Time mais brasileiro do Campeonato Japonês fica com o título da temporada

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Yokohama Marinos conquistou o quarto título do Campeonato Japonês
Yokohama Marinos conquistou o quarto título do Campeonato Japonês Yokohama Marinos

Pela última rodada da J1 League, o Yokohama Marinos venceu o FC Tokyo, em casa, por 3 a 0, e conquistou a competição pela quarta vez na história. Há 15 anos o clube não vencia o Campeonato Japonês.

No final das contas, o Yokohama somou 70 pontos, seis a mais que o Tokyo, e comemorou a conquista diante de 63.854 torcedores, que lotaram o Nissan Stadium. A equipe podia até mesmo perder por sete gols e mesmo assim ficaria com a taça, pela enorme vantagem no saldo de gols.

A J1 League permite inscrições ilimitadas de estrangeiros nos elencos dos 18 times, mas somente cinco relacionados por jogo. Atletas dos países que são parceiros oficiais da competição não entram na conta - Tailândia, Vietnã, Miamar, Malásia, Camboja, Singapura, Indonésia e Catar.

O Yokohama Marinos, ao lado do Vissel Kobe, é o time com mais estrangeiros na liga, oito no total. São cinco brasileiros, maior marca na primeira divisão japonesa: o zagueiro Thiago Martins, o meia-atacante Mateus e os atacantes Edigar Junio, Erik e Marcos Júnior - este último, ex-Fluminense, artilheiro da competição com 15 gols.

O FC Tokyo conta com três brasileiros na lista de sete estrangeiros do time: o zagueiro Arthur Silva e os atacantes Diego Oliveira e Jael.

Comandado pelo experiente técnico Ange Postecoglu, nascido na Grécia e naturalizado australiano, o Yokohama atua no 4-2-3-1 na fase ofensiva, com variação para o 4-4-2 sem a bola; o Tokyo utiliza a mesma plataforma tática. Aliás, duas equipes bem disciplinadas taticamente.

Marcos Júnior é o organizador da equipe, atuando como meia avançado, atrás de Erik, que atua como falso nove. Precisando de um milagre, os visitantes entraram em campo e tentaram jogar. Criaram algumas oportunidades nos primeiros minutos, mas depois foram dominados pelos donos da casa.

Aos 26 minutos saiu o primeiro gol. Após chutão do Akihiro Ayashi, o Yokohama recuperou a posse, Erik começou a jogada pela direita e a bola foi para na esquerda, onde o tailandês Theerathon Bunmathan arriscou de fora da área. A bola desviou em Kento Hashimoto e encobriu Hayashi.

O segundo saiu ainda no primeiro tempo, aos 44, depois que Marcos Júnior achou Erik entre os zagueiros. O ex-atacante de Goiás, Palmeiras e Botafogo, mesmo pressionado, conseguiu finalizar e ampliou o placar.

Na segunda etapa, o Tokyo voltou disposto a diminuir e conseguia criar oportunidades. A pressão aumentou a partir de 19 minutos, quando Hayashi saiu da área e fez falta forte em Kensuke Nagai. O árbitro deu apenas cartão amarelo, mas o assistente o chamou e orientou a dar cartão vermelho - sugestão aceita.

Qualquer tentativa de reação, porém, foi encerrada pouco depois, aos 32, com o gol marcado por Keita Endo.

Tecnicamente é uma das melhores competições do continente, mas bem abaixo de ligas fortes europeias ou sul-americanas. Nas estatísticas, 57% de posse de bola para o Yokohama, com nove finalizações (quatro certas) contra 12 sofridas (três no alvo).

O clube atual surgiu da fusão entre Marinos e Flügels, os dois clubes da cidade até 1999. A história mais longínqua está ligada à Nissan, criadora dos Marinos e que detém até hoje 80% das ações - as 20% restantes são do City Football Group, que também controla o Manchester City, desde 2014.

O Yokohama Marinos, agora, se prepara para a temporada 2020, quando terá pela frente a disputa da Champions League asiática.

Fonte: Gustavo Hofman

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Análise tática e de ideias da temporada 2019-20 da Bundesliga

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Hansi Flick e Robert Lewandowski se deram muito bem
Hansi Flick e Robert Lewandowski se deram muito bem Bayern

A temporada 2019-20 da Bundesliga ainda não terminou. Nos próximos dias, o Werder Bremen lutará com o Heidenheim para permanecer como o time há mais tempo na elite alemã. Mesmo assim, já é possível analisar as 34 rodadas da competição.

Impossível não ressaltar a excepcionalidade de tudo que aconteceu. Invariavelmente, de alguma forma todos os times foram afetados pela paralisação do campeonato, decorrente da pandemia de coronavírus - tecnicamente, taticamente, fisicamente ou animicamente.

De qualquer maneira, a temporada teve altos e baixos tradicionais para todos envolvidos também. O próprio Bayern, campeão com diversos recordes, não começou bem. Tanto é que Niko Kovac, em 3 de novembro, após a décima rodada, deixou o cargo à frente dos bávaros. Substituído por Hansi Flick, o croata foi o primeiro técnico a perder o emprego na temporada da Bundesliga. No total, entre demissões e acordos para saída, houve apenas oito trocas de treinadores, uma a mais que na temporada anterior.

O Hertha Berlim se destacou nesse quesito, ao começar com Ante Covic, substitui-lo por Jürgen Klinsmann e ver o ex-técnico da seleção alemã ir embora após pouco mais de dois meses no clube. Alexander Nouri assumiu interinamente e, no retorno da competição, Bruno Labbadia foi o responsável por afastar o clube do rebaixamento.

Já Achim Beierlorzer praticamente não ficou desempregado, apesar da demissão no Colônia em 9 de novembro. Afinal, nove dias depois foi contratado pelo Mainz e ainda conseguiu atingir o objetivo principal, que era a permanência na Bundesliga. A saída mais surpreendente foi do holandês Alfred Schreuder, no início de junho, por divergências com a diretoria sobre o futuro do time. 

Destacar Hansi Flick é absolutamente natural. Ele assumiu como interino e terminou a temporada com contrato até junho de 2023 de maneira muito merecida. Transformou o Bayern, que sob o comando de Kovac era um time comum, em uma equipe dominante e com o DNA do clube. Houve também vários outros ótimos trabalhos.

A começar por Marco Rose, que leva o Borussia Mönchengladbach novamente à Champions League, após três anos de ausência. Peter Bosz, apesar da queda de rendimento nas rodadas finais, faz do Bayer Leverkusen um dos times mais agradáveis de se ver jogar na Europa, com muita posse de bola (62,4%, inferior apenas ao Bayern) e pressão sobre o adversário - melhor índice de Passes por Ação Defensiva (número de passes do adversário por posse) na Bundesliga (7,59). Julian Nagelsmann segue em constante evolução no RB Leipzig.

Menção honrosa também ao austríaco Oliver Glasner, que estreou na Bundesliga com o Wolfsburg. Já a maior decepção foi, sem dúvida, David Wagner. Após ótimo primeiro turno, terminou como o pior time da competição graças a uma sequência de 16 rodadas sem saber o que é vitória. Lucien Favre terminou com apoio da diretoria e pouco bem quisto pela torcida do Dortmund.

Taticamente, os esquemas mais utilizados nesta temporada foram o 4-2-3-1 e o 4-4-2 - preferidos de seis times, cada. Naturalmente, os primeiros colocados não alteraram tantos suas táticas, na comparação com os times da parte de baixo da tabela, carentes de mudanças para fugir de fases ruins. Gladbach e Bayern, ambos no 4-2-3-1, foram as equipes que menos variaram, com 60,5% e 58,3% do tempo, respectivamente.

O Werder Bremen, que lutou do início ao fim contra o rebaixamento, manteve seu jovem treinador, Florian Kohfeldt (37 anos), que buscou diversas alternativas para melhorar o rendimento sofrível em campo. O esquema mais utilizado foi o 4-3-1-2 em 22% do tempo total das partidas. Índice superior apenas ao rebaixado Fortuna Düsseldorf (4-4-2, 21,6%), que trocou de treinador - Friedhelm Funkel por Uwe Rösler.

Curioso notar que o Paderborn, praticamente fadado à queda desde o início, manteve seu técnico e as ideias de maneira bem regular, com as tradicionais duas linhas de quatro e dois atacantes à frente em 41,1% dos minutos nos jogos.

Abaixo, seguem os índices dos três esquemas táticos mais utilizados por cada um dos 18 times da temporada 2019-20 da Bundesliga. A fonte de pesquisa é o Wyscout.

