VAR, preparação na quarentena, jogo marcante e dificuldades na carreira: entrevista com Raphael Claus

Renata Ruel
Renata Ruel
Raphael Claus apita Flamengo x Fortaleza, pelo Campeonato Brasileiro de 2019
Raphael Claus apita Flamengo x Fortaleza, pelo Campeonato Brasileiro de 2019 Gazeta Press

Raphael Claus está com 40 anos, é Educador Físico, proprietário do Estúdio RC Pilates e Assessoria de corrida RC Running e, atualmente, um dos principais árbitros do Brasil, da América do Sul e talvez se possa dizer do mundo, pois está na lista preparatória para o Mundial em 2022.

Em entrevista exclusiva, Claus falou um pouco sobre sua trajetória, sobre o VAR e até mesmo sobre jogadores “polêmicos”.

Renata Ruel: O que te levou a ser árbitro de futebol?

“O fato de ter vivenciado o futebol na família durante a vida toda, com meu pai, meu irmão e eu também quando jogava pesou muito, mas quem me convenceu a realizar o curso de árbitro foi meu grande amigo e árbitro CBF Vinicius Furlan.”

RR: Qual o seu maior objetivo dentro da arbitragem?

“Meus objetivos são diários, não gosto de pensar a longo prazo e sim no presente e no meu próximo jogo, meu próximo treino e assim vou construindo meu caminho.”

RR: Você está na lista para a Copa do Mundo de 2022. Como é a preparação do árbitro?

“Na verdade a lista está aberta, todos têm chances e está apenas no início do processo. Tem que se dedicar muito em todos os pilares (técnico, físico, mental e social) para poder aproveitar as oportunidades que tiver em todos os jogos e treinamentos.”

RR: Como está sendo a sua rotina nesse momento de isolamento social?

“Muito focado na família e na saúde não só minha, mas de todos, só assim passaremos por essa fase tão crítica e dura, pensando no coletivo e não no individual. Treino todos os dias fisicamente, mesmo que com espaço reduzido e também trabalhando a parte técnica e mental com os trabalhos online que a FPF, CBF e CONMEBOL têm realizado conosco.”

RR: O árbitro é um ser humano e vai cometer erros. Como você lida com isso quando comete um erro no jogo?

“É difícil, particularmente eu sofro por que não estou ali pra competir com ninguém, mas sim para aplicar a regra e a justiça e existem muitos profissionais envolvidos numa partida de futebol. Quando uma decisão infeliz sua compromete esse trabalho é triste. É importante também tirar lições e aprender com os erros para que não voltem a acontecer.”

RR: Quando atua em uma partida na qual há jogadores com fama de “cai cai" ou “maldoso", como você procura agir em relação a estes jogadores?

“Como disse anteriormente, não estamos ali para competir com os jogadores, e ter uma ação preventiva ou até mesmo educativa vale muito a pena. A maioria deles entende e assimila de forma positiva, afinal os jogadores são ídolos e espelhos para muitos jovens e crianças e isso reflete diretamente neles.”

RR: O que você acha do VAR? Como é trabalhar com a ferramenta tanto no campo quanto na cabine? O que acredita que precisa melhorar?

“Fundamental. Devido à velocidade do futebol, muitas coisas ficaram impossíveis de se ver a olho nu e a tecnologia pode corrigir uma injustiça que por falta de ângulo ou uma ilusão de ótica tenha se equivocado dentro do campo e que reflete em jogos que valem milhões para as equipes. Com o VAR fica mais justo, sem dúvidas.”

RR: Qual foi o jogo mais marcante até hoje que você atuou e qual foi o momento mais significativo na sua carreira até o momento?

“Acredito que a semifinal da Libertadores entre River e Boca Jrs foi um desses momentos, tanto que a Mirror o considera o maior clássico do mundo. Outro momento importante foi minha estreia com o escudo da FIFA em 2015, em um Palmeiras vs Corinthians no Allianz.”

RR: Quais as maiores dificuldades que o árbitro enfrenta na carreira?

“Acredito que no começo da carreira para conciliar sua profissão com a arbitragem, gera um desgaste no emprego, quando ainda a arbitragem não é sua principal fonte de renda.”

RR: Qual mensagem você gostaria de deixar para o árbitro que está iniciando a carreira ou para quem pretende se tornar um árbitro de futebol?

“Para se dedicar, pensar no seu objetivo e não no dos outros, buscar sempre se aperfeiçoar, sempre é possível evoluir por melhor que você seja, buscando sempre a excelência.”

RR: E para os torcedores, jornalistas, jogadores, treinadores, dirigentes, ou seja, para o público que ama e vive o futebol, você gostaria de passar alguma mensagem?

“Que quando nos ver dentro de campo, saiba que estamos nos esforçando ao máximo para acertar em todas as decisões e que quando acertamos ou erramos sejamos julgados como profissionais e com respeito.”

Fonte: Renata Ruel

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Lance 'apitoresco' de Palmeiras x Flamengo muda a regra do jogo

Renata Ruel
Renata Ruel
Leandro Vuaden conversa com jogadores de Palmeiras e Flamengo
Leandro Vuaden conversa com jogadores de Palmeiras e Flamengo Gazeta Press

Palmeiras e Flamengo é uma das maiores rivalidades do Brasil e isso não é recente, em função de brigas por títulos dos últimos anos.

Em julho de 2011, as duas equipes se enfrentavam no Pacaembu pelo Brasileirão e nos minutos finais um lance “apitoresco” ocorreu. O árbitro da partida, Leandro Vuaden, paralisou o jogo quando o lateral do Flamengo se machucou e precisou ser atendido pelos médicos.

A polêmica começou no momento do reinício do jogo com bola ao chão, onde Kleber “Gladiador” pegou a bola e saiu em direção à meta do Flamengo para tentar fazer o gol. A bola saiu pela linha de fundo e os jogadores do Flamengo foram para cima de Kleber para cobrar o Fair Play, a confusão já estava armada.


As regras podem mudar depois de alguns lances inusitados que ocorrem nos jogos. Por exemplo, vimos em matéria anterior, que após o massagista entrar em campo e impedir um gol do adversário na série D do Brasileiro, a regra mudou, pois até aquele momento o jogo seria reiniciado com bola ao chão. Ao avaliar a International Board decidiu punir lances do tipo com tiro livre direto ou penalidade se um oficial da partida interferir no jogo ao entrar em campo sem autorização.

O mesmo aconteceu depois desse lance do Kleber no jogo entre Palmeiras e Flamengo, se naquela jogada a bola entrasse seria gol na época, hoje não é mais. A polêmica foi tão grande que, novamente um lance que aconteceu no futebol brasileiro, fez a Board rever a regra do bola ao chão.

Atualmente a regra do bola ao chão diz:

“Se a bola entrar em uma meta sem tocar em pelo menos dois jogadores, o jogo reiniciará com:

• Um tiro de meta, se a bola entrar na meta adversária;

• Um tiro de canto, se a bola entrar na meta do jogador que tocou na bola.”

Ou seja, o futebol brasileiro com seus fatos “apitorescos” faz de tempo em tempo a regra do jogo mudar. Seria a falta de Fair Play a grande culpada de tudo isso?

Fonte: Renata Ruel

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Lance 'apitoresco' de Palmeiras x Flamengo muda a regra do jogo

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Primeira árbitra do mundo, brasileira Léa Campos passa necessidade e pede ajuda

Renata Ruel
Renata Ruel

A arbitragem feminina, assim como o futebol feminino, vem de uma história de luta, preconceito, determinação. Não se pode falar de mulher na arbitragem sem citar Asaléa de Campos Fornero Medina, conhecida historicamente por “Léa Campos”. Ela simplesmente foi a primeira mulher reconhecida pela FIFA, no mundo, como árbitra de futebol. Nascida em 1945 na cidade de Abaeté, Minas Gerais, graduada em educação física e jornalismo, Léa também lutou Boxe e atualmente mora nos Estados Unidos, fez parte do quadro da FIFA entre os anos de 1971 e 1974.

Com a pandemia do COVID-19 muitas pessoas estão passando por dificuldades e não somente no Brasil. Léa e o marido, Luiz Medina que está com câncer, estão sem poder trabalhar com o isolamento social, foram despejados do apartamento que moravam e momentaneamente vivendo em um quartinho na casa de uns amigos, porém brevemente pode ser que precisem deixa-lo, pois o filho dos amigos deve retornar.

Léa, agora com 75 anos e usando um colar cervical, pois há pouco tempo cai e precisou ser socorrida de ambulância, está pedindo ajuda financeira para os colegas da arbitragem e do futebol.

 

 

Os árbitros e dirigentes resolveram fazer uma campanha junto com uma “vaquinha” para poder ajudar a grande pioneira da arbitragem feminina no Brasil e no mundo.

Ao conversar com a Léa pelo WhatsApp e perguntar como está a situação dela e do marido, a resposta foi:

“Bem difícil. O dono do apartamento trabalha na mesma empresa que meu esposo trabalha. Ficou acertado que assim que normalizar vamos pagar a ele. Nossa alimentação e comprada por nós. O governo americano deu uma ajuda financeira à todos que perderam o emprego. Mas é incômodo a liberdade nunca é a mesma. Com a campanha que as árbitras e árbitros estão fazendo para arrecadar dinheiro vamos sair dessa se Deus quiser e Ele quer.”

Léa ainda agradece toda a mobilização para ajuda-la e fica feliz com o espaço ocupado pelas mulheres no futebol e na mídia.


Léa Campos e Pioneirismo

Nada melhor do que conhecer esta história contada pela própria Léa.

““Puta merda, essa mulher não desiste nunca”. Foi isso que João Havelange, na época presidente da CBD (Confederação Brasileira de Desportos), em 1971, disse sobre a minha persistência.””, segundo Léa.

Quando terminou o curso de arbitragem em 1967, queria receber o diploma como todos os outros alunos, mas não foi o que aconteceu. Quatro anos depois da conclusão, Léa recebeu um convite da Fifa para arbitrar um amistoso e também o primeiro Campeonato Mundial de futebol feminino, no México, mas para isso precisava do diploma.

“Para conseguir o diploma, levei uma carta, na verdade, um foi um bilhete, do Presidente do Brasil, Médici, ao Havelange. Médici era minha penúltima alternativa, pois a última seria o Papa. Eu já tinha esgotado tudo com João Havelange, já não tinha mais saída para mim. A última frase dele para mim foi que enquanto ele presidisse a CBF [na época, CBD], nenhuma mulher atuaria no futebol”., conta Léa.

