18º Jogos Olímpicos - 1964 - Tóquio/Japão - Desfile de Encerramento

Wlamir Marques
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Wlamir Marques, 80 anos: veja a homenagem a um dos maiores nomes da história do basquete mundial

VIAGEM DE RETORNO

Na mesma noite em que os jogos foram encerrados logo após a famosa maratona, também foi realizado o desfile de encerramento das delegações presentes. Nesse dia fui notificado de que eu seria novamente o porta bandeira da delegação brasileira. Mais um motivo de grande orgulho.

Isso se justificava porque para os desfiles de encerramento, são sempre escolhidos àqueles atletas que mais se destacaram em suas competições. Como o basquete masculino alcançou a unica medalha para o país (bronze), ficou decidido que eu seria novamente o porta bandeira; eu era o capitão.

O desfile de encerramento possui como característica básica o abandono das formalidades de praxe, tais como desfilar em marcha batida e sem cerimônias respeitosas mostradas no desfile de abertura. As delegações entram no estádio misturadas e com demonstrações de intensa alegria.

Sem qualquer formalidade, me vi empunhando a bandeira brasileira e sendo carregado nos ombros por vários atletas brasileiros. Havia um certo ritual a ser cumprido pelos porta bandeiras, só que dessa vez sem qualquer preparação antecipada, apenas fiquei sabendo aonde me posicionar.

A cerimônia de encerramento é muito linda e triste, é a despedida de um povo e a convivência de um mundo esportivo voltando para casa. Lá estava eu, no meio daquilo tudo sentindo saudades da família e pesaroso por tudo aquilo ter terminado. À partir dali só me restava retornar para minha casa.

Como sempre acontece, não posso deixar de contar sobre o nosso retorno ao Brasil. Um dia depois do desfile de encerramento, fomos avisados que sairíamos de Tokio com toque de despertar às 03:00 horas da madrugada rumo ao aeroporto. Arrumamos nossas malas para serem transportadas.

Wlamir com a seleção brasileira
Wlamir com a seleção brasileira Divulgação

A viagem foi prevista para sairmos de Tokio rumo à cidade de Anchorage no Alaska. Viagem longa, foi quando aproveitamos para terminar a nossa noite mal dormida. Descemos em Anchorage para abastecer a aeronave da Japan Airlines. Em seguida saímos em direção à Kopenhagen pela rota polar.

Naquele mesmo voo estava ao nosso lado a delegação da Polônia. Todos vestidos com os agasalhos de competição. Eles ficaram nas poltronas da frente e nós nas poltronas de trás do avião. Confesso que o odor não era muito agradável, eles não possuíam outra roupa, tempos difíceis do país.

O voo sobre o polo norte foi inesquecível, de longa duração e por demais cansativo, mas até hoje lembro da famosa aurora boreal. Chegamos em Kopenhagen para mais tarde pegarmos um avião da Varig que nos traria de volta para o Brasil com escalas em Lisboa, Dakar, Recife e Rio de Janeiro.

Do Rio de janeiro ainda me restava pegar um outro voo com destino à São Paulo. Posso afirmar que foram muitas horas de voo. Mas tudo valeu à pena parecendo que foi ontem. As lembranças não morreram, muito ao contrário, estão intactas, sempre marcadas em uma medalha de bronze.

Fonte: Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br

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18º Jogos Olímpicos - 1964 - Tóquio/Japão - Desfile de Encerramento

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5º Campeonato Mundial - Parte 2

Wlamir Marques
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DETALHES TÉCNICOS

LOCAL: Montevidéo (Uruguai)

DATA: 27/05/67 à 11/06/67

PARTICIPANTES: Classificação: (2 primeiros de cada grupo)

GRUPO A: 1º-Estados Unidos, 2º-Iugoslávia, 3º-México, 4º-Itália

GRUPO B: 1º-União Soviética, 2º-Argentina, 3º Peru, 4º-Japão

GRUPO C: 1º-Brasil, 2º-Polênia, 3º-Porto Rico, 4º-Paraguai

(Uruguai por ser o país sede já estava classificado para a fase final)

JOGOS DO BRASIL: (Classificação)

Brasil 83 x 67 Polênia

Brasil 92 x 56 Porto Rico

Brasil 85 x 41 Paraguai

JOGOS DO BRASIL: (Fase Final)

Brasil 74 x 78 União Soviética

Brasil 84 x 87 Iugoslávia

Brasil 80 x 71 Estados Unidos

Brasil 90 x 85 Polônia

Brasil 74 x 66 Argentina

Brasil 63 x 45 Uruguai    

CLASSIFICAÇÃO FINAL: 1º- União Soviética, 2º Yugoslavia, 3º- Brasil, 4º- Estados Unidos, 5º- Polonia, 6º- Argentina, 7º- Uruguay, 8º- México, 9º-Itália, 10º- Peru, 11º- Japão, 12º-Porto Rico, 13º- Paraguay.

SELEÇÃO BRASILEIRA: 

Técnico: Kanela

Jogadores: Amaury, Sergio Macarrão, Ubiratan, Cesar, Hélio Rubens, Olaio, Jathir, Menon, Sucar, Edvar, Emil Rached e Mosquito.

Embora eu não tenha participado do mundial, não posso deixar de enaltecer a ótima participação brasileira. O 3º lugar manteve o basquetebol brasileiro no topo do basquete mundial ao lado dos Estados Unidos, União Soviética e Iugoslávia.

Após o mundial o técnico Kanela, jogadores e imprensa, afirmaram que: Se eu estivesse presente o Brasil teria conquistado o tri campeonato mundial. Fui apontado como culpado pelo 3º lugar. Não concordando com essa afirmação, digo que o culpado foi a comissão técnica.

Até hoje me perguntam os motivos de eu não ter participado daquele mundial? A resposta é muito difícil. Apenas digo que  fui cortado da seleção por motivos particulares e pela indulgência da direção técnica. Entretanto, isso jamais tirará o brilho dessa linda conquista mundial.

O tempo passou e os resquícios do passado foram esquecidos. Mais à frente voltei a ser chamado pelo técnico Kanela. Fui capitão da seleção brasileira sob seu comando por dez anos seguidos (1960 à 1970). Foi uma honra ter sido o representante de toda uma nação brasileira.

Fonte: Wlamir Marques

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5º Campeonato Mundial - Parte 2

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1967- 5º Campeonato Mundial - parte 2

Wlamir Marques
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DETALHES TÉCNICOS:

LOCAL: Montevideo (Uruguai)

DATA: 27/05/67 à 11/06/67

PARTICIPANTES: Classificação: (2 primeiros de cada grupo)

GRUPO A: 1º-Estados Unidos, 2º-Iugoslávia, 3º-México, 4º-Itália

GRUPO B: 1º-União Soviética, 2º-Argentina, 3º Peru, 4º-Japão

GRUPO C: 1º-Brasil, 2º-Polonia, 3º-Porto Rico, 4º-Paraguai

(Uruguai por ser o país séde já estava classificado para a fase final)

JOGOS DO BRASIL: (Classificação)

Brasil 83 x 67 Polonia

Brasil 92 x 56 Porto Rico

Brasil 85 x 41 Paraguai

JOGOS DO BRASIL: (Fase Final)

Brasil 74 x 78 União Soviética

Brasil 84 x 87 Iugoslávia

Brasil 80 x 71 Estados Unidos

Brasil 90 x 85 Polônia

Brasil 74 x 66 Argentina

Brasil 63 x 45 Uruguai 

CLASSIFICAÇÃO FINAL: 1º- União Soviética, 2º Yugoslavia, 3º- Brasil, 4º- Estados Unidos, 5º- Polonia, 6º- Argentina, 7º- Uruguay, 8º- México, 9º-Itália, 10º- Peru, 11º- Japão, 12º-Porto Rico, 13º- Paraguay.

