18º Jogos Olímpicos - Tóquio 1964: Viagem e Chegada

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Medalha de Bronze da equipe de Basquete conquistada nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 1964
Medalha de Bronze da equipe de Basquete conquistada nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 1964 Gazeta Press

Depois dos fortes e intensos treinamentos realizados na cidade do Rio de Janeiro, estávamos prontos para mais uma longa viagem ao Japão. Saímos do Aeroporto do Galeão com destino à Paris, com escalas em Dakar e Lisboa. Voo demorado, 12 horas a bordo na classe econômica de um avião.

Embora já estivéssemos acostumados com esse tipo de viagem, para jogadores de basquete era um terrível sofrimento. Espaços apertados onde mal cabiam as nossas pernas em voos da Varig. Saímos à tardinha do Rio e só chegamos à Paris no dia seguinte, às 10 horas da manhã, muito cansados.

O pior estava para acontecer: às 16 horas estava marcado um confronto amistoso contra a seleção francesa no ginásio do Parc dos Principes, lotado e trazendo uma grande expectativa pela nossa apresentação, afinal éramos bicampeões mundiais e o publico francês estava ansioso para nos ver.

Confesso que mal deu para descansarmos. Além do fuso horário, estávamos sem condições físicas para realizarmos qualquer tipo de jogo, ainda mais contra a forte seleção francesa em seus domínios. Vencemos o amistoso, mas com muitas dificuldades. As pernas não obedeciam nosso comando.

Terminado o jogo, fomos para um jantar de confraternização ao lado da  seleção francesa. Logo após a refeição, fomos rapidamente para o hotel, precisávamos resgatar a noite mal dormida. Caímos na cama como uma pedra, pois no dia seguinte seguiríamos a nossa viagem rumo a Tóquio.

Não preciso dizer que enfrentamos mais uma vez uma longa viagem, atravessando a Europa e grande parte do oriente para chegarmos ao nosso destino final. Como sempre acontecia chegamos e fomos recebidos por um comitê de recepção. Imediatamente nos transportaram para a vila olímpica.

A vila olímpica era composta de casebres de madeira e pertencentes ao exercito japonês. Lembro-me de ter ficado na parte de cima, ao lado do meu companheiro de seleção Vitor. O quarto era muito aconchegante e bem arrumado, não faltando nada para a nossa estadia.

Nossas refeições também aconteciam em restaurantes coletivos, com comidas típicas para cada região do planeta. Nosso restaurante era tipo internacional, parecido com os nossos hábitos. Tudo estava perfeito, os japoneses se prepararam da forma prescrita na carta olímpica, muito bom.

Como novidade, foram colocadas à disposição dos atletas centenas de bicicletas. Era a forma de nos deslocarmos dentro da enorme vila olímpica. Era comum vermos varias bicicletas espalhadas pelo chão da vila, bastando apenas pega-las para nos levarem à um destino previsto. Ótima opção.

Como sempre acontece, aos poucos fomos nos adaptando ao fuso horário, afinal eram 12 horas de diferença. Continuamos os nossos treinamentos, realizamos alguns confrontos amistosos com equipes participantes, e isso nos levou ao início da competição, estávamos preparados para as disputas.

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18º JOGOS OLÍMPICOS - 1964 - TOKIO/JAPÃO - INDICAÇÃO PARA PORTA BANDEIRA (1ª PARTE)

Wlamir Marques
Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br
Wlamir Marques com a bandeira na abertura dos Jogos
Wlamir Marques com a bandeira na abertura dos Jogos Divulgação

Como já disse anteriormente, fui o atleta escolhido para ser o porta bandeira da delegação brasileira no desfile de abertura a ser realizado no Estádio Nacional de Tokio, cidade sede dos jogos. Participaram do magnifico desfile 5151 atletas, representando 93 nações do planeta.

O desfile de abertura ocorreu no dia 10/10/64, quando alguns dias antes fui chamado para um encontro com o Major Padilha na principal sede da delegação brasileira. Voltava de um treinamento quando me avisaram do encontro. Na mesma hora atendi o chamado, não deixei para depois.

Peguei uma bicicleta no chão que estava mais próxima e me dirigi à casa da chefia. O Major Padilha na época era o presidente do COB e chefe da delegação brasileira. Lá chegando, fui notificado sobre a minha indicação para ser o porta bandeira do país no desfile de abertura. Foi um choque.

Confesso a minha surpresa, a honra era enorme. Ser o porta bandeira do Brasil em uma Olimpíada é pra ser enaltecido e jamais esquecido. O motivo da escolha se justificava. Não era apenas uma conquista pessoal, mas acima de tudo coletiva, o basquete brasileiro era bicampeão do mundo.

Durante 10 anos, de 1961 até 1970, quando encerrei a minha fase de seleção brasileira, eu fui o capitão da equipe e ali eu representava o basquetebol brasileiro com todas as suas conquistas. Na hora também fui avisado que eu deveria participar de um treinamento para o desfile.

Para esse treinamento, somente eu e o major participamos, o resto da delegação estava dispensada. E lá fomos nós. Chegando ao estádio, fiquei impressionado com a presença do público, o estádio estava lotado, uma simulação perfeita. Era como se fosse o verdadeiro desfile.

Logo nos colocaram à frente de um grupo de jovens japoneses que, ali, representavam em número a delegação brasileira. Sempre com a hora exatamente marcada, o desfile começou. Juro que me assustei ao entrar no estádio, ali senti a vibração do povo japonês aplaudindo o mundo.

Fui orientado pelo Major Padilha que eu deveria transportar a bandeira brasileira de forma ereta, sem deixar pender para um lado ou outro. Lá estava eu à frente e o Major logo atrás. Dei a volta no estádio pela pista de atletismo sempre muito aclamado, eu e o Brasil estávamos presentes.

Fomos colocados na grama central em um local pré-determinado, com aquele bando de jovens japoneses muito sorridentes atrás de mim. Na ficção era a delegação brasileira.

A partir dali deu-se o início de todo o ritual de uma abertura olímpica, como sempre muito emocionante.

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Preparação para a 18ª Olímpiada

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Felipe, Ubiratan, Renê, Ortiz, Ferraz, Bernardo, Peninha, Amauri, Wlamir Marques, Renzo, Fernando e Rosa Branca.
Felipe, Ubiratan, Renê, Ortiz, Ferraz, Bernardo, Peninha, Amauri, Wlamir Marques, Renzo, Fernando e Rosa Branca. Acervo/Gazeta Press

ANO: 1964

LOCAL: TOKIO/JAPÃO

O ano de 1964 foi muito promissor para o basquetebol masculino do Brasil. Eliminando a infelicidade da morte do nosso grande amigo e companheiro Waldemar Blatkauskas, nas quadras continuavamos a elevar cada vez mais o nome do Brasil. Estavamos próximos da 18ª Olimpíada da era moderna.

Havia uma enorme expectativa no país quanto à nossa participação, pois trazíamos no peito o título de bicampeões mundiais, além das duas medalhas de bronze conquistadas em 1948/Londres e 1960/ Roma. Mais uma vez nos credenciávamos à conquista de mais uma medalha olímpica.

Depois de São Paulo conquistar o 5º titulo de campeão brasileiro de forma consecutiva, algum tempo depois a CBB decidiu que o técnico da seleção olímpica seria o Prof. Renato Brito Cunha, muitas vezes auxiliar do técnico Kanela. No mês de Julho fez uma convocação com alguns novos jogadores.

Iniciamos os treinamentos no mês de agosto programado para a cidade do Rio de Janeiro, mais especificamente concentrados no nosso conhecido Hotel das Paineiras, situado na estrada do Corcovado. Confesso que não poderia haver um melhor local, longe mas dispondo de muita comodidade.

