69

Passes curtos em jogadas de bola parada
Manchester City 60

O City é o destaque em diversas estatísticas coletivas, e demonstrando sua enorme capacidade ofensiva. Lidera em toques na grande área adversária, assim como em cruzamentos. Utiliza muito seus pontas para criarem as jogadas para os atacantes centrais ou os meias. E no ranking total de cobranças de falta ou escanteio com passes curtos, tem quase o dobro do segundo colocado (Arsenal, 36).

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Estratégia de jogo, estilo de futebol, jogadas ensaiadas: tudo isso traduzido em estatísticas na Premier League

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Memória afetiva e as listas dos melhores do mundo

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, em casa

Romário e a saudosa Copa de 1994
Romário e a saudosa Copa de 1994 Divulgação

Em tempos de crise mundial por causa da pandemia de coronavírus e a consequente paralisação do esporte, surge espaço e tempo para pautas menos factuais no jornalismo esportivo. Como por exemplo listas ou rankings de melhores jogadores.

Na sexta-feira, o perfil oficial da ESPN Brasil no Twitter publicou a seguinte pergunta: qual o melhor jogador, entre os que você viu jogar, de cada um desses países? As opções foram Brasil, Argentina, Uruguai, Espanha, França, Portugal, Alemanha, Itália, Inglaterra, Bélgica e Holanda.

Entendo que, acima de tudo, não há errado ou certo. Simplesmente porque existe algo chamado "memória afetiva" que sempre nos influenciará.

Nesse grupo especial, guardado em nossa memória e no nosso coração, estão aqueles jogadores que marcaram a infância e a adolescência de cada um de nós. Não foram necessariamente os melhores de seus times ou os atletas que mais se destacaram em suas posições, mas por motivos diversos entraram no nosso imaginário para sempre.

Isso não nos impede de fecharmos os olhos para o talento acima do bem e do mal. Mesmo que esse tenha lhe causado mais tristeza do que alegria.

A Copa do Mundo que mais me marcou foi a de 1994. Aos 13 anos, nada na vida era mais importante do que futebol. Ver o Brasil campeão, com Romário sendo o melhor jogador do mundo marca demais.

Sempre fui, também, um apaixonado por história e geografia. Isso me levou a pesquisar, ler livros, me aprofundar muito no futebol internacional. Através dele eu aprendia sofre fronteiras, guerras, processos de independência e tantos outros aspectos que compõem a rica diversidade cultural do planeta.

A partir daí, para um garoto nascido em 1981, Enzo Francescoli, Roberto Baggio, Alan Sherer, Marco van Basten, entre tantos outros, são personagens que se tornam ainda melhores com o avanço das décadas e o aumento do saudosismo em nossas lembranças.

Crescemos e isso é irremediável. Com a fase adulta vem as preocupações, as responsabilidades e uma capacidade crítica maior também - ainda mais para quem cursa jornalismo e passa a trabalhar no futebol. O distanciamento emocional é inevitável e necessário, sem jamais perder a ternura.

Surgem então gênios do futebol, como Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Zinédine Zidane. Atletas que colocam seus nomes na história do esporte bretão de maneira clássica, como Xavi, ou ainda em construção, como Kevin de Bruyne.

Mas é engraçado como ainda há espaço para algo mais informal, carinhoso. Quem esteve no Maracanã, no dia 13 de julho de 2014 viu uma daquelas atuações que ficam gravadas para sempre nas retinas. A liderança, a técnica, o sangue deixado em campo por Bastian Schweinsteiger... Como não se influenciar por tudo que esse homem fez naquele dia?

Boas lembranças nos trazem alegria. O futebol traz boas lembranças. Os tempos atuais precisam de boas lembranças.

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Clube que mais aproveita a base, maior média de altura, com mais estrangeiros... Curiosidades e dados sobre todas ligas europeias

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, em casa

Frank Lampard e seus garotos no Chelsea
Frank Lampard e seus garotos no Chelsea Chelsea

O CIES Football Observatory, com a paralisação do esporte mundial devido ao coronavírus, atualizou seu atlas global com informações demográficas sobre jogadores de 31 ligas nacionais europeias na atual temporada. Como sempre, muitas informações relevantes e curiosas.

Nenhum clube na Premier League utiliza mais atletas da base. Até agora, eles jogaram 30,3% dos minutos dos Blues - para ser considerado "club-trained" o jogador precisa ter passado pelo menos três temporadas no clubes entre 15 e 21 anos. Não é uma surpresa a liderança pela estratégia de Frank Lampard e também pela proibição de contratações na janela de verão.

Logo na sequência aparece o Manchester United, de Ole Gunnar Solskjaer, com 27,7%, bem à frente dos terceiros, West Ham e Tottenham (17,8%). Na ponta contrária está o exército português do Wolverhampton, liderado por Nuno Espírito Santo, com somente 0,4%. O virtual campeão, Liverpool, é o 12o com 9% e o Manchester City antepenúltimo com 2,8%.

Em todo continente, o clube que mais dá oportunidades aos jovens da base é o Sigma Olomouc, da Tchéquia, que teve 66,7% dos minutos da temporada até aqui jogados pelos jovens. A liga tcheca foi paralisada na 24a rodada: o Slavia Praga lidera com 58 pontos, enquanto o Sigma é apenas o décimo, com 26 pontos a menos.

Jovens e nem tão jovens assim

Na média de idade, o representante das cinco grandes ligas europeias - Inglaterra, Alemanha, Espanha, Itália e Espanha - mais "velho" vem da Premier League. O Crystal Palace tem média de 29,7 anos de todos atletas que já entraram em campo. Não muito distante do time mais veterano da Europa, o Göztepe, na Turquia, com índice de 30,9.

O Campeonato Turco foi um dos último a parar na continente, após 26 rodadas. O Göztepe é o oitavo na tabela com 37 pontos, bem distante da briga pelo título entre Trabzonspor, Istanbul Basaksehir, Galatasaray e Sivasspor. Aliás, são nove clubes turcos entre os 20 com maiores médias de idade no geral. É a liga nacional mais "velha" de toda Europa.