Médici passaria rapidamente por Belo Horizonte, cidade onde ela morava, desta forma solicitou uma audiência rápida, de apenas 30 segundos e conseguiu, garantindo que ainda sobraria tempo.

“Era uma sexta-feira. Fui lá no hotel onde ele recebia o pessoal da imprensa, e ele leu meu nome no papel e mandou me chamar: ‘você pediu 30 segundos de audiência, dá tempo de piscar o olho’. E eu falei ‘para mim é o suficiente’”, relembra. “Eu preciso que você mande uma carta para o João Havelange, porque recebi um convite para arbitrar futebol feminino no México, porque aqui futebol feminino não existe e eu preciso de autorização para esse convite e representar o Brasil, muito obrigada é isso que eu quero”.

“Precisei de 26 segundos e o presidente já tinha uma resposta. Ele me disse que esses 4 segundos que sobraram, ele me esperava em Brasília na segunda-feira para almoçar com ele”.

“Eu fiquei muito ansiosa, com medos e receios. Meu pai me dizia: ‘Léa, por que você está assim? Você quebrou tantas barreiras, você vai se coroar, sem medo, sem receio. Com pensamentos positivos na sua mente, você vai conseguir’. E eu peguei o ônibus no domingo à noite para ir até Brasília.”

“Estava trêmula, o almoço com o presidente estava confirmado e ele escreveu um bilhete de próprio punho afirmando que eu representaria o Brasil no México como árbitra.”

Léa conta detalhes do almoço: “Ele me levou até o quarto do filho dele. Ele tinha mais coisas sobre mim do que eu. O cara era meu fã, menina. Incrível! Eu nunca esperava isso, ‘nunca dos nuncas’, como eu costumo dizer. E ele ainda me deu uma revista francesa, a mesma que elege os melhores jogadores do mundo e disse que tinha certeza que o filho dele tinha mais, porque tudo sobre minha vida ele comprava em duplicata.”

“Ele me mandou com um avião das Forças Armadas Brasileiras (FAB) para o Rio de Janeiro, para que eu falasse com o João Havelange no dia da despedida do Pelé”, relembra.

Léa conta que, ao chegar no Rio de Janeiro, bateu na porta de João Havelange com o bilhete em mãos. No dia, aconteceria uma coletiva de imprensa no final da tarde por conta da despedida de Pelé.

Dentro da sala, ela entregou o bilhete e conta que Havelange optou por adiantar a entrevista coletiva. Todos foram para a sala de imprensa e Léa reproduziu o discurso:

“Estou com a felicidade incontida hoje. Porque eu tenho a oportunidade de, no meu mandato, poder levar ao mundo a primeira mulher árbitra de futebol profissional, e é na minha gestão. É com muito orgulho e com muita felicidade que eu faço o mundo saber que a primeira árbitra de futebol é brasileira e vai sair do mundo como representante máxima do futebol brasileiro”.


Léa Campos
Léa Campos Divulgação


A luta por reconhecimento durante a Ditadura Militar

A luta da mulher no futebol em época de Ditadura Militar, como estudado anteriormente no “Surgimento do Futebol Feminino”, na Era Getúlio Vargas, onde a constituição brasileira instituiu que mulher jogando futebol seria um crime, também causou problemas à Léa Campos. “Eu não queria jogar, apenas arbitrar. Porém, muitas vezes não resistia e acabava jogando nos campinhos do bairro, mas o que era para ser diversão, terminava na delegacia.”

“Nunca deixei nenhuma menina ir presa por minha causa. A polícia vinha, falava para todo mundo correr e eu ficava sozinha. A bola era minha, a ideia era minha”, conta Léa.

Mas completa: “As meninas me repudiavam por causa disso, mas nunca dei importância para elas, era meu desejo que tinha que ser realizado, não tinha cerca que eu não pulasse”.

Léa conta que algumas mulheres de São Paulo fizeram um abaixo-assinado, enviado para a CBF não liberar seu diploma e em Belo Horizonte, fizeram uma passeata na Avenida Afonso Pena, lutando também contra ela.

“Tudo isso rendeu muitas idas a delegacia e uma amizade com o delegado que, certa vez, desistiu de me manter por lá e me disse: “você vai continuar fazendo, vão continuar te prendendo, por minha conta, está liberada. A polícia pode te trazer, mas você entra por uma porta e sai pela outra.’”


Léa além das quatro linhas


Sua primeira experiência foi no México, apitando um jogo entre Itália x Uruguai. Na ocasião, tocaram o hino do Brasil em sua homenagem.

Em 1974, próximo a três Corações-MG, a árbitra sofreu um acidente de ônibus e teve que encerrar a carreira, no dia da fatalidade. Léa ficou muito tempo internada, quase perdeu a perna esquerda e levou 10 anos para se recuperar totalmente.

Léa Campos foi pioneira na arbitragem e também no jornalismo esportivo, pois foi uma das primeiras repórteres de campo e passou por muitas indagações todas as vezes que precisava entrevistar jogadores dentro do vestiário.

Em 1993, Léa foi morar nos Estados Unidos da América com seu marido, Luiz Medina. Em 2013, Léa venceu um câncer de mama. E hoje não se pode falar de arbitragem feminina sem contar a história e luta desta pioneira.

Fonte: Renata Ruel

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Você é o árbitro! Qual a sua decisão nesse lance inusitado?

Renata Ruel
Renata Ruel
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O futebol é recheado de lances “apitorescos” e que muitas vezes deixa o árbitro atordoado podendo até tomar decisões equivocadas.

Um arremesso lateral em abril de 2017, há exatos 2 anos em jogo válido pela Premier League entre Arsenal e Leicester, foi marcado por infrações e fez Alexis Sánchez terminar a partida com o lábio inchado como se pode ver no vídeo.


Fuchs estava tentando cobrar um arremesso lateral e seu adversário Alexis Sánchez não cumpria a distância regulamentar e o atrapalhava, saltando na sua frente. O árbitro ou o assistente deveria ter ido até o local e advertir verbalmente o jogador do Arsenal, mas como isso não foi feito, Fuchs cobra o lateral e acerta o rosto de Sánchez propositalmente.

Você é o árbitro e ao ver este lance:

- Advertiria verbalmente o jogador do Arsenal antes da cobrança?

- Daria cartão para o Sánchez pelos gestos e a distância da linha?

- Daria cartão para o Fuchs pela forma que arremessou a bola?

- Ambos merecem cartões?

- Qual a cor do cartão?

- Acontece mais de 1 infração?

- Se sim, qual ocorreu primeiro ou as duas acontecem ao mesmo tempo?

- Marcaria infração do jogador do Arsenal ou do Leicester?

- Como reiniciaria o jogo: arremesso Lateral, tiro livre indireto ou tiro livre direto e a favor de qual equipe?

Agora é hora de descobrir o que as regras dizem.

O arremesso lateral tem sua própria regra e alguns itens são fundamentais para analisar este lance:

- todos os adversários devem estar a pelo menos 2 metros de distância do ponto da linha lateral de onde o arremesso lateral deve ser executado;

- se um jogador, ao efetuar de forma correta um arremesso lateral, jogar a bola intencionalmente em um adversário com objetivo de voltar a jogá-la, sem que o faça de modo imprudente (falta de atenção ao cometer uma falta sem cartão), temerário (desconsidera o risco ao adversário, cartão amarelo deve ser aplicado) ou com uso de força excessiva (assume o risco de lesionar o adversário, punível com cartão vermelho), o árbitro permitirá que o jogo continue;

- um adversário que distrair ou impedir o executante de cobrar o arremesso lateral (inclusive aproximando-se a menos de 2 metros do local do arremesso) será advertido com cartão amarelo por conduta antidesportiva e, se o arremesso já tiver sido executado, será marcado um tiro livre indireto.

Já na regra 12, Faltas e Incorreções, tem uma parte que diz:

Se um jogador que esteja dentro ou fora do campo de jogo arremessar ou chutar um objeto (ou a bola que não a do jogo) em um jogador adversário, ou jogar ou chutar um objeto (inclusive a bola do jogo) em um substituto adversário, em um substituído ou em um jogador expulso, ou em um oficial de equipe, ou em um oficial de arbitragem, ou na bola do jogo, o jogo deve ser reiniciado com um tiro livre direto, cobrado do local onde o objeto atingir ou poderia atingir a pessoa ou a bola.

Na regra 5, o Árbitro, consta:

- O árbitro: • punirá a infração mais grave, considerando a punição, o reinício do jogo, a gravidade do contato físico e o impacto tático, quando ocorrerem mais do que uma infração ao mesmo tempo;

- o árbitro deve tomar as decisões do jogo com o máximo de sua capacidade, de acordo com as regras e o “espírito do jogo”, segundo sua opinião. O árbitro deve tomar as decisões do jogo com o máximo de sua capacidade, de acordo com as regras e o “espírito do jogo”, segundo sua opinião.

As regras muitas vezes se cruzam em um mesmo lance, por isso é fundamental o árbitro conhecer e dominar todas as regras, saber o conceito e aplica-la em campo, ainda mais em situações de jogo nada corriqueiras.

Alexis Sánchez com o lábio inchado após a partida
Alexis Sánchez com o lábio inchado após a partida Twitter/Alexis Sánchez

Alexis Sánchez não cumpriu a distância de 2 metros que diz a regra, ainda fez gestos para distrair o adversário. Fuchs cobra o arremesso lateral de forma correta, porém pode-se considerar uma ação bem no mínimo imprudente, porém mais temerária à uso de força excessiva. A própria regra diz que o árbitro vai tomar a decisão segundo sua opinião, o que muitas vezes dá margem à interpretações. E ainda tem o ponto da regra que se 2 infrações ocorrerem ao mesmo tempo, deve punir a mais grave.

Às vezes um lance que aparentemente é simples envolve várias indagações onde o árbitro precisa tomar uma decisão em pouquíssimos segundos. Se você viu o vídeo mais de uma vez para responder essas questões, lembre-se que principalmente em jogos sem o VAR (que é a maioria) ou mesmo com esse equipamento que só pode ser usado em casos específicos, o árbitro tem a única imagem do momento e deve tomar as decisões cabíveis.

