Os primeiros Jogos Desportivos Luso-Brasileiros

Wlamir Marques
Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br

ANO: 1960

LOCAL: PORTUGAL

COMPETIÇÃO: Basquetebol

No ano de 1960, o comitê olímpico brasileiro decidiu juntamente com o comitê olímpico português, criar um intercâmbio esportivo entre as duas nações, e o basquetebol masculino foi uma das modalidades eleitas para os confrontos. Portugal orgulhava-se em receber os campeões mundiais.

No mês de Junho de 1960, o técnico Kanela fez uma nova convocação para esses jogos. Em seguida, começamos os treinamentos em São Paulo que durou até a nossa viagem para Lisboa/Portugal. Pela 1ª vez, Brasil e Portugal se enfrentariam em um jogo de basquetebol.

Voamos para Lisboa no Super Constellation da Varig. Um avião bonito e moderno, espaçoso e muito confortável, especialmente para jogadores de basquete cujas pernas fogem da normalidade. Chegando em Lisboa fomos recebidos festivamente pela comissão organizadora do evento.

Do aeroporto fomos transportados de ônibus para o nosso alojamento. Ficamos concentrados em uma quartel da policia militar portuguesa, divididos em quartos para 2 pessoas, mas não aprovados pelo técnico Kanela. Ele exigiu que nós ficássemos alojados em um único espaço.

O técnico Kanela era muito exigente, especialmente no que diz respeito à disciplina, querendo ter sempre o controle total sobre os atletas. Por falta de um espaço maior, o técnico então decidiu que nós ficaríamos alojados na quadra de basquete, com camas dispostas em sua extensão.

Fato inédito: uma seleção campeã mundial alojada em uma quadra de basquete. Lembro que a minha cama ficava bem dentro do garrafão, debaixo da cesta. Ali nós dormíamos e treinávamos. Para os treinos. as camas eram afastadas, para depois voltarem aos seus locais de origem.

Entre os treinos e jogos programados, ficamos 1 mês nos preparando, não somente para enfrentar os portugueses, mas como preparação para as Olimpíadas de Roma que viriam a seguir. Os jogos contra Portugal eram fáceis, apenas servindo de exibição dos campeões mundiais.

Enquanto isso, outras disputadas aconteciam contra Portugal, com algumas vantagens para o país sede, a exemplo do handebol masculino, cujos jogos faziam preliminares dos jogos de basquete. Naquele tempo, a maioria dos jogadores de handebol eram ex-jogadores de basquete.

Entre os eventos programados, enfrentamos a seleção portuguesa em 6 ocasiões, todos vencidos com muita facilidade. Mas a importância dessa passagem por Portugal ocorreu em função da forte preparação para Roma. Mais adiante contarei a importância dessa conquista olímpica.

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Os primeiros Jogos Desportivos Luso-Brasileiros

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Os primeiros Jogos Desportivos Luso-Brasileiros (2ª Parte)

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Ano: 1960

Local:  Portugal

Modalidade: Basquetebol

Número de jogos: 6 (contra a seleção portuguesa)

Cidades-Sede: Lisboa, Porto, Coimbra, Figueira da Fóz e Aveiro

Em principio realizamos dois jogos em Lisboa contra a seleção portuguesa. Jogos vencidos com muita facilidade. Portugal não possuía prestígio internacional, quando até mesmo na Europa não era considerada grande força. Para fugir da rotina dos treinamentos, os jogos foram produtivos.

Alguns dias depois, de ônibus, saímos em direção à cidade do Porto, onde ali enfrentariamos novamente a seleção portuguesa. Jogamos em um belo ginásio de piso duro, especificamente preparado para jogos de Hoquei, quando Portugal na época era campeã mundial da modalidade.

Ali fomos agraciados com garrafas de vinho do Porto, deixando o técnico Kanela contrariado. Ele não permitia que os atletas tomassem bebidas alcoólicas, mas mesmo assim, sempre alguém arrumava um jeitinho de ludibria-lo. Mas sem exageros, conhecíamos o teor alcoólico do vinho.

Pernoitamos no Porto e na manhã seguinte fomos em direção à cidade de Coimbra, famosa por sua Universidade. Chegando, fomos diretos para lá, onde seriam prestadas várias homenagens ao Brasil e aos campeões mundiais. À noite, mais uma fácil vitória, tranquila.

Na manhã seguinte, mais uma viagem em direção à Figueira da Fóz, cidade litorânea, local muito aprázivel em pleno verão europeu. Pouco conhecemos da cidade, o cansaço dos jogos não nos permitiam longas caminhadas, repousar era mais importante. À noite, mais um jogo fácil.

Pernoitamos em um hotel à beira da praia, para no dia seguinte seguirmos em direção a Aveiro, cidade dos belos canais e dos deliciosos ovos moles. Ali aconteceu algo inédito: a cidade não possuia quadras de basquete, o jeito foi montar uma quadra em uma praia de areia fofa.

A quadra era toda certinha, cercada e com tabelas móveis, alem de contar com um grande público para nos prestigiar. O inconveniente é que o drible foi abolido, não era possivel bater a bola de encontro ao solo. Foi um jogo só de passes e arremessos, além do vento reinante.

Podem imaginar uma seleção campeã mundial jogar nessas condições? Pois é, a história é inesquecível, sempre que posso conto-a saudoso. Lembro também que, a cada bandeja feita o jogo parava para cobrir um enorme buraco provocado pelo impacto. Não foi jogo, foi divertimento.

Passamos a noite em Aveiro para no dia seguinte pegarmos a estrada de volta à Lisboa. Com certeza foi uma belíssima e deliciosa excursão, além dos portugueses nos prestarem belas homenagens em cada local de parada. Além do passeio, os jogos foram ótimos para nossa moral.

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Os primeiros Jogos Desportivos Luso-Brasileiros (2ª Parte)

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18º CAMPEONATO SUL-AMERICANO DE BASQUETE MASCULINO - 1960

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Wlamir Marques durante jogo da seleção brasileira na década de 1950
Wlamir Marques durante jogo da seleção brasileira na década de 1950 Gazeta Press

18º CAMPEONATO SUL-AMERICANO - 1960
BASQUETEBOL MASCULINO
BRASIL BI CAMPEÃO SULAMERICANO
LOCAL: Córdoba- Argentina
PERÍODO:  03/03/1960 à 18/03/1960

Convém lembrar que em 1945 o Brasil conquistou o título de campeão sul-americano em Quito/Equador, voltando a vencer somente após 13 anos, ou seja, em 1958 em Santiago/Chile.  Em 1960, conseguiu o tricampeonato jogando em Córdoba/Argentina diante de uma enorme platéia contrária.

A preparação foi feita toda em São Paulo, quando ficamos concentrados nas dependências do DEFE/Água Branca. Treinamos por 1 mês, servindo também de preparação para as Olimpíadas de Roma. Saímos de São Paulo de avião via Buenos Aires, para em seguida também de avião para Córdoba.

Chegando em Córdoba, um ônibus nos aguardava, pronto para nos levar ao local da nossa estadia. Ficamos alojados em uma escola com ampla sala de aula nos servindo de dormitório. Não era nível de hotel, mas dentro do possível era assim que as coisas funcionavam, já estávamos acostumados.

Esse campeonato sul-americano era pra ser disputado em novembro de 1959, mas outra vez por falta de um ginásio maior e melhor, foi transferido para o mês de Março de 1960. Montaram uma quadra de basquetebol em um estádio de futebol, sempre adaptada em uma das suas ferraduras. 