Qual é o mais "novo"? O Nordsjaellan, do Campeonato Dinamarquês, com média de 22,5 anos. Chama atenção no ranking o posicionamento do Famalicão, de Portugal, com índice de apenas 23,8. O clube é a sensação da temporada portuguesa e tem forte ligaçãlo com o mega-empresário Jorge Mendes.

Quando o assunto é a altura média dos atletas, o domínio é de alemães, sérvios e dinamarqueses, com dois clubes cada entre os dez primeiros. Union Berlim-ALE (187,4), Horsens-DIN (186,1) e Cucaricki-SER (185,9) são os três primeiros - medidas em cm.

A estatística em que os grandes europeus deixam os pequenos bem distantes é na estabilidade de seus atletas. Ou seja, há quanto tempo os jogadores do atual elenco estão no clube. Em primeiro aparece o Real Madrid, onde os atletas estão em média há 69,2 meses. Logo depois o maior rival merengue, o Barcelona, com índice de 63,5.

Há um intruso entre os gigantes, já que o Mattersburg, na luta contra o rebaixamento na Áustria, é o terceiro com média de 55,1 meses. Depois vêm Bayern Munique (53,8) e Shakhtar Donetsk (51,7). A ponta de baixo cabe ao glorioso Gil Vicente, de Portugal, que mantém seus jogadores apenas e incríveis cinco meses na média. Lembram-se do Famalicão? Além de ser um dos mais jovens, é também um dos que mais rodam o elenco: média de 6,3 meses para cada atletas. Algo fácil se ser explicado pelo ja citado Jorge Mendes.

Estrangeiros

Por fim, uma estatística bastante relevante é o índice de expatriados por elenco. Jogadores expatriados são considerados aqueles que atuam em uma liga nacional diferente daquela(s) em que ele foi formado.

Atalanta e Wolverhampton, duas sensações da temporada na Europa, são os clubes das cinco grandes ligas com o maior percentual em seus grupos, com 88% e 87,7%, respectivamente. Pouco abaixo dos dois líderes do índice, os cipriotas Omonia (93,4%) e AEK Larnaca (92,7%).

Entre os grandes clubes, os primeiros a aparecer no ranking são Juventus, com média de 82,6%, Arsenal, 82%, Porto, 81,7%, e Manchester City, 81,6%.

Ao todo, apenas cinco clubes de todas as 31 ligas nacionais analisadas: Backa Topola (Sérvia), Paksi (Hungria), Lyngby (Dinamarca) e Macva Sabac (Sérvia), além do mais óbvio de todos, o Athletic Bilbao.

O link para o levantamento completo está a seguir. É possível ter várias "leituras", são muitas possibilidades para análise. Como mergulhar, especificamente, em uma única competição nacional. Convido todos a fazer isso e me marcar no Twitter (@gustavohofman) para divulgar os estudos.

https://football-observatory.com/IMG/sites/atlasdemo/

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O cometa Haaland tem tudo para se tornar uma estrela

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman




Haaland x Neymar: no duelo de craques, melhor para o artilheiro do Borussia Dortmund na Champions League

São tantas marcas impressionantes alcançadas por Erling Haaland em suas primeiras semanas de Borussia Dortmund, que os sistemas de estatísticas quase entraram em colapso nesta terça-feira. Na vitória do Borussia Dortmund sobre o Paris Saint-Germain, por 2 a 1, pelo jogo de ida da Champions League, o atacante norueguês marcou os dois gols e garantiu a vantagem para o time alemão no confronto.

Uefa e Opta Sports, imediatamente após o final da partida, começaram a disparar informações relevantes sobre os feitos alcançados pelo atleta de apenas 19 anos. Vamos a algumas delas.

- Quinto jogador na história a marcar pelo menos 10 gols na primeira edição que disputa de Champions League. Os outros foram Just Fontaine (10, em 1958-59), Claudio Sulser (11, 1978-79), Sadio Mané (10, 2017-18) e Roberto Firmino (10, 2017-18);

- Segundo atleta com no máximo 21 anos a marcar dez gols na Champions League, mas o primeiro a atingir essa marca em uma única competição. Kylian Mbappé tem 13 gols;

- Nunca um jogador tinha marcado dez gols na Champions com apenas sete jogos disputados. O recorde anterior era de 11 partidas;

- Primeiro atleta na história do Borussia Dortmund a marcar nas estreias por Bundesliga, Copa da Alemanha e Champions League;

- Com a camisa do Dortmund são dez gols em sete jogos, dois a mais do que qualquer outro jogador das cinco grandes ligas europeias desde janeiro;

- São dois gols ou mais em 11 das 29 partidas que disputou na temporada 2019-20 por Red Bull Salzburg e Borussia Dortmund;

- No total, Erling Haaland marcou 39 gols em 29 jogos pelos clubes na atual temporada.

Haaland, do Borussia Dortmund, comemora após marcar contra PSG
Haaland, do Borussia Dortmund, comemora após marcar contra PSG Getty Images

A primeira vez que o mundo ouviu falar dele foi em 30 de maio do ano passado, quando anotou nove gols na goleada da Noruega sobre Honduras por 12 a 0, pelo Mundial sub-20. O Salzburg já tinha descoberto seu potencial e em agosto fechou a contratação do atacante do Molde.

Pela Bundesliga austríaca, antes mesmo de estrear na fase de grupos da Champions, Haaland já dava mostras da excelente finalização, da boa movimentação entre os defensores adversários e a velocidade que o marcam em campo. Fora a assustadora tranquilidade para marcar gols.

É difícil afirmar onde chegará esse cometa que passa pelo futebol europeu, mas os sinais iniciais são incríveis. A probabilidade de se tornar uma estrela é enorme, contrariando as leis da astrofísica.