SELEÇÃO BRASILEIRA: 

Técnico: Kanela

Jogadores: Amaury, Sergio Macarrão, Ubiratan, Cesar, Hélio Rubens, Olaio, Jathir, Menon, Sucar, Edvar, Emil Rached e Mosquito.

Embora eu não tenha participado do mundial, não posso deixar de enaltecer a ótima participação brasileira. O 3º lugar manteve o basquetebol brasileiro no topo do basquete mundial ao lado dos Estados Unidos, União Soviética e Yugoslavia.

Após o mundial o técnico Kanela, jogadores e imprensa, afirmaram que: Se eu estivesse presente o Brasil teria conquistado o tri campeonato mundial. Fui apontado como culpado pelo 3º lugar. Não concordando com essa afirmação, digo que o culpado foi a comissão técnica.

Até hoje me perguntam os motivos de eu não ter participado daquele mundial? A resposta é muito difícil. Apenas digo que  fui cortado da seleção por motivos particulares e pela indulgência da direção técnica. Entretanto, isso jamais tirará o brilho dessa linda conquista mundial.

O tempo passou e os resquícios do passado foram esquecidos. Mais à frente voltei a ser chamado pelo técnico Kanela. Fui capitão da seleção brasileira sob seu comando por dez anos seguidos (1960 à 1970). Foi uma honra ter sido o representante de toda uma nação brasileira.

Fonte: Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br

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1967- 5º Campeonato Mundial - parte 2

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Como fui cortado da seleção brasileira no Mundial de 67

Wlamir Marques
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LOCAL: Montevideo (Uruguai)

DATA: 27/05/67 à 11/06/67

"O WLAMIR ESTÁ CORTADO DA SELEÇÃO"

Começo afirmando que não participei desse mundial. Motivo: fui cortado da seleção pelo técnico Kanela. Tudo teve seu inicio à partir da minha convocação. No dia da apresentação, no antigo DEFE situado na capital paulista, me dirigi ao técnico Kanela pedindo dispensa da seleção.

O técnico negou o meu pedido, dizendo que eu era imprescindível à seleção brasileira e que não poderia abrir mão da minha presença. Naquele tempo eu jogava no Corinthians, trabalhava nos correios e telégrafos, e era técnico recém contratado da equipe feminina do XV de Piracicaba.

Eu necessitava de tempo para trabalhar, além de precisar ter o meu ganho profissional de forma regular. Estava pra completar 30 anos e não podia mais me submeter aos treinamentos duas vezes ao dia. Só pra esclarecer, defendi o país por 20 anos sem receber qualquer ajuda financeira.

A minha vontade era ficar fora do Mundial. Vinha desde 1954 com dedicação plena, mas naquele momento me sentia profissionalmente prejudicado. Não queria fazer parte, mas o técnico não aceitava meus argumentos e perguntou: "Você aceitaria treinar 3 dias da semana?"

Naquele hora percebi que o técnico Kanela abria mão dos seus rigores ao me fazer tal pergunta. Ele era um técnico intransigente e ao me fazer aquela proposta me colocou em xeque. Diante daquela pressão e de alguns companheiros, aceitei contrariado, mas tudo ficou esclarecido.

Eu treinaria apenas às 2ªs, 4ªs e 6ªs à noite na seleção e, 3ªs. 5ªs e sábados eu iria para os treinos na cidade de Piracicaba. Fora isso, trabalhava nos correios e telégrafos. Não era fácil engrenar tudo ao mesmo tempo, mas fui levando do jeito que dava.

Em uma sexta feira, a seleção brasileira foi à São Caetano do Sul fazer uma apresentação, tipo jogo treino entre as seleções A x B. Participei ativamente do confronto jogando na seleção A, além de ter sido o seu capitão. Não me encontrava em plena forma, mas já esperava por isso.

Ao final do jogo treino, o técnico Kanela avisou que no sábado estaríamos pegando um avião da FAB com destino à Presidente Prudente para uma nova apresentação. Na hora eu disse que não poderia ir pois tinha um jogo decisivo do Campeonato Paulista entre XV x Santo André.

Ele me olhou e não disse nada. Me dando a entender que estava tudo bem. Não viajei com a delegação e, ao chegarem em Presidente Prudente ele foi  pressionando pelos jornalistas estranhando a minha falta. Ali ele disse o seguinte: "O Wlamir está cortado da seleção".

Fonte: Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br

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Como fui cortado da seleção brasileira no Mundial de 67

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As histórias do 2º Mundial interclubes de basquete - parte 2

Wlamir Marques
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1967- 2º CAMPEONATO MUNDIAL INTERCLUBES (2)

RESULTADOS e LOCAIS: 

EM VARESE: Akron Goodyear 57 x 52 S.C. Corinthians Pta.

EM NAPOLI: Simmenthal Milano 82 x 77 Slavia

EM ROMA: Ignis Varese 79 x 70 Simmenthal Milano

Simmenthal Milano 90 x 89 S.C. Corinthians Pta.

Akron Goodyear 78 x 72 Ignis Varese

Classificação final:

1º- Akron Goodyear (USA)

2º- Ignis Varese (ITÁLIA)

3º- Simmenthal Milano (ITÁLIA)

4º- S.C. Corinthians Pta. (BRASIL)

5º Slavia (PRAGA)

A fase final do 2º Campeonato Mundial interclubes foi disputada no Palazzo de los Deportes, em Roma. Ginásio conhecido desde a Olimpíada de Roma (1960), quando ali disputamos a fase final contra os EUA e a União Soviética e trouxemos a 2ª medalha olímpica de bronze (3º lugar) para o Brasil.

Saliento que, embora o Corinthians tenha sido derrotado em seus dois jogos, deixou na Itália uma ótima impressão. Os adversários eram de grande nível internacional e os enfrentamos de igual para igual sem os reforços de jogadores norte-americanos. 

No jogo em que perdemos para o Simmenthal, fomos totalmente prejudicados pela arbitragem. Ao final do jogo, fomos reclamar com os árbitros, havendo uma forte reação da polícia local, impedindo a nossa aproximação. Torcedores italianos apoiavam nossa reclamação.

Naquela noite, após os jogos, houve um jantar de confraternização para todas as equipes e o assunto não foi outro: o Corinthians foi prejudicado. Isso dito por alguns italianos presentes. De qualquer forma, saímos de cabeça erguida daquele jantar, ali deixamos a nossa marca.

No dia seguinte, junto com a minha esposa Cecilia e alguns companheiros, seguimos na Europa como turistas. Fomos para Paris e ali ficamos 3 dias. Confesso que já tinha ido a Paris outras vezes, mas nunca a conheci direito, dessa vez pude usufruir melhor das suas maravilhas. 

Retornamos ao Brasil cientes de termos cumprido com grande destaque a nossa missão. Saímos de uma temperatura de -5ºC para retornarmos ao verão brasileiro. O 4º lugar em nenhum momento foi desmerecido, nossa participação foi muito enaltecida pela imprensa.

Entramos no ano de 1967 na expectativa de grandes conquistas corintianas. Estávamos cada vez mais caindo no gosto do torcedor que descarregava sua alegria, comparecendo em grande número nos nossos jogos, principalmente nos jogos internacionais. Grandes momentos.

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As histórias do 2º Mundial interclubes de basquete - parte 2

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As histórias do 2º campeonato mundial interclubes de basquete

Wlamir Marques
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1966/67- 2º CAMPEONATO MUNDIAL INTERCLUBES

LOCAIS: Varese , Napoli e Roma (Itália)

DATAS: 04-05-06-07/01/67

PARTICIPANTES: Ignis Varese e Simmenthal Milano (Itália) Slavia (Praga) Akron Goodyear (USA) e S.C. Corinthians (Brasil)

Após a seleção brasileira disputar o mundial extra no Chile, o Corinthians preparou-se para disputar o 2º Campeonato Mundial Inter Clubes na Itália. Isso aconteceu nos primeiros dias de Janeiro de 1967 na cidade de Varese onde jogamos a fase de classificação. As finais aconteceram em Roma.