Augsburg

4-4-2 (47,8%)
4-2-3-1 (28,2%)
4-4-1-1 (10,8%)

Bayer Leverkusen

4-2-3-1 (44,5%)
3-4-2-1 (12,2%)
4-4-2 (11,5%)

Bayern Munique

4-2-3-1 (58,3%)
4-3-3 (24,5%)
4-1-4-1 (9,5%)

Borussia Dortmund

3-4-3 (45%)
4-2-3-1 (29,8%)
3-4-1-2 (6,3%)

Borussia Mönchengladbach

4-2-3-1 (60,5%)
4-3-1-2 (10,9%)
3-4-2-1 (8,5%)

Colônia

4-2-3-1 (39,6%)
4-4-2 (19,5%)
4-1-4-1 (16%)

Eintracht Frankfurt

3-4-1-2 (41,4%)
3-5-2 (23,1%)
4-2-3-1 (10,4%)

Fortuna Düsseldorf

4-4-2 (21,6%)
3-5-2 (21,2%)
5-3-2 (12,6%)

Freiburg

4-4-2 (37%)
3-4-3 (30,7%)
4-2-3-1 (10,5%)

Hertha Berlim

4-2-3-1 (30,9%)
3-5-2 (13,2%)
4-4-1-1 (12,8%)

Hoffenheim

3-5-2 (37,5%)
4-2-3-1 (23,1%)
4-1-4-1 (16,4%)

Mainz

4-2-3-1 (29,2%)
4-3-1-2 (21,8%)
4-4-2 (18,5%)

Paderborn

4-4-2 (41,1%)
4-4-1-1 (16,1%)
4-3-3 (15,9%)

RB Leipzig

4-4-2 (33,2%)
4-2-3-1 (17,1%)
3-4-1-2 (10,5%

Schalke

4-3-1-2 (29,7%)
4-4-2 (19,3%)
4-1-3-2 (16,8%)

Union Berlim

5-4-1 (30,8%)
3-4-1-2 (18,9%)
4-4-2 (15,4%)

Werder Bremen

4-3-1-2 (22%)
3-4-3 (16,3%)
3-5-2 (10,7)

Wolfsburg

4-4-2 (25%)
3-4-3 (23,3%)
3-4-2-1 (15,8%)

Fonte: Gustavo Hofman

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Análise tática e de ideias da temporada 2019-20 da Bundesliga

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E o Hamburgo decepcionou sua torcida mais uma vez...

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Goleada sofrida para o Sandhausen manterá o Hamburgo mais uma temporada na segunda divisão
Goleada sofrida para o Sandhausen manterá o Hamburgo mais uma temporada na segunda divisão Divulgação

Em 2018, o relógio que marcava o tempo de permanência do Hamburgo na primeira divisão parou. A 17ª colocação na Bundesliga rebaixou o tradicional clube do norte da Alemanha pela primeira vez. Desde então, poucas torcidas no mundo passaram por tantas decepções como a do Hamburgo.

Na temporada passada, o time ficou a um ponto da terceira posição, que o levaria aos playoffs para tentar o retorno à elite. Na última rodada, venceu o Duisburg por 3 a 0, mas mesmo assim ficou atrás do Union Berlim - que posteriormente, garantiu o acesso. Neste final de semana, o drama foi muito maior.

A equipe do experiente técnico Dieter Hecking já tinha tropeçado na rodada anterior. No final de semana passado, foi batida pelo Heidenheim por 2 a 1, fora de casa, e perdeu o terceiro lugar justamente para o adversário. Mesmo assim, ainda havia boas possibilidade de subida.

No Volksparkstadion, o Hamburgo recebeu o Sandhausen, time de meio da tabela e sem qualquer objetivo na rodada final. No mesmo horário neste domingo pela manhã, o Heindenheim entrou em campo para enfrentar o campeão da segunda divisão, Arminia Bielefeld, longe de seus domínios. Com oito minutos do segundo tempo, o Hamburgo perdia por 2 a 0 e o Heidenheim por 3 a 0.

Os torcedores do Hamburgo, todos em casa, voltaram a acreditar quando Aaron Hunt, cobrando pênalti - marcado com auxílio do VAR -, recolocou o time no jogo aos 17 e diminuiu a vantagem do Sandhausen. O que se viu, porém, nos minutos seguintes foi uma tragédia esportiva de proporções épicas na história do clube.

Bastava apenas mais um gol para o Hamburgo empatar em pontos com o Heidenheim e levar a vantagem no saldo de gols. Behrens aos 39 de pênalti, Engels aos 43 e Diekmeier aos 48, após lambança da defesa, decretaram a infame goleada do Sandhausen por 5 a 1. O Heidenheim agradeceu e agora já se prepara para um difícil confronto com o Werder Bremen, pelos playoffs.

Abaixo, um resumo da temporada nas duas primeiras divisões da Alemanha.

BUNDESLIGA

Campeão: Bayern Munique

Champions League: Bayern Munique, Borussia Dortmund, RB Leipzig e Borussia Mönchengladbach

Europa League: Bayer Leverkusen, Hoffenheim e Wolfsburg (segunda fase preliminar)

Rebaixamento: Fortuna Düsseldorf e Paderborn

Playoff de rebaixamento: Werder Bremen x Heindenheim

Artilheiro: Robert Lewandowski, 34 gols (Bayern)

Líder em assistências: Thomas Müller, 21 (Bayern)

2.BUNDESLIGA

Campeão: Arminia Bielefeld

Acesso: Arminia Bielefeld e Stuttgart

Rebaixamento: Wehen Wiesbaden e Dynamo Dresden

Playoff de rebaixamento: Nuremberg (terceira divisão ainda não terminou)

Artilheiro: Fabian Klos, 21 gols (Arminia Bielefeld)

Líder em assistências: Tim Leibold, 16 (Hamburgo)

Fonte: Gustavo Hofman

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Vagas na Champions e na Europa League e luta pelos playoffs de rebaixamento são as atrações da última rodada da Bundesliga

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Marco Rose pode levar novamente o Gladbach à Liga dos Campeões
Marco Rose pode levar novamente o Gladbach à Liga dos Campeões Divulgação

Com o Bayern Munique dominante e campeão pela oitava vez seguida, a última rodada da Bundesliga poderia ser monótona. Não será assim.

O derradeiro dia de jogos do Campeonato Alemão tem disputas por vagas na Champions League e na Europa League, além de briga pela chance de permanecer na primeira divisão.

Confira todas as partidas deste sábado, às 10h30, com as transmissões dos canais Disney, e na sequência as disputas abertas.

34ª RODADA

Borussia Dortmund x Hoffenheim (ESPN)
Bayer Leverkusen x Mainz (ESPN 2)
Borussia Mönchengladbach x Hertha Berlim (Fox Sports 2)
Wolfsburg x Bayern Munique (Fox Sports)
Augsburg x RB Leipzig (ESPN App)
Freiburg x Schalke (Fox Sports App)
Eintracht Frankfurt x Paderborn (Fox Sports App)
Werder Bremen x Colônia (Fox Sports App)
Union Berlim x Fortuna Düsseldorf (ESPN App)

CHAMPIONS

Bayern e Borussia Dortmund, com 79 e 69 pontos, respectivamente, já garantiram  as duas primeiras posições e as classificações para a próxima Liga dos Campeões.

O RB Leipzig, com 63 pontos e 43 gols de saldo, não está classificado matematicamente, mas virtualmente. Isso porque o quinto colocado, Bayer Leverkusen, está com três pontos a menos e saldo de apenas 16. Logo, para ficar fora da Champions o time da Red Bull precisaria perder uma vantagem de 27 gols no saldo, primeiro critério de desempate.

Assim temos, efetivamente, Borussia Mönchengladbach, com 62 pontos e 25 tentos positivos, e Leverkusen na disputa pela última vaga à principal competição continental de clubes do planeta - e consequentemente todas suas premiações financeiras.

Também pela vantagem no saldo, o Gladbach deve se garantir com um empate diante do Hertha Berlim, em casa. Marcus Thuram não joga, mas há expectativa que Alassane Pléa possa voltar. O time da capital, aliás, foi o responsável por derrubar o Leverkusen da quarta para a quinta posição na rodada passada. Os comandados de Peter Bosz, sem Aleksandr Dragovic, suspenso, recebem o Mainz e precisam vencer, além de torcer por um tropeço dos atletas de Marco Rose ou promoverem a maior goleada do clube na história da Bundesliga (9x1 no Ulm, em 2000, é o recorde).

Caso confirme a classificação, o Borussia Mönchengladbach retornará à Champions pela primeira vez desde 2016-17. O clube recorda muito bem o que aconteceu na última rodada da Bundesliga passada, quando perdeu o quarto lugar para o Leverkusen.

EUROPA LEAGUE

Quem ficar de fora entre os dois citados no parágrafo acima, cai para a Liga Europa. Quinto e sexto colocados vão diretamente para a fase de grupos, e como a final da Copa da Alemanha será entre Bayern e Bayer, o sétimo na tabela da Bundesliga se garante na segunda fase preliminar da Europa League. Wolfsburg e Hoffenheim, empatados com 49 pontos, lutam pela garantia direta.

Os Lobos, do ótimo técnico austríaco Oliver Glasner, têm vantagem no saldo de gols (+6 x -4), por isso estão na sexta posição e dependem apenas de si. O problema é que o Wolfsburg recebe, justamente, o melhor time do momento no mundo. Argumentos do tipo "ah, eles não vão ligar para o jogo", "não estão mais preocupados", "irão cumprir tabela" não cabem para esse Bayern de Hansi Flick.

O Hoffenheim, que demitiu o treinador Alfred Schreuder há pouco mais de duas semanas por divergências sobre o futuro do clube, viaja até Dortmund para enfrentar o vice-campeão. 

PLAYOFFS DE REBAIXAMENTO

Com o Paderborn já rebaixado, a briga entre Werder Bremen e Fortuna Düsseldorf é a mais angustiante desta última rodada. Nas duas últimas rodadas, o primeiro somou duas derrotas e o segundo dois pontos.

