Chegou a hora do São Paulo falar de democracia, rejuvenescer e ter mais transparência

Paulo Cobos
Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br



Um clube em que só 240 pessoas, a maioria esmagadora há décadas por lá, elegem o presidente.  O mandatário mais novo eleito no milênio  com 64 anos (e outros dois setentões).  Promessas de transparência não cumpridas

O São Paulo precisa começar a falar de mais democracia, renovar seus dirigentes e se tornar uma entidade mais cristalina. E não resumir seus problemas a quem é o treinador ou que jogador foi culpado por mais um fracasso.

O colégio eleitoral são-paulino não acompanha o aumento no número de votantes que outros grandes tiveram.  Até a última eleição, só 240 conselheiros (sendo que 160 vitalícios) escolhiam o presidente. O novo estatuto aumentou a lista em apenas 20 eleitores. E só quem está neste conselho pode ser candidato, dificultando ao máximo que alguém novo no Morumbi possa competir pelo cargo.

A última eleição do Palmeiras tinha mais de 8 mil eleitores. As de Corinthians e Flamengo tiveram mais de 3 mil sócios votando. Nem se fala do que acontece com Grêmio (38 mil eleitores) e Internacional (64 mil).

Nada contra pessoas mais velhas no comando. Muito pelo contrário: geralmente sobra experiência, sabedoria e competência nelas. Mas existe algo de errado com um clube que não consegue ter um presidente com menos de 60 anos.

Em 2000, Paulo Amaral foi eleito no São Paulo com 64 anos, mesma idade com que seu sucessor, Marcelo Portugal Gouvêa, chegou ao poder. Depois voltou Juvenal Juvêncio, com 72 anos, cinco a mais do que Carlos Miguel Aidar (outro que já havia sido presidente, quando era jovem e teve sucesso).

Leco ao lado de Raí, executivo de futebol do São Paulo, no CT da Barra Funda
Leco ao lado de Raí, executivo de futebol do São Paulo, no CT da Barra Funda GazetaPress

Agora, o São Paulo é comandado por Leco, que foi eleito com 77 anos.

E o clube que já foi modelo de administração precisa urgente de mais transparência. Este blogueiro, logo após a posse de Leco, esteve no Morumbi para uma conversa com o presidente. Ouviu que em "poucos meses" praticamente todas as contas do São Paulo estariam abertas no site do clube de forma transparente o mais rápido possível. Segue esperando.


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Silêncio do Flamengo é uma tragédia para imagem do clube (e isso para quem entende do assunto)

Paulo Cobos
Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

Poucas horas depois da tragédia de Brumadinho, que já deixou quase 200 mortos em Minas Gerais, o presidente da Vale, dono da barragem rompida, estava diante de dezenas de microfones e jornalistas para tentar explicar o que aconteceu. Obviamente não tinha respostas para muitas perguntas e em outras não convenceu ninguém.

Mas, ao se colocar à disposição para responder dezenas de perguntas, o que voltou a fazer nos dias seguintes, e sem rodeios pedir desculpas pelo que aconteceu, fez o que especialistas em crises de grandes empresas recomendam em momentos como este.

Bem diferente do que o Flamengo fez até agora com o incêndio em seu CT que deixou dez jovens jogadores das suas categorias de base mortos.

Amigos e familiares de Samuel Thomas, morto no incêndio do Ninho do Urubu
Amigos e familiares de Samuel Thomas, morto no incêndio do Ninho do Urubu Getty Images

Recentemente, a revista americana "Forbes", uma das bíblias dos negócios (e afinal o Flamengo é sim uma empresa grande), ouviu especialistas para relatar o que essas corporações precisam fazer para enfrentar momentos de crise aguda para suas imagens (incluindo acidentes que resultaram em mortes de seus clientes).

São 13 'mandamentos', e em muitos deles a gestão de Rodolfo Landim, presidente do Flamengo, está reprovada (e não adianta dizer que na comunicação da tragédia a culpa é da gestão anterior).

A primeira dica da Forbes é "assumir a responsabilidade". "Não tente encobrir a crise, isso só vai piorar as coisas", diz a revista. O Flamengo aponta o dedo para uma sobrecarga de energia gerada após as fortes chuvas que castigaram o Rio dia antes do incêndio como provável motivo para o início do fogo.

No segundo conselho, a publicação afirma que os executivos de empresas em crise sejam "transparentes".  Desde que o acidente aconteceu, nenhum dirigente da diretoria flamenguista teve coragem de responder qualquer questionamento da imprensa, falando apenas com comunicados curtos e pouco esclarecedores.

Outro especialista ouvido pela "Forbes" aponta que a instituição em crise deve ficar à frente da história. "Chegar à frente da história é a estratégia. Faça no fim de semana os detalhes do que fazer. Mas comece a se comunicar, pedir desculpas, reembolsar (os afetados pela crise) imediatamente". O Flamengo demorou horas até para colocar em suas redes sociais o que aconteceu no CT.

O quinto item da revista é tão importante para o Flamengo que aqui ele vai de forma literal. "Dizer 'você vai investigar' não faz ninguém se sentir melhor. Dizer que você está profundamente entristecido com o que aconteceu e vai fazer as coisas melhores é importante. Em seguida, compartilhe imediatamente como políticas serão implementadas para que isso não aconteça novamente. Aja rápido antes que as pessoas percam a fé em sua marca". Essa Landim deveria anotar o quanto antes.

A falta de desculpas publicas consistentes do Flamengo é um grande pecado no mundo dos negócios em casos de crise. "Estender um pedido sincero de desculpas é a chave para seguir em frente. Não fazê-lo adiciona combustível ao fogo e muda a narrativa.", aponta a revista americana.

Sem permitir perguntas da mídia, o clube carioca comete outra falha.  "Quando perguntado sobre o assunto, nunca diga 'sem comentários'.  Se você não tem voz no assunto, as pessoas imediatamente assumem a culpa da empresa ou assumem suas próprias suposições".

Será que dá tempo do Flamengo mudar seu desastre na comunicação no capítulo mais trágico da sua história?