Duas vezes por dia desciamos aquele morro com destino ao Tijuca T.C. local escolhido para os treinamentos e muito próximo do hotel, escapando do enorme trânsito reinante naquela região. Uma vez ou outra treinavamos em outras quadras, mas a nossa base estava sempre enraizada no Tijuca.

Em 1964 eu estava com 27 anos, casado, com 2 filhos menores e jogando no S.C. Corinthians Pta. Trabalhava na agência dos correios, situado na Av. São João esquina com o vale do Anhangabaú. Mais uma vez me apresentei atrasado para os treinamentos devido a falta de dispensa do meu trabalho.

Me apresentei ao técnico Renato Brito Cunha atrasado. Ele já conhecia os meus problemas. Deixava que a CBB resolvesse a situação junto ao DCT central. Muitas vezes voltava para o país sem resolver o impasse e era impedido de assumir minhas funções por processo de abandono de cargo.

No final a situação era resolvida, afinal eu estava fora do país em defesa da pátria, possuia direitos por lei. Era a minha 3ª participação olímpica e muito honrosa pela conquista pessoal e coletiva. Fomos outra vez medalha de bronze e, fui escolhido para ser o porta bandeira da delegação brasileira.

Deixarei para o próximo capítulo a narração de toda a minha passagem como porta bandeira da delegação brasileira e a medalha de bronze conquistada, ou seja, a única medalha conquistada pelo país na olímpiada de Tokio. É com muita emoção que retorno ao passado.

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A morte de Waldemar Blatkauskas

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Cesta de basquete no Ginásio Sebastião Rafael da Silva
Cesta de basquete no Ginásio Sebastião Rafael da Silva Gazeta Press

ANO: 1964.

LOCAL: Recife-PE.

SELEÇÃO PAULISTA: 5º título consecutivo.

MORTE DO WALDEMAR BLATKAUSKAS

Em 1964 a seleção paulista de basquetebol masculino conquistou o 5º título consecutivo de campeão brasileiro. A competição foi realizada no 1º semestre na cidade de Recife-PE. Como já foi dito anteriormente, a seleção paulista era muito forte, era a base da seleção brasileira, sem rivais no país.

Foi uma seleção marcada pela conquista e pela morte do bicampeão mundial e companheiro, Waldemar Blatkauskas. Foi convocado para disputar o brasileiro, mas por motivos particulares não aceitou o chamado. Chegando em Recife, já no 1º dia, recebemos a noticia da sua morte.

Foi um tremendo choque para todos nós, pois era um grande amigo e uma pessoa muito querida por todos. Sofreu um acidente na região de Campinas quando seu carro ficou prensado entre uma enorme carreta e uma moto niveladora na via Anhanguera. Infelizmente vindo a falecer no local.

Em sua homenagem, nos reunimos e prometemos vencer todos os nossos adversários com contagens acima dos 100 pontos. Naquela época essa seleção recebeu o apelido de "seleção cem-cem". Dito e feito, não deu outra, entravamos em quadra sempre dispostos à cumprir a nossa promessa.

Jamais pensamos em qualquer menosprezo aos adversários, nosso objetivo era jogar sério e acima das nossas forças. Hoje pode parecer uma decisão infantil, mas na época era uma forma de prestar ao amigo a nossa melhor homenagem, que era tentar jogar o nosso melhor basquetebol.

Na época o nosso maior adversário era o Rio de Janeiro, mas não chegamos a enfrenta-los na final, pois na fase de classificação, eles alem de perderem para São Paulo, também perderam para o Ceará. Sendo assim, o título foi decidido no jogo final entre São Paulo 138 x 67 Ceará. 

Convém dizer que disputamos a fase de classificação em Garanhuns-PE. Jogando contra Roraima, chegamos aos 199 pontos, não fazendo 200 à pedido dos diretores da federação de Roraima. Respeitamos o pedido e paramos de pontuar faltando ainda 2 minutos para o final do jogo.

Desejo citar também que joguei ao lado do Waldemar no XV de Piracicaba por 3 anos seguidos, quando juntos e ao lado do Pecente, fomos pela 1ª vez campeões do mundo no Chile no ano de 1959. Em 1963, no Rio de Janeiro eu e o Waldemar conquistamos o honroso bicampeonato mundial.

Ao retornarmos para São Paulo, viajamos até a cidade de Campinas à fim de prestarmos a nossa ultima homenagem, contando também com a presença da imprensa e dos seus familiares. Piracicaba prestou sua homenagem dando o seu nome ao ginásio municipal de esportes da cidade.

Faço questão de citar essa conquista para que fique registrado nos anais do basquetebol brasileiro a homenagem prestada ao nosso amigo e grande companheiro das quadras brasileiras e internacionais. Hoje é um fato esquecido no tempo, quando poucos sabem ou vivenciaram essa história.

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1963 - Ano dourado do basquetebol brasileiro

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Lembranças eternas:

Sem dúvida nenhuma o ano de 1963 foi o ano mais produtivo e o mais profícuo do basquetebol masculino do Brasil. Demos inicio à essa caminhada ainda no ano de 1962, quando nos preparávamos para o Mundial das Filipinas, sendo esse cancelado por motivos políticos.

No mês de Janeiro de 1963 voltamos aos treinamentos para a disputa do Campeonato Sul-Americano a ser disputado em Lima, no Peru. Essa seleção brasileira foi uma mescla de Corinthians e Sírio da capital paulista, conquistando para o país o nosso 4º título sul-americano consecutivo.

Em seguida continuamos os nossos preparativos para a disputa dos 4ºs Jogos Panamericanos a ser realizado na cidade de São Paulo. Para esses jogos a seleção foi reformulada contando com os melhores jogadores do país segundo o técnico Kanela. Infelizmente não conseguimos o ouro.

Perdemos a final para os Estados Unidos (78x66) com o ginásio do Ibirapuera completamente lotado. Naquela noite os americanos realizaram uma partida impecável, merecendo o resultado. Em seguida fomos para o Rio de Janeiro disputar o 4º Campeonato Mundial no Maracanãzinho.

Wlamir Marques em ação com a camisa da seleção brasileira
Wlamir Marques em ação com a camisa da seleção brasileira Gazeta Press

Ali conquistamos de forma invicta o bicampeonato mundial reprisando a conquista do Chile no ano de 1959. Já tive a oportunidade de escrever aqui algumas passagens sobre esse mundial, sendo até os dias de hoje a maior conquista do basquetebol masculino do Brasil em todos os tempos.

Algum tempo depois a seleção paulista realizou uma linda excursão para o Japão a convite da Federação Japonesa de basquetebol. Foram 7 jogos realizados em várias cidades do país onde fomos sempre maravilhosamente  bem recepcionados, deixando a nossa marca de bicampeões mundiais.  

No segundo semestre de 1963 a seleção reuniu-se novamente para disputarmos os 2ºs Jogos Lusos Brasileiros em Belém, do Pará. Realizamos 2 jogos contra a seleção portuguesa, quando mais uma vez vencemos com muitas facilidades. Após Belém não aconteceram mais esses confrontos.

Ao final do ano de 1963 a equipe do Corinthians já se consolidava como uma das mais fortes do país, contando em sua base com 3 campeões do mundo: Wlamir, Ubiratan e Rosa Branca. Com a inauguração do ginásio que hoje recebe o meu nome, conseguiamos lotar as suas dependências.

É claro que na sequência outros títulos foram conquistados, mas o ano de 1963 deixou marcas lembradas até os dias de hoje ao sermos citados como pioneiros e incrementadores da modalidade no país. O tempo passou, 55 anos já se foram; mas ficaram as minhas lindas e eternas lembranças.