Campeão da segunda divisão na temporada 2017-18, o Düsseldorf depende apenas de si diante do Union Berlim. Com 30 pontos e -28 no saldo, está em situação favorável na disputa com o Bremen (28 pontos, -32). Se empatar, torce para que não haja goleada do Bremen sobre o Colônia, em casa. 

Tudo isso para evitar a queda direta e avançar para os playoffs contra o terceiro colocado da 2.Bundesliga. Por lá, o Arminia Bielefeld garantiu o título e o Stuttgart o vice, além dos respectivos acessos. Na rodada passada, o Hamburgo perdeu o terceiro lugar para o Heidenheim e, apesar do saldo de gols maior (+20 x +12), tem agora um ponto a menos (54 x 55).

O Hamburgo recebe o Sandhausen, enquanto o Heidenheim joga fora de casa contra o Bielefeld. Todos os jogos da segunda divisão alemã acontecem às 10h30 de domingo.

Fonte: Gustavo Hofman

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Vagas na Champions e na Europa League e luta pelos playoffs de rebaixamento são as atrações da última rodada da Bundesliga

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Argentinos lideram entre técnicos estrangeiros no mundo; Série B brasileira é a mais instável

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Jorge Sampaoli já treinou o Santos e atualmente comanda o Atlético Mineiro
Jorge Sampaoli já treinou o Santos e atualmente comanda o Atlético Mineiro Ivan Storti/Santos FC

Treinadores argentinos de futebol são maioria no mundo entre os profissionais estrangeiros. A conclusão foi obtida pelo CIES Football Observatory, após pesquisa realizada em 1875 clubes, de 128 ligas nacionais, espalhadas por 91 países, até 1o de junho de 2020.

Ao todo, 68 técnicos argentinos trabalham como expatriados - ou seja, em uma associação diferente daquela em que cresceram. Exemplos não faltam, desde Diego Simeone no Atlético de Madrid a Jorge Sampaoli no Atlético Mineiro, o sucesso desses profissionais no futebol tem sido notório. O princial destino é o Chile (11).

Espanha (41), Sérvia (34), Alemanha (27) e Itália (27) completam o Top 5. Espanhóis estão presentes em 21 países e sérvios em 24, maior marca entre todos pesquisados. Já os treinadores brasileiros aparecem na nona posição, com 16 atuando fora do Brasil no momento - a maior parte no Oriente Médio.

Aliás, as ligas asiáticas estão entre as que mais possuem técnicos de fora. Em primeiro ligar vem a Pro League, da Arábia Saudita, com 83,8% dos profissionais, seguida pela Arabian Gulf League, dos Emirados Árabes Unidos, com 92,8% e a Stars League, do Catar, com 91,7%.

Um levantamento mais reduzido (1646 times, de 110 ligas nacionais em 79 países) analisou detalhes sobre os treinadores.

O campeonato nacional mais estável para treinadores de futebol é a Premier League galesa. Os técnicos dos 12 times estão nos cargos há 943 dias, em média. São seguidos pelos companheiros da Allsvenskan, na Suécia, com 890 dias, e da Super League, na Suíça, com 701. A Premier League inglesa, apesar de recentes demissões rápidas, ainda se destaca entre as principais ligas com 537 dias.

Já na outra ponta, sem qualquer surpresa, aparece a segunda divisão brasileira. A Série B é a mais instável para os treinadores, que ficam em média apenas 122 dias no cargo. Depois vêm a segunda divisão turca (124) e a primeira letã (134). A média mundial, considerando as ligas analisadas, é de 301 dias.


         
     

Sampaoli promete: 'Atlético-MG será extremamente ofensivo, protagonista em qualquer campo e sem temores ou resguardos'

A idade média é de 48,8 anos, com variação de 41 na elite estoniana a 54,9 na segunda divisão turca - pouca paciência com eles, como visto acima. O Campeonato Brasileiro está entre os primeiros colocados nesse ranking, na 13a posição, com média de 52,01 anos. Entre as cinco grandes ligas europeias, a Premier League é a mais "velha" (51,17).

O mais jovem é Ole Martin Nesselquist, do Strommen, na segunda divisão norueguesa, que vai completar 27 anos em 24 de junho. Já o mais experiente é Handi Yilmaz, do Keçiörengücü, na segundona turca, com 74,47 anos, seguido de Jesualdo Ferrreira (74,07), do Santos.

Os estudos chegaram à conclusão que o treinador de futebol tem como perfil médio no mundo ser homem abaixo de 50 anos, estar no comando do time há menos de um ano, ser ex-jogador (64,3%) e ter crescido no país onde trabalha (mais de sete casos em cada dez analisados). Neste último item, porém, chama atenção o alto número de profissionais expatriados, maior que de jogadores (28,3% x 24,7%) nas ligas analisadas.

Todos os dados podem ser analisados neste link.

Fonte: Gustavo Hofman

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Argentinos lideram entre técnicos estrangeiros no mundo; Série B brasileira é a mais instável

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Ainda sem assinar contrato de extensão, Willian pode não jogar mais pelo Chelsea

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Willian celebra gol com a camisa do Chelsea
Willian celebra gol com a camisa do Chelsea Getty Images

O imbróglio entre Willian e Chelsea permanece. Até agora não houve acordo entre jogador e clube sobre a renovação de contrato do brasileiro, que se encerra no próximo dia 30. As conversas começaram há meses e o brasileiro gostaria de um novo acordo de três anos, mas os Blues ofereciam no máximo dois. Com isso, a situação ficou estagnada; agora surgiu outro problema.

Por conta da pandemia de coronavírus e a paralisação da Premier League, diversos atletas estão na mesma situação de Willian. Ou seja, ficarão sem contrato antes do término da competição. A Fifa autorizou os clubes a negociarem novos acordos curtos, até o final das competições. Willian, porém, ainda não chegou a esse acerto com o Chelsea.

O meia-atacante teme sofrer alguma lesão e ficar desamparado pelo clube, quer alguma garantia maior. Willian segue sem definir seu futuro, apesar da falta de perspectiva de permanecer nos Blues. Quatro grandes clubes, da Inglaterra e de fora do país, já manifestaram interesse a seus representantes, mas nada avançou. O Tottenham, ventilado como possível destino, não está entre eles.

Nesta sexta-feira vai acontecer uma reunião extremamente importante para a definição sobre a sequência da temporada. Willian vai conversar com o técnico Frank Lampard sobre os próximos jogos, inclusive Aston Villa x Chelsea, neste domingo. Apesar de estar sob contrato até o dia 30, o jogador pode ficar fora dos planos do treinador se não houver a possibilidade de contar com ele após essa data.

Os Blues ainda jogam nesse período contra o Manchester City, pela Premier League (25/jun), e Leicester, pelas quartas de final da FA Cup (28/jun). Depois, tem compromissos pelo Campeonato Inglês até 26 de julho e o jogo de volta contra o Bayern Munique, pela Champions League, marcado para 6 de agosto.

Willian, de 31 anos, está no Chelsea desde 2013, quando foi contratado por 30 milhões de libras ao Anzhi Makhachkala, da Rússia. Antes, atuou com sucesso pelo Shakhtar Donetsk, após se transferir do Corinthians.

Fonte: Gustavo Hofman

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Das divisões menores de Brasil, Áustria e Alemanha para a Bundesliga

Gustavo Hofman
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Paulo Otávio foi contratado pelo Wolfsburg nesta temporada
Paulo Otávio foi contratado pelo Wolfsburg nesta temporada []

Perseverança. Esse é um sentimento fundamental para milhares de jogadores de futebol. O mundo milionário de transferências e clubes gigantes é para poucos. O lateral-esquerdo Paulo Otávio conhece bem essa realidade.

Natural de Ourinhos, no interior de São Paulo, e revelado pelo PSTC, no Paraná, o jogador batalhou muito e se deparou com as ciladas da carreira de jogador. Deslumbrou-se, conseguiu se recuperar e acreditou no projeto que estabeleceu para si mesmo.

Após passagens por Athletico, Coritiba, Santo André, Paysandu e Tombense, aceitou o desafio de encarar a segunda divisão austríaca com o LASK Linz. Destacou-se e de lá rumou para a segundona alemã, com o Ingolstad. Até chegar ao Wolsfburg.

Recuperando-se de uma rara lesão no tornozelo, Paulo Otávio concedeu entrevista e falou sobre suas experiências no futebol.

Com primeiro tempo alucinante, Wolfsburg e Freiburg ficam no empate em 2 a 2; veja os gols



Como está a recuperação da lesão?
Tudo bem. Já estamos entrando na quarta semana de recuperação. Agora a tendência é o tempo passar um pouco mais rápido, com mais movimentação, mais estímulo. Logo, logo vai acabar e estarei de volta para ajudar a equipe.

Não foi uma lesão comum no futebol, ao menos não estamos acostumados. Como foi sua reação quando soube o tipo de problema?
É algo meio estranho, eu também não conhecia. Quando me falaram ligamento de sindesmose, pensei o que era isso. Aí me falaram que é o ligamento que segura a tíbia e a fíbula, já na junção com o tornozelo. Engraçado de tudo é que foi sozinho, até perguntei para o João, os outros jogadores, se meu pé tinha virado, porque foi muito rápido. E eles falaram que não, Paulo, que seu pé virou e quando você caiu todo mundo achou que você estava brincando. Os fisioterapeutas também, que estavam no campo, disseram que nunca tinham visto isso. Foi anormal. Quando fiz a ressonância, viram que tinha rompido tudo, mas por sorte não precisou de cirurgia e isso ajudou bastante. Agora é contar com a cicatrização e voltar para a transição o mais rápido possível. De dez a 12 semanas de recuperação.