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Tiki taka que é um desastre: Corinthians de Carille tem recordes de posse de bola e passes do Paulista

Paulo Cobos
Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

Em 2017 e 2018, o Corinthians de Fábio Carille ganhou três títulos com uma estratégia em que posse de bola não era a prioridade. Agora, na sua volta ao Parque São Jorge, o treinador resolveu fazer de seu time o representante brasileiro do tiki taka. E o resultado é um desastre.

Segundo números do TruMedia, a ferramenta de estatísticas da ESPN, o Corinthians é o recordista de posse de bola e troca de passes do Paulista, em que o clube só venceu uma vez em quatro jogos e marcou apenas quatro gols (e isso sem nenhum clássico até agora). O time ainda é quem mais acerta passes.

Depois da derrota em casa para o Red Bull Brasil, a equipe de Carille tem uma média de 64,2% de posse de bola, bem à frente do Santos de Jorge Sampaoli, com 58,3%.  O número de passes corintiano não faria feio até no futebol europeu: em média, foram 604 trocas de bola por jogo. Segundo colocado, o Palmeiras fica muito atrás, com média de 465.

Acertar passes curtos e inúteis também não é grande problema. O índice de acerto do Corinthians também é o maior do Paulista: 86,5%. O Santos é o vice-líder, com 84,6%. O problema é que o tiki taka corintiano tem uma produção ofensiva que é pífia.

Os comandados de Carille têm apenas a 10ª maior média de finalizações por partida do Estadual, com só 11 chances criadas por jogo, atrás de times como Ferroviária, Ituano e Ponte Preta. O Santos de Sampaoli tem seis finalizações a mais por jogo. 

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Flamengo e Palmeiras já têm dinheiro para estar entre 30 clubes mais ricos do mundo, e top 20 não está longe

Paulo Cobos
Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

Nesta quinta-feira, a consultoria Deloitte publicou seu tradicional estudo com os rankings das finanças dos clubes mais ricos do mundo. Além de detalhar os números dos 20 primeiros, ainda divulga os 30 times com mais receitas na temporada passada.

Se você acha que é impossível um clube brasileiro estar nesse seleto grupo de ricaços está enganado. Com o faturamento atual, tanto Flamengo quanto Palmeiras têm tamanho para estar hoje entre os 30 clubes com mais receitas do mundo, e o top 20 não está muito longe.

A estimativa é que o clube paulista tenha arrecadado R$ 650 milhões em 2018. Pelo câmbio atual, isso equivale hoje a R$ 151,1 milhões de euros. Com esse valor, entraria justamente na 30ª posição dos times que mais faturam no mundo, desbancando, segundo a lista do Deloitte, o português Benfica, com 150,7 milhões de euros.

O Flamengo  não fechou uma previsão sobre suas receitas no ano passado (até setembro já tinha R$ 510 milhões). Mas o clube já divulgou seu orçamento para 2019, com um valor que o colocaria com folga na lista dos 30 mais ricos do planeta.

Gabigol e Dudu em ação por Flamengo e Palmeiras
Gabigol e Dudu em ação por Flamengo e Palmeiras Getty/ESPN

Sempre pelo câmbio atual, o Flamengo terá o equivalente a 174,8 milhões de euros em receitas neste ano (R$ 750 milhões). Com esse valor, entraria na 23ª posição do ranking dos mais ricos, logo atrás do Leicester, com 179,4 milhões de euros, e Napoli (182,8 milhões).

Com receitas subindo em ritmo acelerado (o Palmeiras acaba de renovar patrocínio com a Crefisa e ainda negocia direitos de TV no pay per view), os dois clubes mais ricos do país não estão longe até de entrar no grupo de 20 mais ricos do mundo. 

O 20º colocado no ranking da Deloitte é o West Ham, com 197,9 milhões de euros. O poderoso Milan é o 18º, com 207,7 milhões. O céu é o limite para Flamengo e Palmeiras.

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Mesmo com BMG, camisa do Corinthians rende menos do que em 2009, com Fenômeno

Paulo Cobos
Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br


O Corinthians acabou com um jejum de dois anos e enfim voltou a ter um patrocínio master. O acordo com o BMG vai melhorar de forma considerável o caixa do clube. Mas a camisa do segundo clube mais popular do país vai render em 2019 menos do que valeu em 2009, com valores atualizados pela inflação.

A previsão é que, contando o dinheiro da Nike, do BMG e dos outros patrocinadores da sua camisa, o Corinthians tenha R$ 75 milhões em patrocínios na temporada. 

Há 10 anos, quando trouxe Ronaldo "Fenômeno" e iniciou o ciclo mais vitorioso da história, o clube arrecadou R$ 49,049 milhões com patrocínios, segundo seu balanço patrimonial.

Atualizado pelo IGP-M, um dos principais índice inflacionários do país, os R$ 49 milhões de 2009 representam R$ 85,6 milhões agora. 

Ronaldo 'Fenômeno' durante jogo do Corinthians no Brasileirão 2009
Ronaldo 'Fenômeno' durante jogo do Corinthians no Brasileirão 2009 Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Se o contrato do BMG prever verba extra além dos R$ 30 milhões por temporada já adiantados,  a camisa corintiana de 2019 pode até superar a rentabilidade de 10 anos atrás, mas se isso acontecer ainda será por uma pequena margem.

Prova disse é que patrocínio responde hoje por uma fatia muito menor no total de receitas corintianas. 

Em 2009, na "onda Fenômeno", o dinheiro de publicidade representava 27% de todo o faturamento do clube. 


Agora, em 2019, com os previstos R$ 75 milhões, patrocínio ficaria com uma fatia de apenas 17% dos R$ 399 milhões previstos pela diretoria no orçamento de 2019.

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Dinheiro da TV ajuda, mas conta menos para o Flamengo do que para o resto do futebol brasileiro

Paulo Cobos
Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

Virou moda entre os rivais. "A força do Flamengo para fazer contratações milionárias vem do farto dinheiro que o clube carioca recebe pelos direitos de transmissão de TV". É verdade que isso ajuda muito, mas é irracional afirmar que a opulência do clube da Gávea só tem esse motivo.