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Seleção paulista de basquetebol no Japão

Wlamir Marques
Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br

Wlamir Marques, 80 anos: veja a homenagem a um dos maiores nomes da história do basquete mundial

ANO: 1963 (2º SEMESTRE)

Ainda sob o efeito da maravilhosa conquista do Bicampeonato Mundial de Basquetebol em 1963, a CBB recebeu da Federação Japonesa um honroso convite para disputar uma série de jogos (7) amistosos em seu país como preparação para as Olimpíadas de 1964 à ser realizada em Tóquio (Japão).

A CBB aceitou de pronto o convite e repassou à Federação Paulista a incumbência de representá-la. Naqueles tempos a seleção paulista era quase que permanente em função dos campeonatos brasileiros onde o Estado de São Paulo predominava. Basicamente era a seleção brasileira.

Realizamos alguns treinos em São Paulo sob o comando do Prof. Moacir Daiuto, assistente técnico do Kanela no Mundial do Rio de Janeiro. Em seguida viajamos para o Japão em uma viagem inesquecível. Saímos com a Varig até Kopenhagen para ali fazermos conexão com a Japan Airlines.

Aguardamos no aeroporto algumas horas para em seguida seguirmos viagem rumo ao Japão. 

Wlamir Marques
Wlamir Marques Reprodução ESPN

VIAGEM:
Escalas:

1ª- São Paulo/Kopenhagen (Dinamarca)

2ª- Kopenhagen/Cairo (Egito)

3ª- Cairo/Karachi (Paquistão)

4ª- Karachi/Calcutá (india)

5ª- Calcutá/Bangkok (Tailândia)

6ª- Bangkok/Hong Kong (China)

7ª- Hong Kong/Tokio (Japão)

É claro que chegamos exaustos em Tóquio, pois alem do cansaço da viagem o fuso-horário também era algo à ser vencido. Chegamos e fomos diretamente para o hotel à fim de dormirmos e descansarmos da longa viagem. No dia seguinte fomos submetidos à exames biométricos.

Os japoneses tinham interesse em conhecer tudo à respeito das nossas  qualidades físicas e o que nos levaram à ser bicampeões do mundo. Bateria de testes foram programados e registrados, logicamente com enormes diferenças em relação ao jogador do basquetebol japonês.

Foram programados 7 jogos contra a seleção japonesa em várias cidades do interior, começando por Tóquio. Depois, jogamos em Niigata, Kioto, Osaka, Hiroshima, Yokohama e último jogo novamente em Tóquio. Todas as nossas viagem foram feitas de trem, sempre de forma muito confortável.

Vencemos todos os jogos com muita facilidade, sempre festejados com jantares após os jogos regados à cerveja e Sakê. É incrível como o povo japonês é adepto de bebidas alcoólicas, fugindo em muito dos nossos hábitos estritamente esportivos. Bebíamos sempre de forma moderada.

Foi uma excursão maravilhosa, deixamos a nossa marca de bi campeões do mundo e os nossos exemplos ficaram marcados para sempre no basquetebol japonês. Vivemos no Japão momentos maravilhosos, sendo altamente respeitados e aplaudidos em todos os jogos. Voltei em 1964.

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Seleção paulista de basquetebol no Japão

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"GINÁSIO POLIESPORTIVO WLAMIR MARQUES" - SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Ginásio do Parque São Jorge, batizado com o nome do ex-jogador de Basquete, Wlamir Marques
Ginásio do Parque São Jorge, batizado com o nome do ex-jogador de Basquete, Wlamir Marques Gazeta Press
INAUGURAÇÃO: Maio de 1963

Terminado o 4º campeonato mundial disputado no Rio de Janeiro, quando o Brasil sagrou-se bi-campeão mundial (59/63), retornei ao meu clube de origem para dar continuidade às minhas atividades. Convêm lembrar que até então o clube não possuía o seu próprio ginásio de esportes.

Éramos obrigados a jogar no ginásio do Pacaembu ou em quadras emprestadas de outras agremiações. Algumas veze,s treinávamos em quadra aberta, mas sempre com sérios prejuízos em função das chuvas e dos ventos reinantes na capital, além do frio à que eramos submetidos.

A construção do ginásio teve seu início no final da década de 1950, ficando paralisado alguns anos por falta de recursos financeiros. Foi quando o Dr. Wadi Helú, presidente do clube resolveu dar continuidade às obras no ano de 1962. O ginásio ostentava inicialmente apenas o seu arcabouço.

No ano de 1963, mais especificamente no mês de Maio, fizemos a inauguração oficial daquele majestoso ginásio, ainda incompleto, mas já nos servindo de amparo para nossas atividades rotineiras. Já tínhamos um local coberto com uma quadra de madeira adaptada em seu centro.

Até ali tudo era provisório, até que o clube pudesse de forma definitiva completar a quadra e as tabelas de jogo de forma regular. Ainda restava o acabamento final e os vestiários também estavam em obras, mas já nos serviam de forma satisfatória. À partir dali iniciamos uma linda história.

Nesse espaço de tempo a equipe foi reforçada com a vinda de outros grandes jogadores, inclusive com os campeões mundiais Ubiratan, Rosa Branca e eu, fora outros jogadores de grande renome nacional. Nossos treinos e jogos eram muito concorridos, sempre muito prestigiados.

Foi realizado um jogo amistoso para a inauguração do ginásio contra a equipe do Macabi da capital, clube integrante do campeonato da cidade com boa participação. Vencemos com facilidades. Ali, demos inicio à uma década vitoriosa com grandes jogos nacionais e internacionais.

Minha passagem pelo Corinthians durou 10 anos (1962/1972). Tivemos jogos memoráveis, alguns deixando lembranças até os dias de hoje, quando vencemos a fortíssima equipe do Real Madri da Espanha, bi campeã da Europa, no dia 05/07/65 por 118 x 109. Jogo inesquecível. 

Hoje muito me orgulha ter feito parte de tantas conquistas para o basquetebol corinthiano e brasileiro, pois no dia 22 de Outubro de 2016, 53 anos após, foi dado o meu nome àquele majestoso ginásio, passando a se chamar: "GINÁSIO POLIESPORTIVO WLAMIR MARQUES".

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"GINÁSIO POLIESPORTIVO WLAMIR MARQUES" - SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA

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BRASIL BI CAMPEÃO MUNDIAL (3ª PARTE)

Wlamir Marques
Wlamir Marques

BRASIL BI CAMPEÃO MUNDIAL (3ª PARTE)

4º CAMPEONATO MUNDIAL DE BASKETBALL MASCULINO
ANO: 1963
LOCAL: RIO DE JANEIRO/BRASIL
REPERCUSSÕES DA CONQUISTA: HOMENAGENS

Ao final da partida contra os Estados Unidos, quando vencemos por 85x81 e conquistamos o bi campeonato mundial, houve uma enorme explosão de alegria com a torcida brasileira invadindo a quadra para nos carregar nos ombros. Uma verdadeira avalanche de gente correndo em nossa direção.

Após o jogo, voltamos para o Hotel das Paineiras para nos recompor, pois iriamos comemorar a conquista na Churrascaria Recreio, situada na praia do Flamengo. No dia seguinte, de manhã, saímos das paineiras e fomos para o Hotel Luxor em Copacabana, pois varias homenagens foram programadas.

Fazendo parte das homenagens, fomos desfilar em carro dos bombeiros no Jóquei Club da Gávea, sendo aclamados por um grande numero de pessoas presentes ao evento. Após o desfile, foi oferecido um coquetel com as altas autoridades da cidade presentes, além dos órgãos esportivos do governo.

Também fomos à Brasilia à convite da Câmara dos Deputados, onde os discursos inflamados aclamavam o nosso feito como grande exemplo à nação. Após a cerimonia, fomos direto para um encontro com o presidente do país, João Goulart, onde nos foi oferecido um almoço no Planalto.