Iniciamos a fase de treinamentos com maior intensidade no mês de Dezembro de 1966, afinal a competição era de nível internacional e necessitávamos estar aptos a enfrentar qualquer adversário. No dia 27/12 partimos para a Europa com destino à cidade de Milão/Itália.

Nessa época do ano o inverno na Europa é muito rigoroso e encontramos em Milão um frio muito intenso. No final do ano passado passamos pelo mesmo problema e nada nos parecia estranho. Viajamos já sabendo o que íamos enfrentar. Mas o hotel era aquecido e isso já nos bastava.

Ficamos 5 dias em Milão aguardando a ida para Varese. Enquanto isso, os nossos treinamentos foram aprimorados. Havia a necessidade de melhor adaptação ao ambiente, mas sempre encontramos nas quadras o melhor aquecimento interno para a realização de jogos e treinos.

Passamos o ano de 1966/67 em Milão. Festejamos a passagem do ano em um restaurante próximo ao hotel. Nessa viagem levei a minha esposa Cecilia, uma companhia sempre necessária em todas as minhas atuações em clubes e seleções brasileiras. Sua presença não era novidade.

Após a passagem do ano, no dia seguinte fomos de ônibus para Varese, cidade muito próxima à Milão. Chegamos com 3 dias de antecedência para o inicio da fase de classificação. Ficamos hospedados em um maravilhoso hotel situado em uma das colinas da cidade. Tipo castelo medieval. 

Na fase de classificação enfrentamos apenas a equipe do Akron Goodyear dos EUA. Foi um jogo difícil e muito disputado. Infelizmente perdemos por 57 x 52. Saímos em 2º lugar na série e fomos para Roma disputar a fase final junto com o Ignis Varese, Akron e o Simmenthal (campeão Italiano).

Na cidade de Napoles foi disputada a outra série entre o Simmenthal x Slavia. Vitória do Simmenthal por 82 x 77. Naquele ano a equipe milanesa sagrou-se campeã italiano, reforçada com jogadores norte americanos. Também em um único jogo classificou-se para as finais. 

Antes de seguirmos para Roma, fomos de trem visitar a cidade de Veneza, uma cidade diferente e encantadora. Ficamos ali algum tempo e à tarde voltamos para Varese. No dia seguinte cedinho viajamos para Milão e um avião da Alitalia nos aguardava, estávamos à caminho de Roma.

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As histórias do 2º campeonato mundial interclubes de basquete

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1966 - CAMPEONATO MUNDIAL EXTRA 2

Wlamir Marques
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CORINTHIANS X IUGOSLÁVIA

A fase final do mundial extra foi disputada por 7 países. Não sendo uma competição oficial da FIBA, não consegui encontrar na internet dados numéricos que pudessem melhor esclarecer a competição. Puxando apenas pela memória, digo que a Iugoslávia foi a campeã.

Cito também que o Brasil foi vice-campeão, derrotando os soviéticos e os EUA, perdendo somente para a Iugoslávia, que apareceu no cenário com grande destaque. Durante um certo tempo, EUA, União Soviética, Brasil e Iugoslávia dominavam o basquete mundial.

A seleção iugoslava era muito forte, unificada com os melhores jogadores da Servia, Croácia, Eslovênia, etc. À exemplo da União Soviética, os países socialistas eram muito competitivos, bem diferente do Brasil, muito ligado no futebol e vivendo de alguns fenômenos. O basquete era um deles.

Ainda no Chile, o Corinthians convidou a seleção da Iugoslávia para um jogo amistoso no ginásio do Parque São Jorge, hoje chamado Ginásio Poli Esportivo "Wlamir Marques". Aceitaram o convite de pronto. Fizeram escala em São Paulo e muito decididos para o confronto.

Sei também que o convite foi aceito à pedido dos jogadores querendo conhecer a cidade de São Paulo e Rio de Janeiro. Para o Rio foram apenas à passeio. Estavam ansiosos em conhecer o Brasil, mas não sabiam que o Corinthians era a base da seleção brasileira. 

O jogo aconteceu logo após o término do mundial. Foi um grande jogo, duas equipes de nível internacional, um era clube e a outra era a seleção de vários países. O Corinthians venceu o jogo por 2 pontos de diferença, feitos pelo Renê nos segundos finais. Seus únicos 2 pontos no jogo.

Ginásio lotado como sempre acontecia em jogos internacionais. Nosso torcedor era diferenciado, principalmente pela falta de títulos no futebol. Naquele ginásio, o torcedor descarregava a sua alegria no basquete. Era uma forma de torcer por novas conquistas alvinegras. À exemplo do confronto com o Real Madrid, esse jogo permanece na história do basquete corintiano e brasileiro. Até hoje são comentados os nossos grandes feitos. A história não morreu. Foi um fato inédito, vitória de um clube sobre uma seleção campeã do mundo. Inesquecível!

Fonte: Wlamir Marques

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1966 - CAMPEONATO MUNDIAL EXTRA 2

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1966- CAMPEONATO MUNDIAL EXTRA

Wlamir Marques
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1966- CAMPEONATO MUNDIAL EXTRA
LOCAL: CHILE: (SANTIAGO e ANTOFAGASTA)
DATA: 2º SEMESTRE DE 1966
PARTICIPANTES: Yuguslavia, Brasil, USA, União Soviética, Bulgária, Espanha, Chile, Paraguay, Peru, Panamá, Porto Rico, México, Argentina.

No ano de 1966 seria realizado o 5º campeonato mundial de seleções no Uruguai. Por motivos estruturais o campeonato foi adiado para o ano de 1967. Nesse ínterim, a Federação Chilena de Basquetebol decidiu patrocinar um campeonato mundial extra e convidou o Brasil.

O convite foi feito à CBB uma semana antes do inicio da competição, não havendo tempo hábil para os treinamentos de uma seleção. A CBB entrou em contato com a FPB solicitando que o convite fosse estendido ao S.C. Corinthians Paulista, base da seleção brasileira, e o Corinthians aceitou.

Wlamir, Amaury, Rosa Branca e Ubiratan eram titulares da seleção brasileira bi campeã do mundo. O 5º jogador era o Renê que por motivos particulares não participou. À convite do Corinthians, outros jogadores vieram reforçar a sua equipe, entre eles o Emil Rached (2.23 mts).

Confesso que não estávamos em ritmo forte de treinamentos. Viajamos sem estarmos na nossa melhor forma física e técnica para a disputa de um campeonato mundial, mas foi a melhor solução. Nós eramos muito entrosados e a falta de treinamentos não foi tão prejudicial.

Voamos para Santiago e ali pernoitamos. No dia seguinte pegamos um voo com destino à cidade de Antofagasta situada no deserto de Atacama. Ali disputamos a fase de classificação. À bem da verdade o deserto é inóspito, ar muito seco, impróprio para a pratica desportiva.

Ficamos em um péssimo hotel. A comida era horrível e, com o ar seco inúmeras vezes sangrei pelo nariz. Se já não estávamos na melhor forma física, com aquela alimentação e com aquela atmosfera ficava quase impossível jogarmos normalmente, mas conseguimos a classificação.

Não foi fácil, às duras penas conseguimos a vaga para as finais à ser disputada em Santiago. Se não classificássemos iriamos disputar a fase de consolação em Punta Arenas, extremo sul do Chile na Patagônia. A torcida chilena gritava: "Brasil vá a Punta Arenas". Se decepcionaram.