A verba de TV tem um peso menor para o Fla do que para os principais clubes do país como um todo. É o que mostra estudo feito pelo Itaú BBA com as finanças dos clubes brasileiros nos últimos anos. 

Em 2017, a equipe carioca teve receitas de R$ 595 milhões, e R$ 199,1 milhões, ou 33% do total, tiveram a televisão como fonte. Segundo o banco, a participação dos direitos de transmissão no bolo total dos clubes da elite do país foi bem mais alta: 42%. Em alguns casos, foi até maior. No Cruzeiro, por exemplo, o dinheiro da TV respondeu por 57% do faturamento do clube.

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Entre 2013 e 2016, só uma vez a verba de TV do Flamengo ficou acima da média: em 2016, com 51%

O time rubro-negro tem desempenho acima da média brasileira em outros tipos de receita. É o caso, por exemplo, das verbas obtidas com bilheteria e sócio torcedor em 2017, que garantiram 18% do caixa do clube, contra uma média de 15% no país.

Segundo o orçamento para 2019, o patamar da TV no bolo das receitas do Fla também ficará em patamar parecido. Dos R$ 767 milhões previstos, R$ 260 milhões, ou 34%, têm a televisão como fonte.

A dependência do dinheiro da televisão da equipe da Gávea é parecida a de gigantes europeus. Segundo levantamento da consultoria Deloitte, nos casos de Manchester United e Barcelona a fatia é de 33%. Na do Real Madrid, só um pouco maior: 35%.

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Com Arrascaeta, Flamengo passou Corinthians com Tevez e tem o jogador mais caro da história? Depende

Paulo Cobos
Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

Quem tem o jogador mais caro contratado por um clube brasileiro? Muita gente se apressa e diz que esse feito pertence agora ao Flamengo, com os R$ 63,7 milhões, pelo câmbio atual, que o time carioca vai pagar ao Cruzeiro por Arrascaeta. Esse valor superaria os R$ 60 milhões que o Corinthians teria pago ao Boca Juniors no final de 2004 por Tevez. 

Mas a história não é bem assim...

A conta de R$ 60 milhões não bate. Esse valor é baseado no que a MSI, antiga e controversa parceira corintiana, diz que pagou pelo argentino: US$ 22 milhões. Mas poucos meses depois do negócio, o Clarín, maior jornal argentino, revelou que o negócio na verdade foi fechado por US$ 16 milhões. Pelo câmbio da época, seriam R$ 43,84 milhões. Menos do que Arrascaeta, certo?

Tevez comemora gol pelo Corinthians na Libertadores de 2006
Tevez comemora gol pelo Corinthians na Libertadores de 2006 MAURICIO LIMA/AFP/Getty Images

Mais uma vez, não é bem assim. Existe uma coisa nada bacana chamada inflação. E aplicado o IGP-M, um dos principais índices brasileiros, os R$ 43,84 milhões de novembro de 2004 equivalem  hoje a R$ 95,2 milhões.

Então Tevez, pela correção do dinheiro, custou muito mais que Arrascaeta? Novamente, depende.

A contratação do uruguaio será feita com recursos próprios do Flamengo, e feita no Brasil. Mesmo fatias eventualmente pagas a estrangeiros terão como ponto de partida a moeda nacional. O clube usará reais, fará o câmbio em dólares ou euros e mandará para o exterior.

Tudo muito diferente do que aconteceu na nebulosa contratação de Tevez. Na verdade, nem é possível dizer que sua contratação pelo Corinthians foi uma transação de um clube brasileiro. O dinheiro da transação não passou pelo Banco Central. Foi direto da MSI para contas do Boca Juniors nos Estados Unidos e no Canadá, o que causou até investigação do Ministério Público.

Quem é então o mais caro jogador contratado por um clube brasileiro? Pela matemática, fico com Tevez. Pela lisura do negócio, Arrascaeta no Flamengo.


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Cruzeiro, Flamengo, agentes e Arrascaeta (este não 100%) estão todos certos

Paulo Cobos
Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

A discussão tomou conta dos bares do Rio de Janeiro e Belo Horizonte e dos programas de debate das rádios e televisões.  O Flamengo foi desleal ao fazer oferta por Arrascaeta? O Cruzeiro reagiu de forma exagerada? Os empresários estão sendo gananciosos? O craque uruguaio não está sendo um exemplo de profissional?

É um caso raro em que, na opinião deste blog, todos estão corretos (só o jogador não de forma integral). Pelo menos para os padrões do futebol brasileiro, em que infelizmente é raro um clube contar com os próprios recursos para montar o elenco (esse é outro assunto).

Um dos períodos mais animados do futebol é justamente a janela de transferências. E, neste momento da temporada, todo mundo fez o seu papel. Com dinheiro em caixa, o Flamengo resolveu fazer uma oferta por uma das melhores oportunidades de negócio do mercado: um jogador acima da média e com idade para uma revenda com lucro daqui a alguns anos.

Arrascaeta durante jogo entre Cruzeiro e Atlético-MG, pela final do Mineiro
Arrascaeta durante jogo entre Cruzeiro e Atlético-MG, pela final do Mineiro Washington Alves/Light Press

E não há nada de errado em fazer a proposta primeiro aos empresários que são donos da maioria dos direitos federativos do jogador. Afinal foram eles que fizeram o investimento, já há quatro anos e que trouxe grande lucro esportivo ao Cruzeiro. Se isso ainda ocorresse durante a temporada, no meio da disputa de um campeonato, seria um problema. Mas não agora.

Não dá para imaginar que alguém que faça um investimento na compra de um jogador e o coloque em um clube não pense em um dia em ter lucro

O Cruzeiro está no seu absoluto direito de dizer "não" à primeira oferta e abrir o caminho para manter o jogador ou lucrar mais com uma oferta melhorada. O time tem contrato em vigor com o uruguaio, garante que seu salário está em dia e tem a legislação da Fifa ao seu lado. Tudo que lhe dá direito de dizer "não".

Arrascaeta também está certo de querer mudar de emprego. Iria para um grande clube como o Cruzeiro e com um salário que é o triplo do que ganha hoje. Quem no mercado de trabalho não ficaria tentado com uma oferta deste tamanho?