PAÍSES PARTICIPANTES: 7 países.
Brasil, Paraguai, Argentina, Uruguai, Chile, Colômbia e Equador.
JOGOS DO BRASIL: Resultados:
Brasil 89 x 67 Colômbia
Brasil 71 x 64 Paraguai
Brasil 73 x 45 Chile
Brasil 81 x 80 Uruguai
Brasil 69 x 47 Equador
Brasil 58 x 57 Argentina
CLASSIFICAÇÃO FINAL: 
1º - BRASIL
2º - PARAGUAI
3º - ARGENTINA
4º - URUGUAI
5º - CHILE
6º - COLÔMBIA
7º - EQUADOR
SELEÇÃO BRASILEIRA:  Técnico: Kanela
JOGADORES:  Algodão, Amaury Pasos, Edson Bispo, Waldemar, Jathir, Succar, Fernando, Rosa Branca, Waldir Boccardo, Mosquito e Wlamir Marques.

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18º CAMPEONATO SUL-AMERICANO DE BASQUETE MASCULINO - 1960

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3ºs Jogos Panamericanos - 2ª parte - 1959

Wlamir Marques
Wlamir Marques
Wlamir recebe troféu sob os olhares do presidente Wadih Helu
Wlamir recebe troféu sob os olhares do presidente Wadih Helu Arquivo Corinthians

3ºs JOGOS PANAMERICANOS- 1959

LOCAL: Chicago-EUA
PERÍODO: 28/08/1959 à 07/09/1959
PAÍSES PARTICIPANTES: 25
ATLETAS PARTICIPANTES: 2.263
DELEGAÇÃO BRASILEIRA: 219 componentes.

BASQUETE - Detalhes técnicos

Países participantes: 07 (Estados Unidos, Porto Rico, Brasil, México, Canadá, Cuba e El Salvador)
Local dos Jogos: Alumni Gym, Loyola University. (para 2 mil pessoas)

JOGOS DO BRASIL: 

Brasil 87 x 48 Cuba
Brasil 49 x 50 México
Brasil 60 x 53 Canadá
Brasil 89 x 66 El Salvador
Brasil 79 x 78 Porto Rico
Brasil 79 x 93 Estados Unidos

Obs: Houve um triplice empate na 2ª colocação entre o Brasil, Porto Rico e México. Na decisão por saldo de pontos o Brasil ficou em 3º lugar. Brasil perde para o México (49x50), vence Porto Rico (79x78) e, Porto Rico vence o México (86x69).

A seleção brasileira foi composta pelos mesmos jogadores campeões do mundo no Chile, com exceção do Algodão e do Amaury Pasos, substituídos pelo Mosquito (Palmeiras) e pelo Wilson Bombarda (São José dos Campos).

Seleção Brasileira: Wlamir Marques- Rosa Branca- Edson Bispo- Waldemar- Pecente- Jatir- Mosquito- Wilson Bombarda- Otto Nobrega- Fernando- Waldir Boccardo e Zézinho.

Classificação Final: 

1º- Estados Unidos
2º- Porto Rico
3º- Brasil
4º- México
5º- Canadá
6º- Cuba
7º- El Salvador

Ainda no ano de 1959, iniciamos os treinamentos para a disputa do Campeonato Sulamericano a ser realizado em Córdoba, na Argentina.

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3ºs Jogos Panamericanos - 2ª parte - 1959

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3ºs JOGOS PANAMERICANOS - 1959

Wlamir Marques
Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br

3ºs JOGOS PANAMERICANOS

ANO: 1959
LOCAL: Chicago- USA.
PERÍODO:  28/08/1959 à 07/09/1959

Após os 2ºs Jogos Panamericanos realizados na cidade do México no ano de 1955, a cidade de Cleveland-USA foi eleita para sediar os 3ºs Jogos. Disputou a eleição contra São Paulo vencendo por 13 a 6. No entanto, por questões financeiras os jogos foram transferidos para Chicago-USA.


Confesso que os jogos não foram um primor de entusiamo para os norte americanos. Desacostumados com esse tipo de competição, não deram muita importância para certas modalidades. O Basket-Ball contando com enorme preferência, foram os jogos mais assistidos pelo publico.


Além da modalidade ser considerada no país como grande força mundial, sua seleção foi montada por grandes jogadores universitários da época. Aponto 3 jogadores que se tornaram mais tarde em grandes nomes da NBA: Oscar Robertson ( Mister O), Jerry West e Jerry Lucas.

Wlamir Marques durante jogo da seleção brasileira na década de 1950
Wlamir Marques durante jogo da seleção brasileira na década de 1950 Gazeta Press

Até hoje os 3 são citados e apontados como grandes jogadores nos seus respectivos tempos. Foi também uma seleção formada para os Jogos Olímpicos de Roma em 1960. Dizem os entendidos do basquetebol  norte americano que aquela seleção foi o 1º Dream Team formado no país.


Não podemos esquecer que no ano de 1959 fomos campeões mundiais no Chile, quando a equipe dos EUA foi representada por oficiais e jogadores da força aérea norte americana. Estivemos em Chicago mas com a equipe renovada. Alguns campeões do mundo não estiveram presentes.


O técnico da seleção brasileira mais uma vez foi o Kanela, exigindo cada vez mais muito trabalho e empenho dos seus jogadores. Treinamos ao redor de um mês na cidade de Niteroy, especificamente no Ginásio Caio Martins. Ficamos ali alojados em quartos com beliches e com alimentação.


Fizemos a viagem para Chicago em 3 escalas. A 1ª entre Rio/Caracas e a 2ª entre Caracas/Nova York. Em Nova York trocamos de avião rumo à Chicago. Como sempre eram viagens cansativas com muitas horas de voo.  Já na cidade sede, fomos conduzidos para a Universidade de Chicago.


Ali era o alojamento da delegação brasileira, divididos em salas de aulas,  com as nossas refeições feitas em seu refeitório. Os nossos treinamentos também aconteciam no ginásio de esportes da Universidade. Foram dias de intensas atividades, quase sempre treinando contra jogadores locais.


Muito pouco saíamos para os passeios. Confesso que ficamos muito extenuados com o calor reinante e com as nossas reservas fisicas sendo prejudicadas. À pedido dos jogadores, os médicos do COB exigiram do técnico Kanela a diminuição da carga de trabalho, logo sendo atendidos.

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3ºs JOGOS PANAMERICANOS - 1959

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Memórias do título mundial de basquete em 1959

Wlamir Marques

BRASIL CAMPEÃO DO MUNDO (1959)

REPERCUSÃO DA CONQUISTA:

É muito importante registrar a repercussão deixada no país após essa linda conquista mundial. Como já foi dito, desde a nossa chegada ao Brasil, mais especificamente no aeroporto de Congonhas em São Paulo, o povão nos aguardava, inclusive com a presença de varias rádios, jornais e televisão.

Chegamos à tardinha, no mesmo instante em que a delegação do Santos F.C. também desembarcava após uma excursão memorável pelos campos da Europa. Sabendo da nossa chegada, todos os jogadores foram nos receber, inclusive o Pelé, fazendo questão de tirar fotos ao nosso lado.

De São Paulo, eu, Pecente, Waldemar e o técnico Brás, fomos diretos para Piracicaba, pois ali seria prestada uma homenagem com a presença do prefeito Luciano Guidotti. Na entrada da cidade, vários carros já estavam à nossa espera. Fomos em carros conversíveis com o povo nos aplaudindo.