Após a classificação partimos para Santiago. Ali nos hospedamos  no Hotel Carrera, maravilhoso hotel já conhecido. Ficamos ali hospedados quando da conquista do mundial de 1959. Foi como entrar em um hospital, eu me sentia fisicamente frágil.  Aos poucos fui recuperando minhas forças.

Duas cidades também foram sédes de grupos, classificando os dois primeiros colocados em cada grupo. Seis países se classificaram para a final, além do Chile país anfitrião. A final foi disputada em turno completo, sendo declarado campeão o país com maior numero de vitórias. 

Fonte: Wlamir Marques, do ESPN.com.br

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1966- CAMPEONATO MUNDIAL EXTRA

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1966- RECUPERAÇÃO E CONTESTAÇÃO

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Após passar o ano novo em Madri, entrei no mês de janeiro buscando a recuperação de uma cirurgia. Como já foi dito, extrai o menisco externo da minha perna direita. O retorno foi difícil, mas tudo dentro das previsões. Com 28 dias de cirurgia entrei em quadra para jogar.

Com coragem e determinação fui aos poucos adquirindo condições de jogo, mas com algumas restrições. A minha forma de jogar também sofreu algumas modificações. Temeroso, procurava evitar os contatos mais rigorosos, ou seja, tentava me adaptar a uma nova situação.

Passei praticamente os três primeiros meses do ano buscando a minha melhor forma técnica e física. Treinava muito e jamais me poupei dos grandes esforços. Sabia o que queria e o que mais necessitava, precisava retornar às quadras em perfeitas condições.

 Em 1966 foi realizado um campeonato sulamericano de seleções disputado a cada 2 anos, dessa vez no Paraguai. O técnico foi o Renato Brito Cunha, assistente do Kanela em varias ocasiões. Fui chamado, mas recusei a convocação, naquele momento necessitava descansar.

O meu retorno às quadras foi muito estafante. Sabia que os esforços dispendidos nos treinamentos da seleção me desgastariam ainda mais. Treinar duas vezes ao dia não estava previsto naquele momento, precisava de um tempo, não das quadras, mas da minha cabeça.

A minha recusa gerou um certo desconforto no meio. Fui criticado pela imprensa por ter me negado a participar. Eu era o capitão da seleção e ninguém aceitava que eu ficasse de fora. Sem outra alternativa, recusei a convocação sabendo que contrariava muita gente.

Lembro que disputei cinco campeonatos sulamericanos, sendo tetracampeão nos anos de 58/60/61/63. Em 1955 fomos 3º lugar jogando em Cucuta, na Colômbia. Houve empate na 1ª colocação entre o Uruguai, Paraguai e Brasil.  No saldo de pontos ficamos em 3º. 

A minha ausência não impediu que o Brasil conquistasse o título de campeão sulamericano no Paraguai. Nesse espaço de tempo, aos poucos voltei à minha antiga forma, dedicando ao Corinthians todos os meus esforços para as grandes disputas internas e internacionais.

A recusa foi muito contestada por parte da imprensa em geral. Coisas de um país sem memória, não levando em consideração que, desde 1954, sempre estive presente. Foi simplesmente uma atitude de momento. Mais tarde, com muita honra, retornei à seleção brasileira.

Fonte: Wlamir Marques, do ESPN.com.br

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1966- RECUPERAÇÃO E CONTESTAÇÃO

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1965 - RECUPERAÇÃO 2

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Como foi dito em texto anterior, no mês de Novembro de 1965 fui submetido a uma cirurgia para a retirada do menisco externo do joelho direita.  Ainda sentia dores, portanto o melhor era me submeter a essa cirurgia. Isso aconteceu há um mês antes do inicio do campeonato mundial.

O tempo curto de recuperação não me permitia estar apto à participar do evento. Mesmo assim, viajei com a delegação a fim de me preparar fisicamente e poder voltar às quadras o mais rápido possível. Infelizmente não consegui alcançar a melhor condição de jogo.

Vencemos o Real Madri em sua casa e batemos a equipe dos EUA. Chegamos ao jogo final enfrentando o Ignis Varese, campeão italiano, contando com 2 jogadores norte americanos. Nesse jogo entrei faltando 3 minutos e ainda consegui fazer 4 pontos. Perdemos por 3 pontos.

Disseram os entendidos que, se eu estivesse em condições, (28 dias de cirurgia) poderíamos ter conseguido o primeiro título mundial interclubes. Porém o vice campeonato foi muito valorizado, nos levando a receber convites para jogos amistosos na Europa. Ali voltei a jogar. 

Passamos o ano novo em Madri e começamos a atender os vários pedidos para os amistosos. Nesse espaço de tempo me aventurei um pouco mais nas minhas atividades físicas, mesmo com o joelho passando por situações difíceis, tais como inchaço e algumas dores.

Sabia que o retorno não seria fácil, fui alertado sobre as inconveniências da cirurgia, mas nunca me senti atemorizado. Comecei o preparo praticamente sozinho, pois precisava estar apto a continuar a minha carreira. Já no primeiro amistoso dei tudo o que me era permitido, fiz 25 pontos.

Aos poucos fui adquirindo confiança e a cada jogo ia melhorando as minhas performances. Ainda não estava 100%, mas a esperança e a expectativa aumentava. Jogamos em Portugal, Bélgica e Itália, sempre debaixo de um inverno europeu rigoroso, com muita neve.

Jogamos em Charleroi, na Bélgica, com temperatura de 16 graus abaixo de zero. Devido à neve, nosso ônibus não conseguiu chegar ao ginásio. Chegamos a pé, atravessando montes de neve. Não havia calefação no ginásio, tornando-se quase impossível jogar naquelas condições. A excursão foi maravilhosa. Não perdemos nenhum jogo e deixamos a marca do Corinthians entre as melhores equipes do mundo. Voltei ao país totalmente apto a continuar minha carreira. Senti muito termos perdido o mundial, mas fiquei muito feliz por retornar às quadras.

1º CAMPEONATO MUNDIAL INTERCLUBES DE BASQUETE

LOCAL: Madri, Espanha

DATA: 27 a 29/12/1965

PARTICIPANTES: Real Madrid (Espanha) - Chicago Jamaco Saints  (EUA) - Ignis Varese (Itália) e Corinthians (Brasil).

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1965 - RECUPERAÇÃO 2

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1965 - RECUPERAÇÃO 1

Wlamir Marques
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Logo após o acidente ocorrido com o meu joelho direito no México, fui mandado de volta para São Paulo para dar início ao tratamento. A lesão foi muito séria, havendo a necessidade de um pronto atendimento. Chegando em São Paulo, uma condução do Corinthians me aguardava.

Me levaram a um médico ortopedista, que rapidamente recomendou engessar a minha perna. Mais tarde, a mando do presidente Wadi Helú, fui encaminhado a um novo atendimento no Hospital D.Pedro 2º para ser atendido pelo Dr. João Di Vicenzo, o melhor ortopedista do Brasil. 

Como estava com o gesso em toda a extensão da  perna, na mesma hora o Dr. João mandou retirá-lo dizendo que perna de atleta não se engessa. A partir dali iniciei um longo tratamento à base de injeções de cortisona. Duas vezes por semana me dirigia ao hospital para as devidas aplicações. 

Andava com dificuldades, mas aos poucos as dores foram diminuindo. Foram 3 meses de tratamento, uma injeção na terça feira e outra na quinta feira. Passei os meses de Agosto, Setembro e Outubro sem poder jogar ou treinar. Até que um dia fui autorizado a iniciar os treinamentos.

Voltando à quadra, mesmo de forma leve, uma dor na parte posterior do joelho me incomodava. Não me sentia apto, o joelho continuava preso, amarrado. Analisado pelo Dr. João, agora eu estava com problemas no menisco externo, havendo a necessidade de uma cirurgia.