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Zürich é goleado novamente pelo Basel por 4 a 0, com boa atuação de Arthur Cabral

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Arthur deu duas assistências na goleada do Basel sobre o Zürich
Arthur deu duas assistências na goleada do Basel sobre o Zürich FC Basel

Em um dos grandes clássicos do futebol suíço, o Basel goleou o Zürich por 4 a 0, fora de casa, neste sábado. Foi o mesmo placar do jogo entre as equipes no primeiro turno. Fabian Frei, com um hattrick, foi o grande destaque.

O resultado mantém o Basel na terceira posição, agora com 39 pontos após 21 rodadas, e encerra uma sequência de três derrotas consecutivas. Já o Zürich, com 31 pontos, se distancia ainda mais da briga pelo título; St. Gallen e Young Boys têm 44.

A primeira divisão suíça, oficialmente chamada de Swiss Super League, conta com dez times e é disputada em quatro turnos. Com isso, casa equipe disputa um total de 36 jogos na temporada. O Young Boys é o atual bicampeão da competição, que viu em 2019 seu maior vencedor, o Grasshopper - 27 títulos - ser rebaixado.

Taticamente, as duas equipes utilizam variações tradicionais. Enquanto o Zürich joga no 4-2-3-1 e marca no 4-4-2, o Basel varia do 4-3-3 na fase ofensiva e o 4-1-4-1 na defensiva.

O Basel faz um ótimo trabalho de scout de jovens atletas pelo mundo. Arthur Cabral, ex-Palmeiras e Ceará, foi um dos reforços e vem jogando muito bem. São sete gols e três assistências (duas contra o Zürich)  em 12 jogos pelo Campeonato Suíço. Há outros dois atletas paraguaios promissores, Omar Alderete (zagueiro) e Blás Riveros (lateral-esquerdo), 23 e 22 anos, respectivamente.

Já Ramires, emprestado pelo Bahia, não vive um bom momento. O jovem atleta de 19 anos sofreu uma lesão muscular em sua estreia, justamente contra o Zürich no turno, e ficou quatro meses fora. Chegou a retornar a Salvador para fazer tratamento e agora busca recuperar espaço no grupo. O Basel tem a obrigação de compra dos direitos apenas se ele disputar 23 partidas, caso contrário o clube tem liberdade para decidir.

Todos fazem parte de um grupo que tem também jogadores bem experientes. Frei, de 31 anos e ex-Mainz, abriu o placar com apenas 12 segundos, após passe de Arthur. O segundo do Basel saiu ainda no primeiro tempo, nos acréscimos, com Valentin Stocker, 30 anos e ex-Hertha Berlim, em bela batida de fora da área aos 46 minutos.

Há ainda Taulant Xhaka, de 28 anos, meio-campista defensivo. O irmão mais velho de Granit, jogador do Arsenal, é quem comanda o meio-campo do Basel.

Os dois times são muito bem organizados taticamente, e o jogo foi bastante agradável, com chances para os dois lados. Os visitantes foram melhores, sem dúvida, com mais posse de bola (52%) e bem mais finalizações também (18x13, 8x1 no alvo).

Porém, o Zürich, do zagueiro brasileiro Nathan (ex-Palmeiras e Chapecoense), jogou de igual para igual, mas não conseguia transformar a posse no campo ofensivo em chances de gol. No final do jogo, sofreu mais dois, aos 35 e 39, ambos marcados por Frei, com mais uma assistência de Arthur, um dos destaques na goleada.

Esse foi o terceiro confronto entre os times na temporada 2019-20 da Swiss Super League: 4  a 0 para o Basel, em casa, no dia 25 de setembro, 3 a 2 para o Zürich em 27 de outubro e agora outro 4 a 0 para o Basel.

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PAOK 1x0 AEK seguiu o roteiro que se espera de um clássico grego

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Vieirinha comemora o único gol do clássico
Vieirinha comemora o único gol do clássico PAOK TV

O futebol grego é marcado por rivalidades. Um dos grandes clássicos do país aconteceu neste domingo e terminou com vitória do PAOK sobre o AEK por 1 a 0, em Tessalônica. O resultado manteve o PAOK na segunda posição da Superliga com 43 pontos, um a menos que o Olympiacos. Já o AEK se distanciou dos dois primeiros, ao permanecer com 31 pontos após 18 rodadas.

Os dois clubes possuem as mesmas origens. São formados por refugiados de Constantinopla, atual Istanbul, oriundos da Guerra Grego-Turca entre 1919 e 22, da dissolução do Império Otomano e da troca de populações feita pelos governos em 1923, seguindo o Tratado de Lausanne - que delimitou as fronteiras da Turquia como a conhecemos atualmente. Ambos usam o mesmo emblema, a águia de duas cabeças, reminiscência do Império Bizantino.

A rivalidade entre os clubes sempre ficou no campo esportivo, mas nos últimos ano se acirrou demais. Em 2017 o PAOK venceu o AEK na final da Copa da Grécia por 2 a 1. Já a temporada 2017-18 ficou marcada pela conquista do AEK (primeira desde 1994), com o vice-campeonato do PAOK, graças a uma enorme polêmica.

No dia 11 de março os dois clubes se enfrentavam e o jogo foi paralisado após a invasão de campo do presidente do PAOK, Ivan Savvidis, descontente com a arbitragem e armado com um revólver. A partida não foi retomada, o campeonato ficou paralisado por mais de duas semanas e o PAOK teve três pontos retirados e dados ao AEK, que terminou campeão com 70 pontos, seis a mais que o rival. Já na temporada passada, o PAOK ficou com o título (depois de 34 anos), tendo Olympiacos e AEK na sequência da tabela.

Nas arquibancadas, somente torcedores do PAOK - 21332 no total que fizeram enorme festa do início ao fim, com os tradicionais sinalizadores. Em campo, dois times bem organizados taticamente, que fizeram uma partida muito disputada. Os donos da casa são comandados pelo português Abel Ferreira, de 41 anos, ex-Braga, que montou seu time no 4-4-2. Já os visitantes têm à frente o italiano Massimo Carrera, de 55, campeão russo com o Spartak Moscou em 2017, e atuaram na variação do 4-3-3 com a bola e o 4-1-4-1 na fase defensiva.