Na praça principal foi montado um palanque para as devidas homenagens, contando com a presença de pessoas nos saudando como se fossemos verdadeiros filhos da cidade. Foi uma linda festa, apenas visto igual quando da chegada do De Sordi e do Mazzola (Altafini) após o mundial de futebol em 1958.

O De Sordi e o Mazzola eram filhos de Piracicaba, e naquele ano a cidade parou para recebê-los. Além disso, várias entidades esportivas nos prestavam homenagens pelo país afora. A conquista despertou um enorme interesse à pratica da modalidade no país. Onde íamos jogar, as quadras lotavam.

A homenagem maior veio quando o Presidente Juscelino Kubitchek nos recebeu no Palácio do Catete para um almoço, e para nos premiar com a Medalha do Mérito Esportivo Brasileiro. Muito simpático, o Presidente fez questão de nos conhecer e cumprimentar pessoalmente cada um de nós.

Também é digno de comentário dizer que naqueles tempos ainda não haviam transmissões de televisão ao vivo. Haviam apenas as transmissões via rádio. Foi quando a Rádio Panamericana esteve presente e transmitiu na íntegra o mundial de basquetebol diretamente de Santiago, no Chile.

Torna-se interessante dizer que os nossos nomes eram constantemente citados nos programas esportivos e nas manchetes dos jornais. Mas sem a televisão, as nossas imagens eram desconhecidas da maioria do povo brasileiro. Mas bastava citar o nome e lá vinha um lindo sorriso e um grande abraço.

Deixamos para a posteridade brasileira um grande feito que se repetiria ao longo do tempo. É considerada até hoje a época dourada do esporte brasileiro. Já se passaram 59 anos e a data de 31 de janeiro de 1959 será sempre lembrada. Dos 12 atletas campeões mundiais, apenas 5 estão vivos, saudades!

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Memórias do título mundial de basquete em 1959

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Quando o Brasil foi campeão mundial de basquete

Wlamir Marques

Ficha técnica do 3º Campeonato Mundial de Basquetebol Masculino

Período: 16/01/59 à 31/01/59

Local das finais:  (Estádio Nacional) - Santiago, Chile 

Locais da fase de classificação:  Antofagasta, Concepcion, Temuco e Valparaiso

(Classificados os 2 primeiros de cada grupo)

GRUPO A: Argentina, Egito, Taiwam, Estados Unidos

GRUPO B: Brasil, Canadá, México, União Soviética- (?)

GRUPO C: Bulgaria, Filipinas, Porto Rico, Uruguai

Detalhes: Brasil vence o Canadá, Canadá vence a União Soviética e o Brasil perde para a União Soviética. Saldo de pontos: Brasil em 1º lugar.

Jogos do Brasil

Brasil 69 x 52 Canadá

Brasil 64 x 73 União Soviética

Brasil 78 x 50 México

Fase Final: Santiago (Estádio Nacional do Chile)

Brasil 94 x 76 Taiwan

Brasil 62 x 53 Bulgária

Brasil 63 x 66 União Soviética.(?)

Brasil 99 x 71 Porto Rico

Brasil 91 x 67 Estados Unidos

Brasil 73 x 49 Chile

(Convem destacar que por questões politicas a União Soviética e a Bulgaria negaram-se a jogar contra Taiwan e com isso não ganharam pontos)

Classificação final

1º - Brasil

2º - Estados Unidos

3º - Chile

4º - Taiwan

5º - Porto Rico

6º - União Soviética 

7º - Bulgaria

8º - Filipinas

9º - Uruguai

10º- Argentina

11º- Egito

12º- Canadá

13º- México

Seleção Brasileira: Técnico: Kanela  Assistente-técnico: João Francisco Braz.

Jogadores:

Algodão - Amaury Pasos - Edson Bispo - Waldemar - Pecente - Jatir - Rosa Branca - Waldir Boccardo - Fernando - Zézinho - Otto Nobrega - Wlamir Marques.

Cestinha da competição: Wlamir Marques com 149 pontos. Também eleito pela crônica especializada do jornalismo nacional e internacional como o melhor jogador do Campeonato Mundial - Aos 21 anos de idade me senti muito orgulhoso com todas as menções e referências.

Ficamos hospedados no Hotel Carrera junto com todas as delegações. A competição foi realizada em uma das ferraduras do Estádio Nacional do Chile (Estádio de Futebol) com capacidade para 30 mil pessoas. Não choveu e o publico pode assistir um espetácular campeonato mundial.

Agradecemos muito o apoio do povo chileno torcendo para o Brasil em todos os jogos, com exceção é claro, no jogo final contra o Chile. Voltamos para o Brasil via Buenos Aires, enquanto no aeroporto de Congonhas em São Paulo um grande público nos aguardava.

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Quando o Brasil foi campeão mundial de basquete

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Preparação para o 3º Campeonato Mundial - 1959

Wlamir Marques
Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br

Wlamir Marques durante jogo da seleção brasileira na década de 1950
Wlamir Marques durante jogo da seleção brasileira na década de 1950 Gazeta Press

ANO DE: 1959
LOCAL DA COMPETIÇÃO: Santiago do Chile
FINAL DA PREPARAÇÃO: Rio de Janeiro

Depois de um longo período de concentração, passando por Águas de São Pedro, Ilha das Enxadas e Volta Redonda, retornamos à cidade do Rio de Janeiro para os ultimos treinamentos. Como sempre acontecia, o Hotel Paissandú era o nosso ponto de encontro.

Saímos do ano de 1958 para entrar em Janeiro de 1959, mês da realização do campeonato mundial. Já com a equipe definida e contando com 12 jogadores super treinados, só nos restava seguirmos para o Chile à fim de disputarmos um jogo amistoso contra a seleção chilena. 

O amistoso foi realizado na cidade de Santiago em um ginásio com lotação reduzida. Naqueles tempos a cidade não possuia ginásios à altura para os grandes eventos esportivos e, àquele que seria utilizado para o mundial não ficou pronto à tempo. Um bom publico compareceu ao evento.

O país todo mobilizou-se para sediar um campeonato mundial realizado em suas terras, ao mesmo tempo que o basquetebol chileno possuia um forte reconhecimento internacional adquirido ao redor dos tempos. Os jornais sempre traziam em letras garrafais noticias do evento.

Enfim, saímos do Rio de Janeiro com destino à Santiago. Viajamos pela Panair, uma compania aérea brasileira com rotas internacionais. Ficamos hospedados no maravilhoso Hotel Carrera, hoje séde do Ministério do Turismo chileno. Um maravilhoso hotel que nos deixou saudades.

Shaquille O'Neal: 'Nunca haverá outra dupla como Kobe e eu'

Jogamos o amistoso programado e vencemos com uma certa facilidade. Não encontramos na equipe chilena uma grande resistência. Ficamos mais alguns dias treinando em Santiago aguardando a nossa ida para a cidade de Temuco, onde disputaríamos a fase de classificação.

Viajamos de avião para Temuco e fomos surpreendidos com a pista de pouso do aeroporto feita de grama. Lá chegando havia um grande público nos aguardando. Liberadas as bagagens, saímos de onibus em direção à cidade. Carros à nossa frente buzinavam anunciando a nossa chegada.

Em Temuco ficamos hospedados no Hotel De la Frontera, o melhor da cidade, junto com as outras 3 seleções pertencentes ao nosso grupo. A competição foi disputada em um ginásio de porte médio do Colégio La Salle. Temuco era uma pequena cidade interiorana mas com grande calor humano.