Lembro que os primeiros 3 meses foram dedicados aos tratamentos dos ligamentos, surgindo logo após problemas com o menisco. No mês de Novembro fui submetido à cirurgia. Naqueles tempos não existia a artroscopia tão conhecida nos dias de hoje, ali só o bisturi funcionava.

Foram 3 dias internado no hospital para em seguida voltar à minha casa e iniciar a fisioterapia. Diariamente me dirigia ao clube para ser atendido no departamento de futebol profissional. Lembro que na época meu companheiro de sala e conversa era o grande Mané Garrincha.

A minha maior preocupação era estar apto a defender o Corinthians no mundial interclubes a ser disputado em Madri no final do ano. Minha dedicação foi plena, voltando até prematuramente aos treinamentos e sofrendo as consequências. Ali era o começo da minha volta às quadras.

Fonte: Wlamir Marques, do ESPN.com.br

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1965 - RECUPERAÇÃO 1

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Momento triste em minha carreira

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Após aquele memorável jogo contra o Real Madri, a seleção brasileira foi convidada para uma série de 7 jogos amistosos contra Porto Rico no país caribenho. Por falta de tempo para a preparação a CBB repassou para a Federação Paulista a incumbência de representa-la, era a própria seleção.

O técnico convidado foi o Prof. Moacir Daiuto, meu técnico no Corinthians. Feita a convocação, contando apenas com os jogadores atuando em São Paulo, no principio de Agosto viajamos para San Juan, linda capital porto riquenha. Ficamos alojados em um lindo hotel à beira do mar, maravilhoso.

Foram programados alguns jogos pelo interior do país, fora os realizados em San Juan. Com a falta de ginásios para grandes públicos, jogamos a série em quadra adaptada e montada em estádio de futebol. Um enorme público sempre esteve presente. Era comum esse tipo de iniciativa em tais eventos.

Fizemos a apresentação da seleção paulista vencendo todos os jogos contra a seleção porto riquenha sempre com muitas dificuldades. O basquetebol de Porto Rico sempre foi muito forte, influenciado pela proximidade com os EUA. Após os 7 jogos, fomos convidados à jogar 2 jogos no México.

Saímos de avião em direção à cidade do México com enormes diferenças de altitude. A cidade do México está à 2.235 mts. acima do nível do mar. À bem da verdade já estávamos acostumados com esse tipo de problema e muito pouco sentimos a diferença do ar rarefeito. Fomos para o 1º jogo.

Foi um jogo muito equilibrado, pois o basquetebol mexicano sempre foi muito considerado no basquete mundial. Comecei jogando, pois eu era também o capitão da seleção paulista. Faltando 2 segundos para acabar o 1º tempo e, ao fazer um giro para um arremesso, torci meu joelho direito.

Fui para o vestiário me contorcendo em dores. Não conseguia colocar os pés no chão. Fui prontamente medicado, mas impossibilitado de continuar jogando. No dia seguinte fui colocado em um avião com destino à São Paulo. Chegando em Congonhas uma Komb do Corinthians me aguardava.

Fui levado na mesma hora para um médico ortopedista que engessou a minha perna direita. No dia seguinte fui em outro médico, Dr. João di Vicenzo, que mandou eu retirar o gesso dizendo que perna de atleta não se engessa, somente em ultimo caso. Ali demos início ao longo tratamento.

Fiquei 3 meses e meio afastado das quadras tratando dos ligamentos com injeções de cortizona, para depois ser obrigado a realizar uma cirurgia para a retirada do menisco externo da minha perna direita. No final de ano eu teria que estar apto para a disputa do mundial de clubes na Espanha/Madri.

Fonte: Wlamir Marques

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Momento triste em minha carreira

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Corinthians 118 X 109 Real Madrid (2ª parte)

Wlamir Marques
Wlamir Marques
Wlamir Marques, 80 anos: veja a homenagem a um dos maiores nomes da história do basquete mundial

Como sempre, a notícia ruím chega muito rápida na boca do povo. A voz corrente era de que eu não jogaria aquele jogo. A Rádio Panamericana (hoje, a Jovem Pan) deu a notícia sobre o meu problema e a dúvida se espalhou,  principalmente no clube, onde muitos diziam que eu não estaria presente naquele confronto.

De minha parte eu sempre achei que não poderia ficar de fora. Após a aplicação do antialérgico voltei para a cama, não havia mais o que fazer a não ser aguardar a reação do remédio. Por volta das 18h levantei e notei que o inchaço havia diminuído, mas ainda com alguns resquícios.

Tomei o lanche habitual com os olhos parcialmente fechados. A minha expectativa era de que com um pouquinho mais de tempo eu voltaria a enxergar normalmente. Fiquei tranquilo quando percebi que mesmo estando com os olhos semi abertos já tinha condições de jogo, dito e feito.

Naquele tempo eu morava em Santana e, com uma certa antecedência, fui para o Corinthians. A minha ansiedade era enorme, precisava estar ao lado dos meus companheiros naquele jogo histórico. Chegando no clube fui inquirido pelos torcedores se eu jogaria? Afinal eu era o capitão do time.

Me lembro de ter dito que jogaria de qualquer jeito, mesmo com o olho esquerdo ainda semi aberto. Fui para o vestiário na esperança de poder jogar, nada poderia me impedir, causando até uma certa surpresa nos meus companheiros que esperavam a minha ausência. Nada disso, estava apto.

Como de praxe entramos na quadra e perfilamos de frente para o público. Em seguida foi tocado o hino do Corinthians, com o ginásio lotado cantando orgulhosamente. Àquele foi um grande momento, emblemático. Depois de algumas cerimônias e homenagens aos visitantes, o jogo foi iniciado.

O Corinthians jogando com o seu uniforme listrado em branco e preto e o Real Madrid de branco, sua marca principal. Desde o inicio o volume de jogo foi de muita velocidade, muitos acertos de ambas as partes, um jogo perfeito com a TV Excelsior fazendo a transmissão ao vivo para a capital paulista.

Não vou abordar mais detalhes técnicos do jogo até porque não quero fazer apologia sobre a minha atuação. Mas posso afirmar com certeza que nesse jogo fiz a minha melhor atuação individual em toda a minha carreira. Dizem que eu fiz 31 pontos no 1º tempo e 20 no segundo, total:  51 pontos.

Wlamir Marques Corinthians Basquete Campeonato Paulista 1969
Wlamir Marques Corinthians Basquete Campeonato Paulista 1969 Gazeta Press

Há controvérsias sobre essa pontuação, mas isso pouco importa, o meu orgulho foi a vitória sobre um adversário poderoso e ainda mais superando os problemas vividos naquela tarde. Joguei com os olhos semi abertos e com febre. Creio ter contribuído mais uma vez para o basquete brasileiro.

Fonte: Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br

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Corinthians 118 X 109 Real Madrid (2ª parte)

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CORINTHIANS 118 X 109 REAL MADRID (1ª PARTE)

Wlamir Marques
Wlamir Marques
Time de basquete do Corinthians na década de 60
Time de basquete do Corinthians na década de 60 Gazeta Press

No dia 05/07/1965, foi realizado no Brasil o jogo mais empolgante entre clubes, ficando marcado até os dias de hoje na história do basquetebol brasileiro. Não me refiro à seleção brasileira, bi campeã mundial. Me refiro a um jogo internacional entre o Corinthians  e o Real Madrid, da Espanha.

O Real Madri vinha precedido de um bi campeonato europeu. Uma equipe muito poderosa contando com dois jogadores norte-americanos. Como  prêmio pela conquista, a direção do clube ofereceu aos jogadores uma excursão pela América do Sul, com o Corinthians aceitando esse desafio.