Todo mundo estava certo até o camisa 10 resolver pisar na bola. Com a recusa do Cruzeiro, resolveu não se apresentar para o primeiro treino na volta das férias. E não adianta culpar os empresários. Já é maduro o suficiente para tomar as próprias decisões.




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Andrés Sanchez some da Câmara em dias de jogos do Corinthians e vira campeão de faltas em ritmo para perder mandato

Paulo Cobos
Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

Antes de voltar à presidência do Corinthians, Andrés Sanchez (PT-SP) era um dos deputados federais mais presentes nas sessões da Câmara. De volta ao clube, virou um campeão de faltas. E todas elas "sem justificativa".

Segundos dados do site da casa, foram 20 dias de sessões entre o começo do ano até 2 de abril. E o cartola corintiano faltou em nada menos do que 11. O índice de 55% de ausências o coloca entre os campeões de faltas da Câmara. No ano passado, quem teve mais faltas "sem justificativa" foi Nivaldo Albuquerque (PRP-AL), que não esteve presente em 26% das sessões possíveis.

Quando um parlamentar tem uma falta "sem justificativa" ele tem um desconto no seu salário. E, pelas leis nacionais, pode até perder o mandato: isso acontece se um deputado faltar, sempre sem justificativa, a mais de um terço das sessões de um ano.

A maioria das faltas do deputado petista acontece em dias de jogos do Corinthians durante a semana.  Foi o que aconteceu por exemplo entre 27 de fevereiro e 1º de março, quando o time estava em Bogotá para jogo da Libertadores.

No dia 14 de março, Andrés até esteve em sessão durante o dia em Brasília. Mas faltou em uma noturna, quando estava em Itaquera onde o Corinthians enfrentava o Deportivo Lara, também pela Libertadores. Também faltou no dia seguinte na Câmara.

Ao ganhar a eleição para a presidência do Corinthians, Andrés prometeu deixar o cargo de deputado federal para se dedicar exclusivamente ao clube. Até agora não cumpriu a promessa.


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Vetar Flamengo e perder dinheiro? Pelo estatuto do Botafogo, ao pé da letra, isso pode até fazer presidente perder mandato

Paulo Cobos
Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br
Mosaico da torcida do Botafogo no Engenhão
Mosaico da torcida do Botafogo no Engenhão GazetaPress

O companheiro Mauro Cezar Pereira fez as contas.  A insistência do Botafogo em negar o Engenhão para os jogos do Flamengo faz o alvinegro perder milhões. Só em 2017, o clube perdeu a chance de arrecadar até R$ 10 milhões. Muito dinheiro para o clube brasileiro que mais deve: ao final de 2016 (o balanço de 2017 ainda não foi divulgado) a agremiação carioca tinha dívida de R$ 751,5 milhões.

É fato que nos últimos anos o Botafogo foi muito mais responsável no controle de suas finanças. Mas ainda falta muito para o time ter uma situação saudável e possa voltar a ter um time de acordo com sua enorme tradição. E a decisão do presidente Nelson Mufarrej de negar o estádio para o maior rival pode, pelo que está escrito no estatuto do clube, até fazer com que ele perca o mandato que acaba de conquistar.

No artigo 88 de seu novo estatuto social, aprovado no ano passado, o Botafogo lista "gestões temerárias" de seus dirigentes. Movimentos que de acordo com o artigo 86 podem fazer o dirigente ser afastado imediatamente do cargo e ficar fora de eleições no clube por até dez anos.

No item sete do artigo 88, o clube classifica como "gestão temerária" o ato de "atuar com inércia administrativa na tomada de providências que assegurem a diminuição dos défices fiscal e trabalhista".

Simples: se abre mão de faturar, como no caso de negar o Engenhão para o Flamengo, o Botafogo perde a oportunidade de quitar uma parte de suas dívidas. 

Será difícil alguém da oposição usar o artigo para pedir a saída de Mufarrej. Se isso acontecer o cartola ainda poderá se apegar no artigo que diz que a "gestão temerária" não sofrerá punição caso o dirigente "não tenha agido com culpa grave ou dolo ou comprove que agiu de boa-fé e que as medidas realizadas visavam a evitar prejuízo maior ao Botafogo".

Muita discussão que uma pequena pitada de bom senso evitaria.

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Migalha de faturamento e lucro, 36% de salários milionários e um terço de jatinho e helicóptero: o que custo do VAR pesaria para a CBF

Paulo Cobos
Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br
Sede da CBF, que se recusa a pagar árbitro de vídeo
Sede da CBF, que se recusa a pagar árbitro de vídeo Divulgação/CBF

Os clubes não quiseram pagar a conta, e o Campeonato Brasileiro irá continuar sem o agora famoso VAR, o sistema de arbitragem por vídeo. Em um cenário em que lucro é algo raro e as dívidas são enormes, até é possível compreender a economia "porca". Difícil é justificar que a CBF não possa pagar os R$ 20 milhões estimados para cobrir as despesas dos 380 jogos da competição.

Pelos números do balanço oficial da entidade, essa quantia não faria "cócegas" nas finanças da entidade. Os valores são das contas da CBF de 2016. Os de 2017 não foram divulgados e os de 2018 devem ser bem maiores, já que em ano de Copa entre ainda mais dinheiro nos cofres.

Em 2016, a CBF faturou R$ 598 milhões, Ou seja: o custo da arbitragem por vídeo consumiria apenas 3% das receitas da entidade. A maior parte do dinheiro da confederação vem de patrocínios: R$ 411 milhões.

De 2013 a 2016, ou apenas quatro anos, a CBF teve lucro líquido (depois até do pagamento de impostos) de R$ 222 milhões, o que significa dizer que o VAR representaria só 10% do lucro do período.

A confederação que rejeita pagar a arbitragem de vídeo torra muito dinheiro com seus cartolas e outros luxos.

Pelo balanço de 2016, a CBF, que não divulga no documento seu número de funcionários, torrou R$ 55 milhões em salários. Apenas o então presidente Marco Polo del Nero, hoje afastado pela Fifa por suspeitas de corrupção, ganhava mais de R$ 200 mil mensais. Contando encargos, sua conta anual se aproxima dos R$ 5 milhões.