E você vinha em uma boa sequência, como titular nessa retomada.
É um momento... Todo mundo me perguntou, sinto muito, que pena, mas eu tentei levar pelo lado positivo. Isso é parte de um processo, todo atleta de alto nível está sujeito a isso. Aconteceu em um momento que seria melhor que não acontecesse, mas dos males o menor. Na próxima temporada já começo desde o primeiro dia na pré-temporada, não perderei treinamentos. O importante é voltar top fit, como eles falam aqui.

Com a classificação de Bayern Munique e Bayer Leverkusen para a final da Copa da Alemanha, o sétimo da Bundesliga também vai para a Liga Europa, assim como o sexto. A vaga direta é melhor de qualquer modo, não é mesmo, até pelo prêmio?
Sim, deu uma facilitada realmente. A gente estava torcendo bastante para que essa final da Copa acontecesse. Isso foi importante porque agora abre outra vaga, a sétima, mas se classificar direto é melhor. Por causa da qualificação, como a Libertadores, em que tudo pode acontecer nessas fases de mata-mata. E em sexto o prêmio pode ser maior também.

Surpreendeu a demissão do Alfred Schreuder, técnico do Hoffenheim, equipe que briga com vocês pela sexta posição?
Ninguém entendeu nada. Estávamos na fisioterapida, que é quase a minha casa, conversando e o Wout (Weghorst) falou "nossa, o treinador do Hoffenheim caiu". Daí todo mundo disse não, mas um fisioterapeuta estava vendo a televisão e disse "sim, saiu", mas ninguém entendeu. Ficou passando muito tempo na televisão, porque foi uma surpresa. O time está brigando por uma vaga na Europa, vem bem, mas futebol é muito maluco, as coisas acontecem quando ninguém espera.

Sobre o seu técnico, Oliver Glasner, que lhe comandou no LASK Linz, te recomendou bem no clube, não é mesmo? Você foi contratado mesmo após o rebaixamento à terceira divisão com o Ingolstadt, na temporad passada.
Foi muito rápido o que aconteceu, porque eu cheguei na Áustria por empréstimos e depois foi tudo muito rápido. Ninguém acreditou quando eu disse que sairia da Tombense para jogar na segunda divisão da Áustria. Sempre pensei que, se estou na terceira divisão do Brasil, chego na segunda divisão da Áustria e estou um passo à frente de quem está aqui na terceira. Não importa se é segunda ou não, porque estarei no futebol europeu e todo mundo está olhando, por mais que seja uma segunda divisão. Consegui desempenhar um excelente papel naquele ano e ficou uma impressão muito boa. Eu saio para o Ingolstadt e nós continuamos em contato. Foram dois anos sem nos encontrarmos, ele me mandava mensagem, perguntava como eu estava... Nos últimos dez jogos o nosso time estava bem, e aí eu vi que ele assinou com o Wolfsburg.  Até brinquei com minha esposa, "putz, ele podia lembrar de mim agora, dar uma lembradinha no passado", mas falei brincando. De repente, quando a gente joga o último jogo e tem o descenso, perde em casa nos playoffs, eu estava muito triste e meu celular toca. Era ele. "Paulo, eu sei que você está triste, sei que o momento é difícil, mas eu conto com você para a próxima temporada. Quer voltar comigo?". Falei porra, você está perguntando, o que eu vou falar? Onde assino? Onde tenho que assinar? Isso aí foi muito importante. O papel que desempenhei lá atrás mostrou que ele poderia contar comigo e hoje estou aqui com ele.

A segunda divisão alemã é bastante equilibrada. Como foi a experiência de cair nos playoffs para o Wehen Wiesbaden?
O time que vem da terceira divisão, se você imaginar, teoricamente nós temos que ganhar. E ganhamos o primeiro jogo, fora de casa, por 2 a 1 e falamos "agora dá". Só que quando chega em casa e a gente toma dois gols logo de cara, a pressão fica maior ainda. Estamos falando do Ingolstadt, que dois anos antes estava na Bundesliga, foi algo surreal. Faltavam dez rodadas e todo mundo falava que cairíamos direto, e começamos a ganhar todos os jogos. Quando chega no mata-mata, dois jogos só, depois dessa sequência, perdemos o último e caímos. Foi algo meio maluco.

Após três anos na Alemanha e um na Áustria, país que tem uma cultura muito parecida com a nação vizinha, está totalmente adaptado à vida na Europa? Feliz na Alemanha?
Sim, estou muito feliz aqui. É totalmente diferente do Brasil, mas a experiência que tive na Áustria mostrou, realmente, o caminho. Quando saí do Brasil, minha ideia era em quatro anos jogar a Bundesliga, e eu consegui chegar nesse objetivo. Nos meus dois primeiros anos eu não sabia falar alemão, só falava inglês. Quando cheguei no Ingolstadt, me disseram que eu teria que falar alemão, mas eu não conseguia. Daí me colocaram na escola, fazia aulas de 90 minutos duas vezes por semana e as coisas começaram a ficar mais claras, comecei a entender melhor as pessoas. Hoje falo alemão sossegado, isso ajudou bastante, e a partir do momento que constituí família também colaborou muito. Minha esposa tem me ajudado bastante, meu filho está crescendo cada dia mais. Posso dizer que sou muito feliz e realizado.

Sobre sua carreira, apesar da pouca idade (25), teve muitos clubes no Brasil. Começou no PSTC, no interior do Paraná, e de lá seguiu para Athletico, Coritiba, Santo André, Paysandu e Tombense. Como foi toda essa trajetória?
Foi algo meio estranho, porque sou paulista e tenho toda base no Paraná. Chego no PSTC com 13 anos, para jogar como atacante, mas quando vejo que tem cinco atacantes no time e eu não era muito de fazer gol, eu falei para o técnico que era lateral-esquerdo, quando ele veio falar comigo. "Mas você não é o atacante, que veio de Ourinhos, está como atacante aqui", e eu disse que não, daí ele falou que eu teria que fazer teste. Fiz, deu tudo certo e depois no Athletico foram dois anos, tudo muito rápido também. Subo com 17 anos, com três meses de clube, e quando você está com Paulo Baier, Guerrón, Marcinho, só esses caras, achei que eu não precisava de mais nada. Aí é onde as coisas caem e onde estalei para a vida. Desço do profissional direto para o sub-18, e isso foi pior porque eu poderia descer para o sub-23, mas me mandaram direto para o sub-18. Passa o tempo, vou para o Coritiba, mas aí eu já tinha mais ideia de que, quando chegasse no profissional, não podia me deslumbrar, tinha que ralar muito. Dividi vestiário com Alex, Deivid, Keirrison, Lincoln, jogadores sensacionais. Aprendi bastante, sempre escutava os conselhos do Alex, do Júlio César, centroavante, mas fui aprender mesmo o que é o futebol no Santo André. Você sai de duas estruturas sensacionais no cenário nacional e vai para o Santo André, um time pequeno, que joga a Copa Paulista. Quando cheguei, os caras brincavam que agora eu ia entender o futebol, seja bem vindo à "cascudinha", como eles falavam. Foi legal. Apesar da pouca idade, entre aspas, tenho algumas experiências bacanas.

Como foi a retomada do futebol na Alemanha e todos os cuidados com o protocolo da Bundesliga? Você se sentiu seguro na volta?
Eu me senti muito seguro. No começo, quando as coisas estouraram por aqui, eu realmente tive um pouco de medo. Tanto que minha esposa e meu filho foram para o Brasil. Com o passar do tempo, eles foram esclarencendo mais as coisas, o Governo esclareceu bastante tudo, a Bundesliga foi exigindo muitas coisas do clube e o Wolfsburg sempre foi muito prestativo com a gente. Então, ali, começou a criar uma segurança, uma contenção para que pudéssemos treinar e depois, consequentemente, jogar. Ficava sempre a pergunta: nós estamos fazendo o correto, o clube está se esforçando ao máximo, mas será que as outras equipes estão fazendo o mesmo? Só que a partir do momento que a liga começou a exigir de todos, quem não fizer terá que pagar, jogador que fizer algo fora da linha vai pagar e aí todas as coisas começaram a ser iguais, tudo muito rígido. Quando chegamos no primeiro jogo foi algo fora do comum. Chegamos no hotel e tem somente quatro pessoas para te atender. Tinha que fazer fila para pegar comida, a gente sempre brinca nessas situações, vai pegar pra mim, e ali cada um tinha que ficar a dois metros de distância. Para você pegar sua comida demorou quase meia-hora. Chega no estádio tudo vazio, nenhum torcedor esperando na rua, somente quem ia trabalhar no jogo. Ali você começa a sentir que está tranquilo para jogar. Quando acabamos o aquecimento, tenho o costume de sair correndo para o vestiário. Nosso supervisor chegar e fala "calma, calma", Daí perguntei "o que aconteceu", e ele disse que tínhamos que esperar toda equipe deles passarm depois nós. Aí pensei, "caramba, mudaram as coisas mesmo". Dá para jogar futebol.