Fonte: Renata Ruel

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Massagista impede gol e elimina o próprio time

Renata Ruel
Renata Ruel

Romildo Fonseca da Silva evita gol do Tupi
Romildo Fonseca da Silva evita gol do Tupi Leonardo Costa/Tribuna de Minas

O que não falta no futebol são polêmicas e lances “apitorescos”.

E em setembro de 2013 jogavam Tupi e Aparecidense pelas oitavas de final do Campeonato Brasileiro série D, o primeiro jogo em Goiás terminou empatado em 1 x 1, já o jogo de volta em 2 x 2, mas com um lance inusitado onde o Fair Play passou bem longe.

No finalzinho do jogo, o massagista da equipe do Aparecidense, Romildo Fonseca da Silva, estava bem próximo da trave onde o goleiro de sua equipe defendia a meta, o atacante do Tupi finalizou com direção certa, a bola iria entrar, se o massagista não tivesse invadido o campo e tirado aquele que seria o gol da vitória da equipe Mineira e consequentemente sua classificação para a próxima fase.

A confusão foi criada, todos correndo atrás do massagista que conseguiu entrar no túnel para o vestiário antes de ser pego pelos adversários.

A situação gerou uma grande revolta e o árbitro teve trabalho para administrar, porém pela regra do jogo daquele ano, o correto a se fazer era paralisar a partida e reiniciar com bola ao chão e justamente foi a atitude tomada por Arílson da Anunciação que comandava o espetáculo.

Romildo provavelmente acreditou que classificaria sua equipe com aquela atitude, mas o jogo foi parar no STJD, que após julgamento excluiu a Aparecidense da série D em função de seu massagista impedir o gol e classificou o Tupi para a próxima fase da competição.

A regra mudou um pouco depois desse lance curioso, até então os oficiais de equipes relacionados em súmula eram considerados “agentes externos” e quaisquer interferências em campo punidas com um bola ao chão. Atualmente a regra diferencia os oficiais de equipes dos agentes externos (quem não está em súmula, gandulas, jornalistas, torcedores, etc.), atribuindo punições distintas para infrações cometidas. Em 2013 a punição para este lance seria bola ao chão, hoje um tiro penal contra a equipe do massagista seria marcado por ter entrado em campo e interferido no jogo impedindo um gol.

Às vezes é necessário que algo assim aconteça no campo para a International Board ajustar e mudar as regras do jogo de forma a contribuir para um justo resultado final.

Fonte: Renata Ruel

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Massagista impede gol e elimina o próprio time

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International Board difere ombro de braço para infrações

Renata Ruel
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Árbitro Damir Skomina sinaliza infração por 'mão na bola' durante PSG x Manchester United
Árbitro Damir Skomina sinaliza infração por 'mão na bola' durante PSG x Manchester United Getty Images


A Internacional Board (IFAB) responsável pelas alterações nas regras, definiu as que entrarão em vigor a partir de 1 de junho. Deixando à cargo das instituições se os campeonatos suspensos em função do COVID-19 ao reiniciarem seguem com as regras antigas ou adotam as novas. Também aos que começarão antes de junho, como costuma acontecer com o Brasileirão, se adotarão as novas regras ao início da competição ou deixarão para a próxima temporada.

A análise feita em relação à utilização do VAR é de grande valia e aceitação.

As mudanças não são tantas como já vistas alguns anos atrás, mas têm as mais significativas e dentre elas estão:

- Quando uma partida for definida nas decisões por pênaltis, os cartões aplicados aos jogadores durante o tempo normal e a prorrogação não serão considerados nas penalidades;

- Nas cobranças de pênaltis se o goleiro cometer uma infração a primeira advertência será verbal e se houver reincidência cartão amarelo;

- Cartão amarelo para o jogador que não respeitar os 4 metros de distância no bola ao chão;

- Os goleiros não serão penalizados por qualquer infração se, após a execução de uma penalidade, a bola não entrou no gol nem se recuperou dele (sem ser tocada pelo goleiro), a menos que o ataque afete claramente o atirador. Antes pela regra o pênalti deveria ser cobrado novamente se o goleiro se adiantasse e o cobrador chutasse na trave, para fora ou houvesse a defesa;

-  A mão "acidental" de um atacante ou companheiro de equipe será marcada se o contato ocorrer imediatamente antes de marcar um gol ou uma chance clara. Aclarando o ponto de interferência de uma mão factual, mas acidental;

- Infração por mão: o limite superior do braço coincide com o ponto mais baixo da axila (vide figura 1).

Ilustração de infração por 'mão'
Ilustração de infração por 'mão' []

Agora é aguardar as alterações entrarem em vigor e ver como o futebol as recebem.

Fonte: Renata Ruel

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A descontração dos torcedores nas cantadas pelos estádios

Renata Ruel
Renata Ruel

Foram 15 anos pelos campos atuando, e a quantidade de coisas que escutei, vi e vivenciei daria um livro.

Mas aqui quero falar de algumas passagens engraçadas em que realmente a criatividade das pessoas me fizeram rir.

Eu sempre fui muito focada para os jogos: se às vezes os jogadores falavam comigo e com tamanha concentração não os ouvia, o que dizer então de escutar torcedores em momentos de tomadas de decisões - parecia que eu entrava numa bolha e nada escutava. Raramente olhava para a arquibancada ou para o que não fizesse parte do que exigia a minha função.

Porém, ao entrar em campo para aquecer, fazer vistoria, sair no intervalo ou término, retornar para o segundo tempo, por vezes eu conseguia escutar algumas coisas.

Renata Ruel em ação pelo Campeonato Paulista no duelo entre São Bernardo e São Paulo
Renata Ruel em ação pelo Campeonato Paulista no duelo entre São Bernardo e São Paulo Gazeta Press

Ao ir me posicionar saindo do meio-campo, caminhando em direção à linha lateral para o início do segundo tempo, em um estádio lotado e com o alambrado bem próximo, um torcedor grita: “Bandeira, você com esse coxão/colchão e eu dormindo no chão.” Confesso que olhei para o torcedor, dei risada junto com os parabéns pela criatividade e me posicionei para o jogo.

A outra foi quando entramos no gramado e em função dos procedimentos fomos toda a equipe de arbitragem vistoriar as redes. Atrás de um dos gols, um torcedor grita: “Bandeirinha, se você fosse um sanduíche seria uma X-Princesa.” Não somente eu, mas todos os árbitros que estavam comigo começaram a rir muito e até olhamos para o torcedor rindo.

Gaciba explica como árbitros estão mantendo a forma durante parada por conta do coronavírus

Tiveram pedidos de casamento, jogadores que paravam e ficavam olhando, treinador falando do perfume, assim como jamais conseguiria citar muitas coisas de tão asquerosas.

Os xingamentos que sofri não chamavam minha atenção, posso dizer que de certa forma até ajudavam a manter o foco, por mais estranho que possa parecer. Mas as falas criativas, quando as escutava, trazia um ar de descontração.

Lembrando que "não é não".

Fonte: Renata Ruel

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Profissionalização dos árbitros de futebol: utopia ou realidade?

Renata Ruel
Renata Ruel
Leandro Vuaden e assistentes, antes de Atlético-MG x Botafogo
Leandro Vuaden e assistentes, antes de Atlético-MG x Botafogo Gazeta Press

Será utopia ou realidade a tão falada profissionalização do árbitro de futebol?

A Lei que regulamenta a profissão existe desde outubro de 2013 e se restringe somente ao árbitro de futebol. Entretanto, nada de concreto foi feito para a arbitragem.

Dentro da arbitragem há várias categorias, onde os árbitros de elite praticamente vivem das taxas de arbitragem, pois fazem jogos em torno de duas vezes por semana e as viagens são constantes sendo difícil conciliar com emprego fixo. Já os árbitros que atuam mais em categorias de base precisam trabalhar além dos jogos das suas federações para complementar a renda, onde muitos árbitros vão para o futebol amador, isto é, em campeonatos internos de clubes, de empresários, os torneios de várzea, pois também é um dinheiro extra que ganham.

A remuneração é feita por jogo, ou seja, se o árbitro trabalhar ele ganha, caso contrário não. Os árbitros de elite tem jogos de Janeiro à dezembro, já os outros dependem muito de cada federação, por exemplo, na Federação Paulista em janeiro tem a Copa São Paulo de Futebol Júnior, depois os árbitros das categorias inferiores só voltam a trabalhar em abril e a quantidade significativamente de jogos já começam a diminuir em setembro/outubro.

Ou seja, muito se fala da elite da arbitragem, mas pouco dos outros árbitros que normalmente conseguem uma renda melhor durante apenas 6/7 meses no ano.

Outro ponto relevante é que as escalas são feitas através de escolhas das comissões de arbitragem, ou seja, um árbitro pode ter 5 jogos em um mês e outro apenas 1 e não se pode deixar de citar os árbitros que são punidos e também ficam sem jogos.

Há de se dizer também que os valores das taxas mudam conforme os campeonatos, as categorias e as funções dos árbitros, isso aqui no Brasil, onde Brasileirão masculino é um valor bem distinto do feminino, ainda difere das taxas da Copa do Brasil, por exemplo. A Conmebol paga a mesma taxa para o árbitro, assistente e quarto árbitro, a distinção dos valores fica por conta dos torneios.

Com os campeonatos paralisados em função do COVID-19, os árbitros não têm ganho algum, muitos esperam as escalas, consequentemente as taxas, para pagarem as contas, fazendo uma projeção de ganhos, já que as escalas não são certas.

A Federação de Pernambuco, após ajudar os clubes, repassou o aporte financeiro de R$10.000,00 para o sindicato dos árbitros justamente alegando que muitos vivem exclusivamente da arbitragem.

A Federação Paulista e a CBF até o momento não se pronunciaram em relação à arbitragem. O presidente do Sindicato dos Árbitros de SP solicitou à FPF um aporte, mas ainda não obteve resposta.

A Federação Paulista todo ano tem uma verba destinada à premiação dos melhores árbitros do Paulistão, uma quantia significativa que ajudaria muito neste momento que não há jogos, uma quantia que poderia ser dividida para toda categoria e não somente para a elite da arbitragem. Poderia ser uma alternativa para estes tempos difíceis de pandemia.