Naquele ano, a entidade pagava também uma "ajuda de custo" de R$ 20 mil mensais para cada um dos 27 presidentes das federações estaduais, em uma despesa anual, sem contar encargos, de R$ 6,5 milhões.

No total, a CBF diz que repassou R$ 26 milhões para as federações estaduais. Dava para pagar o VAR e ainda sobrariam R$ 6 milhões.

A entidade ainda afirmou ter gasto R$ 119 milhões em "despesas administrativas". Foram R$ 53,5 milhões para "despesas gerais referentes a administração predial, utilidades, serviços gerais das áreas de apoio", outros R$ 32,5 milhões para "despesas referentes aos serviços profissionais, tais como: assessoria contábil, auditorias, consultorias, taxas e serviços advocatícios, serviços de tecnologia da informação, além de outros prestadores de serviços especializados" e mais R$ 33,2 milhões para  "despesas de ativação, operação, intermediação e despesas gerais referentes as atividades de marketing e publicidade de seleções e competições".

O VAR então custaria só 17% das "despesas administrativas" da CBF.

Se quisesse vender suas "aeronaves", a confederação poderia pagar a arbitragem de vídeo por 3 anos. Em seu balanço de 2016, a entidade estima em R$ 60 milhões o valor de um jatinho e um helicóptero que possui e que rasgam os céus para transportar os cartolas.

O avião é um Cessna 680, modelo luxuoso e que teve um modelo recentemente também comprado por Neymar por quase R$ 40 milhões.




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Mais gols que Inter de Milão e Atlético de Madrid e 'garçom' de Cavani; Neymar é o melhor da temporada, mas toma vaia

Paulo Cobos
Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br
Neymar em jogo do PSG
Neymar em jogo do PSG Getty Images

Nenhum jogador na elite do futebol europeu brilha tanto nesta temporada como Neymar. Contando jogos da Champions League e do Campeonato Francês, ele é responsável direto por 35 gols do PSG, sendo 21 marcados por ele mesmo e 14 em que colocou companheiros na cara do gol.

Isso em apenas 21 jogos, o que dá a fantástica média de 1,67 gol por jogo com sua assinatura. Nenhum outro jogador que atua nas grandes ligas da Europa e também disputa a competição continental consegue chegar perto do brasileiro.

Messi é responsável direto por 29 tentos do Barcelona (20 gols e 9 assistências). Kane por 26 do Tottenham (26 e 3). Salah é quem mais chega perto, com 30 (23 gols e 7 passes para os colegas). Cristiano Ronaldo então é goleado: o astro só participou de 16 gols do Real Madrid na temporada (13 dele e 3 assistências).

Sozinho, Neymar produz mais gols até que times inteiros e milionários que disputam as primeiras posições nas grandes ligas. O Atlético de Madrid, somando Espanhol e Champions, marcou 33 gols, e em 26 jogos (cinco a mais do que Neymar). A Inter de Milão tem 35 gols no Italiano.

O nível do Campeonato Francês não é dos melhores, mas na Champions Neymar também tem números arrebatadores: foi responsável direto por 9 gols do PSG, sendo seis dele mesmo e três assistências. Mais do que isso só os dez de Cristiano Ronaldo, que marcou 9 e deu passe para mais um.

Com todos esses números e depois de uma atuação brilhante contra o Dijon, quando marcou quatro gols e produziu jogadas que já estão na lista das melhores do ano, ele saiu de campo vaiado pela torcida do PSG por não deixar Cavani bater um pênalti.

Neymar está longe de ser fominha com  o uruguaio com a bola rolando. Das 14 assistências para gol do brasileiro, seis tiveram Cavani como presenteado.

Não basta ser o melhor em campo para virar ídolo e ser favorito popular a melhor do mundo.



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A 1ª missão de Coutinho: fazer com que o Barcelona deixe de ser grande da Europa com o estádio mais vazio

Paulo Cobos
Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

Camp Nou antes da partida entre Barcelona e Levante
Camp Nou antes da partida entre Barcelona e Levante Laurens Lindhout/Soccrates/Getty Images

Não é apenas para deixar o time mais forte que o Barcelona gastou mais de R$ 600 milhões para tirar Philippe Coutinho do Liverpool. O brasileiro tem como missão também fazer com que o Camp Nou seja o estádio de um time grande europeu que tenha a menor taxa de ocupação entre os grandes da Europa nas ligas nacionais.

Depois de oito jogos como mandante no Espanhol, em que lidera com grande folga,  o clube catalão tem média de 61.928 torcedores por jogo. Claro que é um número que faria qualquer clube brasileiro sonhar. Mas isso representa uma taxa de ocupação de apenas 62,7% do Camp Nou, que comporta 99 mil fãs.

A média atual é a pior do Barcelona no Espanhol na década: sempre superou os 70 mil no período na competição.

Pior é a comparação com os outros gigantes europeus. Todos eles têm taxa de ocupação maiores do que a do clube catalão. Boa parte deles supera os 90%, casos de Borussia Dortmund, Bayern, Manchester United e PSG. Os rivais da Espanha também batem fácil o Barcelona: o Real tem 86,3% de lotação no Santiago Bernabéu e o Atlético chega aos 86,5% no novo Wanda Metropolitano.

Coutinho vai ter que jogar e encantar para fazer o torcedor do Barcelona voltar ao Camp Nou.

A taxa de ocupação dos grandes europeus na temporada

B. Dortmund                      99,9%
Chelsea                                99,7%
M. United                            99,1%
Arsenal                                 98,5%
Liverpool                             98,3%
M. City                                  97,2%
Juventus                              95,5%
PSG                                         93,8%
Bayern                                  92,0%
Atlético                                86,5%
Real Madrid                      86,3%
Inter                                      72,8%
Milan                                    64,2%
Barcelona                          62,7%

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Corinthians e Grêmio com louvor, Fla e Palmeiras medíocres e São Paulo reprovado: a nota final dos grandes em 2017

Paulo Cobos
Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

2017 acaba hoje. Hora de fazer um balanço da temporada dos grandes do país. Times que começaram o ano com pinta de favoritos pelo alto investimento decepcionaram. Outros que pareciam destinados ao papel de coadjuvante surpreenderam. O blog dá as notas dos 12 times mais tradicionais do país. Veja e concorde, ou não, delas.