Os madrilenhos deram início à sua excursão jogando no Peru. Depois, seguíram para o Chile, Argentina e Uruguai, para finalmente jogarem em São Paulo contra o poderoso S.C.Corinthians Paulista no Ginásio do Parque São Jorge, que, hoje, muito honrosamente, recebe meu nome. Estavam invictos.

Havia muita expectativa nas hostes corinthianas pela apresentação da equipe madrilenha, motivada pela formação do Corinthians pela comunidade espanhola residente na capital. Na semana que antecedeu o jogo, não se falava em outra coisa, a não ser nesse jogo muito esperado.

Nesse dia 05/07/65- 2ª feira, fazia muito frio na capital e pior, ainda chovia. No período da manhã, fui trabalhar nos correios. Era dia do meu plantão, e não me encontrava bem de saúde, estava com gripe e isso com certeza seria prejudicial ao meu melhor desempenho naquele jogo tão aguardado.

Na volta para casa, ao redor do meio dia, resolvi parar em uma farmácia e pedi ao farmacêutico que me desse um remédio que pudesse aliviar a coriza e a febre. Ele me receitou um remédio cujo nome jamais esqueci. Kadilan, comprimidos à base de quinino, ocasionando uma forte reação.

Chegando em casa, almocei e tomei a primeira pílula. Em seguida, fui para a cama descansar. Havia acordado muito cedo para o trabalho. Por volta das 16 horas, acordei e percebi que a minha vista estava inchada e quase toda fechada. Confesso que me assustei, já que algo acontecia fora dos padrões.

A minha esposa Cecilia, muito preocupada com meu estado, telefonou para o Corinthians pedindo que mandassem um médico para ver aquela situação alérgica. Isso mesmo, o remédio me ocasionou uma forte alergia. O clube mandou o Dr. Haroldo, médico principal da equipe profissional de futebol.

Logo chegando, o Dr. Haroldo constatou a alergia e me aplicou uma injeção anti-alérgica. Confesso que fiquei muito preocupado, pois logo mais à noite eu teria um forte compromisso com a minha equipe e precisava estar apto a participar daquele confronto. Nunca imaginei que eu pudesse ficar de fora.

Fonte: Wlamir Marques

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CORINTHIANS 118 X 109 REAL MADRID (1ª PARTE)

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Ginásio Poliesportivo 'Wlamir Marques'

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Após a conquista do bicampeonato mundial da seleção brasileira no ginásio do Maracanãzinho (Rio de Janeiro), retornamos às nossas atividades clubistas. Durante esse tempo, o S.C. Corinthians Paulista. terminava as obras para a construção do seu  ginásio de esportes.

Como já foi dito em relatos anteriores, o clube mandava seus jogos em quadras alheias ou no complexo esportivo do Pacaembu. Nesse tempo, tivemos 4 representantes corintianos em defesa da seleção: o nosso técnico Moacir Daiuto e os atletas Ubiratan, Rosa Branca e Wlamir.

No mês de maio de 1963, o clube decidiu realizar uma cerimônia de inauguração com um jogo amistoso entre o Corinthians x Macabi da capital, participante do campeonato metropolitano. Foi uma noite fria, com o ginásio ainda necessitando de alguns reparos definitivos.

Não tivemos o ginásio lotado, mas a presença do público foi muito grande, quando pela 1ª vez os corintianos puderam torcer para seu clube de coração em seu próprio ginásio de esportes. Vencemos com facilidade, nesse tempo a equipe já se apresentava muito poderosa.

Ginásio Poliesportivo Wlamir Marques
Ginásio Poliesportivo Wlamir Marques Gazeta Press

Passaram-se 53 anos, e no dia 22 de outubro de 2016, a direção do clube decidiu dar o meu nome para aquele maravilhoso ginásio poli esportivo. Foi uma bela cerimônia com a presença da ESPN, além de ex-atletas e de altas personalidades do esporte da cesta. Momentos emocionantes.

Posso afirmar que, com certeza, essa foi a homenagem mais significativa que eu recebi em toda a minha vida. Afirmo que possuo todas as honrarias possíveis do governo brasileiro, além das homenagens ocorridas até os dias de hoje. Foram 10 anos dedicados ao time alvinegro.

Muito me emociona entrar naquele maravilhoso ginásio. Geralmente tudo volta à minha cabeça, foram momentos que jamais esqueci, não apenas pelos títulos conquistados, mas pelo carinho que eu sempre recebi dos torcedores corintianos. Hoje, sou imortalizado e corintiano.

Agradeço sempre muito emocionado todas as referências dedicadas a mim cada vez que ali estou, é uma troca de amor, um namoro eterno. O tempo irá passar e o basquete brasileiro, bicampeão do mundo, sempre estará ali representado. Companheiros de quadra, meu muito obrigado.

Fonte: wlamirmarques

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Ginásio Poliesportivo 'Wlamir Marques'

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O Mundial extra de basquetebol que ninguém conhecia

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Seleção brasileiro disputando os jogos de Tóquio contra os EUA, em 1964.
Seleção brasileiro disputando os jogos de Tóquio contra os EUA, em 1964. Getty Images

ANO: 1965

LOCAL DA DISPUTA: CHILE

CIDADES SEDES: ANTOFAGASTA E SANTIAGO

Terminada as Olimpíadas de Tóquio em 1964, a seleção brasileira deu uma pausa nas suas apresentações. Ficamos apenas em defesa dos nossos clubes disputando os campeonatos da época. No ano seguinte, eu defendia o S.C.Corinthians Pta., sendo uma temporada de muitos fatos, inclusive pessoais.

Ainda no primeiro semestre, a CBB foi convidada a participar de um campeonato mundial extra no Chile, lugar onde fomos campeões pela primeira vez, em 1959. Desta vez, não apresentamos a melhor seleção, com jogadores importantes se ausentando.

Treinamos muito pouco, bem diferente das outras vezes, em que nos dedicamos mais tempo. O técnico da seleção foi o Prof. Moacir Daiuto, com quem eu trabalhava no Corinthians, além de ser assistente do Kanela na conquista do bi mundial de 1963, disputado no Rio de Janeiro. 

Voamos para Santiago e lá pegamos outro voo para a cidade de Antofagasta, situada no norte chileno, mais especificamente no centro do deserto do Atacama. Na época, a cidade apresentava um clima muito seco, dificultando a respiração e a hidratação necessária para qualquer atleta.

Jogamos essa fase de classificação com dificuldades, sentimos a falta de treinamentos e o clima era estranho aos nossos hábitos. A alimentação também não era das melhores, e com isso não pudemos desenvolver um melhor rendimento. Mesmo assim nos classificamos para a fase final.

A fase final aconteceu em Santiago, capital do país, agora contando com um ginásio coberto, bem diferente de 1959, quando jogamos em quadra aberta e improvisada no Estádio Nacional do Chile. Outras seis seleções também foram para a final que, junto com os anfitriões, jogaram entre si.

Nessa fase, perdemos apenas para a Iugoslávia, que seria a campeã do torneio. Vencemos a União Soviética mais uma vez, que contava com os seus melhores jogadores, equipe completa. Enquanto isso, a fase de perdedores foi disputada na cidade de Punta Arenas, que ficava ao sul.

Enfim, fomos para esse mundial sem grandes pretensões e acabamos voltando com um vice-campeonato muito honroso devido às dificuldades encontradas. Na fase de classificação, vencemos o Panamá em jogo muito difícil com a torcida chilena dizendo que o Brasil iria para Punta Arenas.

Felizmente não fomos, e foi uma conquista sem qualquer repercussão no nosso país, onde a imprensa pouco noticiou. Infelizmente não há dados estatísticos à disposição, nem detalhes a mais envolvendo esse campeonato. Apenas registro o fato devido a sua importância já esquecida.