Porém, estas alternativas imediatistas resolvem a questão da arbitragem à curto prazo. É no caso pensar em realmente profissionalizar, que seja com contrato Pessoa Jurídica, que seja criando entidades de arbitragem concorrentes (como já acontece na várzea), desvinculando à arbitragem de federações e CBF.

O futebol está em constante evolução, cada vez se exige mais do árbitro de futebol, é sabido que aprimoramentos são feitos, investimentos em psicologia, mas é necessário mais, a lei que regulamenta a profissão existe, é preciso coloca-la em prática.

“Presidência da República

Casa Civil

Subchefia para Assuntos Jurídicos

LEI Nº 12.867, DE 10 DE OUTUBRO DE 2013.

Mensagem de veto

Regula a profissão de árbitro de futebol e dá outras providências.

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º A profissão de árbitro de futebol é reconhecida e regulada por esta Lei, sem prejuízo das disposições não colidentes contidas na legislação vigente.

Art. 2º O árbitro de futebol exercerá atribuições relacionadas às atividades esportivas disciplinadas pela Lei nº 9.615, de 24 de março de 1998, destacando-se aquelas inerentes ao árbitro de partidas de futebol e as de seus auxiliares.

Art. 3º (VETADO).

Art. 4º É facultado aos árbitros de futebol organizar-se em associações profissionais e sindicatos.

Art. 5º É facultado aos árbitros de futebol prestar serviços às entidades de administração, às ligas e às entidades de prática da modalidade desportiva futebol.

Art. 6º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 10 de outubro de 2013; 192º da Independência e 125º da República.

DILMA ROUSSEFF

Manuel Dias

Aldo Rebelo

Luís Inácio Lucena Adams”

Fonte: Renata Ruel

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Profissionalização dos árbitros de futebol: utopia ou realidade?

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Lembra do famoso 'gol de gandula' no jogo profissional da FPF?

Renata Ruel
Renata Ruel
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Você se lembra do gol do gandula em meados de setembro de 2006? Os mais jovens podem não se lembrar e pensar que é um folclore brasileiro, mas ele “existiu”.

Isso ocorreu em uma partida válida pela Copa Paulista, torneio profissional na Federação Paulista de Futebol, em Santa Cruz do Rio Pardo interior do Estado de São Paulo, onde jogavam Santacruzense e Atlético de Sorocaba.

O lance apitoresco ocorreu no final do segundo tempo aos 44 minutos após o atacante Samuel chutar no gol, porém a bola bate na rede pelo lado de fora. O gandula que ficava atrás do gol pegou a bola, entrou  dentro de campo e chutou-a para dentro da rede do Atlético Sorocabana. O goleiro da equipe visitante então pegou a bola e preparou-se para cobrar o tiro de meta. A árbitra estava de costas quando isso ocorreu e não viu a atitude do gandula, ela vai até o goleiro pegar a bola e apontar para o meio dando o gol. Por toda está confusão o gol ficou conhecido como “gol do gandula”, pois o chute na rede pelo lado de fora foi validado como gol. Porém, no momento do chute na rede pelo lado de fora, o assistente já havia corrido em direção ao meio campo dando o gol, procedimento comum pela regra. A árbitra seguiu a sinalização de gol do seu assistente e confirmou o gol, antes mesmo do gandula jogar a bola entre as traves e dentro da rede.

A confusão foi geral, o jogo terminou empatado em 1 x 1, o Atlético de Sorocaba perdeu a liderança do grupo justamente para o Santacruzense, a partida foi parar no tribunal, mas o julgamento manteve o gol do gandula que não existiu.

Ilusão de ótica é quando ocorre um "engano" no sistema visual humano fazendo-nos ver qualquer coisa que não está presente ou fazendo-nos vê-la de um outro modo. Foi isso que aconteceu no jogo e mais especificamente nesse lance, as imagens deixam clara que a bola foi pelo lado de fora, mas ao tocar a rede alguns torcedores chegaram a gritar gol, o assistente e a árbitra tiveram em campo a ilusão de ótica que a bola foi por dentro e legalizaram o gol.

Não há como negar que erraram, mas o fato se torna interessante ao lembrarmos que isso acontece em alguns lances durante as partidas, principalmente os torcedores gritando gol dependendo do posicionamento que estão no estádio.

Confesso que já aconteceu comigo durante o jogo de não saber se a bola estava dentro ou fora do gol, foram raras as vezes, mas aconteceram. Eu mantinha a calma, olhava a decisão do árbitro e a reação dos jogadores que tinham ângulos melhores para então tomar a minha decisão e sinalizar.

Ver, decidir e agir, isso é feito em milésimos de segundos pelos árbitros que nem sempre irão acertar.

Fonte: Renata Ruel

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Gol irregular do Palmeiras na Libertadores?

Renata Ruel
Renata Ruel

Palmeiras e Guaraní jogaram nesta terça-feira, no Allianz Parque, pela segunda rodada do Grupo B da Copa Libertadores da América. A equipe brasileira venceu o jogo por 3 a 1 e com todos os seus gols sendo marcados pelo atacante Luiz Adriano.

Porém, o primeiro gol do Palmeiras, pelo texto da regra do jogo, foi irregular. O árbitro Roberto Tobar marca a falta a favor da equipe alviverde, vai aplicar cartão amarelo ao infrator do Guaraní, o Palmeiras cobra a falta rapidamente (procedimento correto de parar a bola e tocar), porém neste momento da cobrança o árbitro está de costas e ainda aplicando o cartão ao jogador defensor. Ou seja, o árbitro não autoriza o reinício, a cobrança da falta e ainda está de costas, não sabendo se a cobrança foi correta ou não.

Jogadores do Guaraní-PAR conversam com Roberto Tobar durante partida contra o Palmeiras
Jogadores do Guaraní-PAR conversam com Roberto Tobar durante partida contra o Palmeiras Getty Images

No texto da Regra do Jogo consta quando tem que haver o som do apito, isto é, as vezes que se faz necessário o árbitro apitar no jogo, e uma delas é justamente após aplicar um cartão.

“O apito é necessário para assinalar:

• o reinício do jogo depois de uma interrupção devida a:

• um cartão amarelo ou vermelho;

• uma lesão;

• uma substituição.” – Regra do Jogo IFAB/FIFA

O que isso quer dizer? Que, como o árbitro estava ainda aplicando o cartão amarelo, ele teria que autorizar a cobrança com o apito e não o fez, desta forma não cumpriu a regra do jogo.

Outros pontos a serem considerados na jogada: a cobrança foi feita distante do local em que a infração ocorreu; árbitro de costas; antes da conclusão de Luiz Adriano há um possível toque de mão do atacante, que seria o toque acidental, porém factual pelo fato de sair o gol (este tem um grau elevado de dificuldade no campo de jogo, onde o VAR seria a solução).

Na realidade, nem sempre o texto da regra é colocado em prática no campo, os árbitros não apitam em todos os reinícios solicitados no texto da lei do jogo, como após uma substituição, por exemplo,  simplesmente gesticulam com os braços autorizando as cobranças.





Luxemburgo detalha como Palmeiras ‘gastou’ Guaraní para conquistar a vitória pela Libertadores


A questão é que após aplicações de cartões, substituições, lesões com atendimento médico, alguns jogadores podem estar dispersos e aguardando justamente o som do apito do árbitro, que precisa autorizar o reinício de jogo. Até mesmo porque é procedimento chamar o jogador que tomará o cartão, no caso Rodrigo Fernández, e este para atender ao árbitro não vai se posicionar prontamente de forma tática.

No primeiro gol do Palmeiras, o árbitro, quando percebeu a cobrança, deveria apitar e solicitar que fosse repetida, como não o fez, deu motivos sim para a reclamação acintosa da equipe do Guaraní.

Os árbitros precisam entender qual é a essência das regras, pois há motivos para existirem e assim terão mais clareza para aplicá-las.

Fonte: Renata Ruel

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Novas regras serão testadas para tornar o futebol mais atrativo

Renata Ruel
Renata Ruel
Democratização do VAR é um dos pontos centrais
Democratização do VAR é um dos pontos centrais Getty

A FIFA deu autorização à Federação Holandesa para começar a testar um conjunto de cinco alterações às regras do jogo. Na Alemanha, a suspensão temporária será colocada em prática nos escalões amadores.

A evolução de outras modalidades tem aumentado a concorrência com o futebol e responder à angústia de agentes e adeptos é a maior preocupação de alguns responsáveis pelo futebol. Por conta disso, a FIFA deu sinais de que está atenta ao clima de mudanças que se anuncia.

A FIFA costuma testar algumas alterações antes de a International Board (IFAB) aprová-las e averiguar até que ponto poderão ter um efeito positivo na modalidade. O organismo liderado por Gianni Infantino deu sinal verde à Federação Holandesa (KNVB) para testar cinco alterações nas regras. E na Alemanha também se vivem tempos de experimentação.

Reuniram-se em Zeist, nos Países Baixos, no começo de março, representantes das federações da Alemanha, de Inglaterra, da Bélgica e dos EUA, tendo como ponto central da agenda o aperfeiçoamento e a “democratização” do VAR. A intenção é tornar a tecnologia tão acessível quanto possível para alargar a sua utilização para um maior número de países e de competições, já que um dos princípios das regras é justamente a igualdade. Porém, a discussão ao redor das regras e do tempo útil de jogo foi a principal atenção ao término do encontro.

As ideias debatidas foram cinco: a reposição da bola em jogo com os pés caso saia pela linha lateral; a cobrança de uma falta de e para o mesmo jogador (o denominado auto-passe, no qual não se puniria mais o que chamamos de “bitoque"); substituições ilimitadas; contagem do cronômetro apenas quando a bola estiver em jogo; e períodos de exclusão por amostragem de cartões.

É possível observar que algumas regras são oriundas de outras modalidades, como o futsal, por exemplo, mas também há novidades.

“Discutimos estes tópicos com diferentes grupos, que envolviam treinadores, adeptos, jogadores e atletas jovens, e acabamos sempre por chegar a estas cinco questões”, explicou Gijs de Jong, secretário-geral da KNVB.

“É por isso que queremos ver se  somos capazes de testar regras diferentes”, acrescentou, aludindo a uma implementação gradual e cuidadosa.

“Podemos experimentar nas camadas jovens até o sub-19, por exemplo, ou no futebol não competitivo ou até em uma prova a eliminar no longo prazo”.