Grêmio: A+
Renato Gaúcho montou um time que joga bonito e que teve como prêmio a conquista mais importante de um clube do país em 2017: a Libertadores. E ainda depois não passou vergonha contra o bilionário Real Madrid. E o Grêmio fez isso com um time barato, cheio de jogadores da base

Corinthians: A+
No começo do ano, o clube era forte candidato a levar "bomba" no ano. Mas com um treinador sem fama, com promessas da base e resgatando Jô, foi a maior surpresa do país, ganhando o Paulista e o Brasileiro com uma campanha no primeiro turno que entrou para a história

Cruzeiro: A-
A irregularidade foi a marca do time de Mano Menezes em 2017. Mas o título da Copa do Brasil, além da boa campanha no Brasileiro, é um prêmio muito acima do ganho por rivais na temporada. Resta saber o que vai acontecer em 2018 com mudanças no elenco e na diretoria

Vasco: B+
O Vasco não ganhou nenhum título. Mas para quem era apontado por muitos críticos como candidato certo a mais um rebaixamento no Brasileiro, a conquista de uma vaga na Libertadores vale como uma taça. Tudo gastando muito menos que o eterno rival Flamengo

Botafogo: B
Mais um que leva nota boa por fazer um papel muito melhor do que se esperava. A espetacular campanha na Libertadores, eliminando vários gigantes sul-americanos, e a campanha longe do Z-4 no Brasileiro é muito para um clube com orçamento modesto

Santos: B-
Para um clube com imensos problemas financeiros, a vaga direto na fase de grupos da Libertadores ficou de bom tamanho. E pelo cenário atual, a nota desta temporada parece algo difícil de acontecer de novo em 2018, com um time enfraquecido e ainda mais penúria no caixa

Fluminense: C+
O clube conseguiu fazer uma dura final de Carioca contra o Flamengo, quando perdeu para um rival com orçamento muitas vezes maior. E ficar na primeira divisão do Brasileiro também é para se comemorar. Mais um que tem um cenário nada animador para 2018

Inter: C
Subir para a primeira divisão era, como sempre para um grande, nada mais do que a obrigação. Mas o Inter não precisava fazer isso até sofrendo e nem com o sabor de pelo menos ganhar o título, que ficou com o muito mais modesto América-MG

Flamengo: C
Ganhar o Carioca para um time hoje muito mais rico que os rivais locais era quase obrigação. Mas o resto do ano foi marcado por fracassos em horas decisivas, como na Copa do Brasil e Sul-Americana, e uma eliminação na primeira fase da Libertadores

Palmeiras: C-
O time que não para de contratar terminou 2017 sem um título. Vaga direta na Libertadores foi muito pouco para quem tem tinha ambição de ganhar a competição já neste ano. E ainda foi um ano de freguesia contra o Corinthians, o maior rival

Atlético-MG:  C-
Ao contrário de Palmeiras e Flamengo, os outros times tidos como melhores elencos em 2017, o Atlético-MG não conseguiu nem vaga na Libertadores. E ainda conseguiu a proeza de ser eliminado por um time boliviano na Libertadores-17. O título do Mineiro foi um consolo muito pequeno

São Paulo: D
Nenhum título, eliminação na Copa Sul-Americana por um time medíocre argentino, várias rodadas na zona de rebaixamento do Brasileiro, nada de vaga na Libertadores. A torcida do São Paulo, que encheu estádios, merece nota A em 2017, mas o time foi reprovado

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A 'mentira' da era Unimed: Fluminense gasta hoje 3 vezes mais do que quando tinha time de estrelas

Paulo Cobos
Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br


O Fluminense agoniza. Sem dinheiro, anunciou nesta quinta-feira a dispensa de oito atletas para reduzir sua folha salarial, incluindo dois ex-jogadores da seleção brasileira: o goleiro Diego Cavalieri e o zagueiro Henrique. O clube quer vender outros destaques, com Gustavo Scarpa. E ganhar mais de R$ 100 mil mensais vai ser raridade nas Laranjeiras.

Situação que mostra o tamanho da 'mentira' da era Unimed, a patrocinadora que ficou por 15 anos no clube, contratou astros, os pagou e teve como maior lucro na galeria de troféus do clube dois títulos do Brasileiro.

A cooperativa de médicos deixou o Fluminense no final de 2014. Logo a constelação de craques que levou para o clube começou a debandada. Com a Unimed, o time das Laranjeiras teve dois dos jogadores mais bem pagos do Brasil: Fred e Conca, que juntos consumiam quase R$ 2 milhões por mês.

E quem ficou, mesmo sem a mesma fama, passou a ser pago pelo clube, e não mais pelo patrocinador, cuja participação no pagamento dos atletas não era contabilizada no balanço do clube. E hoje, com uma equipe coadjuvante na disputa pelos grandes títulos, o Fluminense gasta, em recursos próprios, com salários três vezes o que gastava nos anos dinheiro fácil da Unimed.

A conta aparece nos balanços trimestrais publicados no site oficial do clube. Em 2010, quando foi campeão brasileiro, o Fluminense aponta modesto gastos de R$ 16,706 milhões com  pagamento de "pessoal" do seu futebol profissional entre janeiro e setembro. Em 2012, temporada de outro título nacional, foram R$ 22,4 milhões (sempre contando os nove primeiros meses do ano). Em 2014, o último ano de Unimed, foram R$ 24,3 milhões.

Depois da saída da patrocinadora, os gastos do Fluminense dispararam. Foram R$ 40,6 milhões nos primeiros três trimestres de 2015. Número que saltou para R$ 59,3 milhões em 2016, e chegou a R$ 64,2 milhões neste ano.

A parceria acabou com a Unimed passando por dificuldades financeiras. E com o Fluminense despreparado para se virar com as próprias pernas.