Fomos recebidos de forma maravilhosa pelo Presidente João Goulart que,  à exemplo de 1959, com Juscelino Kubitchek, saudou o nosso feito de forma emocionada. Sentei ao seu lado na mesa como capitão da seleção e logo de imediato deixou-me à vontade, sem qualquer tipo de cerimonia.

Também nos foi outorgada a Cruz do Mérito Esportivo Brasileiro, à exemplo de 1959, quando recebemos a Medalha do Mérito Esportivo. A Cruz do Mérito é considerada a maior comenda do esporte brasileiro, outorgada até então a muito poucos atletas e representantes do esporte brasileiro. 

A repercussão no Brasil foi muito grande. Onde íamos jogar sempre eramos agraciados com medalhas, troféus e diplomas, além de nos oferecerem títulos pessoais de grande valor no mercado, dando-nos total anuência como associados. Motivado pelas distâncias, jamais pude usufruí-los.

Torna-se importante dizer que o jogo final contra os Estados Unidos foi transmitido ao vivo para a capital paulista pela Tv Tupi ou Record, não me lembro bem. Vários links na Via Dutra faziam as imagens chegarem até São Paulo. Naqueles tempos não existiam transmissões de longas distâncias.

Já se passaram 55 anos e até hoje esse ainda é considerado o maior titulo conquistado pelo basquetebol masculino do Brasil. Tudo isso à custa de muito esforço e abnegação de uma geração hoje muito pouco reconhecida. Cito essas histórias inéditas para que fiquem marcadas ao longo dos anos.


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BRASIL BI CAMPEÃO MUNDIAL (3ª PARTE)

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BRASIL BI CAMPEÃO MUNDIAL: 4º CAMPEONATO MUNDIAL DE BASKET-BALL- 1963 (2ª PARTE)

Wlamir Marques
Wlamir Marques

BRASIL BI CAMPEÃO MUNDIAL

4º CAMPEONATO MUNDIAL DE BASKET-BALL- 1963- (2ª PARTE)
DATA: 12/05 à 25/05/1963
LOCAL: Rio de Janeiro/Brasil (finais)-Maracanãzinho.
PAÍSES PARTICIPANTES- 13

América do Sul:  Brasil- Peru- Uruguai- Argentina
América do Norte:  Estados Unidos- México- Canadá
América Central:  Porto Rico
Europa: União Soviética- Iugoslávia- Itália- França
Ásia: Japão

FASE DE CLASSIFICAÇÃO:  (classificados os 2 primeiros de cada grupo)

CIDADES-SEDE:
BELO HORIZONTE:   GRUPO A: França- Uruguayi União Soviética- Canadá
CURITIBA:   GRUPO B- Iugoslávia- Peru- Porto Rico- Japão
SÃO PAULO:  GRUPO C- Estados Unidos- México- Argentina- Itália

FASE FINAL:  RIO DE JANEIRO- ( 7 Países)

Brasil
União Soviética
França
Iugoslávia
Porto Rico
Estados Unidos
Itália 

JOGOS DO BRASIL:

Brasil 62 x 55 Porto Rico
Brasil 81 x 62 Italia
Brasil 90 x 71 Iugoslávia
Brasil 77 x 63 França
Brasil 90 x 79 União Soviética
Brasil 85 x 81 Estados Unidos 

SELEÇÃO BRASILEIRA:  Técnico Kanela- Asist. Técnico:  Moacir Daiuto.

JOGADORES: 

Amaury Pasos--Ubiratan--Mosquito--Paulista--Rosa Branca--Jathyr--Menon--Sucar--Victor--Waldemar--Fritz--Wlamir Marques.

CLASSIFICAÇÃO FINAL: 

1º-- Brasil
2º-- Iugoslávia
3º-- União Soviética
4º--Estados Unidos
5º--França
6º--Porto Rico
7º--Itália
8º--Argentina
9º--México
10º--Uruguai
11º--Canadá
12º--Peru
13º-- Japão

OBS: Esse foi, até os dias de hoje, o título mais importante conquistado pelo basquetebol masculino do Brasil em todos os tempos. Tratando-se de mundiais, eu possuo 2 títulos mundiais (1959 e 1963) e 2 vices (1954 e 1970). Esses muito pouco valorizados ou comentados.

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4º Campeonato Mundial- 1963

Wlamir Marques
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4º CAMPEONATO MUNDIAL DE BASKET-BALL- 1963

LOCAL: Rio de Janeiro/Brasil
PERÍODO: 12/05 à 25/05/63
PAÍSES PARTICIPANTES: 13

Terminado os Jogos Panamericanos em São Paulo, demos continuidade aos treinamentos para a disputa do 4º Campeonato Mundial de basquetebol masculino à ser realizado na cidade do Rio de Janeiro, mais especificamente  no grandioso e maravilhoso ginásio poli esportivo do Maracañazinho.

O técnico Kanela deu 2 dias de descanso à sua equipe, para em seguida via ponte aérea rumarmos para a cidade maravilhosa. Chegando ao Rio fomos diretos para o América F.C. onde haveria uma apresentação da seleção brasileira para a imprensa, contando com grande numero de jornalistas.

Convêm recordar que a cidade do Rio de Janeiro conseguiu sediar esse mundial após as Filipinas desistirem do patrocínio em outubro de 1962. O mês de Maio de 63 foi o escolhido, dando tempo para que a cidade se preparasse melhor para o evento. Em seguida iniciamos os treinamentos.

Nossa concentração dessa vez foi também no Hotel das Paineiras que, à exemplo das outras vezes era de total agrado dos atletas e da comissão técnica. Um hotel situado na estrada para o Corcovado, muito tranquilo e sem o assédio dos torcedores e de pessoas querendo nos conhecer.

Entretanto, no começo dos treinamentos fomos obrigados à cumprir um compromisso assumido pela CBB para uma exibição na cidade de Petropolis. Por falta de equipes de valor para nos enfrentar, a exibição foi marcada pela equipe A jogando contra a B, formadas pela comissão técnica. 

Ficamos um dia na cidade com pernoite no Hotel Quitandinha, muito famoso pelas chachadas do Oscarito e Grande Otelo, dois comediantes com enorme prestígio no país. Jogamos à noite, dormimos em Petropolis e no dia seguinte cedo partimos de onibus de volta para o Hotel das Paineiras. 

Nossos treinamentos eram realizados no ginásio do Tijuca T.C. por ser mais próximo do hotel e sem a necessidade de pegar o forte trânsito da cidade do Rio de Janeiro. Os treinamentos eram realizados em dois períodos, manhã e tarde, enquanto aguardavamos a disputa da fase de classificação.

As cidades de São Paulo, Curitiba e Belo Horizonte sediaram as fases de classificação, enquanto o Brasil por ser o país anfitrião apenas aguardava a disputa da fase final. Da fase de classificação viriam 6 países para o Rio de Janeiro, ou seja,  os dois melhores colocados de cada grupo:  A B e C. 

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4ºs JOGOS PANAMERICANOS - 1963

Wlamir Marques
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LOCAL DA DISPUTA:  São Paulo/Brasil

PERÍODO: 20/04/63 até 05/05/63

PARTICIPANTES: 1655 atletas

PAÍSES PARTICIPANTES: 22

DELEGAÇÃO BRASILEIRA: 385 atletas

Terminado o Campeonato Sulamericano disputado em Lima/Peru onde o Brasil conquistou o 4º titulo consecutivo, voltamos para o país e o técnico Kanela fez uma nova convocação para a disputa do 4º Jogos Panamericanos,  a serem realizados em São Paulo. Em seguida iniciamos os treinamentos.

Convêm salientar que São Paulo ganhou o direito de sediar o evento em disputa com a cidade de Winnipeg/Canadá, vencendo por (18x5). É importante afirmar que poucas obras foram necessárias, pois a cidade já possuia uma ótima infraestrutura, restando apenas alguns ajustes.