As duas equipes têm alguns atletas conhecidos internacionalmente, casos do veterano meia português Vieirinha, ex-Porto e Wolfsburg, pelos lados do PAOK, e o zagueiro ucraniano Dmytro Chygrynskiy, ex-Shakhtar e Barcelona, no AEK - ambos com 33 anos. O PAOK tem ainda cinco brasileiros em seus elenco: o lateral-direito Léo Matos e o meio-campista Maurício, que estiveram em campo; além de Léo Jabá e Douglas (ex-Corinthians) e o lateral Rodrigo (ex-Santo André).

O jogo foi realmente equilibrado, mas com o PAOK controlando mais o ritmo (63,4% de posse de bola). Nas finalizações, 14 a nove para os mandantes, sendo três a um no alvo. O único gol da partida saiu no segundo tempo, aos 12 minutos, com Vieirinha cobrando pênalti. Depois que o goleiro Vasileios Barkas fez grande defesa em chute do centroavante polonês Karol Widerski, vice-artilheiro do Campeonato Grego com nove gols, o próprio Vieirinha foi derrubado na pequena área pelo compatriota André Simões.

Mesmo depois de sofrer o gol, o AEK não conseguiu reagir imediatamente, mas nos últimos 15 minutos exerceu muita pressão: com bola no travessão, gol perdido e dois pênaltis pedidos (e revisados pelo VAR). No final do jogo, como em todo bom clássico grego,  ânimos exaltados entre os jogadores e algumas expulsões. Aos 46, o lateral-esquerdo Niklas Hult fez falta no inglês Chuba Akpom, ex-Arsenal, impedindo chance clara de gol em contra-ataque e foi expulso. Já aos 50, Marko Livaja recebeu o cartão amarelo e fez com que o AEK terminasse com dois jogadores a menos.

O Campeonato Grego terá, pela primeira vez em sua história, uma fase final para decidir o campeão, com os seis primeiros colocados da fase de classificação.

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Temporada escocesa caminha para haver, novamente e finalmente, a disputa entre Celtic e Rangers

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Jullien comemora o primeiro gol do Celtic na vitória sobre o Aberdeen
Jullien comemora o primeiro gol do Celtic na vitória sobre o Aberdeen Celtic

São oito título escoceses consecutivos para o Celtic. O lado verde e branco de Glasgow tem dominado o futebol nacional com enorme facilidade nos últimos anos. Neste final de semana, o time deu mais um passo na conquista do eneacampeonato ao bater o Aberdeen por 2 a 1 no sábado, diante de 59131 torcedores no Celtic Park.

A equipe da terceira cidade mais populosa da Escócia foi a "adversária" do Celtic nas duas últimas temporadas, ficando em ambas oportunidades com o vice-campeonato. O Rangers, desde que retornou à primeira divisão, em 2016-17, quatro anos após a falência, tem conseguido pela primeira vez ameaçar a campanha do eterno rival, logo no trabalho inaugural de Steven Gerrard como técnico.

Após 18 jogos, o Celtic soma 49 pontos, com uma única - e inesperada - derrota sofrida diante do Livingston, por 2 a 0, como visitante. Com uma partida a menos, o Rangers aparece com 44 pontos na segunda posição e também apenas um tropeço, justamente no Old Firm. São 12 times na elite escocesa, que se enfrentam três vezes cada; Após as 33 rodadas, a tabela separa os seis primeiros, que realizam mais cinco jornadas para definirem o campeão nacional.

O norte-irlandês Neil Lennon, de 48 anos, figura histórica do Celtic nos anos 2000, retornou ao time em fevereiro, após a saída de Brendan Rodgers para o Leicester. Ele colaborou para a conquista da terceira tríplice coroa regional consecutiva, com os título da Premiership, da Copa da Escócia e da Copa da Liga escocesa - já vencida nesta temporada também.

Taticamente o Celtic entrou em campo na variação do 4-3-3 na fase ofensiva para o posicionamento no 4-1-4-1 sem a bola, assim como o Aberdeen. A diferença, claro, estava na altura das linhas de cada time, com os donos da casa pressionando o adversário do primeiro ao último minuto. O veterano Scott Brown, aos 34 anos, é o grande organizador do Celtic em campo, atuando à frente dos defensores.

Nas estatísticas, 59% de posse de bola para o Celtic contra o Aberdeen, com um massacre nas finalizações: 28 x 2, sendo 11 a 1 no alvo.

Na prática, porém, o Celtic desperdiçou muitas oportunidades. Marcou o primeiro gol aos sete minutos, em cobrança de escanteio e a presença na área do zagueiro francês Christopher Jullien. Tomou o empate aos 35 com Sam Cosgrove, centroavante inglês do Aberdeen - quatro vezes campeão escocês, três delas com Alex Ferguson como técnico. Fraser Forster, goleiro emprestado pelo Southampton, não conseguiu impedir, após o zagueiro norueguês Kristoffer Ajer, de 1m97, perder pelo alto.

O gol da vitória só saiu aos 21 minutos do segundo tempo, em jogada depois de muita pressão e bela tabela com Christie, finalizada por Edouard. Pouco depois o Aberdeen ainda ficou com um jogador a menos em campo, com a expulsão de Cosgrove.

A atual sequência do Celtic, que também coincide com a falência do Rangers em 2012, fez com que a vantagem do adversário na liderança de títulos nacionais caísse consideravelmente. Os Bhoys somam agora 50 conquistas, contra 54 dos Gers. Os dois clubes mantém uma das maiores rivalidades do futebol mundial, trazendo o debate religioso para o esporte: o Celtic é historicamente ligado à comunidade católica do país, enquanto o Rangers tem suas origens no protestantismo escocês.

Merecem destaques, inclusive pela juventude, três jogadores do Celtic: o lateral-direito holandês Jeremie Frimpong, de 19 anos, formado na base do Manchester City e irmão do ex-atleta do Arsenal, Emmanuel Frimpong; e o atacante francês Odsonne Édouard, 21 anos, ex-Toulouse e PSG na base.