Algo relevante está justamente nas discussões incluírem não somente ex árbitros, mas também outras pessoas ligadas diretamente à prática da modalidade, como jogadores e treinadores.

O dirigente da KNVB mostra-se alerta à necessidade de adaptar o futebol às atuais exigências do mercado.

“É o nosso dever pensar em mudanças que tornem o futebol mais atrativo, sem alterar a sua essência. Não são medidas para aplicar amanhã ou em cinco anos. É algo mais a longo prazo. Não se trata de uma revolução, mas de uma evolução”.

Uma das maiores preocupações dos adeptos, a avaliar pelos resultados de diferentes estudos, é a constante quebra do ritmo do jogo.

“Em média, o tempo efetivo de jogo é geralmente de apenas 50 minutos. É por isso que também queremos testar estas medidas”, acrescenta Gijs de Jong, ciente de que há muitas outras modalidades em real crescimento e que a entrada de algumas no calendário olímpico mostra como a atenção dos jovens é hoje canalizada para outras áreas. “Queremos tornar o futebol à prova do futuro. O mundo está mudando tão depressa que não podemos ficar parados”.

Movimentações idênticas estão também para acontecer na Alemanha. A Federação Germânica (DFB) anunciou que irá testar, a partir da próxima temporada, as suspensões temporárias como sanção a aplicar em caso de um segundo cartão amarelo, ao invés da expulsão.

Na prática, o organismo está a dar uma resposta a um pedido de uma das divisões amadoras do estado de Hesse, que pretende avançar com um projeto-piloto. A experiência começará em 2020/21 no nível distrital (do oitavo escalão da hierarquia para baixo), será aplicada por um período de dois anos e, por enquanto, somente no futebol masculino.

Suspensão temporária é outro ponto debatido
Suspensão temporária é outro ponto debatido Getty


Trata-se,  no fundo, de dar forma a uma solução de outras modalidades (como o handebol ou o hóquei em patins), prevendo a saída do campo de jogo por um período determinado, de um jogador que tenha recebido o segundo cartão amarelo. Cumprido o tempo de suspensão, o jogador regressará e só em caso de voltar a ser amarelado será definitivamente expulso.

Esta experiência só pode avançar porque os regulamentos da FIFA preveem que as regras ao nível das categorias de formação e do futebol amador possam ser ajustadas em consonância com as federações nacionais. Desta forma, mesmo que não a curto prazo, a FIFA começa a dar novos passos para grandes mudanças no futebol, onde os impactos táticos aumentem o entretenimento de uma partida.

Fonte: Renata Ruel

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Novas regras serão testadas para tornar o futebol mais atrativo

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CBF convida comentaristas para curso do VAR

Renata Ruel
Renata Ruel
Uso do VAR durante o Campeonato Brasileiro
Uso do VAR durante o Campeonato Brasileiro Getty

A Confederação Brasileira de Futebol começou a temporada de cursos do VAR para o Brasileirão 2020.

Neste primeiro momento, a CBF está reunindo do dia 02 ao dia 06 de março, no Rio de Janeiro, seus assessores do VAR para passar protocolos, dados, padronizações, conceitos de regras, diretrizes, linha de interferência, entre outras coisas.

E em um fato inédito convidou os comentaristas de arbitragem das emissoras de TV para acompanhar o que será pedido e instruído, com o intuito de informação e transparência.

Esses assessores passarão as informações, em cursos futuros, para os árbitros homologados a atuarem com o VAR, e em pré-temporadas em todos os estados do Brasil.

A estrutura do VAR está toda montada no curso para o treinamento, no qual os assessores treinam o uso da ferramenta. Os comentaristas podem acompanhar tudo o que acontece.

Uma das intenções da CBF é utilizar o VAR descentralizado durante o Brasileirão, ou seja, a central do VAR será no Rio de Janeiro, mas talvez não aconteça em todos os  jogos logo no começo do campeonato, uma vez que há a questão da estruturação necessária, com fibra ótica nos estádios, que pode levar algum tempo.

Outra novidade é o Departamento de Arbitragem estar de malas prontas para sair do prédio da CBF e se alocar em outro local no Rio, próximo à Confederação. Porém, não mais na sede.

Até o final do curso talvez mais novidades apareçam e estou aqui acompanhando com o jargão do VAR: 'mínima interferência e máxima eficiência'.

Fonte: Renata Ruel

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CBF convida comentaristas para curso do VAR

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Copa do Brasil: Jogadores do Cruzeiro tentam enganar árbitro para Edu não ser expulso

Renata Ruel
Renata Ruel

São Raimundo-RR e Cruzeiro se enfrentaram ontem em partida válida pela Copa do Brasil. O jogo terminou empatado em 2 a 2, e, pelo regulamento da competição, a equipe mineira se classificou para a próxima fase.

Mas o que chamou a atenção foi um lance pitoresco e até mesmo absurdo dos jogadores do Cruzeiro. Aos 32 minutos do segundo tempo, Edu do Cruzeiro recebe o segundo amarelo e é expulso.

Seria mais um lance corriqueiro de expulsão se não fossem as atitudes dos jogadores cruzeirenses. Sabendo que Edu já tinha cartão amarelo, levaria o segundo e na sequência o cartão vermelho, os jogadores tentam enganar o árbitro, mas não somente ele com essa atitude, trocando o jogador caído no campo por outro parecido para que este tomasse o cartão amarelo no lugar de Edu e o Cruzeiro não ficasse com um a menos.

Jogadores do Cruzeiro minutos antes da partida contra o São Raimundo, no Flamarion Vasconcelos, em Boa Vista (RR)
Jogadores do Cruzeiro minutos antes da partida contra o São Raimundo, no Flamarion Vasconcelos, em Boa Vista (RR) William Roth/Light Press/Cruzeiro

O lance: Edu cometeu a falta e permaneceu no chão, dois jogadores da Raposa ficaram na frente do árbitro formando uma “parede” para o zagueiro Cacá deitar no campo, tentando se passar pelo jogador infrator enquanto este se levantava fingindo não ter nada a ver com a história e, desta forma, enganarem a arbitragem a confundindo para uma possível aplicação equivocada de cartão (não há VAR nessa fase da Copa do Brasil).

Porém, o árbitro Alexandre Vargas, do Rio de Janeiro, guardou bem quem havia feito a falta, confirmou o número do Edu e aplicou os cartões amarelo seguido de vermelho de forma correta.

A questão maior aqui é o Fair Play, ou seja, o jogo limpo que tanto se pede. O Fair Play não faz parte das regras do jogo de futebol, mas é citado no livro logo no começo, quando descrito sobre: "A filosofia e o espírito das Regras". Em um dos trechos, observa-se que "o futebol deve ser praticado com base em regras que propiciem o jogo limpo (Fair Play), pois um pilar crucial do 'jogo bonito' é sua legitimidade – essa é uma característica vital do 'espírito' do jogo".

Eu já escrevi anteriormente sobre o Fair Play, mostrando que entradas violentas, agressões, retardar o reinício de jogo, simular lesão para ganhar tempo não são práticas de jogo limpo. Quando os jogadores agem desta forma, como os do Cruzeiro no jogo de ontem, não estão tentando somente enganar a arbitragem, mas o futebol, os torcedores, faltam com respeito com todos que trabalham, amam e acompanham a modalidade. Isso não é jogar limpo, não é respeitar o esporte, o adversário.

Enquanto não mudarem pensamentos e atitudes será difícil se ter e ver o verdadeiro Fair Play.

Que tipo de exemplo está dando ao tentar enganar todos? Que tipo de atitude vive cobrando, mas não se pratica? O que se ensina aos jovens atletas quando tenta burlar o jogo?

A expulsão foi correta, mas o jogador que tenta se passar pelo Edu também merecia cartão amarelo por conduta antidesportiva.

A honestidade não deveria ter que ser cobrada, mas sim praticada.

My game isso Fair Play. E o seu?

Fonte: Renata Ruel

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Árbitro agredido, VAR no celular de cartola da CBF na área técnica e mais: começou a Copa do Brasil

Renata Ruel
Renata Ruel

Caxias e Botafogo empataram em 1 a 1 nesta quarta-feira, em resultado que classificou a equipe carioca à próxima fase da Copa do Brasil. Polêmicas não faltaram. 

O Caxias reclamou de um pênalti não marcado a seu favor pelo árbitro Lucas Bellote, em lance que o defensor do Botafogo amplia o espaço corporal com o braço e bloqueia uma bola dentro da área. Na minha opinião, houve a penalidade. O clube também pediu outro pênalti, que, na minha visão, não ocorreu.

Outro fator que chamou a atenção foi a presença do ex-atacante Washington, atual diretor de desenvolvimento do futebol brasileiro da CBF, na área técnica do Caxias, mostrando o celular para membros da comissão técnica do time gaúcho. 

A regra do jogo e o regulamento da competição mostram quem pode permanecer na área técnica e como se comportar. Ou seja, o dirigente da entidade maior do futebol brasileiro não poderia estar ali e muito menos mostrando imagens no celular. 

E não pára por aí: o treinador do Caxias, Rafael Lacerda, estava suspenso e não poderia se comunicar com ninguém da comissão ou jogadores. Mas o auxiliar técnico Jeferson Ribeiro foi flagrado com um rádio transmissor e se escondeu ao perceber que estava sendo filmado. 

A regra diz que a comunicação pode existir para fins de segurança e bem-estar do jogador, razões táticas, mas não com o treinador suspenso. Se o uso for inadequado, o mesmo deverá ser expulso.

Ao término da partida, os jogadores da equipe do Caxias se revoltaram e cercaram o árbitro, reclamando de maneira acintosa até um membro da comissão técnica gaúcha agredir Bellote com uma joelhada e um tapa.


Até a publicação do texto, a súmula e o relato do árbitro ainda não haviam sido publicados no site da CBF, que soltou uma nota repudiando a atitude do profissional do Caxias. Qualquer tipo de agressão é contra a paz e deve ser punida.