Chegamos na cidade 2 dias antes do 1º jogo. Tempo suficiente para nos adaptarmos à quadra e ao clima da região. Estavamos no verão e a cidade possuia um clima ameno em função de estar próxima da Cordilheira dos Andes. Fizemos os ultimos ajustes e estavamos prontos para o 1º jogo.

 

 

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Preparação para o 3º Campeonato Mundial - 1959

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Preparação para o 3º Campeonato Mundial: Dia da fuga da concentração

Wlamir Marques
Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br

Wlamir oriente time mirim do Corinthians
Wlamir oriente time mirim do Corinthians GazetaPress

ANO: 1958

LOCAL DA COMPETIÇÃO: Santiago, Chile

CONCENTRAÇÃO E TREINAMENTOS: Ilha das Enxadas (Rio de Janeiro)

Depois de um longo período confinados na Ilha das Enxadas, fomos para uma nova fase de treinamentos na cidade de Volta Redonda à convite da prefeitura local. Como já disse anteriormente, saímos dos beliches indo diretos para um hotel, simples mas aconchegante.

Essa foi uma fase de aprimoramento tático, prevalecendo também os trabalhos físicos e técnicos, dando maior ênfase aos coletivos. Ali já estavamos praticamente prontos para a disputa do mundial, mas o preciosismo do técnico Kanela exigia sempre mais e mais. 

Próximo do Natal, eu estava ansioso pelo nascimento do meu 1º filho. Naquele tempo eu residia em Piracicaba, e todos seriam dispensados para o Natal no dia 23/12/58.  Sendo assim, perguntei ao Kanela se eu poderia ser dispensado 2 dias antes para o nascimento do meu filho?

De pronto recebi um não. Ele não autorizava eu deixar os treinamentos. Argumentei sobre a minha vontade, mas sem sucesso. Ele se negava a aceitar meu pedido. Isso aconteceu no dia 20/12. Fui para Piracicaba mesmo assim. No dia 21/12 de madrugada abandonei a concentração.

De táxi fui para a rodoviária e peguei um ônibus com destino à capital paulista. Lá, subi em outro ônibus com destino à Piracicaba. Cheguei na cidade por volta das 10 horas da manhã. Estava muito feliz com a minha iniciativa, embora reconhecesse ter cometido um grave erro. 

No dia seguinte cedo, o técnico viu que eu não estava presente no café da manhã e perguntou onde eu estava? O Amaury, meu companheiro de quarto disse que eu tinha ido para Piracicaba naquela madrugada. No mesmo instante fui dispensado da seleção; nada mais justo.

Pois bem, na madrugada do dia 22/12 nasceu o Junior, era mais ou menos a data esperada, daí se justificando o meu pedido de dispensa. Já sabendo que tinha sido dispensado da seleção brasileira, passei o Natal ao lado da minha esposa e do meu filho, era o que eu mais queria, estava muito feliz.

No dia 25/12, recebi um telefonema da CBB dizendo que o Kanela havia reconsiderado sua decisão, pedindo que eu voltasse aos treinamentos no dia 26/12 no Rio de Janeiro. Fiquei muito feliz com a noticia, sabendo que a minha atitude foi de pura insubordinação, mas repetiria tudo de novo.

No dia 26/12 lá estava eu novamente ao lado dos meus companheiros. O mais interessante é que eu e o Kanela não tocamos no assunto. Treinei normalmente como sempre fiz, sem problemas. Ali o mais importante era a seleção brasileira, "Campeã Mundial" pela 1ª vez em sua história.

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Preparação para o 3º Campeonato Mundial: Dia da fuga da concentração

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Preparação para o 3º Campeonato Mundial

Wlamir Marques
Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br
Wlamir oriente time mirim do Corinthians
Wlamir oriente time mirim do Corinthians GazetaPress

ANO: 1958

LOCAL DA COMPETIÇÃO: Santiago, Chile

CONCENTRAÇÃO E TREINAMENTOS: Ilha das Enxadas (Rio de Janeiro)

Aqui eu abro um capitulo todo especial para descrever a importância da Ilha das Enxadas na preparação e na conquista do 1º titulo mundial da seleção brasileira de basquetebol masculino em 1959. Local excêntrico e nada imaginavel nos dias de hoje para uma concentração atlética.

Situada no meio na baia da Guanabara, pertencendo à marinha e sendo utilizada como escola de aprendizagem para marinheiros. Ali ficamos um longo tempo, vivendo ao som de todas as ordens e exigências próprias de um ambiente rigidamente militar. 

Como já foi dito anteriormente, ficamos alojados em um único espaço, com varios beliches nos servindo de dormitório e, ao lado de um ginásio de esportes muito bem cuidado, que nos servia de preparação fisica, técnica e tática, como também, para o melhor alcance dos nossos objetivos.

Nossas refeições eram feitas nas dependências dos oficiais, ou seja, uma alimentação mais propicia aos atletas submetidos aos árduos treinamentos duas vezes ao dia. Das 09:00 às 11:00 horas treinamentos técnicos e, à tarde, das 16:00 às 18:00 horas, coletivo.

A ilha era servida de lanchas que executavam em horários definidos a ida para o continente e vice versa. Folga só tinhamos aos domingos e mesmo assim com hora de saída e chegada. O pouco tempo que nos restava era o suficiente para pegarmos uma condução e passearmos em Copacabana.

Muitas vezes eu abria mão das saídas, o cansaço dos treinamentos me obrigavam a tirar o domingo para descansar, ou gozar de algumas regalias que a escola nos oferecia, pois na 2ª feira cêdo a rotina recomeçava. Calculo que ficamos ali concentrados 40 dias sem reclamações.

Shaquille O'Neal: 'Nunca haverá outra dupla como Kobe e eu'

No ano de 1958 eu já estava com 21 anos, casado e perto de ser pai. Mas essa é uma história à parte que contarei mais tarde. Naqueles tempos era muito difícil a comunicação entre as pessoas, quando os telefonemas, também de difícil acesso, era a única forma de contato.

Terminando o périodo de treinamento na Ilha da Enxadas, continuamos os nossos trabalhos na cidade de Volta Redonda à convite da prefeitura local. Ainda faltava mais ou menos um mês para o inicio da competição, e não podiamos paralisar os nossos treinamentos.

Em Volta Redonda já ficamos alojados em hotel. Ali realizamos a penultima etapa da preparação. Nesse tempo a seleção já estava apta e pronta para disputar mais uma vez  um campeonato mundial. Em Volta Redonda houve um triste episódio entre eu e o técnico Kanela que contarei a seguir.

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Preparação para o 3º Campeonato Mundial

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Preparação para o 3º Campeonato Mundial, 1958, em Santiago, no Chile

Wlamir Marques
Wlamir Marques, para o ESPN.com.br

No ano de 1958, o basquetebol masculino do Brasil deu inicio às grandes conquistas. Vencer o campeonato sul-americano no Chile, após 13 anos sem títulos, trouxe um novo estímulo ao grande trabalho de renovação no país.

São Paulo mostrava a sua força, produzindo novos jogadores para as nossas seleções nacionais. Muitos jogadores ainda jovens, sempre dispostos a participar dos longos treinamentos implantados pelo atual técnico Kanela. Como já foi dito, eu estava recém casado, com 21 anos, funcionário público federal, e quase veterano defendendo a seleção brasileira.