Qual é a sua opinião sobre as manifestações que estão acontecendo pelo mundo contra o racismo? A Bundesliga apoiou esse movimento.
Penso como algo muito positivo. Nós, como atletas, brinco que não sou muito espelho, porque não tenho a dimensão do que posso representar para uma criança, para alguém que nos assiste. Meus amigos falam que eu sou um espelho para muita gente. Os atletas maiores, como Cristiano Ronaldo, LeBron James e os jogadores que estão aqui há muito tempo na Bundesliga, representam uma classe muito forte na sociedade. Nós conseguimos formar opiniões, querendo ou não, por isso o nosso posicionamento é muito importante. Eu, particularmente, nunca sofri com isso. Já aconteceu de um amigo muito próximo me falar que quando entrávamos em shopping aqui, só havia eu negro, e as pessoas ficavam me olhando, porque não é algo "normal" para eles na Alemanha, que é um país bem branco, sendo bem ríspido nas palavras. Mas eles são muito envergonhados do passado, sendo bem sincero, eles não gostam do que aconteceu e condenam muito a violência e o racismo. Ainda deve ter, com certeza, porque tem em toda parte do mundo, porque é muito triste. Eu me posiciono muito a favor da vida negra. 

Fonte: Gustavo Hofman

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Das divisões menores de Brasil, Áustria e Alemanha para a Bundesliga

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A Batalha das Ligas: o que é e como montei o time do Brasileirão

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

A Batalha das Ligas reúne timaços de 8 campeonatos com direito a Mané, Suárez, Mbappé e 'Gabigol'
A Batalha das Ligas reúne timaços de 8 campeonatos com direito a Mané, Suárez, Mbappé e 'Gabigol' Dalton Cara/Arte ESPN

Já imaginaram um campeonato reunindo as seleções dos melhores campeonatos nacionais do planeta? Sim, uma competição com times formados de LaLiga, Premier League, Italiano, Bundesliga, Francês, MLS, Mexicano e o Brasileirão.

Se na vida real, ainda mais no momento atual, isso é impossível, nos jogos virtuais vira 'realidade'. Bem, no caso do Campeonato Brasileiro, mais ou menos...

Vamos lá, para todos entenderem: a ESPN decidiu criar essa competição virtual no Fifa 20 e convocou alguns de seus jornalistas espalhados pelo mundo para definirem as equipes. No Brasil, a seleção dos atletas coube a mim.

Só que, diferentemente das outras sete ligas, não há no Fifa 20 a relação verdadeira de jogadores. Ou seja, não existem Gabriel Barbosa (o 'Gabigol'), Evertons ('Cebolinha' e Ribeiro), Daniel Alves e todos os demais. Estão lá personagens com nomes inventados, nos times reais - ao menos isso.

Logo, precisaríamos resolver esse problema para participar da competição. Afinal, convocar na Premier League é fácil demais. A solução encontrada pelo time de esports da ESPN Brasil foi relacionar os jogadores virtuais com melhores ratings aos atletas convocados.

Para explicar melhor e já citando um exemplo: o Flamengo no Fifa 20 tem um centroavante chamado Oswaldinato com rating 82; é o melhor do time no jogo, assim o relacionamos e alteramos seu nome para Gabriel Barbosa. Virou o 'Gabigol'. O mesmo foi feito com todos a partir da lista que defini.

Mesmo assim, ainda houve outro empecilho: o Corinthians não está no jogo. Logo, obviamente, não pude escolher qualquer representante corintiano para a lista de 23. Havia ainda outras regras básicas a serem seguidas.

- Máximo de sete jogadores de um time na convocação de 23 atletas;

- Máximo de quatro jogadores de um time na escalação inicial;

- Três goleiros entre os 23 convocados.

Pois bem, seguimos adiante.

A Batalha das Ligas reúne Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar, 'Gabigol' e muitos outros; assista ao trailer abaixo

Mesmo com todo esse trabalho, não necessariamente a relação jogador virtual-jogador real foi fidedigna. Querem um exemplo? Bruno Henrique, do Flamengo. Na minha opinião, ele foi o melhor jogador do Brasileirão em 2019; já no Fifa 20, rating de 78 (Prazeracinho), bem abaixo de Everton (83, Ronaldo Cabrais) e Dudu (82, Nuno Padrenda).

Isso interferiu na tomada de decisão ao montar as listas para cada partida. Porque, nesse exemplo que citei, o Bruno Henrique seria titular absoluto, mas dentro do cenário que expliquei no Fifa 20 ele está bem abaixo dos companheiros - o que diminuiria muito o overral do time e, por isso, acabou preterido em escalações.

Vamos logo aos convocados.

Goleiros: Weverton (Palmeiras), Vanderlei (Grêmio) e Tiago Volpi (São Paulo);

Defensores: Daniel Alves (São Paulo), Rafinha (Flamengo), Filipe Luís (Flamengo), Caio Henrique (Grêmio), Pedro Geromel (Grêmio), Gustavo Gómez (Palmeiras), Lucas Veríssimo (Santos) e Víctor Cuesta (Internacional);

Meio-campistas: Matheus Henrique (Grêmio), Tchê Tchê (São Paulo), Gérson (Flamengo), Edenílson (Internacional), Éverton Ribeiro (Flamengo), Giorgian de Arrascaeta (Flamengo) e Carlos Sánchez (Santos);

Atacantes: Bruno Henrique (Flamengo), Everton 'Cebolinha' (Grêmio), Dudu (Palmeiras), Gabriel Barbosa (Flamengo) e Paolo Guerrero (Internacional).

O formato da competição foi definido em dois grupos, com jogos em turno único, com a trava de MLS e Mexicano (Liga MX) na mesma chave pela rivalidade. Ficaram assim, já com os 'treinadores' ao lado:

GRUPO A
Premier League - Mark Ogden
Italiano (Serie A) - Nicky Bandini
Major League Soccer (MLS) - Noah Davis
Mexicano (Liga MX) - Tom Marshall

GRUPO B
LaLiga - Sid Lowe
Bundesliga - Gabriele Marcotti
Francês (Ligue 1) - Julien Laurens
Brasileirão - Gustavo Hofman

A Batalha das Ligas reúne seleções de craques a partir dos campeonatos nacionais
A Batalha das Ligas reúne seleções de craques a partir dos campeonatos nacionais Dalton Cara/Arte ESPN

Já adianto que não jogo Fifa 20. Meu filho tem Fifa 19 para Nintendo Switch, mas sou péssimo. Péssimo mesmo, e na verdade sempre fui em todos os jogos da trilogia Fifa. Meu negócio era Championship Manager/Football Manager.

Foi necessário, também, definir alguns itens para a seleção.

Tática utilizada: 4-3-3, com um meio-campista recuado e dois centrais.

Estratégia definida: transição rápida defesa-ataque, linha de marcação média e pressão quando perde a bola.

Por fim, a escolha do uniforme. Para não criar confusão, pedi o uniforme da seleção brasileira. Isso não foi possível, dentro das ferramentas do jogo, e o programador da ESPN responsável pela parte técnica decidiu pela camisa que ele achou mais bonita. Escolheu a do Grêmio.

O nosso grupo, como vocês viram alguns parágrafos acima, não é fácil. Parece-me evidente que LaLiga, Bundesliga e Francês estão à frente do Brasileirão. Nos próximos dias, descobriremos na vida virtual o resultado de toda esta brincadeira.

Veja o calendário de jogos

9/junho (terça)
- Grupo A
Premier League x Mexicano (Liga MX)
Italiano x MLS 
- Grupo B
LaLiga x Francês
Bundesliga x Brasileiro

10/junho (quarta)
- Grupo A
MLS x Premier League
Mexicano (Liga MX) x Italiano
- Grupo B
Brasileiro x LaLiga
Francês x Bundesliga

11/junho (quinta)
- Grupo A
Premier League x Italiano
Mexicano (Liga MX) x MLS
- Grupo B
LaLiga x Bundesliga
Francês x Brasileiro

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O quê? Quem? Quando? Onde? Como? Por quê? Perguntas e respostas sobre o retorno da NBA

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Disney, em Orlando, receberá o restante da temporada da NBA
Disney, em Orlando, receberá o restante da temporada da NBA Divulgação

O QUÊ?

A NBA vai voltar. Em 11 de março, a liga paralisou a temporada por causa da pandemia de coronavírus.

QUEM?

O Conselho de Administração da liga votou, nesta quinta-feira, a favor do retorno e com formato diferente. Foram 29 votos a favor e apenas o Portlan TrailBlazer contra. Foi o primeiro passo para a retomada das atividades.

QUANDO?

Volta marcada, inicialmente, para 31 de julho e o limite para o sétimo jogo das finais em 12 de outubro - ou seja, 74 dias no máximo de jogos. Os times farão uma semana de treinos em suas cidades, a partir de 30 de junho e no dia 7 de julho todos viajam para Orlando - com exceção do Magic, obviamente, que já estará na cidade.

Mantendo isso, o NBA Draft Lottery seria realizado em 25 de agosto e o Draft em 15 de outubro. No Lottery, estarão os oito times que ficaram de fora dessa retomada mais os outros que serão eliminados. Porém, as probabilidades serão distribuídas de acordo com a campanha até 11 de março apenas.

ONDE?