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Títulos, mas com explosão da dívida, do prejuízo e do custo de futebol: os anos Gilvan no Cruzeiro

Paulo Cobos
Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br
Nicola revela dificuldades financeiras no Cruzeiro e demora em pagamento por Diogo Barbosa: 'A venda do Sóbis será festejada pela diretoria'

O final da gestão de Gilvan de Pinho Tavares no Cruzeiro mostra um clube em dificuldades financeiras. O time mineiro admite que teve que se desfazer do lateral esquerdo Diego Barbosa por não ter como cobrir a oferta do Palmeiras. Segundo o site Superesportes, o clube tem dificuldades para pagar salários neste final de temporada e é cobrado na Fifa por falta de pagamentos em valores que já chegam a R$ 50 milhões.

Situação que deve deixar ainda pior as finanças cruzeirenses em relação a 2016, quando o cenário já era assustador. Com Gilvan, a equipe ganhou o Brasileiro  duas vezes e acaba de conquistar a Copa do Brasil deste ano. Mas viu sua dívida e seus gastos com o futebol explodirem e o prejuízo acumulado disparar.


Dados compilados pelo especialista Amir Somoggi mostram como o cartola faz as finanças cruzeirenses ficarem corroídas.

Entre os 12 times mais tradicionais do país, nenhum viu sua dívida aumentar tanto em relação a 2011, o último ano antes de Gilvan assumir, até 2016. O valor passou de R$ 120,3 milhões para R$ 363,1 milhões, ou estratosféricos 202%. O segundo no ranking fica bem distante: o São Paulo, com com 143%.

Computando o grupo dos 12 grandes, só o Botafogo, com receitas muito mais modestas e com curva positiva hoje nas finanças, perdeu mais dinheiro do que o Cruzeiro nos anos Gilvan. Entre 2012 e 2016 o clube mineiro sempre ficou no vermelho, com um déficit acumulado de R$ 147,6 milhões.

Tudo isso mesmo com um desmanche do time bicampeão brasileiro em 2013 e 2014 que rendeu cerca de R$ 100 milhões para o clube.

Antes de Gilvan, o Cruzeiro era um dos times em que as despesas de futebol tinham a menor fatia no total de receitas do clube: 69%. Em 2016, a equipe era em que os gastos com seu time mais comiam suas receitas: 81% (no flamengo esse percentual é de apenas 39% e no 74% no rival Atlético-MG). Em números brutos, isso significa que o Cruzeiro gastava R$ 88,1 milhões por ano com seu futebol antes de Gilvan e passou a gastar R$ 193 milhões com ele.

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Campanha de rebaixado: em jogo entre grandes, Flamengo é o mais medíocre do Brasileiro

Paulo Cobos
Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

Mauro detona 'vexame' do Fla contra o São Paulo, desaprova escalação de Rueda e diz: 'É um elenco que não funciona mais'

Se um grande time é testado nos grandes jogos, o Flamengo é, entre os clubes mais tradicionais do país, o clube mais medíocre do Brasileiro. Computando apenas os duelos entre os 11 gigantes do país (o Inter está na Série B), a equipe da Gávea é que tem o pior desempenho.

Foram 14 confrontos contra grandes até agora na competição, e o Flamengo venceu apenas dois, com sete empates e cinco derrotas. Isso significa um aproveitamento de 30%. Na classificação geral, só o lanterna Atlético-GO tem uma campanha pior (28%).


Líder do Brasileiro, o Corinthians também lidera nos clássicos, com aproveitamento de 76%. Quem chega mais perto da ruindade do Flamengo nos grandes jogos é o Fluminense, que ganhou 33% dos pontos que disputou nesse tipo de partida.

Já são mais de três meses sem vitória flamenguista em clássicos: a última foi em 8 de julho, quando venceu o Vasco. A situação do time na classificação só não é pior graças ao bom desempenho conta os demais rivais, com aproveitamento de 69%, com 10 vitórias, 3 empates e 3 derrotas.

O aproveitamento de cada time nos jogos entre grandes

1º        Corinthians            76%
2º        Santos                       55%
3º        Palmeiras                52%
4º        Grêmio                     50%
5º        Cruzeiro                  47%
6º         Botafogo                43%
7º         Atlético-MG        42%
8º         São Paulo               40%
9º         Vasco                        38%
10º      Fluminense           33%
11º      Flamengo               30%


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Chuveirinhos, poucos gols, muitas faltas: em números a mediocridade do Brasileiro-2017

Paulo Cobos
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Juca Kfouri: 'Nós perdemos a nossa essência; aquilo que nos encantava, não existe mais no futebol brasileiro'

Assistir o Campeonato Brasileiro em 2017 é uma dureza. Não faltam números para provar que esta edição é, com raras exceções, um desfile de mediocridade. Dá para notar isso até quando se olha os melhores times em algumas estatísticas.

O Grêmio é o time com o ataque mais eficiente da competição. Em 28 rodadas,  marcou 42 gols.  Isso dá uma média de 1,50 gol por partida. Mantendo esse número até o final, a edição 2017 do Brasileiro terá o melhor ataque com a menor média dos pontos corridos, que começou em 2003.


Tem time que ainda sonha com o título com um número elevado de derrotas, casos de Palmeiras e Grêmio. Eles já saíram derrotados nove vezes. Com mais uma, poderão fazer algo inédito: nunca um campeão nos pontos corridos com 20 times foi campeão perdendo dez partidas.

Com a ajuda do TruMedia, a ferramenta de estatísticas dos canais ESPN, é possível mostrar que o Brasileiro tem um nível técnico bem distante das principais ligas nacionais da Europa. Quem gosta de gol, por exemplo, sofre com o futebol praticado no país.

Depois de 28 rodadas, a média de gols por partida é de apenas 2,35, bem longe das grandes ligas. Na Espanha, ela é hoje de 2,78. Na Inglaterra, 2,52. Na Alemanha, 2,60. Na França, é de 2,72. E na Itália, que já foi famosa por suas retrancas, está em 2,89.

No Brasileiro-2017, 20% das jogadas ofensivas acabem em cruzamentos para a área, marca acima das ligas da Europa. Mesmo na Inglaterra, que já foi a pátria dos chuveirinhos, essa estratégia é menos usada (16,7%).