Fui convocado pela 7ª vez e sempre disposto a vestir a honrosa camiseta verde e amarela. A 1ª fase dos nossos treinamentos teve o seu inicio em Águas de São Pedro-SP, a partir de agosto de 1958. Foram convocados 35 jogadores. Infelizmente, por motivo de trabalho, não pude participar dessa 1ª fase. Por ser funcionário publico federal e, prestando serviços no Correio de Piracicaba, só podia me ausentar com a devida licença, sempre demorada, me afastando imperiosamente do inicio de todos os nossos treinamentos.

Com a aquiescência do técnico e da CBB, apenas me apresentei para a 2ª fase, marcada para a cidade do Rio de Janeiro. Os treinamentos em Águas de São Pedro duraram 10 dias, e ali foram realizados os primeiros cortes. O mundial estava previsto para ser disputado em novembro de 1958, mas por atraso na construção do seu ginásio, ele foi transferido para janeiro de 1959.

Resultado: O mundial foi disputado no Estádio Nacional do Chile. Pra quem não sabe ou não se lembra, o Estádio Nacional do Chile é um lindo estádio de futebol, cedendo espaço em sua ferradura para a construção de uma quadra. Era uma quadra aberta, com capacidade para 30 mil pessoas.

Com o adiamento do mundial, continuamos os treinamentos na cidade do Rio de Janeiro, especificamente alojados na Ilha das Enxadas, situada na Baia da Guanabara, onde funciona uma importante escola da marinha. Utilizávamos as suas dependências esportivas, inclusive seu ótimo ginásio, que nos servia de preparação. Dormíamos em beliches, e as refeições eram feitas no refeitório dos oficiais. Ficamos ali por um mês, ou um pouco mais.

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Preparação para o 3º Campeonato Mundial, 1958, em Santiago, no Chile

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17º CAMPEONATO SUL-AMERICANO DE BASQUETEBOL MASCULINO

Wlamir Marques
Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br

Wlamir Marques durante jogo da seleção brasileira na década de 1950
Wlamir Marques durante jogo da seleção brasileira na década de 1950 Gazeta Press

ANO: 1958

CIDADE: Santiago do Chile

LOCAL DA DISPUTA: Estádio Sta. Laura (de futebol)

DATA: 24/01 a 11/02/1958 

Terminado o campeonato brasileiro de seleções estaduais em Porto Alegre, o técnico Kanela convocou 11 jogadores para a disputa de um campeonato sul-americano a ser realizado em Santiago do Chile. 

Convêm dizer que o Brasil não ganhava um sulamericano desde o ano de  1945. Com a seleção renovada, a expectativa pela conquista do título era enorme, ou seja:  Quebrar a hegemonia do Uruguai e Argentina.

Saímos de Porto Alegre indo diretos para o Rio de Janeiro. Ali fariamos em tempo curto a nossa preparação.  A base dessa seleção era paulista. Continuei também a minha lua de mel com total anuência da CBB. 

Viajamos juntos com os atletas e, à exemplo de Porto Alegre ficamos hospedados no mesmo hotel da delegação (Hotel Lehner). Era um hotel simples mas aconchegante situado na Praça das Armas em Santiago.

Naqueles tempos a cidade de Santiago não possuía quadras fechadas para grandes públicos. O sul-americano foi disputado em um estádio de futebol (Sta. Laura), com uma quadra improvisada em sua ferradura.

Veja lances do fenômeno de 18 anos do Real Madrid que é promessa da NBA

Países participantes: 08

1- Brasil
2- Uruguai 
3- Argentina
4- Paraguai
5- Chile
6- Colômbia
7- Peru
8- Equador

JOGOS REALIZADOS PELO BRASIL: 06

RESULTADOS: 

Brasil 92 x 65 Peru

Brasil 91 x 65 Colômbia

Brasil 84 x 67 Argentina

Brasil 89 x 52 Equador

Brasil 66 x 56 Uruguai

Brasil 68 x 52 Paraguai

Shaquille O'Neal: 'Nunca haverá outra dupla como Kobe e eu'

CLASSIFICAÇÃO FINAL: 

1º- Brasil

2º- Uruguai

3º- Paraguai

4º- Argentina

5º- Chile

6º- Colombia

7º- Peru

8º- Equador

Torna-se importante dizer que essa seleção brasileira serviu de base para a conquista do 1º campeonato mundial vencido pelo Brasil em janeiro de 1959, também disputado em Temuco e Santiago do Chile.

SELEÇÃO BRASILEIRA:

Algodão- Amaury Pasos- Edson Bispo- Waldemar Blatskauskas- Jatir- Fernando- Coqueiro- Waldir Broccado- Rosa Branca- Zézinho- Wlamir Marques. 

 

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17º CAMPEONATO SUL-AMERICANO DE BASQUETEBOL MASCULINO

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1957 - O ano da graça, o ano do meu casamento

Wlamir Marques
Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br
Wlamir recebe troféu sob os olhares do presidente Wadih Helu
Wlamir recebe troféu sob os olhares do presidente Wadih Helu Arquivo Corinthians

CAMPEONATOS BRASILEIRO E SULAMERICANO

Parece muito estranho eu estar escrevendo sobre histórias do basquetebol e de repente consumir meu tempo falando sobre o meu casamento. Mas tem tudo à ver, minha lua de mel foi quase toda dentro de uma quadra. 

Casei no dia 28 de Dezembro de 1957 na cidade de Piracicaba. Minha esposa era piracicabana e, por lá joguei durante 9 anos (1953/1962). Era funcionário público federal, trabalhava nos correios, além de jogar, é claro.

Casei e logo após as bodas viajamos para São Paulo e fui para São Vicente passar o reveillon junto à minha família, pois logo nos primeiros dias de Janeiro de 1958 iria para Porto Alegre disputar um campeonato brasileiro.

Com a minha esposa Cecilia à tira colo,  defendi a seleção paulista em mais uma conquista nacional. Alí conquistamos o bi campeonato brasileiro de seleções estaduais. Não existiam os campeonatos brasileiros de clubes.

Como sempre acontecia, o adversário mais difícil era sempre contra o Distrito Federal, ou seja, contra o Rio de Janeiro. Brasilia ainda não existia. Fomos campeões em 1955 no Recife, e defendemos o bi em Porto Alegre.

Wlamir Marques, 80 anos: veja a homenagem a um dos maiores nomes da história do basquete mundial

Fui convocado pela FPB mas condicionei a minha ida desde que eu pudesse levar a minha esposa. Aceita a condição, pegamos um avião e fomos para Porto Alegre. Chegando, fomos hospedados no mesmo hotel da delegação.

Naqueles tempos São Paulo dava início a uma hegêmonia que durou muitos anos no cenário do basquetebol brasileiro. A seleção brasileira era quase toda formada por jogadores da seleção paulista, salvo algumas exceções.

Mais uma vez disputamos o jogo final contra o Rio de Janeiro e trouxemos para São Paulo mais um galardão. À exemplo do futebol, os campeonatos brasileiros eram muito importantes, ali representavamos o nosso estado.

Logo após essa conquista, o técnico Kanela fez uma convocação da seleção brasileira para a disputa de um campeonato sulamericano a ser disputado em Santiago do Chile. Isso aconteceu em Janeiro de 1958, e lá fomos nos.

Ao ser convocado, impus a mesma condição à CBB. Só iria se pudesse levar a minha esposa junto. Sendo mais uma vez aceita a proposta, prolonguei a minha lua de mel no Chile. Essa é a importância ao escrever esse texto.