Complexo do Walt Disney World, em Orlando, que conta com três quadras e dezenas de hotéis e restaurantes. Serão até sete partidas por dia, nos seguintes locais: The Arena, HP Field House e Visa Athletic Center - todos dentro da área conhecida como Wide World of Sports Complex, no Walt Disney World. O objetivo é criar uma "bolha" de proteção, onde todos ficarão isolados.

COMO?

Ao invés de voltar a liga normalmente, o Conselho de Administração da NBA aprovou mudança no formato de disputa. Assim, os 16 times que estão na zona de classificação para os playoffs - oito do Leste, oito do Oeste - se somarão aos que estão com, no máximo, seis vitórias ou menos atrás do oitavo colocado. Totalizando assim 22, que são:

Milwaukee Bucks, Toronto Raptors, Boston Celtics, Miami Heat, Indiana Pacers, Philadelphia 76ers, Brooklyn Nets, Orlando Magic e Washington Wizards, pela Conferência Leste; Los Angeles Lakers, Los Angeles Clippers, Denver Nuggets, Utah Jazz, Oklahoma City Thunder, Houston Rockets, Dallas Mavericks, Memphis Grizzlies, Portland Trail Blazers, New Orleans Pelicans, Sacramento Kings, San Antonio Spurs e Phoenix Suns, pela Conferência Oeste.

Cada time disputará oito jogos, determinados pela tabela original da temporada 2019-20 - alguns já previamente determinados, mas outros sofrerão modificações. As campanhas finais serão a soma de toda "nova temporada regular" completa, partes 1 e 2.

As sete melhores campanhas de cada lado avançam para os playoffs. Já a oitava se garante apenas se estiver com mais de quatro vitórias do que a nona. Caso contrário, se enfrentam em uma série melhor de três - como se fosse uma repescagem para uma equipe seguir viva. Os playoffs serão disputados como previsto anteriormente, ou seja, com séries melhor de sete do início ao fim.

Por fim, ainda não foi divulgado como a NBA lidará com casos positivos de coronavírus. Serão levados para todo complexo Disney um máximo de 35 pessoas por franquia, mas ainda não há posicionamento sobre parentes de atletas. A ideia mais provável é de isolamento apenas do infectado e avaliação constante de todos próximos. Aliás, 

POR QUÊ?

Porque, assim, o salário dos atletas não sofrerá uma redução ainda maior, já que parte do que faltava da temporada regular será disputada. Na prática, se os 259 jogos da temporada regular faltantes fossem cancelados, os jogadores deixariam de receber 645 milhões de dólares. Com 88 partidas realizadas, a perda cai para 300 milhões - lembrando que os salários já foram reduzidos em 25%.

Porque, também, os times terão, pelo menos, três semanas competitivas antes de estrearem nos playoffs. Isso vai melhorar o rendimento de todos envolvidos.

Porque todos queremos que o melhor basquete do mundo volte, em segurança.

Fonte: Gustavo Hofman

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Brasil ou Alemanha? Promessa da base do Bayern terá que escolher entre as duas seleções

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Batista Meier conversa com Hansi Flick, minutos antes de estrear pelo Bayern
Batista Meier conversa com Hansi Flick, minutos antes de estrear pelo Bayern Bayern

Neste sábado, aos 33 minutos do segundo tempo, Oliver Batista Meier entrou na vaga de Serge Gnabry, durante a goleda do Bayern Munique sobre o Fortuna Düsseldorf por 5 a 0, na Allianz Arena. Foi a estreia do meia-atacante, de 19 anos, com a tradicional camisa do gigante alemão.

Poderia ser apenas mais um jovem a atuar pela primeira vez pelo Bayern, mas há algo a mais nele que interessa ao futebol brasileiro. O garoto é filho de Noelia Batista Meier, cearense, que se mudou para a Alemanha em 1989, onde conheceu Xaver Meier, se casou e teve três filhos.

Natural de Kaiserslautern, Oliver é um dos destaques da base do Bayern, o que chamou atenção da DFB - e da CBF. O garoto já atuou pelas seleções alemãs sub-15, sub-16 e sub-17. André Jardine, técnico do sub-20 brasileiro, o convocou em novembro do ano passado para um triangular com Peru e Colômbia, na Granja Comary.

"É um jogador que a gente acompanha aqui. Já foi convocado uma vez, mas acabou não dando certo. O Bayern não o liberou na ocasião. Jogador que vem sendo convocado para a seleção de base alemã, então deve estar vivendo aquele drama de ter que decidir entre jogar na seleção alemã ou ser convocado pela brasileira", disse ao blog Jardine, que localizou o atleta no banco de dados da CBF.

Bayern atropelou o Fortuna Dusseldorf por 5 a 0; assista abaixo


Aos 16 anos, Oliver Batista Meier trocou o Kaiserslautern pelo Bayern Munique. Na temporada 2017/2018, disputou 41 partidas pelo clube nas categorias de base e marcou 33 gols, além de ter distribuído 19 assistências. Contra seu ex-time, apenas um mês após chegar a Säbener Strasse, marcou cinco vezes em uma goleada bávara.



Uma lesão de ligamento em um dos tornozelos o tirou dos gramados por seis meses. Quando voltou, em abril do ano passado, rapidamente recuperou a melhor forma técnica e física. Na atual temporada, jogando majoritariamente aberto pela esquerda no ataque, são 12 gols em 11 jogos pelo Bayern sub-19. Mais uma vez ele anotou cinco em uma mesma partida: a vítima da vez foi o Hoffenheim.

"Jogador que só vi por vídeos e gostei bastante. É um meia-atacante, inventivo, com bastante qualidade técnica, poder de decisão interessante, tem um número de gols interessante jogando pelo Bayern B e pelo sub-20. Vejo muito potencial nele, e o Bayern também pelo jeito", explicou Jardine.

Desde novembro, Oliver Batista Meier treina com o time principal do Bayern, mesmo tendo gerado confusão com a convocação. Quando recebeu a ligação de Hansi Flick, não se importou com o número que apareceu na tela do celular e não atendeu a ligação. Afinal, ainda não tinha salvado na agenda o contato do seu novo treinador.

Portugiesisch?

Em entrevista ao jornal Bild no final do ano passado, Oliver afirmou que não tem facilidade com a língua portuguesa. "Eu esqueci muito de português, o que me deixa um pouco chateado. Coutinho ainda não sabe que sou metade brasileiro. Não quero que ele saiba porque ele vai querer falar comigo em 'brasileiro' e vai ser difícil, ainda que eu me veja como brasileiro. Meu lado alemão aparece às vezes, mas meu estilo de jogo talvez seja mais brasileiro". Muito provavelmente, Philippe Coutinho já descobriu o segredo do garoto.

Noelia Batista, mãe do atleta, explicou ao blog a relação da jovem promessa com a língua portuguesa. "Ele entende português e quer que eu fale em português com ele, mas não consegue falar muito bem. Dei alguns livros para ele ler, mas não tem interesse porque o tempo dele é muito corrido. Ele acha que quando for ao Brasil, na conversa com meus familiares, vai aprimorar o português."

O brasileiro-alemão Oliver Batista Meier em ação pelo Bayern de Munique
O brasileiro-alemão Oliver Batista Meier em ação pelo Bayern de Munique M. Donato/Getty Images

Os costumes europeus, de aproveitar muito bem os dias ensolarados no continente, acabaram provocando uma situação inusitada. Com o belo sol que fazia em Kaiserslautern (distante 388 km de Munique), onde mora, Noelia saiu para passear com a filha do meio e seu netinho. Acabou perdendo a estreia do filho mais novo. "Foi uma pena, mas eu não assisti, porque nesses últimos jogos ele sempre esteve no banco, junto com os companheiros, e nunca entrou. Ontem, fez um dia bonito, saí com meu neto e com minha filha. Foi uma pena, o meu filho mais velho, Heiko, mostrou uma foto dele entrando no gramado."

O técnico Hansi Flick tem dado oportunidade a jogadores jovens. Contra o Düsseldorf, com a goleada no placar, colocou em campo o holandês Joshua Zirkzee, que já vem ganhando chances. Isso sem falar no canadense Alphonso Davies, titular absoluto da lateral-esquerda. Os dois têm 19 anos, assim como Oliver Batista Meier.

André Jardine espera, em breve, poder contar com o brasileiro-alemão. "É uma pena ainda não ter vindo, a gente torce para que ainda consiga convocá-lo, mas sem dúvida se trata de um grande jogador."

Já Noelia garante que o filho ficou muito feliz com o chamado. "Ele ficou muito contente pelo convite, só que na época tinha um jogo muito importante. Então o treinador disse que precisava dele aqui no campeonato, por isso não foi possível ir."

Por enquanto, a decisão sobre Alemanha ou Brasil ainda não precisa ser tomada. Com mais aparições pelo Bayern, esse momento em breve chegará.

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Os motivos que fizeram o Bayern se reerguer na temporada da Bundesliga

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Bayern goleou o Eintracht Frankfurt por 5 a 2 neste sábado
Bayern goleou o Eintracht Frankfurt por 5 a 2 neste sábado Bayern

Em 2 de novembro de 2019, muito antes do mundo parar por causa da pandemia de coronavírus, o Eintracht Frankfurt goleou o Bayern Munique por 5 a 1, pela décima rodada da Bundesliga. O resultado causou a demissão do técnico Niko Kovac, que somara até então cinco vitórias, três empates e duas derrotas. A partir daí, muita coisa mudou.