Fonte: Wlamir Marques

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O Mundial extra de basquetebol que ninguém conhecia

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18º Jogos Olímpicos - 1964 - Tóquio/Japão - medalha de bronze do basquete

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Wlamir Marques, 80 anos: veja a homenagem a um dos maiores nomes da história do basquete mundial


18º JOGOS OLÍMPICOS - TÓQUIO/JAPÃO - 1964

PÉRIODO DOS JOGOS: 10/10 à 24/10/1964

Nº DE NAÇÕES PARTICIPANTES: 93

Nº DE ATLETAS: 5151

MODALIDADE: BASQUETEBOL

GRUPO A:
União Soviética- Porto Rico - Polônia - Itália - México - Japão - Hungria - Canadá

GRUPO B:
Estados Unidos- Brasil- Iugoslávia- Uruguai- Finlândia- Austrália- Perú- Coreia do Sul

JOGOS DO BRASIL: 

Brasil 50 x 58 Perú

Brasil 68 x 64 Iugoslávia

Brasil 92 x 65 Coreia

Brasil 61 x 54 Finlândia

Brasil 80 x 68 Uruguai

Brasil 53 x 86 EUA

Brasil 69 x 57 Austrália

JOGOS DO 1º AO 4º

Brasil 47 x 53 União Soviética

Brasil 76 x 60 Porto Rico (Decisão do 3º lugar) 

EUA 73 x 59 União Soviética (Decisão do 1º lugar)

Classificação Final:

1- EUA 
2 - União Soviética
3 -Brasil
4 - Porto Rico
5 - Itália
6 - Polônia
7 - Iugoslávia
8 - Uruguai
9 - Austrália
10 - Japão
11 - Finlândia
12 - México
13 - Hungria
14 - Canadá
15 - Peru 
16 - Coreia do Sul

Wlamir Marques durante jogo da seleção brasileira
Wlamir Marques durante jogo da seleção brasileira Gazeta Press

SELEÇÃO BRASILEIRA: 

TÉCNICO: Renato Brito Cunha
ATLETAS: Amaury - Ubiratan - Mosquito - Fritz - Rosa Branca- Jatyr- Edson Bispo- Sucar- Vitor- Sergio Macarrão - Edvar. 

OBS: No 1º jogo da fase de classificação perdemos de forma surpreendente para o Perú 50x58. À partir dali recuperamos o nosso prestígio sem nenhuma derrota, exceto contra os EUA e a União Soviética na fase final.

Convêm destacar que a medalha de bronze conquistada pelo basquetebol masculino do Brasil foi a única conquistada pelo país. Até os dias de hoje o Brasil só conquistou 3 medalhas de bronze. (1948/1960/1964).

Fonte: Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br

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18º Jogos Olímpicos - 1964 - Tóquio/Japão - medalha de bronze do basquete

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18º Jogos Olímpicos - 1964 - Tóquio/Japão - porta bandeira: desfile de abertura (2ª parte)

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Wlamir Marques, 80 anos: veja a homenagem a um dos maiores nomes da história do basquete mundial

No dia 10/10/1964 foi realizado o desfile de abertura dos 18ºs Jogos Olímpicos da era moderna. O local do evento ocorreu no Estádio Nacional de Tóquio com grande capacidade de público. Lembro que alguns dias antes estive ali participando dos treinamentos à fim de conhecer a cerimonia.

Os encargos de um porta bandeira não se resumem apenas em transportar a bandeira do seu país. Alguns deveres e obrigações são necessárias para o bom andamento do cerimonial. Há um ritual a ser seguido para que nada venha surpreender o porta bandeira, partindo daí o treinamento prático.

Inclusive o respeito aos horários pré estabelecidos, quando os hábitos japoneses nos obrigam a segui-los religiosamente. Confesso que por falta de costume estranhei aquela rígida pontualidade, mas ao senti-la na pratica pude perceber o exemplo. Não há atrasos, não há o jeitinho brasileiro.

Durante o treinamento me entregaram um prospecto sobre o ritual a ser seguido e detalhado em seus horários. Lembro-me de um horário onde dizia que o Brasil romperia a marcha às 16h32. Confesso que à princípio não acreditei, mas notei pelo relógio do estádio a enorme precisão.

Durante o treinamento um fato também me chamou muita atenção. Como sempre acontece, o desfile é feito seguindo a ordem alfabética dos países. O Brasil sempre é um dos primeiros. Quando já na concentração dentro do estádio, notei que algumas bandeiras se curvavam perante às autoridades.

Confesso que ao passar defronte às autoridades não curvei a bandeira como forma de cumprimento ou respeito. Perguntei ao major se eu deveria também curvar a nossa bandeira e recebi a seguinte resposta:  "Wlamir, a bandeira brasileira não se curva para ninguém". A resposta me emocionou.

Na volta ao nosso alojamento falei para meus companheiros sobre a frase do major à fim de motivar ainda mais o nosso ânimo. Creio que ali demos início à conquista da nossa 3ª medalha olímpica, foi de arrepiar. Até hoje recordo com saudades às tantas coisas que vivi naquele dia maravilhoso.

No dia 10/10/1964 à tarde, logo após o almoço, a delegação brasileira já estava preparada para seguir em ônibus especial em direção ao estádio. Todos muito bem trajados e uniformizados, ainda era tempo do terno e gravata. Chegamos e fomos colocados em um espaço reservado ao Brasil.

Wlamir e sua sala de troféus em 1975
Wlamir e sua sala de troféus em 1975 GazetaPress

Só que dessa vez estavam atrás de mim os melhores atletas do pais em suas respectivas modalidades, além dos dirigentes do COB. Na hora exata demos o primeiro passo em direção ao portão de entrada. Marcha triunfal, marcial, todos no mesmo ritmo e eu na frente carregando nossa bandeira.

Fonte: Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br

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18º Jogos Olímpicos - 1964 - Tóquio/Japão - porta bandeira: desfile de abertura (2ª parte)

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18º JOGOS OLÍMPICOS - 1964 - TOKIO/JAPÃO - INDICAÇÃO PARA PORTA BANDEIRA (1ª PARTE)

Wlamir Marques
Wlamir Marques
Wlamir Marques com a bandeira na abertura dos Jogos
Wlamir Marques com a bandeira na abertura dos Jogos Divulgação

Como já disse anteriormente, fui o atleta escolhido para ser o porta bandeira da delegação brasileira no desfile de abertura a ser realizado no Estádio Nacional de Tokio, cidade sede dos jogos. Participaram do magnifico desfile 5151 atletas, representando 93 nações do planeta.

O desfile de abertura ocorreu no dia 10/10/64, quando alguns dias antes fui chamado para um encontro com o Major Padilha na principal sede da delegação brasileira. Voltava de um treinamento quando me avisaram do encontro. Na mesma hora atendi o chamado, não deixei para depois.

Peguei uma bicicleta no chão que estava mais próxima e me dirigi à casa da chefia. O Major Padilha na época era o presidente do COB e chefe da delegação brasileira. Lá chegando, fui notificado sobre a minha indicação para ser o porta bandeira do país no desfile de abertura. Foi um choque.

Confesso a minha surpresa, a honra era enorme. Ser o porta bandeira do Brasil em uma Olimpíada é pra ser enaltecido e jamais esquecido. O motivo da escolha se justificava. Não era apenas uma conquista pessoal, mas acima de tudo coletiva, o basquete brasileiro era bicampeão do mundo.

Durante 10 anos, de 1961 até 1970, quando encerrei a minha fase de seleção brasileira, eu fui o capitão da equipe e ali eu representava o basquetebol brasileiro com todas as suas conquistas. Na hora também fui avisado que eu deveria participar de um treinamento para o desfile.