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1957 - O ano da graça, o ano do meu casamento

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Ginásio Poliesportivo do Ibirapuera: inauguração e estreia

Wlamir Marques
Wlamir Marques, do ESPN.com.br

Wlamir Marques é homenageado pelo Corinthians
Wlamir Marques é homenageado pelo Corinthians Reprodução ESPN


Antes da inauguração do Ginásio do Ibirapuera, a cidade de São Paulo não possuía ginásios à altura para receber um grande numero de espectadores. O mais utilizado era o Ginásio do Pacaembu, mas com capacidade reduzida.

Os clubes também eram carentes em quadras esportivas cobertas, havendo  algumas exceções, mas todas com tamanhos reduzidos. No interior haviam ginásios maiores, sempre criados em função dos Jogos Abertos do Interior.

Com a inauguração do Ibirapuera, a cidade passou a contar com um grande espaço para as competições e eventos internacionais. A sua inauguração ocorreu no dia 25/01/57, dia do 403º aniversário da cidade de São Paulo.

Com a presença do governador Jânio Quadros, o Ginásio do Ibirapuera foi inaugurado com um jogo de basquete entre a Seleção Paulista e a Argentina, que terminou com a vitória por 81 a 77. Tive a honra de participar desse evento com o ginásio lotado.

Em seguida, o ginásio recebeu o nome do grande narrador esportivo do rádio e mais tarde da televisão, Geraldo José de Almeida. Lembro muito bem de vê-lo narrando vários jogos de basquetebol, além de outras modalidades.

Loucos por Futebol: craques com a bola nos pés...e nas mãos

A partir de 1957, a cidade de São Paulo passou a promover grandes eventos esportivos e shows variados, sempre com grande presença de público. Ali sempre eram jogadas as finais dos grandes campeonatos de basquetebol.

Foi uma pena o acidente ocorrido em 1954, quando a cúpula do ginásio desabou e o mundial foi transferido para o Maracanãzinho. Com certeza teríamos uma grande presença de publico torcendo pelas nossas cores.

Durante esse tempo, o Ibirapuera sediou 2 campeonatos mundiais de basquete feminino e lutas de boxe do Éder Jofre na defesa dos títulos mundiais.  Em 1963 foi palco do basquetebol para os Jogos Panamericanos. 

Posso dizer com certeza que com a chegada do Ibirapuera deu-se o grande impulso esportivo que o Brasil tanto ansiava. O basquete brasileiro possuía a sua casa em São Paulo e o Ibirapuera era a nossa vitrine.

Com a queda do basquete no país, perdemos o privilégio de utilizar mais vezes esse maravilhoso ginásio. Mas há esperanças no futuro. Precisamos fazer com que o esporte volte às suas origens e o Ibirapuera é a nossa casa!

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Ginásio Poliesportivo do Ibirapuera: inauguração e estreia

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Ginásio do Ibirapuera: uma história a ser contada

Wlamir Marques
Wlamir Marques, do ESPN.com.br
Wlamir Marques durante programa
Wlamir Marques durante programa Reprodução ESPN

O 1º Campeonato Mundial de basquete masculino foi disputado no ano de 1950 em Buenos Aires na Argentina. O ginásio Luna Park serviu de palco para a realização do grande evento. O título foi conquistado pela Argentina.

O Brasil participou do mundial alcançando a 4ª colocação, ficando atrás de Argentina, Estados Unidos e Chile.  Disputado a cada 4 anos, a cidade de São Paulo foi eleita para sediar o 2º Campeonato Mundial em 1954.

O motivo da escolha vinha da necessidade de homenagear a cidade de São Paulo pelo 4º centenário da sua fundação (1554). Naquele tempo, a cidade de São Paulo não possuía locais que sediassem grandes eventos esportivos.

Sendo assim, o Governo do Estado de São Paulo decidiu construir um local que aceitasse um grande público, dando início à construção de um ginásio a ser inaugurado durante à abertura de um grande evento de nível mundial.

Wlamir Marques, 80 anos: veja a homenagem a um dos maiores nomes da história do basquete mundial

Durante à sua construção, a seleção brasileira se preparava na cidade do Rio de Janeiro. Faltando um mês para o início da competição, um grave acidente nas obras exigiu a substituição de São Paulo pelo Rio de Janeiro.

Já na parte final das obras do ginásio do Ibirapuera, a cúpula de cobertura desabou, não dando tempo aos construtores de refazer os estragos causados pelo acidente.

Estávamos prontos para terminar os nossos treinamentos no Rio de Janeiro e seguirmos para São Paulo para os aprontos finais. Com a notícia. a CBB optou pela realização do mundial no Maracanãzinho ainda em obras.

Continuamos os treinamentos no Rio, esperando que o Maracanãzinho tivesse um minímo de condições para a realização dos jogos. Ainda semi-pronto e com uma quadra improvisada, deu-se o início da competição.

O público acomodou-se como pode. Um ginásio inacabado, cheio de pregos e madeiras espalhados pelo chão e com acomodações precárias. O local ainda sem acabamento abrigava um grande público à cada jogo do Brasil.

Nesse mundial conquistamos o título de vice campeões do mundo, sendo derrotados na final para os Estados Unidos, e fui titular absoluto da seleção aos 17 anos. O Ginásio do Ibirapuera finalmente foi inaugurado em 1957.

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Ginásio do Ibirapuera: uma história a ser contada

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16ª Jogos Olímpicos de Melbourne, na Austrália - 1956

Wlamir Marques

Os Estados Unidos levaram para Melbourne uma equipe muito poderosa, composta de ótimos jogadores universitários que, mais tarde se tornaram nomes famosos jogando no basquetebol profissional da liga NBA.

O seu grande jogador foi o Bill Russel, considerado um dos melhores pivós  do basquetebol norte americano em todos os tempos. Com 2,18 metros, muito agil e com altissíma capacidade técnica: quase impossível marca-lo. 

A participação da seleção brasileira foi regular. Alcançou a 6ª colocação considerada dentro da  normalidade. Ainda em renovação, alguns nomes foram substituídos, motivando o surgimento de outros grandes jogadores. 

16º JOGOS OLÍMPICOS DE MELBOURNE/AUSTRÁLIA

PERIODO: 22/11/56 à 08/12/56
NUMERO DE PARTICIPANTES: 3314 atletas ( com 376 mulheres)
NAÇÕES PARTICIPANTES: 72 países
SELEÇÕES DE BASQUETEBOL: 15 países

GRUPO A- Estados Unidos- Filipinas-Japão- Tailândia
GRUPO B- França- União Soviética- Canadá- Singapura
GRUPO C- Uruguay- Bulgaria- Rep. da China- Coréia do Sul
GRUPO D- Brasil- Chile- Austrália

JOGOS DO BRASIL:
Brasil 78 x 59 Chile
Brasil 89 x 66 Austrália
Brasil 68 x 87 União Soviética
Brasil 51 x 113 Estados Unidos
Brasil 73 x 82 Bulgaria
Brasil 89 x 64 Chile
Brasil 52 x 64 Bulgaria

CLASSIFICAÇÃO FINAL:
1º Estados Unidos
2º União Soviética
3º Uruguai
4º França
5º Bulgaria
6º Brasil
7º Filipinas
8º Chile
9º Canadá
10º Japão
11º Rep. da China
12º Austrália
13º Cingapura
14º Coréia do Sul
15º Tailândia

SELEÇÃO BRASILEIRA:  Algodão- Amaury Pasos- Edson Bispo- Mayr Facci- Zé Luiz- Nelsinho-Bombarda- Wlamir Marques e outros.