Complexos esportivos de clubes, do municipio e do estado, garantiam o  sucesso da competição sem grandes dispêndios financeiros. Todas as modalidades esportivas tiveram os seus espaços reservados e muito bem conservados. O Ginásio do Ibirapuera serviu para o basquetebol.

A única obra construída foram as dependências da Vila Panamericana situada na USP (Universidade de São Paulo) para o alojamentos das delegações visitantes. Recém construída e ainda sem calçamento era um enorme transtorno em dias de chuva, muita lama e de difícil acesso.

A população da cidade de São Paulo acolheu muito bem a realização desse evento internacional, comparecendo sempre com um grande número de torcedores em todos os eventos. O basquetebol masculino e o feminino, além do futebol, foram os eventos mais procurados e assistidos. 

Cabe também ressaltar a alimentação oferecida aos atletas, sempre feita com muito esmero, não faltando nada para os novos e estranhos paladares. Terceirizada por grandes restaurantes da capital, foi o ponto alto da vila, sempre muito farta e bastante elogiada por todos os participantes.

O Estádio do Pacaembu prestou-se para o desfile de abertura dos jogos. Totalmente lotado, com uma estimativa de 40 mil pessoas. Foi uma linda festa, com as delegações desfilando em cadência marcial ao som da banda da força pública de São Paulo. Com certeza foi um lindo espetáculo.

A concentração das delegações para o desfile de abertura deu-se na Praça Charles Miller, defronte ao estádio, com a delegação brasileira sendo a última a entar no recinto debaixo de uma enorme ovação popular. Honras de praxe aconteceram, com a chegada da tocha e discursos de abertura.

 

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4ºs JOGOS PANAMERICANOS - 1963

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1963: 20º Campeonato Sulamericano

Wlamir Marques
Wlamir Marques
 Wlamir Marques, jogador da seleção brasileira de basquete, em ação
Wlamir Marques, jogador da seleção brasileira de basquete, em ação Gazeta Press


20º CAMPEONATO SULAMERICANO

ANO- 1963

LOCAL- LIMA/PERÚ

PERÍODO: 16/02/63 à 04/03/63

PREPARAÇÃO PARA O CAMPEONATO:

Em Dezembro de 1962 o técnico Kanela fez uma nova convocação de jogadores para a disputa do 20º Campeonato Sulamericano na cidade de Lima, capital do Peru Por falta de maior tempo para os treinamentos, a seleção foi formada na base de 2 clubes da capital paulista:  Corinthians e Sirio.

Iniciamos os treinamentos no mês de janeiro na cidade de São Paulo. Os treinamentos eram feitos no ginásio do DEFE, situado no bairro da Água Branca. Treinamos aproximadamente por 1 mês nos períodos da manhã e noite. Somente 3 convocados não pertenciam à essas duas agremiações.

Não tivemos dificuldades para o entrosamento, até porque a base era da seleção paulista e já nos conhecíamos de outros campeonatos. Além é claro, de sermos adversários nas quadras, mas sempre nos respeitando. Os outros 3 jogadores foram prontamente se adaptando; sem problemas.

Cabe aqui dizer que essa forma de seleção brasileira não era a ideal para o técnico Kanela. Muito exigente, ele sempre realizava suas preparações em longos períodos, à exemplo das conquistas olímpicas e mundiais, quando os nossos treinamentos nunca foram inferiores à 4 meses de preparação.

Como sempre acontecia, eu enfrentava problemas no emprego, pois sendo funcionário público federal eu, necessitava de autorização oficial, inclusive para deixar o país. Dificilmente eu conseguia estar à disposição do técnico no dia marcado para o inicio dos treinamentos, causando-me mal estar.

Sempre chegava atrasado e com a CBB apelando para as autoridades competentes exigindo que me liberassem com antecedência. Mas isso nunca aconteceu. Algumas vezes me apresentava sem licença. Mas no retorno ao trabalho era impedido de trabalhar por abandono de cargo.

Enfrentei nos correios 5 processos por abandono de cargo, mas sempre recuperava a minha função ao chegar a licença com muito tempo de atraso. Em 1968, ao retornar da Olimpíada do México, mais uma vez  enfrentei um novo processo de abandono. À partir dali, abandonei o correio de vez.

No dia 13/03/63 saímos de São Paulo em avião da Varig com destino à Lima/Peru. Chegamos com 3 dias de antecedência na cidade de Lima e, alí terminamos a nossa fase de preparação. O campeonato foi de longa duração com 9 países participantes, jogando todos contra todos.

O campeonato foi disputado novamente em um estádio de futebol com quadra aberta no Estádio Nacional do Peru.  A cidade de Lima, a exemplo de Santiago do Chile também não possuía ginásios para grandes públicos. A estimativa era para 20 mil pessoas, quase alcançando sua lotação máxima.

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1963: 20º Campeonato Sulamericano

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1962: O Mundial de Basquete que não aconteceu

Wlamir Marques
Wlamir Marques

"PREPARAÇÃO PARA O 4º CAMPEONATO MUNDIAL"

O MUNDIAL QUE NÃO ACONTECEU

ANO: 1962

LOCAL: FILIPINAS

No início do mês de Agosto de 1962 o tecnico Kanela convocou uma nova seleção brasileira para a disputa do 4º Campeonato Mundial à ser realizado nas Filipinas. Por questões financeiras, a CBB pediu ao E.C.Banespa de São Paulo o uso das suas dependências para os treinamentos e concentração.

De pronto o clube aceitou, mas o local destinado ao nosso alojamento era pequeno, ocasionando com isso um privilégio dado aos atletas residentes na capital ao ficaram isentos da concentração. Eu, já residente na cidade fui um dos escolhidos para ficar em casa, indo ao Banespa apenas para treinar.

Não era comum isso acontecer, mas dessa vez foi a solução encontrada muito à contra gosto do técnico. Confesso que não era a melhor solução, mas eram épocas dificéis, quando o basquete vivia muito mais à custa dos  militares, clubes, ou das prefeituras que a auxiliavam nas necessidades.

A CBB vivia de verbas públicas nem sempre o suficiente para os grandes eventos. Nunca usufruimos de qualquer vantagem financeira, eramos amadores e viviamos do trabalho e das ajudas de custos dada pelos clubes. Sem qualquer tipo de reclamação ou atrito, era assim que tudo funcionava.

No meu caso eu só participava do treino noturno, pois me via impedido de treinar de manhã devido ao meu trabalho nos correios. Sem licença oficial eu não podia me ausentar do serviço. Isso sempre foi um enorme problema para as minhas apresentações e participações na seleção brasileira.

Treinamos até o mês de outubro do jeito que podiamos, não era o ideal mas foi a única forma encontrada. Já estavamos quase prontos para o embarque quando recebemos a notícia que o mundial havia sido suspenso. Confesso que o motivo não ficou muito claro, alguns diziam que foi politico.

Lembro que na época também foi dito que devido a um surto de meningite no país séde, acharam melhor transferir o mundial para outro local. À partir dalí a seleção foi dispensada aguardando novas determinações. Foi quando a CBB entrou com um pedido junto à FIBA pedindo o patrocínio do evento.

O motivo politico foi a negação das Filipinas em dar aos países da cortina de ferro o visto de entrada em seu país. Sendo assim, pela falta de  países interessados no evento, foi dado ao Brasil a organização do 4º Campeonato Mundial de Basquetebol à ser realizado no Rio de Janeiro em Abril de 1963.

No mês de Dezembro de 1962 foi feita uma nova convocação pelo técnico Kanela, dessa vez para a disputa do 20º Campeonato Sulamericano a ser realizado em Janeiro de 1963 na cidade de Lima/Perú.  À partir dali demos inicio a uma série de eventos, culminando com o bi campeonato mundial.