Assim como na Inglaterra, os escoceses não param com o futebol no final de ano. Haverá rodada nos dias 26 e 29 deste mês, mas depois - diferentemente dos ingleses - o Campeonato Escocês faz a pausa de inverno e retoma as atividade em 22 de janeiro, com rodada de Copa da Escócia na semana anterior.

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Sem suas estrelas, Anderlecht empata clássico com o Standard Liège e permanece em má fase

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Standard Liège e Anderlecht disputaram o clássico da rodada do Campeonato Belga
Standard Liège e Anderlecht disputaram o clássico da rodada do Campeonato Belga Jupiler League

Um dos maiores clássicos do futebol belga terminou em empate neste domingo no Stade Maurice Dufrasne. Pela 19a rodada da Jupiler League, Standard Liège e Anderlecht ficaram no 1 a 1.

O resultado foi ruim para os dois times. O Standard Liège foi a 35 pontos na quarta colocação e se distanciou do líder Brugge, que tem 45 e uma partida a menos. Já o Anderlecht segue com péssima campanha: apenas o décimo na tabela, com 23 pontos, e há quatro rodadas sem vencer.

Vincent Kompany, mais uma vez, foi desfalque na equipe de Bruxelas. O veterano zagueiro de 33 anos, contratado no início da temporada como jogador/treinador, deixou as funções técnicas na prática. O galês Simon Davies se tornou o responsável por escalar o time, mas acabou demitido em outubro e substituído por Franky Vercauteren - figura histórica do clube também.

Taticamente os dois times entraram em campo na variação 4-3-3/4-1-4-1. O Standard Liège é comandado por um dos maiores nomes na história do futebol belga, Michel Preud'homme. Nas estatísticas, 58,8% de posse de bola para o Standard Liège, com 16 a cinco em finalizações (7x1 certas). Além de Kompany, o Anderlecht teve outros dois desfalques bem conhecidos: o francês Samir Nasri, outro que pouco jogou, e Nacer Chadli, esse sim bem importante na temporada até aqui com sete gols.

As duas equipes se alternaram no controle do jogo a partir da posse de bola, mas os donos da casa foram mais perigosos - ao menos criaram mais oportunidades e fizeram de Hendrik van Crombrugge, goleiro dos visitantes, o melhor em campo. Houve muita tensão entre os jogadores também no "Clasico", como é chamado pelos belgas o confrontos entre os rivais de Bruxelas e Liège. Aos 27 minutos do segundo tempo, o lateral-direito Sieben Dewaele, do Anderlecht, foi expulso por receber o segundo cartão amarelo.

Vale ressaltar o nível do jogo na Bélgica. São partidas técnicas, com times ofensivos. Segundo escalão do futebol europeu.

O primeiro gol do jogo foi marcado pelo Standard Liège aos 40 minutos, depois que o bósnio Gojko Cimirot deu ótimo passe para o marroquino Selim Amallah aparecer de surpresa na área e finalizar. Já no segundo tempo, o gol de empate saiu aos 22 minutos com o centroavante inglês Kevon Roofe, ex-Leeds United, que aproveitou cruzamento de Derrick Luckassen.

Na última quinta o Liège foi eliminado da Europa League, ao empatar em 2 a 2 com o Arsenal, em casa. Os Gunners passaram em primeiro lugar no Grupo F com 11 pontos, seguidos do Eintracht Frankfurt (9) e os belgas com oito. O Vitória de Guimarães foi o último, com cinco pontos.

O Anderlecht é o maior campeão belga com 34 títulos, bem à frente do Brugge (15). Na sequência aparece o Union Saint-Gilloise, atualmente na segunda divisão, que tem 11 conquistas, mas a última aconteceu em 1935. Standard Liège, com dez, fecha a lista dos quatro primeiros, enquanto o Genk, atual campeão, tem quatro troféus.

Na Bélgica, são 16 times na primeira divisão, que se enfrentam em turno e returno. Depois o campeonato é dividido entre a fase final, com os seis primeiros, e os playoffs para a Liga Europa, do sétimo ao 15o. Apenas o lanterna é rebaixado.

A notícia triste do dia foi a lesão sofrida pelo jovem atacante Yari Verschaeren, de apenas 18 anos. Ele torceu o torceu o tornozelo direito com gravidade aos 11 minutos do segundo tempo; a suspeita inicial é de ruptura de ligamentos.

Os dois times voltam a campo nesta semana, mas pelas quartas de final da Copa da Bélgica. Na quarta, o Standard Liège recebe o Antuérpia, enquanto o Anderlecht, no dia seguinte, joga contra o Brugge, em Bruxelas.

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Na "final", Herediano venceu a Alajuelense, mas não levou o título na Costa Rica. Regulamentos malucos latino-americanos!

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Regulamentos malucos em torneios de futebol são especialidades dos países latino-americanos.

A Alajuelense foi o time com melhor campanha na fase de classificação do Apertura, na Costa Rica, com 52 pontos em 22 jogos. Bem à frente de Deportivo Saprissa (40), Herediano (35) e San Carlos (33), que avançaram para a fase final completando a chave. Após as semifinais, primeiro contra quarto e segundo contra terceiro, Alajuelense e Herediano avançaram para a "decisão". Com aspas mesmo.

Na ida, 2 a 0 para o Herediano, que segurou o 0 a 0 na volta e ficou com o "título". Porém, como a equipe com a melhor pontuação na fase classificatória não venceu, o regulamento prevê a Grande Final, entre ela e o vencedor dessa fase final.

Ou seja, nos dias 15 e 21 de dezembro Alajuelense e Herediano voltam a se enfrentar, desta vez realmente, valendo a taça do Apertura costarriquenho.

Deportivo Saprissa (34), Liga Deportiva Alajuelense (29) e Club Sport Herediano (27) são os maiores campeões nacionais da Costa Rica.