Abaixo, seguem partes das regras do jogo da Fifa, que tratam dos assuntos pontuados acima, e também o regulamento geral das competições da CBF 2020, para um melhor entendimento do que pode ou não acontecer em um jogo:

Regra 1

Área técnica

As áreas técnicas são para os jogos disputados em estádios que oferecem lugares sentados para os jogadores substitutos, substituídos, oficiais de equipes e devem respeitar as seguintes diretrizes:

* O número de pessoas autorizadas a utilizar as áreas técnicas deve ser definido no regulamento das competições;
* Os ocupantes das áreas técnicas:
* Devem ser identificados antes do começo do jogo, de acordo com o regulamento da competição; 
* Devem comportar-se de maneira adequada;
* Devem permanecer dentro dos seus limites, salvo circunstâncias especiais, como, por hipótese, um médico ou fisioterapeuta, se autorizado pelo árbitro, entrarem no campo para examinar um jogador lesionado.
* Somente uma pessoa de cada vez está autorizada a dar instruções táticas desde a área técnica.

Regra 3

O treinador e os outros oficiais de equipe relacionados (com exceção dos jogadores e dos jogadores substitutos) são oficiais de equipe. Qualquer pessoa que não conste da relação de uma equipe como jogador, jogador substituto ou oficial de equipe é considerado como agente externo.

Regra 4

Comunicação eletrônica

Não é permitido aos jogadores (inclusive os substitutos, substituídos e jogadores expulsos) o uso de quaisquer equipamentos eletrônicos ou sistemas de comunicação (exceto onde os EPTS forem permitidos). É permitido o uso de qualquer forma de comunicação eletrônica por oficiais de equipe, se relacionado diretamente com o bem-estar ou a segurança dos jogadores, ou por razões táticas ou de instruções, porém só podem ser usados equipamentos pequenos e portáteis (por exemplo, microfones, fones de ouvido, celulares e relógios inteligentes, tablets, computadores portáteis). O oficial de equipe que usar equipamentos não autorizados ou que utilizar os permitidos de modo inadequado deve ser expulso.

Regra 12 - Faltas e Infrações

Os árbitros são obrigados a punir com Cartão Amarelo-CA ou Cartão Vermelho-CV os oficiais das equipes que praticarem as infrações elencadas na Regra 12. Atenção especial deve ser dada e aplicado obrigatoriamente um Cartão vermelho para o oficial da equipe que entrar no campo de jogo para confrontar um árbitro, inclusive durante o intervalo dos tempos dos jogos e das prorrogações.

Regulamento Geral de Competições da CBF - 2020

§ 5º - O membro de comissão técnica suspenso não poderá acessar a área técnica, vestiários ou qualquer parte da área de competições, nem se comunicar, por qualquer meio, com qualquer pessoa envolvida na partida, em especial atletas e membros da comissão técnica, nem comparecer à coletiva de imprensa ou qualquer outra atividade de mídia realizada no estádio.

Art. 48 – O atleta ou membro de comissão técnica que forem expulsos de campo ou do banco de reservas ficarão automaticamente impedidos de serem relacionados para a partida subsequente, independentemente do mérito e da data da decisão em que a infração disciplinar for julgada pelo STJD.

§ 1º - Considera-se membro da comissão técnica, para os efeitos deste RGC, o treinador, o assistente técnico do treinador, o preparador físico, o médico, o massagista e o treinador de goleiros.

VI – administrar o acesso exclusivo à área de entorno do campo de jogo, restringindo-o às pessoas em serviço e credenciadas, identificadas por braçadeiras, crachás ou jalecos, conforme quantitativos e determinações especificados no REC de cada competição, as quais deverão permanecer necessariamente nas áreas previamente designadas, observadas as possíveis limitações físicas do local da partida.”

Paz e fair play no futebol se faz cada vez mais necessário, então que sejam praticados. E você, o que acha?

Fonte: Renata Ruel

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O drible se tornou proibido no futebol? O que seria de Ronaldinho e Falcão?

Renata Ruel
Renata Ruel
Neymar fala com o árbitro após tentar o drible
Neymar fala com o árbitro após tentar o drible Getty

O futebol traz diversão, entretenimento, alegria, é a felicidade de muitos apaixonados pelo esporte, e o drible faz parte de tudo isso.

O drible é usado no futebol, basquete,  handebol, entre outros, e nada mais é do que uma ação ou uma finta para se desvencilhar do adversário.

Quem nunca ouviu falar do drible da vaca, caneta, carretilha, chapéu, elástico, vários nomes e estilos que levam ao delírio todos que assistem ao futebol?

A regra do jogo parte de três princípios básicos: igualdade,  segurança e diversão e não há como negar que o drible se encaixa nesse último.

Já pensou o que seria de Ronaldinho e Falcão se o drible fosse proibido?

No último final de semana, Neymar foi dar uma lambreta para sair da marcação adversária e, por isso, o árbitro chamou sua atenção em campo. O jogador retrucou e levou o cartão amarelo.

No último domingo, em um torneio sub-14 disputado no Rio Grande do Sul, o Palmeiras vencia a final contra o Grêmio quando o jogador Endrick, da equipe alviverde,  foi até a linha de fundo, tentou um drible e a sequência da jogada foi parada pelo apito do árbitro, Cristiano Costa, que advertiu o jogador com cartão amarelo e marcou tiro livre indireto a favor da equipe gaúcha. O jogador palmeirense, que fez a jogada e foi punido, e Neymar têm berços no futsal, onde a habilidade, velocidade e o drible são constantes e aplaudidos. Ter isso no campo é agregar à beleza do futebol.


         
    

Na regra 12, no item conduta antidesportiva, é possível ver que um cartão amarelo pode ser aplicado por “mostrar falta de respeito ao jogo". Porém, o que é falta de respeito ao jogo? O que é o espírito do jogo, que também consta na regra? Não são itens extremamente subjetivos?

Puxar a camisa acintosamente, por exemplo, ou fazer embaixadinhas provocando o adversário em um jogo ganho, no caso do título, como aconteceu em 1999 no duelo entre Palmeiras  e Corinthians, podem ser considerados falta de respeito entre as diretrizes recebidas pelos árbitros.

Uma embaixadinha com um jogo ganho, sem tentar um ataque, ou um drible para sair da marcação, pode ser vista como uma provocação, falta de Fair Play e causar uma confusão generalizada, como ocorreu na final de 1999.

Porém, se o jogador está usando o drible para atacar, com o intuito de fintar o adversário e sair da marcação, avançar, ou seja, quer jogar e de forma divertida, onde está a infração?

Não dá para robotizar o futebol, deixá-lo chato e sem alegria. Mal se pode comemorar um gol ultimamente que se leva cartão (em função da regra).  Agora nem driblar pode mais, que o atleta será punido.

O bom senso tem que prevalecer, principalmente o das regras e da arbitragem. Por isso, falo que, quem só entende de regra nem de regra entende, tem que entender de regra, arbitragem , futebol e todos os contextos inseridos no meio. O futebol corre o risco de ficar chato e ninguém quer isso, que sigam as comemorações e os dribles com respeito e diversão.

Fonte: Renata Ruel

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Os polêmicos cartões no ápice do futebol: o gol

Renata Ruel
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Neymar usando máscara em comemoração
Neymar usando máscara em comemoração Getty

O gol é o ápice de uma partida de futebol, é o que todos querem ver, ou não, dependendo do resultado pelo qual se joga. Mas não tem como negar que é o momento mais mágico dessa paixão: o futebol.

E, então, o jogador marca um golaço, ou o gol do título, ou da vitória, ou o primeiro da sua carreira, e tem que refletir como comemorar, pois, se extravasar ao extremo, pode ser punido com cartão amarelo. Dependendo da situação, ser expulso.

Na final da Copa São Paulo de Futebol Júnior, o atacante do Grêmio subiu no alambrado após marcar o gol e foi expulso depois de receber o segundo amarelo.

Neymar, quando ainda jogava pelo Santos, levou o cartão vermelho por usar uma máscara no momento de festejar o gol.

O que não faltam são exemplos de punições em comemorações. Ronaldo Fenômeno, por exemplo, no clássico Palmeiras x Corinthians, no qual o alambrado chegou a quebrar. Este é um ponto crucial para falar desta regra: a questão da segurança. Subir no alambrado é visto pela International Board como algo que pode colocar em risco a segurança de todos. Então, para coibir esta ação, pune com o cartão amarelo.

Ronaldo comemorando o gol contra o Palmeiras
Ronaldo comemorando o gol contra o Palmeiras Cesar Greco / Gazeta Press

Gestos provocativos também podem gerar grandes confusões. O respeito, o Fair Play devem prevalecer.

Nas comemorações demoradas, acredito que o bom senso da arbitragem deva predominar. Punir em um momento de êxtase, do jogador e da equipe, só se demorar uma eternidade, coisa que não acontece.

Agora, nos quesitos cobrir a cabeça e tirar a camisa não concordo com a regra. Aprendi, ainda na escola de árbitros, que os jogadores são punidos porque é o momento em que todas as câmeras estão neles, é o grande momento das marcas e patrocinadores aparecerem e investem para isso, se o jogador cobre o rosto e as marcas, o prejuízo é gigante.

É sabido que, atualmente, os jogadores, para darem entrevistas no intervalo ou final da partida, precisam estar de camisa, mas isso não é regra da Board. Se ele ficar sem não levará cartão. Assim como se vê os jogadores tirando a camisa no intervalo ou final da partida e o árbitro também não aplica cartão.

Por que o árbitro vai aplicar cartão amarelo na comemoração por esconder o rosto ou tirar a camisa?  Pela regra, o jogador não pode jogar sem camisa e nem de máscara, mas ele estando com o equipamento em ordem antes do reinício, qual o problema? Se é questão de patrocinadores e marcas, não é melhor o clube e as marcas multarem os atletas ao invés da regra do jogo com cartões?

Segue a regra da comemoração de gols:

Comemoração de gols

Os jogadores podem comemorar os gols, mas as comemorações não podem ser excessivas; as comemorações “coreográficas” não devem ser estimuladas e não podem causar perda de tempo excessiva.

Deixar o campo de jogo para comemorar um gol não é uma infração passível de advertência com cartão amarelo, no entanto os jogadores devem regressar o mais rapidamente possível.

Um jogador deve ser advertido com cartão amarelo, inclusive se o gol for anulado, por:

• subir nos equipamentos de proteção do campo e/ou se aproximar dos espectadores de modo que cause insegurança ou fira os princípios de segurança;

• fazer gestos ou praticar ações provocativas, debochadas ou inflamatórias;

• cobrir a cabeça ou o rosto com máscara ou outro artigo semelhante;

• tirar a camisa ou cobrir a cabeça com a camisa.”