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1962: O Mundial de Basquete que não aconteceu

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O dia em que minha vida mudou (2ª Parte)

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Equipe de basquete do Corinthians em 1969
Equipe de basquete do Corinthians em 1969 Gazeta Press

Clique aqui para ler a primeira parte.

Ano: 1962

S.C. Corinthians Paulista 

Não foi tão fácil me adaptar aos novos companheiros de equipe. A quadra me parecia estranha, ainda mais que o clube não possuía um ginásio próprio, dependíamos muito das quadras emprestadas e os nossos jogos eram mandados quase sempre no ginásio do Pacaembu.

Muitas vezes treinávamos na quadra externa do clube, mas eram treinos condicionados ao tempo, quando o frio e a chuva atrapalhavam nossas atividades. No meu 1º treino nessa quadra, baixou uma forte neblina que nos impedia de ver a tabela contrária, tendo paralisado o treino.

Nesse período não pude me dedicar ao Corinthians da forma que eu gostaria. Fui convocado pela CBB para uma excursão a Porto Rico onde faríamos 7 jogos amistosos contra a seleção daquele país, jogando em várias cidades do interior e na capital San Juan. Uma linda excursão.

Entre treinamentos e viagem foram quase dois meses treinando e jogando pela seleção brasileira, não me dando tempo hábil para conhecer melhor meus novos companheiros de clube. Para essa seleção foi feita uma mescla entre jogadores novos e antigos. Com 25 anos eu já era antigo.

Enquanto isso o ginásio do Corinthians que, hoje, recebe o meu nome, estava sendo reconstruído. Sua construção ficou paralisada por alguns anos e só em 1962 é que foi reiniciada a obra. O ginásio possuía apenas o arcabouço das arquibancadas em cimento cru, ainda impróprio ao uso.

Nesse ano ainda disputamos um campeonato metropolitano com um certo sucesso, mesmo não contando com grandes jogadores, mas mesmo assim arrastávamos ao jogo um grande número de torcedores. A partir dali senti o quanto era importante defender o S.C.Corinthians Paulista.

Aos poucos e com a ajuda de amigos fui me adaptando à cidade e à nova função nos correios, muitas vezes saindo do trabalho e indo direto para os treinos e jogos. A família também ia aos poucos sentindo a diferença de vida entre Piracicaba e São Paulo, financeiramente melhor ajustada.

Como já disse anteriormente, vim para São Paulo motorizado. Eu possuía um Chevrolet Coupe que acabei pintando de vermelho e branco. O carro chamava muito a atenção, mas um certo dia pela manhã ao sair de casa para o trabalho não vi o carro estacionado na rua. Resultado: roubaram.

Imediatamente liguei para a polícia e para a Rádio Pan-Americana falando sobre o acontecido. Naquele mesmo dia à noite o meu lindo carro foi encontrado na zona norte, intacto e perfeito, nada faltando. Disseram que foi encontrado pelo MUC (Movimento de União dos Corintianos).




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O dia em que minha vida mudou (2ª Parte)

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O DIA EM QUE A MINHA VIDA MUDOU

Wlamir Marques
Wlamir Marques

ANO: 1962

TRANSFERÊNCIA PARA O S.C. CORINTHIANS PTA.

No dia 27 de novembro de 1953, ainda com 16 anos de idade saí da minha cidade natal de São Vicente SP para fixar residência em Piracicaba SP. O motivo foi para defender a cidade nos Jogos Abertos do Interior no ano de 1955 à ser realizado naquela cidade. Ali eu permaneci por 9 anos.

Em Piracicaba constitui família e filhos, alem de exercer trabalho nos correios e telégrafos da cidade. Entretanto no ano de 1962 resolvi aceitar uma proposta do Corinthians e fiz a minha transferência de cidade no dia 01 de maio de 1962. Aos 25 anos decidi modificar minha vida.

Dizer que foi uma mudança tranquila estaria mentindo. Não foi nada fácil sair de uma cidade interiorana onde por 9 anos estava acostumado com seus hábitos e modos de vida. Claro que na minha visão as duvidas existiam. Como sobreviver nessa cidade à contento com esposa e filhos?

Fiz a transferência do trabalho, mas ainda dependendo da liberação do XV de Piracicaba para que eu tivesse condição de jogo. Os dirigentes do XV na época reagiram contra a minha saída, impedindo que eu fizesse a mudança, quando os regulamentos para esses caso eram diferente dos dias atuais.

Mas aí aconteceu um fato inédito no esporte brasileiro: Fui trocado por um jogador de futebol. Nessa época o XV disputava a divisão especial do futebol paulista. Foi quando o XV ao registrar na FPF um jogador chamado Ubiraci, constatou-se que ele pertencia ao Corinthians.

Wlamir Marques no Corinthians
Wlamir Marques no Corinthians Gazeta Press

Em uma conversa entre os presidentes, o XV pediu ao Corinthians a liberação do atleta. Foi quando o Dr. Wadih Helu presidente do Corinthians impôs a condição da troca dizendo: Vocês liberam o Wlamir e eu libero o Ubiraci. O XV aceitou. Foi a 1ª e única vez acontecendo esse tipo de troca.

À partir dali passei a ser oficialmente atleta do Corinthians, foi quando decidi de vez fixar residência na capital. É importante dizer que eram outros tempos, eu ia ao trabalho de bonde, onde o famoso camarão (bonde) era o meu elo com o trabalho no Vale do Anhangabaú. Tudo novo, vida nova.

Nessa época eu já possuia um automóvel trazido da origem, mas mesmo assim tudo era muito estranho se comparamos o trânsito de uma cidade com a outra. Era normal eu andar com um mapa da cidade para poder me orientar, embora tenha entrado em ruas erradas inúmeras vezes.

O começo não foi fácil, mas aos poucos fui me adaptando à cidade e, com ajuda de muitos corintianos passei a não ter mais dificuldades em me locomover pela cidade, alem de me ajudarem a começar um novo trabalho dentro das quadras. Se me permitirem continuarei essa história.

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Memórias: Wlamir Marques e a conquista do Helms Trophy

Wlamir Marques
Wlamir Marques
Wlamir Marques ostenta o ''Helms Trophy''
Wlamir Marques ostenta o ''Helms Trophy'' Gazeta Press

No ano de 1936, por iniciativa dos senhores Bill Schroeder e Paul Helms foi criada em Los Angeles/Califórnia-USA) a Helms Athletic Foundation. Essa fundação tinha como seu principal objetivo premiar anualmente os melhores atletas amadores de cada continente em várias modalidades.

Na época era considerada uma entidade esportiva muito importante no mundo ao criar o seu tradicional e aguardado Hall da Fama. Todo ano havia uma enorme expectativa de quem seriam os agraciados pelo tão valioso troféu. Nunca houve prêmios em dinheiro, puro amadorismo.

Alguns atletas brasileiros de grande destaque mundial e nacional foram eleitos, tais como:  Silvio de Magalhães Padilha, Ademar Ferreira da Silva e José Teles da Conceição. Pela 1ª vez elegeram um atleta do basquetebol sulamericano no ano de 1961, quando eu fui o escolhido.

Pode parecer estranho que atletas de modalidades coletivas possam ser escolhidos entre os melhores, bastando ver as escolhas nesse ano de 1961, quando todos eram ligados às modalidades individuais. Foi uma enorme honra estar entre os melhores atletas amadores do mundo.

ATLETAS ESCOLHIDOS EM 1961: 

1- América do Norte:  Ralph Boston - Atletismo (salto em distância) - USA

2- Europa: Valery Brumel- Atletismo (salto em altura) - Russia

3- Africa: Abdul Amu- Atletismo (corredor dos 100 metros) - Nigéria

4- Asia: Tsuyoshi Yamanaka- (Natação) - Japão

5- Oceânia: Dawn Fraser- (Natação) - Austrália

6- América do Sul: Wlamir Marques - (Basquetebol) - Brasil

A  Helms Athletic Foundation funcionou até o ano de 1982, deixando de  existir com a morte dos seus fundadores. O seu legado ficou a cargo da United Savings and Loan que, fundiu-se com a Citizen Saving Banks em 1973. Em 1982 foi renomeda para First Interstate Bank (seu último ano).