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Na "final", Herediano venceu a Alajuelense, mas não levou o título na Costa Rica. Regulamentos malucos latino-americanos!

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Time mais brasileiro do Campeonato Japonês fica com o título da temporada

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Yokohama Marinos conquistou o quarto título do Campeonato Japonês
Yokohama Marinos conquistou o quarto título do Campeonato Japonês Yokohama Marinos

Pela última rodada da J1 League, o Yokohama Marinos venceu o FC Tokyo, em casa, por 3 a 0, e conquistou a competição pela quarta vez na história. Há 15 anos o clube não vencia o Campeonato Japonês.

No final das contas, o Yokohama somou 70 pontos, seis a mais que o Tokyo, e comemorou a conquista diante de 63.854 torcedores, que lotaram o Nissan Stadium. A equipe podia até mesmo perder por sete gols e mesmo assim ficaria com a taça, pela enorme vantagem no saldo de gols.

A J1 League permite inscrições ilimitadas de estrangeiros nos elencos dos 18 times, mas somente cinco relacionados por jogo. Atletas dos países que são parceiros oficiais da competição não entram na conta - Tailândia, Vietnã, Miamar, Malásia, Camboja, Singapura, Indonésia e Catar.

O Yokohama Marinos, ao lado do Vissel Kobe, é o time com mais estrangeiros na liga, oito no total. São cinco brasileiros, maior marca na primeira divisão japonesa: o zagueiro Thiago Martins, o meia-atacante Mateus e os atacantes Edigar Junio, Erik e Marcos Júnior - este último, ex-Fluminense, artilheiro da competição com 15 gols.

O FC Tokyo conta com três brasileiros na lista de sete estrangeiros do time: o zagueiro Arthur Silva e os atacantes Diego Oliveira e Jael.

Comandado pelo experiente técnico Ange Postecoglu, nascido na Grécia e naturalizado australiano, o Yokohama atua no 4-2-3-1 na fase ofensiva, com variação para o 4-4-2 sem a bola; o Tokyo utiliza a mesma plataforma tática. Aliás, duas equipes bem disciplinadas taticamente.

Marcos Júnior é o organizador da equipe, atuando como meia avançado, atrás de Erik, que atua como falso nove. Precisando de um milagre, os visitantes entraram em campo e tentaram jogar. Criaram algumas oportunidades nos primeiros minutos, mas depois foram dominados pelos donos da casa.

Aos 26 minutos saiu o primeiro gol. Após chutão do Akihiro Ayashi, o Yokohama recuperou a posse, Erik começou a jogada pela direita e a bola foi para na esquerda, onde o tailandês Theerathon Bunmathan arriscou de fora da área. A bola desviou em Kento Hashimoto e encobriu Hayashi.

O segundo saiu ainda no primeiro tempo, aos 44, depois que Marcos Júnior achou Erik entre os zagueiros. O ex-atacante de Goiás, Palmeiras e Botafogo, mesmo pressionado, conseguiu finalizar e ampliou o placar.

Na segunda etapa, o Tokyo voltou disposto a diminuir e conseguia criar oportunidades. A pressão aumentou a partir de 19 minutos, quando Hayashi saiu da área e fez falta forte em Kensuke Nagai. O árbitro deu apenas cartão amarelo, mas o assistente o chamou e orientou a dar cartão vermelho - sugestão aceita.

Qualquer tentativa de reação, porém, foi encerrada pouco depois, aos 32, com o gol marcado por Keita Endo.

Tecnicamente é uma das melhores competições do continente, mas bem abaixo de ligas fortes europeias ou sul-americanas. Nas estatísticas, 57% de posse de bola para o Yokohama, com nove finalizações (quatro certas) contra 12 sofridas (três no alvo).

O clube atual surgiu da fusão entre Marinos e Flügels, os dois clubes da cidade até 1999. A história mais longínqua está ligada à Nissan, criadora dos Marinos e que detém até hoje 80% das ações - as 20% restantes são do City Football Group, que também controla o Manchester City, desde 2014.

O Yokohama Marinos, agora, se prepara para a temporada 2020, quando terá pela frente a disputa da Champions League asiática.

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Primeiro jogo da final do Colombiano termina sem gols entre Junior e América de Cali

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Novo empate na volta leva a decisão para os pênaltis
Novo empate na volta leva a decisão para os pênaltis MPsportsimage

Junior e América de Cali empataram em 0 a 0 no primeiro jogo das finais do Torneo Finalización, neste domingo.

Os dois times já estão classificados para a fase de grupos da Libertadores da América. O Junior foi o campeão do Torneo Apertura, ao bater o Deportivo Pasto nos pênaltis na decisão. A Colômbia tem, na prática, dois campeonatos nacionais por ano - ambos com fase de classificação e mata-mata.

Os jogos do Campeonato Colombiano são, na média, ofensivos e com boa técnica; por outro lado, organização tática e padrão defensivo não estão entre os pontos fortes.

O placar de 0 a 0 de Junior x América pode não indicar isso, mas a partida foi bastante movimentada e com chances criadas pelos dois lados. Falharam demais na pontaria. Tanto é que das 24 finalizações tentadas (14x10), apenas quatro acertaram o alvo (2x2).

Taticamente, o Junior, do técnico uruguaio Julio Comesaña, ex-Colón, joga na variação do 4-3-3 para o 4-1-4-1 das fases ofensiva para defensiva. É a mesma ideia de jogo do América, com a diferença que, pressionado, se arma defensivamente no 4-5-1 também.

Desde junho deste ano os americanos são treinados pelo brasileiro Alexandre Guimarães, ex-Costa Rica e Panamá, que trabalhou nos últimos anos no futebol chinês e indiano. Ele busca se tornar o primeiro técnico brasileiro campeão na Colômbia e faz parte do processo de reconstrução do América, um gigante local, que passou cinco temporadas na segunda divisão entre 2012 e 2016.

O clube de Cali foi campeão nacional pela última vez em 2008 e não disputa a Libertadores - da qual tem quatro vices (1985, 86, 87 e 96) - desde 2009.