Neste 23 de maio, com o planeta ainda em combate ao vírus e as arquibancadas da Allianz Arena vazias, o Bayern fez 5 a 2 no Frankfurt e fortaleceu, ainda mais, a condição de melhor time do campeonato e maior favorito ao título. As mudanças passam, obrigatoriamente, por Hansi Flick.

Contratado no início da temporada para ser assistente técnico de Kovac, Flick assumiu interinamente o time e, graças aos excelentes resultados, ganhou contrato até junho de 2023. Ele foi o principal assistente de Joachim Löw na seleção alemã no Mundial de 2014, e após a conquista assumiu o posto de Oliver Bierhoff, como diretor esportivo da DFB.

Hansi Flick não promoveu tantas alterações de nomes na escalação, mas mudou as funções de alguns e, principalmente, o jeito da equipe jogar. O Bayern era um time comum sob o comando do antecessor, que também conseguia bons resultados. Basta citar o 7 a 2 sobre o Tottenham, em Wembley, pela Champions League. Quatro dias depois, porém, perdeu pela primeira vez na história em casa para o Hoffenhein, pelo Campeonato Alemão.

Tratava-se de um time sem personalidade, que encarava cada jogo como apenas mais um. Com Flick, o Bayern voltou a ser dominante, como a cultura do clube exige.

Taticamente o padrão atual é o mesmo do início da temporada, o 4-2-3-1 com a bola e 4-4-2 sem. Só que agora o Bayern é uma equipe bem mais objetiva, e isso se deve a algumas escolhas do treinador. Thomas Müller, por exemplo, é a principal delas.

Com Kovac, o atacante ainda não tinha marcado gols e havia distribuído somente quatro assistências nas dez rodadas iniciais. Desde então, são sete gols e 13 assistências - totalizando 17 nesse último item, maior marca nas cinco grandes ligas europeias.

Müller deixou de ser uma opção exclusiva pelo lado do campo, para atuar muitas vezes como um meia-atacante avançado, próximo a Robert Lewandowski. Com isso, o time se tornou mais vertical e menos horizontal, situação que ocorria mais com Philippe Coutinho como meia armador. Além do veterano jogador, outro que ganhou espaço foi Leon Goretzka.

O ex-atleta do Schalke é forte fisicamente e conduz muito bem a bola, tem um estilo de jogo bem objetivo. Tanto ele, como Müller, podem atuar em mais de uma função no ataque e possibilitam maior rotação entre as peças durante o jogo. Goretzka, ainda, tem a vantagem de jogar como segundo homem de meio-campo - como foi o caso deste sábado, diante do Frankfurt.

O Bayern é o time com a melhor média de posse de bola (66,8%) da Bundesliga e a que mais pressiona quando perde. Uma estatística avançada que ajuda entender esse segundo item é a PPDA - Passes per Defensive Action (Passes por Ação Defensiva). Os bávaros permitem somente 7,66 passes do adversario por jogada, enquanto a média da Bundesliga é de 11,29. Essa é uma característica que tem levado a comparações com o time treinado por Jupp Heynches na conquista da Tríplice Coroa.

Pelos lados, Serge Gnabry e Kingsley Coman deixaram de ser as "únicas" opções e ganharam o reforço de Ivan Perisic e o próprio Coutinho, algumas vezes. Pela esquerda, o corredor precisa sempre estar disponível a Alphonso Davies, o jovem sensação do Bayern. Com apenas 19 anos, já joga como um dos melhores laterais-esquerdos do mundo. Foi lançado com Kovac e ganhou notoriedade e regularidade com Flick.

Tudo isso sem falar no nível impressionante de jogo que apresenta Joshua Kimmich. Seja com Goretzka, Thiago ou Coréntin Tolisso ao lado, ele comanda as ações criativas, a saída de bola e dita o ritmo de jogo. Na prática, é o construtor das jogadas do Bayern com Hansi Flick no comando.

Em média, o Bayern tem 31,14 toques na bola dentro da grande área adversária, quase o dobro do número médio da liga (16,93). São 2147 passes para o último terço do campo, ou seja, passes objetivos. O segundo nesse quesito é o Borussia Dortmund, com 440 a menos.

Assim, mesmo ainda apresentando falhas defensivas, enquanto o setor ofensivo sobra (80 gols em 27 jogos, maior marca da Bundesliga na história), o Bayern se colocou novamente como o melhor time da competição. Algo que hoje pode soar como banal, mas que no segundo semestre de 2019 não era uma realidade.

Por fim, é necessário ressaltar a temporada incrível de Robert Lewandowski. São 41 gols e cinco assistências em 45 jogos totais na temporada. O atacante polonês é a estrela de uma equipe que passou a funcionar coletivamente.

Fonte: Gustavo Hofman

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Os motivos que fizeram o Bayern se reerguer na temporada da Bundesliga

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O retorno da Bundesliga é um alívio e uma esperança em tempos tão difíceis

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Jogadores do Dortmund 'dão as mãos' e comemoram goleada com a Muralha Amarela... Totalmente vazia!

Como a Deutsche Welle bem descreveu, a ansiedade da comunidade do futebol neste sábado era equivalente a de uma abertura de Copa do Mundo. Tempos estranhos para todos, em que a ciência é negada a favor do obscurantismo e convivemos diariamente com notícias ruins. O retorno da Bundesliga oferece um mínimo de alívio e uma ponta de esperança na nova normalidade.

Como já é notório, o Campeonato Alemão retomou as atividades sob forte protocolo sanitário. Em momento algum a DFB, responsável pela Bundesliga, negou o risco existente. Pelo contrário, o documento divulgado para todos os envolvidos deixa claro que as medidas visam minimizar ao máximo esse risco e ressalta a importância social e econômica do futebol. Tudo isso em um país que conduz o combate à pandemia de coronavírus com seriedade e responsabilidade, sem charlatanismo.

Com arquibancadas vazias, distanciamento entre as pessoas fora de campo, muitas máscaras, limite de funcionários no estádio e gols, foi um sábado em que o mundo voltou a respirar futebol.

Brasileiro dá drible monumental na lateral, deixa rival perdido e faz pintura para o Hertha

Aliás, tudo voltou como se não houvesse parado: com gol de Erling Haaland. O Borussia Dortmund manteve o ritmo pré-paralisação e atropelou o Schalke 04 no Clássico do Vale do Ruhr. Foi muito estranho ver a Muralha Amarela do Signal-Iduna Park vazia, ainda mais acompanhar a saudação dos jogadores após o 4 a 0 para aquele silêncio.

O time do técnico Lucien Favre será o principal perseguidor do Bayern Munique, que ainda entrará em campo na rodada, neste domingo diante do Union Berlim, na capital alemã. Contra o Schalke, seu maior rival, foi a quinta consecutiva e de número 800 no total na história da Bundesliga. Já os Azuis Reais não sabem o que é vencer há oito rodadas, pior marca sob o comando de David Wagner - e também a pior marca atual da Bundesliga.

Já o RB Leipzig prosseguiu com a instabilidade, que o marcava antes da pausa. Foi superior ao Freiburg, mas ficou apenas no empate em 1 a 1, jogando na Red Bull Arena. Criou mais chances (20 x 6 em finalizações, 9 x 2 no alvo), teve mais posse de bola (61% x 39%), mas parou na ótima atuação do goleiro Alexander Schwolow.

Jogadores do Borussia Dortmund comemoram vitória sobre o Schalke 04
Jogadores do Borussia Dortmund comemoram vitória sobre o Schalke 04 EFE/EPA/MARTIN MEISSNER

O resultado permitiu ao Dortmund abrir vantagem na luta pelo título com o Bayern e foi ainda pior para o Leipzig, por conta da fácil vitória do Borussia Mönchengladbach por 3 a 1 sobre o Eintracht Frankfurt. Aliás, dos cinco jogos realizados neste sábado, apenas uma vitória do mandante, justamente no clássico.

Além das partidas já citadas, o Hertha Berlim surpreendeu o Hoffenheim e fez 3 a 0 com uma pintura do brasileiro Matheus Cunha, enquanto o Wolfsburg bateu o Augsburg por 2 a 1. Por fim, Fortuna Düsseldorf e Paderborn ficaram no 0 a 0, justificando as duas últimas posições na classificação.

De maneira geral, com as exceções já citadas, pareciam jogos normais de futebol. Olhando apenas para o campo, foi possível se desligar por alguns momentos de todo inferno que estamos vivendo. Rapidamente, porém, a memória era ativada nos cumprimentos com os cotovelos.

Bundesliga tem o potencial de apontar o caminho para o futebol no novo normal. Estaremos, todos, assistindo e torcendo para que dê certo.

A Bundesliga voltou! Gerd Wenzel dá o seu primeiro 'tchau, tchau' no retorno do futebol à ESPN


Fonte: Gustavo Hofman

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O retorno da Bundesliga é um alívio e uma esperança em tempos tão difíceis

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Primeira transmissão, retorno da Bundesliga, jogo mais marcante: Gerd Wenzel relembra a carreira

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Gerd Wenzel está há 18 anos na ESPN
Gerd Wenzel está há 18 anos na ESPN Reprodução TV

A Bundesliga está de volta. Entre as grandes ligas de futebol no mundo, é a primeira a retornar durante a pandemia de coronavírus. Os canais ESPN vão transmitir três jogos nos próximos dias: RB Leipzig x Freiburg (sábado, 10h30), Colônia x Mainz (domingo, 10h30) e Werder Bremen x Bayer Leverkusen (segunda, 15h30).