Confesso que não sou favorável aos premios individuais para os atletas de modalidades coletivas, até porque ninguém joga só, a dependência dos seus companheiros é enorme. Entretanto, é um troféu que ostento com muito orgulho, fazendo parte das minhas importantes honrarias.

Com o fim da fundação Helms, as entidas esportivas decidiram criar seus próprios halls da fama, premiando atletas que mais se destacaram em suas modalidades durante suas épocas. O troféu Helms foi-me entregue em 1962 no Ibirapuera em jogo da seleção brasileira.

 

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Memórias: Wlamir Marques e a conquista do Helms Trophy

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Estatísticas da seleção brasileira de basquete campeã do sul-americano de 1961

Wlamir Marques
Wlamir Marques

19º CAMPEONATO SULAMERICANO- 1961- (2ª PARTE)

LOCAL DA COMPETIÇÃO: Brasil ( Rio de Janeiro e Niteroy)

PERÍODO DOS JOGOS: 20/04 à 30/04/61

DETALHES TÉCNICOS:

PAÍSES PARTICIPANTES: 08

1- BRASIL

2- PARAGUAY

3- ARGENTINA

4- URUGUAY

5- PERÚ

6- CHILE

7- EQUADOR

8- VENEZUELA

RESULTADOS: Jogos do Brasil.

Brasil 88 x 54 Equador (Maracanãzinho)

Brasil 98 x 54 Chile (Maracanãzinho)

Brasil 84 x 63 Argentina (Maracanãzinho)

Brasil 74 x 35 Perú (Maracanãzinho)

Brasil 94 x 58 Paraguay (Maracanãzinho)

Brasil 72 x 45 Venezuela (Niteroy)

Brasil 66 x 47 Uruguay (jogo final) (Maracanãzinho)

CLASSIFICAÇÃO FINAL: 

1º - Brasil

2º - Uruguay

3º - Argentina

4º - Paraguay

5º - Perú

6º - Chile

7º - Equador

8º - Venezuela

TÉCNICO DO BRASIL: Kanela

JOGADORES DO BRASIL: 

Amaury Pasos- Sucar- Tozzi- Benjamim- Betinho- Mosquito- Rosa Branca- Fernando- Jatyr- Mical- Renê- Waldemar e Wlamir Marques.

CESTINHAS DO CAMPEONATO: 

1º - Wlamir Marques- ( Brasil) 150 pontos

2º - Riofrio- (Argentina) 136 pontos

3º - Thompson (Chile) 135 pontos

4º - Amaury Pasos - (Brasil) 121 pontos

5º - Cordero- (Paraguay) 97 pontos

6º - Ricardo Duarte (Perú) 94 pontos

7º - Giménez (Equador) 89 pontos

8º - Rosa Branca (Brasil) 77 pontos

9º  -Isusi (Paraguay) 76 pontos

9º - Crespi (Argentina) 76 pontos

Dessa forma o Brasil conseguiu de forma invicta o seu Tri Campeonato Sulamericano. Foi uma seleção renovada com 4 jogadores estreantes em seleção brasileira (Tozzi- Mical-Benjamim e Betinho). Foram anos dourados do esporte e do basquetebol brasileiro, marcas deixadas e inesquecíveis.

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Estatísticas da seleção brasileira de basquete campeã do sul-americano de 1961

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19º CAMPEONATO SUL-AMERICANO DE BASQUETEBOL

Wlamir Marques
Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br

ANO: 1961
LOCAL: Rio de Janeiro e Niterói
PERÍODO DOS JOGOS:  20/04 a 30/04/1961

Nossa preparação teve seu inicio na cidade do Rio de Janeiro no final do mês de março de 1961. Ficamos concentrados no quartel da policia militar no bairro da Tijuca. Era comum nesse tempo que as nossas concentrações ficassem afastadas de hotéis devido à falta de recursos financeiros da CBB.

O Presidente da CBB na época era o Almirante Paulo Martins Meira que, devido a sua patente militar conseguia os obséquios oferecidos para as nossas estadías. Convem lembrar que sempre fomos tratados de forma diferenciada, nada nos faltando, inclusive com muito respeito e carinho.

Como era de praxe e exigência do técnico Kanela, ficamos todos alojados em um mesmo salão com as camas espalhadas. Nada nos parecia estranho, já estavamos acostumados com esse tipo de tratamento, inclusive com as refeições reforçadas, afinal eramos atletas sujeitos à grandes desgastes.

Nesse tempo, fui acometido de cálculos renais já sanados, mas causando preocupações ao médico da delegação e ao técnico Kanela. Recebia um tratamento vip, mas eu sempre reagia de forma contraria pelo tratamento diferenciado dos demais. Hoje entendo os motivos das suas preocupações.

Wlamir conversa com as crianças do Corinthians, em 1977
Wlamir conversa com as crianças do Corinthians, em 1977 GazetaPress

Nossos treinamentos aconteciam no ginásio do Tijuca Tênis Clube devido à sua proximidade com o quartel da policia militar do Rio de Janeiro. Iamos e voltavamos em onibus de lotação exclusivo, causando admiração por onde passavamos. Foi um tempo de grande orgulho pelo basquetebol brasileiro. 

Eramos campeões do mundo, medalhistas olímpicos, partiamos para um tri campeonato sulamericano e, os noticiarios esportivos nos davam enormes destaques. Como acontece nos dias de hoje, o futebol dominava todos os espaços jornalisticos, mas o basquetebol tinha encontrado a sua vez. 

Com os jogos divididos em dois ginásios: (Maracanãzinho e Caio Martins) tínhamos duas torcidas diferenciadas que, sempre nos apoiavam, não dando margens para que nos faltassem incentivos.  Fomos tri campeões de forma soberana, confirmando até por antecipação essa grande conquista.

A televisão esteve presente apenas no ultimo jogo entre Brasil x Uruguay. Jogo realizado no Maracanãzinho quase que com sua lotação plena. Mais uma vez deixamos no Rio de Janeiro a marca da nossa enorme supremacia na América do Sul, ainda mais jogando no Brasil com torcida à nosso favor.

Eram tempos de reconhecimento pelos feitos internacionais alcançados pela nossa seleção brasileira de basquetebol.  Nunca nos faltou incentivo e palavras de apoio, corríamos ao lado do futebol levando orgulho ao nosso povo ansioso por conquistas. Iniciávamos uma década de novos triunfos.

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19º CAMPEONATO SUL-AMERICANO DE BASQUETEBOL

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17º JOGOS OLÍMPICOS DE ROMA - 1960 (2ª PARTE)

Wlamir Marques
Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br

Wlamir Marques durante jogo da seleção brasileira na década de 1950
Wlamir Marques durante jogo da seleção brasileira na década de 1950 Gazeta Press


DETALHES TÉCNICOS:

MODALIDADE:  Basquetebol

PERÍODO: 26/08 a 10/09/1960

PAÍSES PARTICIPANTES - 16

1- Estados Unidos
2- União Soviética
3- Brasil
4- Itália
5- Checoslováquia
6- Iugoslávia
7- Polônia
8- Uruguai
9- Hungria
10- França
11- Filipinas
12- México
13- Porto Rico
14- Espanha
15- Japão
16- Bulgária.