Apesar do 0 a 0, os torcedores que lotaram as arquibancadas do Estádio Metropolitano Roberto Meléndez, em Barranquilla, além do técnico da seleção colombiana, Carlos Queiroz, viram um gol. Aos 32 minutos, Marlon Piedrahita cruzou e Teófilo Gutiérrez completou na pequena área, superando o goleiro brasileiro Volpi Neto, de 27 anos, formado na base do Figueirense. Impedimento claro, que também foi confirmado pelo VAR - utilizado pela primeira vez na história do futebol colombiano.

A segunda partida da final acontece no próximo sábado, em Cali, no estádio Olímpico Pascual Guerrero, com capacidade para 38 mil pessoas. Todos os ingressos colocados à venda se esgotaram em 40 minutos nesta segunda. Novo empate, independente de gols marcados fora, leva a decisão para os pênaltis.

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Por que é tão difícil para a Croácia subir de nível no futebol mundial?

Gustavo Hofman
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Croatas foram vice-campeões mundiais em 2018
Croatas foram vice-campeões mundiais em 2018 Divulgação

Neste sábado, a Croácia entra em campo contra a Eslováquia precisando apenas de um empate para se garantir na Euro 2020. Soma 14 pontos e lidera o Grupo E das eliminatórias, à frente da Hungria (12) e dos próprios eslovacos (10). Após o vice-campeonato mundial no ano passado, os croatas viveram altos e baixos.

Pouco depois da Copa, fizeram um amistoso com Portugal e empataram em 1 a 1. Porém, em 11 de setembro de 2018, o desastre veio em forma de jogo oficial pela Uefa Nations League: Espanha 6x0 Croácia.

Dúvidas, então, surgiram sobre o rendimento do time; a presença na final em Moscou se tornou obra do acaso para muitos. A recuperação na Nations League veio em forma de empate com a Inglaterra e vitória, em casa, diante dos espanhóis. Mas uma nova derrota, desta vez para os ingleses, eliminou qualquer possibilidade de classificação.

A seguir vieram amistosos e as eliminatórias para a Euro. Novos tropeços em 2019, contra Hungria (2x1, 24/mar) e Tunísia (2x1, 11/jun), reforçaram a impressão de que o que aconteceu na Rússia foi, realmente, apenas uma boa campanha. Para a maioria, a Croácia ainda não passou a impressão que mudou de prateleira no futebol mundial. Por quê?

"Há motivos para argumentar que o sucesso da Croácia na última Copa do Mundo não aconteceu por causa de políticas esportivas ou métodos específicos do governo croata", afirma Dario Brentin, pesquisador do Centro de Estudos do Leste Europeu na Universidade de Graz (Áustria) e doutorando na University College London, no maior centro de pesquisas do leste da Europa na Inglaterra.

Para Brentin, é difícil encontrar as razões para o sucesso atingido pela seleção croata nos últimos anos. "É possível tentar", garante. "A base do futebol na Croácia, principalmente de Dinamo Zagreb e Hajduk Split, tem continuamente identificado e formado talento, provavelmente uma das razões. Há também um bom sistema de scout que identifica potenciais atletas oriundos da Diáspora Croata em comunidades da Europa oriental ou além".

A Diáspora Croata foi um movimento de fuga de croatas do seu país natal por causa da Guerra da Iugoslávia, no início da década de 1990, que resultou na dissolução iugoslava e a formação de mais nações independentes, entre elas a croata. A estimativa atual é de que 2,5 milhões de croatas vivam espalhados pelo mundo - a população dentro da Croácia é pouco superior a 4 milhões.

DE MOSCOU A CARDIFF

Danijel Subasic, Sime Vrsaljko, Dejan Lovren, Domagoj Vida e Ivan Strinic; Ivan Rakitic e Marcelo Brozovic; Ante Rebic, Luka Modric e Ivan Perisic; Mario Mandzukic. Esse foi o time que entrou em campo no Luzhniki, em 15 de julho do ano passado. Depois de uma campanha com 100% de aproveitamento na fase de grupos, diante de Argentina, Nigéria e Islândia, foram três classificações nos pênaltis contra Dinamarca, Rússia e Inglaterra.

Após o 4 a 2 para a França, os torcedores croatas, ainda no estádio, cantaram e saudaram seu time. Foi motivo de orgulho para todo país a campanha espetacular da equipe, liderada brilhantemente por Modric. Os jogadores foram recebidos como heróis em Zagreb.

Pouco tempo depois, Manduzkic anunciou a aposentadoria da seleção aos 32 anos e como segundo maior artilheiro da equipe, com 33 gols. "Tornamos nossos sonhos em realidade, conseguimos um sucesso histórico e experimentamos apoio inacreditável. Aquele mês, incluindo as recepções em Zagreb, em Slavonski Brod e toda Croácia, permanecerão como a mais importante memória da minha carreira. Foi a mais linda jornada de uma seleção e meu retorno para casa favorito", garantiu o atual atacante da Juventus. O primeiro da lista é o atual presidente da Federação Croata, Davor Suker, com 45 gols.

Davor Suker, atual presidente da Federação Croata, foi o herói na Copa de 1998
Davor Suker, atual presidente da Federação Croata, foi o herói na Copa de 1998 Getty Images

O lateral-esquerdo Strinic, durante o Mundial, acertou com o Milan. Já na Itália, descobriu um problema cardíaco e jamais estreou oficialmente pelo clube rossonero. Rescindiu seu contrato ao final da temporada e ainda não voltou a jogar.

Luka Modric, aos 34 anos, segue como o capitão e a referência da seleção, mas já não repete as mesmas atuações que o consagraram como o melhor do mundo em 2018. Seu nível no Real Madrid já indica que a idade começa a pesar para esse fantástico meio-campista, e que seu ciclo pela Croácia pode estar perto do fim. Ivan Rakitic, apesar de mais novo (31), teve queda de rendimento acentuada nesta temporada e passou a ser reserva no Barcelona.