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16ª Jogos Olímpicos de Melbourne, na Austrália - 1956

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16ª Jogos Olímpicos de Melbourne, na Austrália - 1956 - Recepção e Vila Olímpica

Wlamir Marques
Wlamir Marques, do ESPN.com.br

Wlamir Marques durante jogo da seleção brasileira na década de 1950
Wlamir Marques durante jogo da seleção brasileira na década de 1950 Gazeta Press

No texto anterior eu disse que não demos muita importância à recepção que nos foi prestada em nossa chegada à Melbourne. Não era pra menos, foram 7 dias de viagem até o destino final, estavamos muito cansados.

Naquele dia e quase no mesmo horário, outras delegações também chegavam e o aeroporto estava muito movimentado. Muita gente dando boas vindas às delegações. Momentos festivos, ali o mundo se reunia.

Do aeroporto fomos levados de ônibus até a Vila Olímpica. Era a minha 1ª participação e tudo me parecia um sonho, não perdia um detalhe, era a consagração de um atleta muito jovem, contando apenas com 19 anos.

Chegamos à vila e fomos recebidos pelo povo que fazia uma espécie de plantão, saudando todas as delegações. Enfim, depois de passarmos pela identificação, fomos levados para o nosso alojamento; casas do exercito.

A vila ólímpica era composta de casas do exercito australiano servindo de moradia para as delegações. As casas eram assobradadas. Eu e o Amauri Pasos ficamos alojados no piso superior. Ao lado, o Eder Jofre e seu pai.

Chegamos à tardinha, quase noite, e saímos para jantar no restaurante destinado ao nosso tipo de alimentação. Assim eram os jogos olímpicos, para cada continente sempre havia um certo tipo de alimentação padrão.

Terminado o jantar, voltamos para os quartos e sem pensar muito nos atiramos nas camas, vindo acordar apenas no dia seguinte para o reinicio dos nossos treinamentos, afinal precisavamos recuperar o tempo perdido.

Tudo até ali corria perfeitamente bem, tudo era cronometrado, os horários eram fielmente cumpridos e nós sempre estavamos prontos para sermos levados às quadras de treinamentos. Pontualidade inglesa como herança.

No dia seguinte pela manhã, olhei pela janela do quarto e ví um homem correndo. Logicamente pensei ser um atleta praticando seu esporte. O mais estranho é que ao retornar do treino o homem continuava correndo.

Isso se repetia todos os dias, de manhã e à tarde. Curioso, perguntei quem era aquele homem que corria o dia todo e com cara de sofrimento. Me disseram que era um corredor checo, Emil Zatopek; nunca mais o esqueci.

Na olimpíada de Helsink em 1952, o Zatopek venceu os 5.000, os 10.000 mil metros e a maratona. Foi o único atleta a conseguir esse feito até hoje. Era chamado de "Locomotiva Humana". Em 1952 venceu a São Silvestre.

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16ª Jogos Olímpicos de Melbourne, na Austrália - 1956 - Recepção e Vila Olímpica

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16ª Jogos Olímpicos de Melbourne, na Austrália - 1956 - 7 dias de viagem para Melbourne

Wlamir Marques
Wlamir Marques, do ESPN.com.br
Wlamir recebe troféu sob os olhares do presidente Wadih Helu
Wlamir recebe troféu sob os olhares do presidente Wadih Helu Arquivo Corinthians


Tenho por hábito sempre relatar as nossas viagens para as grandes distâncias. Nos dias de hoje as viagens continentais são feitas em algumas horas, quando naqueles tempos demoravam uma eternidade.

Partimos de São Paulo em voo da Panam, empresa aérea dos EUA contando ainda com aviões movidos à hélice. A 1ª escala foi na cidade de Caracas/Venezuela e a 2ª aconteceu na cidade de Nova York/EUA.

Pernoitamos em Nova York para no dia seguinte pegarmos um novo voo com destino à cidade de São Francisco, na Califórnia. Outra viagem longa e cansativa, afinal era a travessia dos EUA de ponta a ponta, (leste/oeste).

Ali findava o 2º tempo da nossa viagem para Melbourne. Ficamos 3 dias em São Francisco aguardando uma conexão de voo para a Austrália. Era importante treinar, não podíamos ficar parados esperando o novo voo.

A chefia conseguiu encontrar uma quadra para nossos treinamentos em uma universidade e, pediu aos responsáveis que encontrassem um grupo de jogadores que nos servissem de sparring. Isso acabou virando disputa.

Loucos por Futebol: craques com a bola nos pés...e nas mãos

Todos eram ótimos jogadores contando com alguns ex profissionais. Nossos confrontos eram durissimos, nós querendo vencê-los e eles não querendo perder. Houve alguma vantagem para eles mas com equilibrio.

Enfim chegou o avião que nos levaria para a Austrália. Deixamos a bela cidade de São Francisco rumo à Honolulu, no Havaí. Descemos do avião e ainda na pista dançarinas do Hula Hula nos aguardavam para a dança.

Pernoitamos em Honolulu. Ficamos em um hotel em Waikiki Beach. No dia seguinte subimos de novo no avião que nos levaria para Figi, Canton e Samoa (Ilhas do Pacífico) e por fim Sidney. Até ali, 7 dias de viagem.

Descemos do avião em Sidney no período da manhã e, com viagem para Melbourne programada para à tarde. Deu tempo de sairmos para um giro pela cidade, foi quando eu pude conhecer a praia de Bond Beach.

À tarde voltamos para o aeroporto à fim de pegarmos um ultimo avião que nos levaria à Melbourne. Chegando na cidade olímpica um comitê de recepção nos aguardava. Cansados, pouca importância demos ao ato.

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16º Jogos Olímpicos de Melbourne, na Austrália - 1956 - Preparativos para os Jogos

Wlamir Marques
Wlamir Marques, do ESPN.com.br

Em Outubro de 1956, iniciamos os treinamentos na cidade de São Paulo. O local escolhido para a nossa concentração abrigou as dependências do DEFE, situado na Água Branca. Dormíamos em quartos coletivos com 4 beliches.

Treinávamos também no ginásio de esportes do centro esportivo e, dentro das necessidades, também em outras quadras. Eu, vindo de Piracicaba, me achava um estranho na cidade, portanto, os meus passeios foram poucos.


Lembro que próximo ao DEFE havia a famosa loja Sears, hoje transformada no West Plaza Shopping. Nossos passeios se restringiam às proximidades. A Sears era uma atração. Ali vivemos ótimos momentos, era total novidade.

Naquele tempo eu ainda era solteiro, com 19 anos e prestando o serviço militar no Tiro de Guerra 36 em Piracicaba. Também foi o inicio de namoro com a minha futura esposa Cecilia. Tempo romântico das cartas amorosas.

Lembro também que passamos alguns dias em treinamentos na cidade de Atibaia, no interior paulista. Especificamente em um belo hotel fazenda com cavalos e outras regalias. Nas horas de folga, andávamos muito a cavalo.

Um certo domingo andei exageradamente, tanto assim que, na 2ª feira, não consegui treinar. As minhas ancas padeciam de tanta dor. Tive que dar um tempo para a recuperação. Nunca mais pude repetir essa façanha. 

O nosso técnico dessa vez foi o paulista: Mario Amâncio Duarte. Naquele tempo era técnico do São Carlos Clube. Vindo daí o principal motivo dos nossos treinamentos serem realizados na capital paulista. Novas filosofias.