Se faltam gols, sobram faltas no campeonato do único país cinco vezes campeão mundial. Na média, cada jogo do Brasileiro tem 33 faltas. Em nenhuma grande liga da Europa esse número chega a 27. Na Inglaterra, são apenas 21 infrações por partida.


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Cobrando, na média, R$ 289 do torcedor, CBF vai arrecadar em 3 jogos da seleção mais do que 18 clubes no Brasileiro inteiro

Paulo Cobos
Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br
Para Mauro, seleções jogam muito mais do que deveriam e clubes sofrem: 'Sistema absurdo'

Ver a seleção jogando no Brasil virou algo tão caro que 2017 vai terminar com algo inusitado. Em apenas 3 jogos pelas eliminatórias no ano, a CBF, já mais rica que qualquer clube do país, deve arrecadar mais com bilheteria do que 18 clubes no Campeonato Brasileiro inteiro, em que cada time faz 19 partidas como mandante.

Somando os jogos contra Paraguai, na Arena Corinthians, Equador, na Arena do Grêmio, e Chile, no Allianz Parque, a arrecadação bruta bateu em estratosféricos R$ 35,329 milhões. Nesses jogos, foram 122.428 pagantes, o que representa um salgado preço médio de R$ 289 por tíquete.

Uma comparação com o que os clubes arrecadam com ingressos no Campeonato Brasileiro mostra a montanha de dinheiro que virou um jogo da seleção.

Pela média atual de cada time, nada menos do que 18 deles vão terminar a competição com faturamento muito menor do que a CBF conseguiu em apenas três jogos pela seleção, incluindo gigantes como Flamengo e São Paulo.

O clube do Morumbi, com sua média atual de renda, vai terminar o Brasileiro com R$17,7 milhões na venda de ingressos. Para o Flamengo, serão só R$ 15 milhões. Outros grandes arrecadam só uma migalha do que a CBF consegue. O Botafogo vai ficar na casa dos R$ 5,5 milhões.

Os únicos clubes que em um Brasileiro inteiro podem arrecadar mais do que a seleção em só três jogos são Corinthians e Palmeiras. No caso do líder da competição, pela média atual na sua Arena, o faturamento total na competição será de R$ 41 milhões. Já para o Palmeiras a margem é pequena: caminha no ritmo atual para R$ 36,5 milhões.

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Nuzman tem 16 quilos de ouro; em seu reinado de mais de 20 anos no COB, Brasil juntou míseras 126 gramas de ouro em medalhas

Paulo Cobos
Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

Juca Kfouri analisa caso de Nuzman: 'Foi tão fominha que está preso antes do Ricardo Teixeira'

Carlos Arthur Nuzman foi preso nesta quinta-feira e o mundo ficou sabendo que ele guarda 16 quilos de ouros em um cofre na Suíça. A lista de acusações contra ele é tão grande e consistente que desta vez parece certo que ele não terá como continuar no comando do Comitê Olímpico Brasileiro.

E o seu legado em medalhas nos mais de 20 anos que comandou o órgão é tão modesto que a quantidade de ouro de verdade que o Brasil acumulou em medalhas em seis Olimpíadas com ele equivale à uma mísera fração da pequena montanha de barras de ouro que o cartola guarda.

O Brasil investiu bilhões no esporte através do dinheiro da Lei Piva, que sai das apostas da loteria. E a maioria desse dinheiro foi administrado pelo COB. E com essa montanha de dinheiro o país soma apenas 21 medalhas de ouro na era Nuzman, ou média de apenas quatro por jogo.

Pelas regras do Comitê Olímpico Internacional, uma medalha de ouro olímpica deve ter pelo menos 6 gramas efetivas de ouro. Assim, com Nuzman o Brasil acumulou apenas 126 gramas do metal. Mesmo com o peso total de uma medalha de vencedor, 400 gramas, o país de mais de 200 milhões de habitantes não alcança as barras de ouro do cartola: seriam 8,4 quilos.

Nuzman não é só um dirigente ameaçado de passar anos na prisão e com uma reputação absolutamente manchada. Ele foi o comandante de um país que gastou muito, teve a oportunidade de fazer uma Olimpíada em casa e está longe, mas muito longe, de ser uma potência olímpica.

Por isso ele não será punido.

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Atrás até do Defensa y Justícia: ranking mundial mostra como passe virou um pesadelo para times brasileiros

Paulo Cobos
Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br
Se estabilizando como um time, veja como está a seleção do Bola de Prata após 26 rodadas

Passar a bola, seja na defesa ou no meio-campo ou numa assistência para deixar o companheiro em condições de marcar um gol, virou um drama para o futebol brasileiro. Isso fica evidente nos números do TruMedia, a ferramenta de estatísticas da ESPN.

Com a mesma metodologia, é possível comparar o número de passes e assistências das principais ligas do mundo. Para efeito de comparação, o ESPN.com.br comparou os números das ligas de Alemanha, Argentina, Brasil, Espanha, França, Inglaterra e Itália. E o resultado é devastador para os times brasileiros.


No número de passes comuns, o melhor time do país no ranking é o Corinthians, com média de 512 passes por jogo no Brasileiro, o que o coloca na modesta 26ª posição no ranking das sete ligas, atrás até do modesto argentino Defensa Y Justícia, com 518. O líder é o Napoli, com 742.

Acertar um passe também é um suplício no futebol brasileiro. Novamente o melhor do país é o Corinthians, com precisão de 81,8%, a 20ª melhor marca. O melhor entre as principais ligas nacionais do mundo hoje é o PSG, com 88,7%.

Pior ainda é o desempenho brasileiro nas assistências. Entre aquelas que resultaram em gol, o melhor do país mais uma vez é o Corinthians, com média de 0,93 por jogo, apenas a 43ª maior marca. Uma migalha comparada com a média de 2,46 de Barcelona e Manchester City e também atrás de times como Banfield, Atalanta e Patronato.

Nas assistências que não resultaram em gol, o desempenho brasileiro é um pouco melhor, com o Flamengo na 24ª posição, com média de 10,53 por jogo, O melhor nesse quesito é o Real Madrid, com 15,69. 

E pensar que Guardiola já disse que quando era criança seu pai dizia que o Brasil eram quem melhor tratava a bola...

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