Em meio a esse cenário, que também envolve lesões de muitos, alguns jovens e também atletas já "maturados" no futebol ganham espaço. Casos mais notórios de Tin Jedvaj, Borna Barisic, Nikola Vlasic e Bruno Petkovic. No 4-2-3-1 do técnico Zlatko Dalic, os quatro têm enorme importância.

O lateral-direito Jedvaj, após demonstrar muito talento no Dinamo Zagreb, chamou a atenção da Roma, mas pouco ficou por lá. Rumou para o Bayer Leverkusen e nesta temporada foi emprestado ao Augsburg, onde tem jogado com frequência, algo importante para um atleta de 23 anos em evolução. Na seleção, com Vrsaljko lesionado, tem jogado regularmente. Já na esquerda, a solução de Dalic foi Barisic, de 26 anos, no Rangers desde a temporada passada, após se destacar pelo Osijek, do futebol croata.

É no setor ofensivo, porém, que chama atenção as trocas positivas de peças. Vlasic, da base do Hajduk Split e pouquíssimas chances no Everton, vem jogando muito bem pelo CSKA Moscou e é o meia avançado no esquema de Dalic. Com apenas 22 anos, vive o melhor momento da carreira. Joga atrás da referência ofensiva do time croata, Bruno Petkovic. O atacante de 1m93 e 25 anos se profissionalizou no Catania, rodou por diversos times italianos, mas vingou apenas quando retornou à Croácia para defender o Dinamo Zagreb, no ano passado.

Tudo isso sem esquecer de nomes como Brozovic, Mateo Kovacic, Marko Pjaca, todos com idade entre 24 e 26 anos e muito tempo ainda de seleção. Já Vida, Lovren e Perisic, 30 para cada, serão importantes na transição de gerações. Na prática, um time que tem condições de ser forte por muito tempo.

FUTEBOL LOCAL FRACO

A campanha do Dinamo Zagreb na atual Champions League impressiona. Na estreia fez 4 a 0 na Atalanta, em casa, e depois vendeu caro a derrota por 2 a 0 para o Manchester City, como visitante; dois empates com o Shakhtar mantiveram a equipe na briga pela classificação. Nas fases preliminares, pelo caminho, deixou Rosenborg-NOR, Ferencváros-HUN e Saburtalo Tbilisi-GEO. O campeão croata entra apenas na segunda fase prévia do torneio.

Levantamento do CIES Football Observatory, em outubro do ano passado, mostrou que o clube de Zagreb está na quarta colocação entre todos com mais jogadores espalhados pelas 31 principais ligas nacionais europeias. Eram 66 atletas formados na base do Dinamo Zagreb, contra 77 do Ajax e 69 de Dinamo Kiev e Partizan Belgrado. E apesar da quantidade, os times menores do gigante da capital croata tem revelado muita qualidade também.

A realidade local, porém, é complicada para o desenvolvimento dos times. O Dinamo, com 24 títulos croatas, é o maior campeão, seguido pelo Hajdul Split, com 15. A equipe do litoral, porém, não é campeã desde 2005 e viu o Rijeka - vencedor da edição 2016-17 - assumir a condição de segunda força. Nesta temporada, parece que o Hajduk terá forças para brigar novamente com o Dinamo, atual bicampeão nacional.

A economia croata também não ajuda muito o fortalecimentos dos times. O país de 4,1 milhões de habitantes, em 2018, teve Produto Interno Bruto de 60,8 bilhões de dólares, sendo 14,878 mil per capita, de acordo com dados do Banco Mundial. A economia cresceu, em média nos últimos três anos, cerca de 3% a cada período, mas o desemprego continua alto, em torno de 11%.

"Comparado ao dinheiro que há nas melhores liga europeias, o investimento no futebol croata é consideravelmente menor. Porém, dentro da realidade do país, há investimento significante no Dinamo Zagreb, enquanto outros clubes ficam bem para trás. Pela falta de competitividade, os jogadores talentosos raramente ficam nos times croatas. Por um lado, garante recursos para os clubes, por outro os deixa mais fracos internacionalmente", afirma Dario Brentin.

Para a atual temporada, o Dinamo Zagreb investiu 4,6 milhões de euros em reforços e recebeu 11,7 de negociações. Já o Hajduk teve números menores, com 2,25 milhões de euros em contratações e 6,85 em saídas. O Rijeka foi ainda mais modesto, com 1,2 e 1,7 milhão, nos respectivos itens.

CENÁRIO SEM AVANÇOS

A Croácia segue revelando talentos, mas não consegue crescer internamente. Esse cenário se torna pouco propício para o fortalecimento do futebol croata.

Quando analisamos a elite do esporte mais popular do mundo, é possível detectar campeonato nacionais fortes. França, Espanha, Itália, Alemanha, Inglaterra e Portugal possuem as seis ligas mais fortes da Europa e têm muitos representantes na Champions League anualmente. Brasil e Argentina já são, historicamente, fortes e também mantém campeonatos de alto nível. O Uruguai também tem a história e a tradição ao seu lado. Outros países pretendentes a subir de prateleira sofrem.

A Bélgica talvez seja o caso mais notório. Caiu nas semifinais do Mundial, tem atletas nos melhores clubes do planeta, mas também enfrenta processo parecido ao croata, mas claramente em nível acima. Muito pela estrutura existente na Bélgica: economia nacional e campeonato local mais estruturados e sólidos.

Os próprios belgas têm um histórico maior em Copas do que a Croácia, que foi terceira colocada em seu Mundial de estreia (1998) e depois não tinha conseguido passar da primeira fase (2002, 2006 e 2014), até o ano passado (em 2010 não se classificou para a Copa).

Esse é um ponto em comum para esses times: a falta de um título mundial. Basta ver como a Espanha mudou de patamar quando ganhou a Copa de 2010, mas com uma estrutura por trás bem superior e mais firme do que dos dois citados.

Na prática, o clube dos "times grandes" entre as seleções segue bastante seleto.

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