E você o que acha dessa regra?

Fonte: Renata Ruel

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Jogador pode cabelo colorido, barba e tatuagem, mas e o árbitro?

Renata Ruel
Renata Ruel

O futebol é irreverente, divertido, reúne várias questões culturais tanto no Brasil quanto no mundo. É muito corriqueiro ver os jogadores com cortes e cores de cabelos diferentes, várias tatuagens, barbas, bigodes, mas nada comum ver árbitros com um cabelo colorido, sem estar barbeado, com tatuagens grandes e visíveis.

Neymar com o cabelo descolorido em jogo do PSG
Neymar com o cabelo descolorido em jogo do PSG EFE/EPA/YOAN VALAT

Os jogadores chegam ao estádio de bermuda, agasalho, tênis,  fone de ouvido, já a arbitragem precisa se apresentar com terno e gravata para um jogo de futebol.

Durante o curso de arbitragem, os alunos já recebem algumas orientações para jogos e até mesmo reuniões de aprimoramentos - por exemplo, cabelo cortado, barba feita, tatuagem não aparente, terno para os jogos. Por isso raramente se vê alguém membro da arbitragem com um corte ou cor diferentes de cabelos, com tatuagens e barbas em campo.

Claro que muitos árbitros têm tatuagem, mas normalmente escondidas pela camisa e meiões. Confesso que fiz em 2015 uma pequena no punho, a qual uma parte era escondida pelo relógio, mas com certo medo de retaliação - e sei que outros árbitros gostariam de fazer -, porém o receio fala mais alto.

E então entra a grande questão: por que o árbitro não pode ter tatuagens, barba, pintar o cabelo de loiro? No que isso acarreta em seu desempenho dentro dos gramados?

Vemos excelentes jogadores que a cada jogo mudam o cabelo e fazem tatuagem nova, e isso não altera a atuação nos gramados.

Ronaldo na Copa de 2002 usou o cabelo 'Cascão'
Ronaldo na Copa de 2002 usou o cabelo 'Cascão' Getty Images

Além das cobranças que os árbitros sofrem em cima das suas tomadas de decisões, se acertou ou errou, se está bem fisicamente (essa é outra questão, pois o árbitro pode estar “voando", mas se tiver com uma barriguinha, “fora dos padrões estéticos”, também pode ser afastado), existem as exigências sobre sua cor e corte de cabelo, sua barba, suas tatuagens, para não dizer seu corpo e sua vida, ainda tem quem fique de olhos nas redes sociais, para ver o que postam, como, onde, e tudo isso pode ser motivo para uma punição, um afastamento.

Sem dúvida que o profissional, seja ele um árbitro ou alguém que tenha qualquer outra função ou cargo, precisa se preocupar com a sua imagem. E o árbitro carrega uma carga ainda maior, pois é visto por muitos como o incorreto, mal intencionado, mesmo tendo uma conduta irrepreensível.

Felipe Melo com o braço quase 'fechado' de tatuagens
Felipe Melo com o braço quase 'fechado' de tatuagens Gazeta Press

Mas uma tatuagem, um cabelo  tingido, uma barba por fazer, um agasalho para chegar no jogo, não interfere nas suas qualidades e competências para atuar numa partida.

É melhor um árbitro com o cabelo pintado de rosa, se for o caso, que acerte tudo, legitimando assim o resultado, do que o aquele com o estereótipo pedido, mas que influencia na partida de forma negativa.

Anderson Daronco em ação: sem barba, tatuagem e cabelo na 'estica'
Anderson Daronco em ação: sem barba, tatuagem e cabelo na 'estica' Getty Images

O mundo está evoluindo, temos até a tecnologia no futebol agora com o VAR, porém ainda falta uma maior progressão - e por que não agora?

Fonte: Renata Ruel

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Jogador pode cabelo colorido, barba e tatuagem, mas e o árbitro?

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Muita chuva e jogos da Copinha paralisados; regulamento ou regra do jogo?

Renata Ruel
Renata Ruel

A Copinha está acontecendo e, como esperado, a chuva ou as tempestades têm feito parte do espetáculo.

No último final de semana foi possível observar em duas partidas situações parecidas e distintas ao mesmo tempo.

No jogo Sertãozinho x Palmeiras, em Araraquara, a chuva começou forte no segundo tempo, o Palmeiras vencia por 3 x 0, quando aos 40 minutos, em função de raios e trovões, o árbitro resolveu paralisar a partida. Após a diminuição da chuva, a arbitragem e as equipes retornaram ao campo e jogaram os minutos que restavam.

Já em Itapira, Vasco da Gama e Náutico se enfrentavam, a equipe carioca fez 1 x 0 logo no começo do jogo e a chuva tomou conta da partida em sseguida. O árbitro terminou o primeiro tempo, quando era mais fácil praticar pólo aquático do que futebol, e ao retornar para a segunda etapa observou que a chuva seguia forte e o gramado sem condições, após aguardar o tempo determinado decidiu suspender a partida. O segundo tempo foi jogado na segunda-feira às 14h.

Os campeonatos das federações,  CBF, Conmebol e FIFA são regidos pela Regra do Jogo da FIFA, estudadas e aprovadas pela International Board, ou seja, a regra é uma só para todos. Porém,  cada instituição conta com seu regulamento próprio, onde a maioria tem o regulamento geral das competições e o específico de cada uma.

Chuva na Copinha, algo normal
Chuva na Copinha, algo normal Gazeta Press

A Federação Paulista de futebol tem um regulamento geral com alguns itens iguais e outros diferentes da CBF. Por exemplo, se o jogo for paralisado por questão do gramado como ocorreu nestes dois jogos, tanto pelo regulamento da CBF quanto pelo da FPF o árbitro deverá esperar no mínimo 30 minutos para decidir se encerra ou suspende a partida antecipadamente. Se o árbitro entender que o tempo mínimo foi cumprido e mesmo assim não há condições de voltar a jogar, ele irá suspender a partida se não foram jogados no mínimo 30 minutos do segundo tempo e a encerra se o tempo foi além disso.

Ou seja, o árbitro do jogo entre Sertãozinho e Palmeiras, mesmo faltando apenas 5 minutos para o término do jogo, pelo regulamento fez o correto em esperar o tempo mínimo previsto e depois tomar a decisão de jogar o restante, ele não poderia encerrar a partida aos 40 minutos do segundo tempo sem esperar o tempo regulamentar. Assim como o árbitro do jogo do Vasco e Náutico em esperar o mínimo e suspender a partida.

Porém, como dito anteriormente,  em alguns pontos os regulamentos podem diferir. Por exemplo, a partida está marcada para às 15h00, uma das equipes não se apresenta em campo até este horário, pelo regulamento da FPF o árbitro deve aguardar 20 minutos e caso a equipe não compareça dar W.O., mas pela CBF na mesma situação o árbitro deve aguardar até 30 minutos.

Assim como é fundamental conhecer as regras do futebol e extremamente relevante conhecer o regulamento geral e específico da competição que está sendo disputada.

A seguir, seguem partes do regulamento geral da FPF e da CBF para conhecimento:

“Regulamento Geral Federação Paulista de Futebol:

Do Adiamento, Cancelamento, Suspensão e Encerramento Antecipado de Partida

Art. 14 - Constituem motivos para uma partida não se iniciar ou, após iniciada, ser declarada suspensa ou encerrada antecipadamente pelo árbitro:

I. Falta de garantia ou segurança para a partida;

II. Conflitos graves;

III. Mau estado do gramado;

IV. Falta de iluminação adequada;

V. Falta de ambulância com respectivo médico e equipamento necessário para atendimento de emergência;

VI. Motivo extraordinário, não provocado pelos Clubes, seus dirigentes e torcedores, que represente uma situação incompatível com a realização ou continuidade da partida.

§ 1º - Uma partida não iniciada poderá ser adiada ou decidida pela JD.

a) Se adiada, será disputada integralmente em horário estabelecido neste RGC ou pelo DCO.

b) Se decidida pela JD, poderá ser realizada ou resolvida por W.O.

§ 2º - Uma partida Paralisada pelo árbitro após seu início poderá:

a) Ter seguimento, se cessada a causa da paralisação;

b) Ser Suspensa;

c) Ser Encerrada Antecipadamente.

§ 3º - O árbitro deverá aguardar por, no mínimo, 30 (trinta) minutos a solução dos problemas que deram origem à Paralisação da Partida, e se tal não acontecer determinará a sua Suspensão ou

Encerramento Antecipado, conforme previsto no § 4º e § 5º deste artigo.

§ 4º - Caso a partida seja paralisada após os 30 (trinta) minutos do segundo tempo de jogo (ou dois terços do tempo total para partidas com duração inferior a 90 (noventa) minutos) e não possa prosseguir, o árbitro determinará seu Encerramento Antecipado, mantendo-se o resultado do momento, caso não haja infração a ser analisada pela JD.

§ 5º - Caso a paralisação ocorra antes dos 30 (trinta) minutos do segundo tempo de jogo (ou dois terços do tempo total para partidas com duração inferior a 90 (noventa) minutos) e não possa prosseguir no mesmo dia, o árbitro determinará a Suspensão da partida; exceto nos casos de ausência de número mínimo de atletas para o seu prosseguimento, ocasião em que será aplicado o W.O., ou recusa de sua continuidade por uma das equipes, hipótese em que a partida será decidida pela JD.

____________________________

§ 3º - Se o atraso for superior a 20 (vinte) minutos do horário marcado para o início ou reinício da partida, a ausência de qualquer das equipes acarretará a não realização ou a não complementação da mesma, sendo declarada vencedora por W.O. a que estiver presente, a menos que de outra forma decidido pela JD.”

“Regulamento Geral da CBF

Art. 57 – Nenhuma partida poderá ser disputada com menos de 7 (sete) atletas ou com a ausência de um dos Clubes disputantes.

§ 1º - Na hipótese do não atendimento ao previsto no presente artigo, o árbitro aguardará por 30 (trinta) minutos após a hora marcada para o início da partida, findo os quais o Clube regularmente presente será declarado vencedor por W.O., pelo escore de 3 a 0 (três a zero).”

O número de substituições, de atletas no banco de reservas, da comissão técnica também são de acordo com os regulamentos, isto é, além das regras da FIFA, os regulamentos são fundamentais para a competição.