Para esse treinamento, somente eu e o major participamos, o resto da delegação estava dispensada. E lá fomos nós. Chegando ao estádio, fiquei impressionado com a presença do público, o estádio estava lotado, uma simulação perfeita. Era como se fosse o verdadeiro desfile.

Logo nos colocaram à frente de um grupo de jovens japoneses que, ali, representavam em número a delegação brasileira. Sempre com a hora exatamente marcada, o desfile começou. Juro que me assustei ao entrar no estádio, ali senti a vibração do povo japonês aplaudindo o mundo.

Fui orientado pelo Major Padilha que eu deveria transportar a bandeira brasileira de forma ereta, sem deixar pender para um lado ou outro. Lá estava eu à frente e o Major logo atrás. Dei a volta no estádio pela pista de atletismo sempre muito aclamado, eu e o Brasil estávamos presentes.

Fomos colocados na grama central em um local pré-determinado, com aquele bando de jovens japoneses muito sorridentes atrás de mim. Na ficção era a delegação brasileira.

A partir dali deu-se o início de todo o ritual de uma abertura olímpica, como sempre muito emocionante.

Fonte: Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br

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18º JOGOS OLÍMPICOS - 1964 - TOKIO/JAPÃO - INDICAÇÃO PARA PORTA BANDEIRA (1ª PARTE)

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18º Jogos Olímpicos - Tóquio 1964: Viagem e Chegada

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Medalha de Bronze da equipe de Basquete conquistada nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 1964
Medalha de Bronze da equipe de Basquete conquistada nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 1964 Gazeta Press

Depois dos fortes e intensos treinamentos realizados na cidade do Rio de Janeiro, estávamos prontos para mais uma longa viagem ao Japão. Saímos do Aeroporto do Galeão com destino à Paris, com escalas em Dakar e Lisboa. Voo demorado, 12 horas a bordo na classe econômica de um avião.

Embora já estivéssemos acostumados com esse tipo de viagem, para jogadores de basquete era um terrível sofrimento. Espaços apertados onde mal cabiam as nossas pernas em voos da Varig. Saímos à tardinha do Rio e só chegamos à Paris no dia seguinte, às 10 horas da manhã, muito cansados.

O pior estava para acontecer: às 16 horas estava marcado um confronto amistoso contra a seleção francesa no ginásio do Parc dos Principes, lotado e trazendo uma grande expectativa pela nossa apresentação, afinal éramos bicampeões mundiais e o publico francês estava ansioso para nos ver.

Confesso que mal deu para descansarmos. Além do fuso horário, estávamos sem condições físicas para realizarmos qualquer tipo de jogo, ainda mais contra a forte seleção francesa em seus domínios. Vencemos o amistoso, mas com muitas dificuldades. As pernas não obedeciam nosso comando.

Terminado o jogo, fomos para um jantar de confraternização ao lado da  seleção francesa. Logo após a refeição, fomos rapidamente para o hotel, precisávamos resgatar a noite mal dormida. Caímos na cama como uma pedra, pois no dia seguinte seguiríamos a nossa viagem rumo a Tóquio.

Não preciso dizer que enfrentamos mais uma vez uma longa viagem, atravessando a Europa e grande parte do oriente para chegarmos ao nosso destino final. Como sempre acontecia chegamos e fomos recebidos por um comitê de recepção. Imediatamente nos transportaram para a vila olímpica.

A vila olímpica era composta de casebres de madeira e pertencentes ao exercito japonês. Lembro-me de ter ficado na parte de cima, ao lado do meu companheiro de seleção Vitor. O quarto era muito aconchegante e bem arrumado, não faltando nada para a nossa estadia.

Nossas refeições também aconteciam em restaurantes coletivos, com comidas típicas para cada região do planeta. Nosso restaurante era tipo internacional, parecido com os nossos hábitos. Tudo estava perfeito, os japoneses se prepararam da forma prescrita na carta olímpica, muito bom.

Como novidade, foram colocadas à disposição dos atletas centenas de bicicletas. Era a forma de nos deslocarmos dentro da enorme vila olímpica. Era comum vermos varias bicicletas espalhadas pelo chão da vila, bastando apenas pega-las para nos levarem à um destino previsto. Ótima opção.

Como sempre acontece, aos poucos fomos nos adaptando ao fuso horário, afinal eram 12 horas de diferença. Continuamos os nossos treinamentos, realizamos alguns confrontos amistosos com equipes participantes, e isso nos levou ao início da competição, estávamos preparados para as disputas.

Fonte: Wlamir Marques

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18º Jogos Olímpicos - Tóquio 1964: Viagem e Chegada

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Preparação para a 18ª Olímpiada

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Felipe, Ubiratan, Renê, Ortiz, Ferraz, Bernardo, Peninha, Amauri, Wlamir Marques, Renzo, Fernando e Rosa Branca.
Felipe, Ubiratan, Renê, Ortiz, Ferraz, Bernardo, Peninha, Amauri, Wlamir Marques, Renzo, Fernando e Rosa Branca. Acervo/Gazeta Press

ANO: 1964

LOCAL: TOKIO/JAPÃO

O ano de 1964 foi muito promissor para o basquetebol masculino do Brasil. Eliminando a infelicidade da morte do nosso grande amigo e companheiro Waldemar Blatkauskas, nas quadras continuavamos a elevar cada vez mais o nome do Brasil. Estavamos próximos da 18ª Olimpíada da era moderna.

Havia uma enorme expectativa no país quanto à nossa participação, pois trazíamos no peito o título de bicampeões mundiais, além das duas medalhas de bronze conquistadas em 1948/Londres e 1960/ Roma. Mais uma vez nos credenciávamos à conquista de mais uma medalha olímpica.

Depois de São Paulo conquistar o 5º titulo de campeão brasileiro de forma consecutiva, algum tempo depois a CBB decidiu que o técnico da seleção olímpica seria o Prof. Renato Brito Cunha, muitas vezes auxiliar do técnico Kanela. No mês de Julho fez uma convocação com alguns novos jogadores.

Iniciamos os treinamentos no mês de agosto programado para a cidade do Rio de Janeiro, mais especificamente concentrados no nosso conhecido Hotel das Paineiras, situado na estrada do Corcovado. Confesso que não poderia haver um melhor local, longe mas dispondo de muita comodidade.

Duas vezes por dia desciamos aquele morro com destino ao Tijuca T.C. local escolhido para os treinamentos e muito próximo do hotel, escapando do enorme trânsito reinante naquela região. Uma vez ou outra treinavamos em outras quadras, mas a nossa base estava sempre enraizada no Tijuca.

Em 1964 eu estava com 27 anos, casado, com 2 filhos menores e jogando no S.C. Corinthians Pta. Trabalhava na agência dos correios, situado na Av. São João esquina com o vale do Anhangabaú. Mais uma vez me apresentei atrasado para os treinamentos devido a falta de dispensa do meu trabalho.

Me apresentei ao técnico Renato Brito Cunha atrasado. Ele já conhecia os meus problemas. Deixava que a CBB resolvesse a situação junto ao DCT central. Muitas vezes voltava para o país sem resolver o impasse e era impedido de assumir minhas funções por processo de abandono de cargo.

No final a situação era resolvida, afinal eu estava fora do país em defesa da pátria, possuia direitos por lei. Era a minha 3ª participação olímpica e muito honrosa pela conquista pessoal e coletiva. Fomos outra vez medalha de bronze e, fui escolhido para ser o porta bandeira da delegação brasileira.

Deixarei para o próximo capítulo a narração de toda a minha passagem como porta bandeira da delegação brasileira e a medalha de bronze conquistada, ou seja, a única medalha conquistada pelo país na olímpiada de Tokio. É com muita emoção que retorno ao passado.

Fonte: Wlamir Marques

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Preparação para a 18ª Olímpiada

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