DIVISÃO DOS GRUPOS: 4 grupos (classificam-se os 2 primeiros)

GRUPO DO BRASIL - 1ª fase - Resultados: 

Brasil 80 x 72 México

Brasil 75 x 72 Porto Rico

Brasil 58 x 54 União Soviética

GRUPO DO BRASIL - 2ª fase - Resultados: (classificam-se os 2 primeiros)

Brasil 78 x 75 Itália (prorrogação)

Brasil  77 x 68 Polônia

Brasil 85 x 78 Checoslováquia

FASE FINAL: Estados Unidos/União Soviética/Brasil/Itália

Brasil 62 x 64 União Soviética

Brasil 63 x 90 Estados Unidos

(para a decisão do bronze foi mantido o resultado da 2ª fase)

Brasil 78 x 75 Itália.

CLASSIFICAÇÃO FINAL: 

1º- Estados Unidos
2º-  União Soviética
3º-  Brasil
4º- Itália
5º-  Checoslováquia
6º- Iugoslávia
7º- Polônia
8º- Uruguai
9º- Hungria
10º- França
11º- Filipinas
12º- México
13º- Porto Rico
14º- Espanha
15º- Japão
16º- Bulgária

SELEÇÃO BRASILERA: Técnico: Kanela

JOGADORES:  12

Algodão- Amaury Pasos- Moisés Blás- Mosquito- 

Jatir-Fernando- Rosa Branca- Edson Bispo- Sucar- 

Waldir Boccardo- Waldemar- Wlamir Marques. 

Observação: Essa foi a 2ª medalha de bronze conquistada pelo Brasil, repetindo a conquista na Olimpíada de Londres em 1948.

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17º JOGOS OLÍMPICOS DE ROMA - 1960 (2ª PARTE)

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17º Jogos Olímpicos - 1960 - A preparação

Wlamir Marques
Wlamir Marques
Seleção brasileira de basquete antes das Olimpíadas de 1960
Seleção brasileira de basquete antes das Olimpíadas de 1960 Gazeta Press

Local: Roma/Itália

Período: 25/08/1960 à 11/09/1960
Países participantes: 83
Número de atletas: 5338

A seleção brasileira de basquetebol iniciou seus treinamentos no mês de junho de 1960. Ficamos alojados e treinando no DEFE em São Paulo. Ficamos em 1º lugar na disputa dos Jogos Luso-Brasileiros em Portugal; depois, seguimos viagem para disputar as Olímpiadas de Roma.

Devo lembrar que a nossa preparação foi 90% realizada em Lisboa, cidade que nos acolheu de braços abertos. Ficamos ali concentrados ao redor de 1 mês, para em seguida voarmos para Roma em voo da empresa Alitalia. O Brasil, por ser o último campeão sul-americano, tinha a vaga garantida.

Como sempre acontece em Jogos Olímpicos, um comitê de recepção nos aguardava no aeroporto. Depois de algumas homenagens de praxe, um ônibus exclusivo nos transportou para a Vila Olímpica. Era uma linda vila. construída com vários edifícios, separando a ala masculina da feminina.

Os nossos quartos eram para duas pessoas. O meu companheiro de quarto foi o Amaury Pasos. O nosso prédio era provido no seu hall de entrada com um aparelho de televisão, novidade na época com transmissões ao vivo, nos permitindo assistir competições previamente programadas.

Confesso que muito pouco pude acompanhar os eventos pela tv, éramos muito ocupados com os treinamentos e jogos. A vila era muito bonita e aprazível. Comida internacional farta e muito ao nosso gosto, sendo o ponto forte da organização. Nada nos faltava, tudo estava perfeito.

Chegamos em Roma com quatro dias de antecedência, tempo suficiente para nos adaptarmos à vila e aos novos hábitos. Como sempre, fizemos um jogo treino contra a seleção das Filipinas. Enfrentar os asiáticos sempre torna-se difícil e complicado, mas vencemos. Fizemos um ótimo treino. 

Na primeira fase da competição, os jogos foram realizados no Pallazzetto dello Sports. Ginásio construído dentro da própria Vila Olímpica, facilitando nosso deslocamento. Íamos e voltávamos a pé do ginásio. Era um ginásio lindo e moderno com capacidade média, lotando na maioria dos jogos.

Já para as finais jogamos no Pallazzo dello Sports. Ginásio contando com grande capacidade de público. Destaco a  participação dos italianos nos jogos, sempre lotando todas as dependências. O basquetebol foi a modalidade com maior número de expectadores, fora o futebol.

Convém ressaltar que na vila havia um forte comércio de artigos italianos, além dos carrinhos de refrigerantes e sucos à disposição dos atletas. Todas as noites, após as competições, haviam apresentações de cantores e cantoras internacionais, além dos shows de variedades.

Passamos naquela linda Vila Olímpica por momentos muito agradáveis e, isso servia para nos distrair, sem perdermos o foco na competição. Nas horas de folga íamos de encontro à Roma antiga, dos tempos de Nero e dos gladiadores. Roma é reconhecida até hoje como a cidade eterna!

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17º Jogos Olímpicos - 1960 - A preparação

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Os primeiros Jogos Desportivos Luso-Brasileiros (2ª Parte)

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Ano: 1960

Local:  Portugal

Modalidade: Basquetebol

Número de jogos: 6 (contra a seleção portuguesa)

Cidades-Sede: Lisboa, Porto, Coimbra, Figueira da Fóz e Aveiro

Em principio realizamos dois jogos em Lisboa contra a seleção portuguesa. Jogos vencidos com muita facilidade. Portugal não possuía prestígio internacional, quando até mesmo na Europa não era considerada grande força. Para fugir da rotina dos treinamentos, os jogos foram produtivos.

Alguns dias depois, de ônibus, saímos em direção à cidade do Porto, onde ali enfrentariamos novamente a seleção portuguesa. Jogamos em um belo ginásio de piso duro, especificamente preparado para jogos de Hoquei, quando Portugal na época era campeã mundial da modalidade.

Ali fomos agraciados com garrafas de vinho do Porto, deixando o técnico Kanela contrariado. Ele não permitia que os atletas tomassem bebidas alcoólicas, mas mesmo assim, sempre alguém arrumava um jeitinho de ludibria-lo. Mas sem exageros, conhecíamos o teor alcoólico do vinho.

Pernoitamos no Porto e na manhã seguinte fomos em direção à cidade de Coimbra, famosa por sua Universidade. Chegando, fomos diretos para lá, onde seriam prestadas várias homenagens ao Brasil e aos campeões mundiais. À noite, mais uma fácil vitória, tranquila.

Na manhã seguinte, mais uma viagem em direção à Figueira da Fóz, cidade litorânea, local muito aprázivel em pleno verão europeu. Pouco conhecemos da cidade, o cansaço dos jogos não nos permitiam longas caminhadas, repousar era mais importante. À noite, mais um jogo fácil.

Pernoitamos em um hotel à beira da praia, para no dia seguinte seguirmos em direção a Aveiro, cidade dos belos canais e dos deliciosos ovos moles. Ali aconteceu algo inédito: a cidade não possuia quadras de basquete, o jeito foi montar uma quadra em uma praia de areia fofa.

A quadra era toda certinha, cercada e com tabelas móveis, alem de contar com um grande público para nos prestigiar. O inconveniente é que o drible foi abolido, não era possivel bater a bola de encontro ao solo. Foi um jogo só de passes e arremessos, além do vento reinante.

Podem imaginar uma seleção campeã mundial jogar nessas condições? Pois é, a história é inesquecível, sempre que posso conto-a saudoso. Lembro também que, a cada bandeja feita o jogo parava para cobrir um enorme buraco provocado pelo impacto. Não foi jogo, foi divertimento.

Passamos a noite em Aveiro para no dia seguinte pegarmos a estrada de volta à Lisboa. Com certeza foi uma belíssima e deliciosa excursão, além dos portugueses nos prestarem belas homenagens em cada local de parada. Além do passeio, os jogos foram ótimos para nossa moral.

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