Treinávamos duas vezes ao dia e, como sempre, com disputas de vagas. Eu possuía a minha vaga garantida, estava consolidada a minha participação olímpica. Fui dispensado do serviço militar, vindo a terminá-lo no regresso.

Voltando de Melbourne, tive que prestar o juramento à bandeira em São Paulo nas dependências da 2ª região militar. Fui aprovado nos exames e passei a ser reservista de 2ª categoria. Estávamos prontos para a viagem.

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16º Jogos Olímpicos de Melbourne, na Austrália - 1956

Wlamir Marques
Wlamir Marques, do ESPN.com.br
Wlamir orienta time mirim do Corinthians
Wlamir orienta time mirim do Corinthians GazetaPress

COMEÇO PIRACICABANO (1955)

XV DE NOVEMBRO DE PIRACICABA

Terminado o Campeonato Sulamericano de 1955 em Cucuta/Colômbia, a seleção brasileira de basquetebol masculina deu uma parada em suas atividades. Nesse tempo passei a me dedicar à seleção piracicabana.

No mês de Setembro de 1955 disputamos os Jogos Abertos do Interior, motivo principal da minha ida para a cidade de Piracicaba que sediava o evento. Trouxemos o título para a cidade, o 1º em toda sua história.

Em consequência do sucesso pela nossa conquista, a cidade decidiu pela manutenção da equipe, trazendo o nome do XV de Novembro às nossas camisetas, famoso no Estado pela sua equipe de futebol profissional.

Com isso passamos a lotar o ginásio de esportes da cidade, construído naquele ano para os Jogos Abertos do Interior. Novos jogadores foram  contratados e o XV passou a ser uma das equipes mais fortes do Brasil.

Wlamir Marques, 80 anos: veja a homenagem a um dos maiores nomes da história do basquete mundial

Naqueles tempos não existiam os campeonatos estaduais como existem nos dias de hoje. Havia o campeonato do interior e o campeonato da grande São Paulo, chamado de Metropolitano. Dali saíam 2 vencedores.  

No final do ano, o campeão do interior enfrentava o campeão da capital em melhor de 3 jogos. A fama do XV correu rápido pelo Brasil e com isso, eramos convidados para jogos amistosos em várias cidades do país.

Como já foi dito, a seleção brasileira estava parada e só voltou às suas atividades por ocasião da preparação para os 16º Jogos Olímpicos de Melbourne/Austrália em 1956. A minha expectativa era muito grande.

Pois seria a minha 1ª participação olímpica. Em Setembro de 1956 saiu a convocação dos atletas e o meu nome fazia parte da lista. Nesse ano eu prestava o serviço militar brasileiro no Tiro de Guerra 36 em Piracicaba.

Estava com 19 anos e quase veterano de seleção brasileira. Essa foi a minha 5ª convocação e, sempre muito orgulhoso em poder defender mais uma vez o Brasil. Em Outubro iniciamos os treinos em São Paulo.

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16º Jogos Olímpicos de Melbourne, na Austrália - 1956

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16º Campeonato Sul-Americano de Basquete Masculino

Wlamir Marques
Wlamir Marques, do ESPN.com.br

Wlamir Marques durante homenagem
Wlamir Marques durante homenagem ESPN

LOCAL: Cúcuta/Colômbia

DATA: 13 à 31/08/1955

ANO: 1955

Terminado os Jogos Pan-Americanos do México, tivemos uma pequena pausa nas atividades da seleção brasileira. No mês de Julho voltamos a nos encontrar para novos treinamentos na cidade do Rio de Janeiro.

Houve uma nova convocação para o Campeonato Sul-Americano contando com novos jogadores, mas com a presença de alguns mais experientes. Era a minha 4ª participação aos 18 anos e já com boa experiencia internacional. 

Esse campeonato Sul-Americano foi disputado de forma simultânea com o 1º campeonato Sul-Americano juvenil. Eu tinha idade para disputar o juvenil, mas a CBB e o técnico optaram pela minha presença na seleção adulta.

Para essa competição a CBB indicou para nosso técnico um ex medalhista e atleta olímpico de 1948, Sr. Ruy de Freitas e, o Cel. José Simões Henriques para a seleção juvenil. Se pudesse eu disputaria os dois, mas fui impedido.

Wlamir Marques, 80 anos: veja a homenagem a um dos maiores nomes da história do basquete mundial


Dessa vez os nossos treinamentos foram realizados em período mais curto, quando mais uma vez ficamos concentrados no Hotel Paisandú. Ate então eu fui dirigido por 3 técnicos na seleção, cada qual com ideias diferentes.

Como podem observar, as seleções não eram permanentes, sempre alguns nomes despontavam no cenário nacional e sempre eram chamados para os treinamentos. A partir dali é que começamos a despontar mundialmente. 

Ao final dos treinamentos a nossa viagem foi programada à partir do Rio de Janeiro com destino à Lima/Peru com a Varig. De Lima para Bogotá com a Avianca. Pernoitamos em Bogotá para no dia seguinte seguirmos para Cúcuta.

Ginásio do Parque São Jorge será renomeado para homenagear Wlamir Marques


Foi uma viagem muito cansativa com aviões ainda movidos à hélices. Mais tarde vieram os jatos. Chegando em Cúcuta fomos alojados em um hospital desativado junto com todas as delegações. As camas eram todas dobráveis.

Nos alimentávamos nas dependências do hospital, estranhando como sempre os exagerados temperos típicos da região. Pouco saíamos para os passeios, algumas vezes íamos à San Cristóbal, na divisa com a Venezuela.

16º CAMPEONATO SUL-AMERICANO MASCULINO

1- Brasil- 2- Chile- 3- Colômbia- 4- Equador- 5- Paraguai- 6- Argentina- 7- Uruguai- 8- Peru- 9 Venezuela.

RESULTADOS DO BRASIL: 

Brasil 42 x 38 Chile
Brasil 84 x 60 Colômbia
Brasil 57 x 40 Equador
Brasil 43 x 50 Paraguai
Brasil 63 x 45 Argentina
Brasil 48 x 61 Uruguai
Brasil 74 x 55 Peru
Brasil 86 x 41 Venezuela

CLASSIFICAÇÃO FINAL:

1º- Uruguai
2º- Paraguai
3º- Brasil
4º- Argentina
5º- Peru
6º- Chile
7º- Equador
8º- Colômbia
9º- Venezuela

SELEÇÃO BRASILEIRA:

Almir (Fluminense)- 25 pontos
Angelim (Corinthians)- 42 pontos
Arnaldo (Fluminense)- 04 pontos
Peninha (Corinthians)- 16 pontos
Gedeão (Flamengo)- 75 pontos
Olivieri (Pinheiros)- 57 pontos
Zézinho (Tijuca)- 07 pontos
Otto Nobrega (Flamengo)- 19 pontos
Pecente (Piracicaba)- 27 pontos
Vinagre (Tijuca)- 17 pontos
Algodão- (Flamengo)- 84 pontos
Wlamir (Piracicaba)- 124 pontos. 

Apesar do 3º lugar, a partir dali o Brasil passou a dominar o basquetebol na América do Sul. Em 1958, o Sul-Americano foi realizado em Santiago do Chile com o Brasil saindo campeão. Depois disputei mais 3 e vencemos todos. (1959)- Córdoba/Arg. (1961)- Rio de Janeiro- (1963)- Lima/Peru.

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16º Campeonato Sul-Americano de Basquete Masculino

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