Fonte: Renata Ruel

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Copa São Paulo de Futebol Júnior já revelou e derrubou árbitros

Renata Ruel
Renata Ruel
São Paulo estreou na Copinha neste sábado
São Paulo estreou na Copinha neste sábado Rubens Chiri

2020 começa com a Copinha sendo esperança para os jogadores serem vistos e, de repente, terem novas e melhores oportunidades. Mas eles não são os únicos que buscam isso neste grande torneio da base.

A Copinha é uma grande vitrine para a arbitragem paulista, ao ingressar no quadro da Federação Paulista de Futebol. O primeiro grande campeonato que os árbitros mais novos terão a oportunidade de atuar é neste.

São Paulo tem um quadro vasto, sendo em torno de 500 árbitros e assistentes. Outro fator relevante a ser considerado é o tamanho do estado de SP, onde há jogos em todas as partes, e durante o ano a maioria das partidas não conta com avaliadores de arbitragem. Ou seja, a maioria dos árbitros/assistentes termina o ano sem sequer ter tido uma avaliação. O que isso significa? O ano passou sem que nenhum avaliador ou membro do departamento de arbitragem da FPF tenha visto a atuação ou possua em mãos um relatório de muitos árbitros de seu quadro.

Se o árbitro não foi visto, não pôde ser avaliado, desta forma dificilmente subirá de categoria ou terá novas oportunidades. Assim, a carreira fica estacionada.

A nova comissão de arbitragem da FPF sabe da necessidade de se revelar novos árbitros e busca ter avaliador em todos os jogos nesta Copinha de 2020, além da TV, que ajuda como vitrine.

Dependendo da filosofia adotada pela comissão, árbitros novos e mais experientes são utilizados no torneio. Se o árbitro for bem, pode ter um upgrade na carreira. Mas se for mal em algum jogo isso pode comprometer a sua temporada. Sim, já vi, durante os meus anos na arbitragem, árbitro que seria usado no Paulistão perder espaço depois de não ir bem em jogo da Copinha, e árbitro que não seria utilizado tendo oportunidades melhores na temporada.

Porém, vejo dois detalhes como pontos relevantes para o torneio e análise da arbitragem:

- O primeiro é o fator início de temporada, falta de ritmo de jogo. Isso interfere nos árbitros, assim como nos jogadores. Os árbitros estão, no mínimo, há um mês parados, sem jogos, a maioria há mais tempo que isso. Lembro da minha dificuldade de me encontrar em campo nos primeiros jogos depois de algum tempo parada e 2 a 3 partidas já eram suficientes para entrar no ritmo.

- Outro ponto é o de os assistentes trabalharem dois jogos seguidos. Gente, isso é loucura na minha opinião. São 2 jogos de 45 x 45 com uma juventude que corre mais e incansavelmente. Os assistentes chegam no segundo jogo exaustos, ainda tem o fator chuva na Copinha que deixa o campo mais pesado e acaba exigindo mais fisicamente.

No Campeonato Paulista ocorre de os assistentes trabalharem em um único dia em jogos do sub15, sub17 e sub20 e árbitros apontarem 2 e fazerem reserva em 1. Muitas vezes, em função dos horários dos jogos, relatórios e localização do estádio sequer almoçam, mas se erraram algo na partida, com certeza serão cobrados.

É importante dizer que isso muitas vezes acontece por questões financeiras, alguns árbitros gostam por ganharem mais, a Federação e clubes têm gastos menores. Porém, o espetáculo futebol pode ser prejudicado por queda de rendimento e tomadas de decisões erradas no campo. A arbitragem ainda tem muito o que evoluir, sem dúvida, mas a Copinha é o primeiro passo do ano para acompanhar as mudanças e a possível revelação de grandes árbitros e jogadores. Vamos acompanhar.

Fonte: Renata Ruel

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A reação machista, preconceituosa e podre a Ana Paula de Oliveira na Comissão de Árbitros da FPF é abominável

Renata Ruel
Renata Ruel

Ana Paula de Oliveira foi anunciada oficialmente esta semana como a nova presidente da Comissão de Árbitros da Federação Paulista de Futebol (FPF). Semana passada, aqui no blog, eu já havia anunciado a sua contratação, porém, a função não havia sido definida ainda.

Ela é uma das pioneiras da arbitragem feminina. A ex-assistente fez história ao compor junto com Silvia Regina e Aline Lambert o primeiro trio de mulheres a atuar em grandes jogos no Brasileirão e em São Paulo, grandes responsáveis por despertar o interesse de muitas meninas para o futebol.

Aninha, como é chamada pelos mais próximos, fez parte da Escola Nacional de Árbitros da CBF - da qual se desligou este ano -, é instrutora Fifa e agora a primeira mulher a ser presidente da Comissão de Árbitros.

[]

Machismo e preconceito. Que ridículo!


Com o anúncio oficial da FPF, matérias sobre o assunto foram publicadas em vários veículos de comunicação e realmente o mais assustador foram os comentários feitos por leitores, nos quais o preconceito reinou.

“Deu pra quem para subir???”

“Será que ela vai tirar a roupa durante as reuniões?”

“Famoso deu pra quem kkkkk."

“Será que vai trabalhar de BIKINI? Bem pelo menos é mais bonita que o Cel. Marinho.”

“Bucetocracia."

“É um prêmio para ela que se promoveu após vários erros gravíssimos, que resultou na eliminação do Botafogo contra o Figueirense. Após isso ela tirou a roupa, para ganhar popularidade, pq competência lhe falta.”

“Ela engordou, mas mesmo assim eu como.”

Estes são apenas alguns dos comentários em que a maioria seguem esta linha, poucos são os que concordam e desejam sucesso ou até mesmo, ao discordar, falam em competência e capacidade.

O viés machista,  preconceituoso, repulsivo e abominável reinou! Ridículo.

Ana Paula foi capa da revista Playboy, assim como Vampeta da G Magazine. Será que se fosse um homem em seu lugar, os comentários seriam os mesmos? O Vampeta é analisado pela sua competência ou por ter posado para uma revista masculina?

Renovação positiva

Sem dúvida que a nova chefe da arbitragem paulista terá que mostrar competência, atingir metas e dar excelentes resultados em sua função, que serão cobrados a curto, médio e longo prazos dentro da própria entidade.

Porém, tempo para desenvolver um novo trabalho é fundamental para ela e sua equipe, que também conta com novos nomes. As exigências devem ser feitas em cima de metas e objetivos, resultados alcançados ou não, e a competência, a qualificação e a capacidade devem prevalecer, não o gênero, a idade, cor dos olhos, etc.

O que fizeram no passado é história, agora a nova comissão tem função de gestora.

Quantos estão preparados para essa nova função? Saber fazer é diferente de saber ensinar, que também é diferente de saber gerir.

Outro fator relevante é esta nova comissão ser composta somente por ex-assistentes, não há ex-árbitros integrando este específico grupo dentro da FPF. Algo que não me recordo de ter acontecido antes. Provavelmente, ótimo para os assistentes, mas e para os árbitros?

Seguiremos acompanhando os trabalhos, acreditando que venha uma grande renovação e também melhoria na arbitragem paulista, pois a saída do Dionísio Roberto Domingos foi muito bem recebida no meio dos árbitros que estão empolgados com esta comissão.

Copa São Paulo de Futebol Júnior e Paulistão logo começarão, e estaremos de olho na arbitragem.

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Pênalti no Brasil, mas não na Inglaterra: o que há de errado, se a regra é única?

Renata Ruel
Renata Ruel

No último final de semana, aconteceu o clássico de Manchester pela Premier League. O lance que chamou muito a atenção foi um braço de apoio da defesa, ou suporte do corpo, que bloqueou uma bola dentro da área. O árbitro em campo nada marcou, o VAR revisou e confirmou a decisão do árbitro de deixar seguir.

Transmissão da Premier Legue mostra VAR em ação
Transmissão da Premier Legue mostra VAR em ação Reprodução



Já no Brasileirão, penalidades assim foram marcadas, inclusive no jogo Flamengo x Grêmio, no qual o árbitro Raphael Claus sinalizou em campo e sua decisão foi confirmada pelo VAR.

Bola toca braço apoiado de Léo Moura: pênalti foi anotado
Bola toca braço apoiado de Léo Moura: pênalti foi anotado Reprodução TV Globo



Na final da Copa América, a penalidade também foi marcada contra o Brasil, na bola que toca o braço de Thiago Silva.

Lance em que juiz anota pênalti de Thiago Silva
Lance em que juiz anota pênalti de Thiago Silva Reprodução TV Globo



O texto da regra e o material da FIFA deixam claro que o braço usado de suporte para o corpo, apoiado ou não no chão, não constitui uma infração.

“Exceto nas situações acima, normalmente não se considerará infração se a bola tocar na mão/braço: se o jogador cair e a mão/braço estiver entre o corpo e o ponto de apoio do chão, mas não estendida para longe do corpo lateral ou verticalmente;” Livro de Regras, tradução CBF

“when a player falls and the hand/arm is between the body and the ground to support the body, but not extended laterally or vertically away from the body” IFAB  

[]

Acima, está o material usado pela FIFA para instruções durante a última Copa do Mundo Feminina na França.

Ao analisar os lances, a regra e o material, paira a dúvida:

Por que no Brasil e na América do Sul isso é pênalti? Ocorrem interpretações distintas entre os instrutores em cima da regra que é uma só? O que é passado para os árbitros europeus e ingleses em geral, que tomam decisões distintas dos nossos árbitros brasileiros em lances iguais?

A regra e o material da FIFA deixam claros os lances para se considerar infrações ou não.

Acredito que até mesmo os árbitros ficam perdidos ao receber orientações aqui que divergem das regras quando as estudam. O mesmo deve acontecer nos jogos da Europa, quando há tomadas de decisões dos árbitros distintas das suas em lances idênticos.

Com certeza algo está errado. E se a regra existe, a uniformidade de critérios se torna fundamental para uma melhora da arbitragem mundial.

De quem é a culpa? A brincadeira do “telefone sem fio” segue acontecendo? A mensagem sai da Europa de um jeito e chega de outro nas Américas?

O que se sabe com convicção é que, em lances idênticos como estes, as decisões tomadas pelos árbitros não podem ser diferentes.

 

 

Fonte: Renata Ruel

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Pênalti no Brasil, mas não na Inglaterra: o que há de errado, se a regra é única?

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