Com o Campeonato Alemão de volta à grade de programação, Gerd Wenzel estará mais uma vez ao lado de Rogério Vaughan. Wenzel é uma das pessoas mais queridas da ESPN e na entrevista abaixo, contou um pouco da sua história no Brasil e na televisão brasileira.

Como foi a chegada da Bundesliga no Brasil?
É um prazer conversar sobre essa história já longa da Bundesliga no Brasil. Começou na realidade em 1991, quando a Bundesliga ofereceu à TV Cultura o Campeonato Alemão - na época, três temporada: 91-92, 92-93 e 93-94 - por 500 mil dólares. Na época, o presidente da TV Cultura era o Roberto Muylaert, e na hora ele pegou. Só que não tinha lá um comentarista que entendesse alemão. Quem fazia a narração era o José Goes, o comentarista era o José Trajano e de vez em quando pegavam alguém da colônia alemã, mas não deu certo. Até que um dia, meu amigo Antônio Alberto Prado, que era jornalista e diretor de Comunicação da Bayer, patrocinadora do Campeonato Alemão e que pagou esses 500 mil dólares, me ligou e perguntou se eu entendia de futebol. Disse que mais ou menos, acompanho um pouco. "Mas você acompanha a Bundesliga"? De vez em quando, pelo jornal. "É que acontece o seguinte, a TV Cultura está precisando de um comentarista". Mas eu não sou comentarista! "Não, vai lá, conversa com o Domingues, que é o diretor de Redação e vamos ver, de repente dá um samba". Liguei para ele, comecei a conversar com o diretor de Redação da TV Cultura, me perguntou se eu tinha experiência de TV e rádio, disse que não tinha. E aí ele me disse que eu estava contratado, porque minha voz seria inconfundível. "Seu timbre de voz, seu jeito de falar, seu pequeno sotaque de alemão, que ainda bem não é muito carregado". Isso foi em uma quinta-feira, no sábado tinha Rostock e Duisburg. Ele me perguntou se eu topava e disse 'vambora'.

E sua primeira transmissão?
Esse primeiro jogo foi uma loucura. A gente tem que entender que não havia internet, catava informação em um ou outro jornal alemão que achava nas bancas. Eu procurei me informar de uma forma ou de outra, com colegas alemães que eram fãs de futebol. Tinha um colega que trabalhava na Deutsche Bahn, com muitas revistas de futebol. O primeiro jogo foi Hansa Rostock x Duisburg e aconteceu um pequeno detalhe nesse jogo, que nos 20 minutos iniciais nós trocamos os times. Durante 20 minutos a gente inverteu as equipes! O Hansa Rostock para nós era o Duisburg e o Duisburg era o Hansa Rostock! Porque eles entraram com os uniformes B, que eram eequivalentes aos uniformes A do outro time. Temos que entender que a gente fazia essa transmissão com um monitorzinho de 32 polegadas, na época não havia alta definição, a imagem não era perfeita. Enfim, a gente embarcou em uma de inverter os times, até que uma boa alma ligou para a direação e informou que estávamos invertendo as equipes. Ainda bem que o jogo até então estava 0 a 0.

Rogério Vaughan lembra jogo mais marcante que narrou na Bundesliga: 'Lewandowski entrou e acabou com a partida'


Com o que você trabalhava nessa época?
Eu tinha e até hoje tenho uma empresa de eventos corporativos. Durante mais ou menos 20 anos trabalhei com eventos corporativos, convenções de vendas, simpósios, reuniões de treinamento. Eu fazia toda parte de organização dessa convenções, cheguei a fazer eventos no exterior, Uruguai, Argentina, Estados Unidos, México, para empresas brasileiras. Minha empresa estava a todo vapor e nas horas vagas eu fazia um comentário por semana na TV Cultura.

Muitos não conhecem sua rica histórica de vida. Como você chegou ao Brasil?
Bom, aí vamos voltar mais um pouquinho. Eu nasci em Berlim durante a II Guerra Mundial, em 1943, e quando terminou a guerra, que até recentemente completou 75 anos do fim, Berlim foi dividida entre a parte oriental e ocidental. A parte oriental ficou com os soviéticos e a ocidental com os aliados, nós ficamos morando em Berlim Oriental. Na década de 50, com o início da Guerra Fria, havia uma enorme preocupação com a eventual III Guerra Mundial.  Minha mãe conheceu na década de 20, do século passado, uma família judaica para qual ela trabalhou. Essa família se refugiou no Brasil já em 1933, antes do Hitler assumir o poder na Alemanha e ela nunca perdeu contato com eles. Essa família sempre insistiu para que nós viéssemos para o Brasil, porque poderia estourar uma guerra, como realmente estourou. Depois insistiu que nós fôssemos para o Brasil, tendo em vista a situação pós-guerra na Europa, situação muito complicada e difícil. Meu pai já havia falecido, então minha mãe decidiu fugir de Berlim Oriental para o Brasil. Chegamos aqui no dia 21 de agosto de 1955. Viagem de navio, 21 dias, desembarcamos em Santos.

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Praticamente um brasileiro, sem perder a origem alemã.
Sempre digo: coração dividido, metade alemão, metade brasileiro. Em 2014, durante a Copa do Mundo, me perguntaram várias vezes para quem eu torceria, para o Brasil ou para a Alemanha. Eu sou o único campeão mundial nove vezes.

Como começou sua história na ESPN Brasil?
Eu já conhecia o Trajano da Cultura. Quando a ESPN começou a entrar com força nas transmissões internacionais, especificamente com o Campeonato Alemão, isso foi 1998, 99. De vez quando o Trajano já me chamava para fazer um ou outro jogo, mas quando entrou com força mesmo nos campeonatos internacionais, agregando Italiano e outros, ele me chamou. Eu me lembro direitinho até como foi, o Rogério conhece bem essa história. Diz que o Trajano, naquele salão que conhecemos bem, falou com a secretária dele "Ô Cristina, chama aquele maluco do Wenzel, porque nós vamos precisar dele". Aí a Cris me ligou, falou que o Trajano queria que eu fizesse os comentários do Alemão, será que você pode fazer? E foi exatamente no dia 7 de fevereiro de 2002, dia do meu aniversário, que o Trajano me deu esse presente. De voltar a fazer o Campeonato Alemão pela ESPN. Ou seja, tenho 18 anos de casa.

Neste final de semana, após tantas transmissões pela ESPN, terá uma experiência bem diferente, não é mesmo?
Vai ser uma experiência diferente para todos nós e todos os envolvidos no campeonato. Na realidade, estamos entrando, pisando em uma terra de ninguém. Uma terra que ninguém sabe exatamente o que vai acontecer. Sempre bom lembrar que serão jogos com portões fechados, não haverá público e com restritas regras de segurança sanitária. O Campeonato Alemão está paralisado há dois meses e uma semana, aproximadamente, não sabemos quais serão as condições físicas e técnicas das equipes e psicológicas dos jogadores. Alguns foram contaminados pelo vírus, outros tiveram amigos e familiares contaminados, estão com a cabeça eventutalmente em outro lugar. Então vamos ter uma situação, até para nós comentaristas, narradores, inédita em termos jornalísticos, de reportar o que está acontecendo em campo. O que se fala muito na Alemanha é que esse é um grande experimento de laboratório, e nós vamos fazer parte disso.

No caso da ESPN Brasil, uma transmissão feita de casa. Outra novidade.
Isso também. Já participei de programas de rádio, ao vivo, de casa, mas programa de TV será uma experiência inédita para todos nós. Com uma pequena infra-estrutura montada na nossa sala de estar ou no nosso home office, seja onde for, estaremos à distância. Vamos nos ver na tela, comentaristas e narradores, mas mesmo assim vai ser uma experiência que vai nos dar muita "cancha", extraordinária nesse sentido. O que nós vamos sentir falta é do estádio, do torcedor. As comemorações dos jogadores serão restritas também, não pode haver abraço, não podem chegar perto um do outro. Estou bastante ansioso para ver como tudo isso vai funcionar em campo.

Como ida ao mercado por pasta de dente faz com que Bundesliga retorne com 18 times... e 17 treinadores


Qual é a sua melhor história desses 18 anos de ESPN?
A grande história, para mim, que realmente me pegou muito forte foi o jogo que fiz entre Alemanha e Argentina, no estádio Olímpico de Berlim, em 2006. Não foi nem a final de 2014. Porque foi um jogo pelas quartas de final e a Alemanha foi para os pênaltis, houve aquela famosa história do Jens Lehman, olhando as papeletas para tentar prever o canto que o adversário bateria. O estádio foi à loucura com aquela classificação da Alemanha para as semifinais, onde enfrentaria mais tarde a Itália. Essa foi a grande experiência que me tocou, cheguei a derramar algumas lágrimas ali, com o estádio inteiro cantando. Foi uma experiência realmente extraordinária na minha vida de comentarista.

Não podemos esquecer do bode, em Colônia.
Essa... Eu me lembro que nós fomos lá no estádio do Colônia fazer o jogo, tínhamos feito Borussia Dortmund e Schalke no dia anterior, 0 a 0, e fomos fazer o jogo do Colônia no domingo. Eu avisei o Rogério: "olha, Rogério, tem um mascote aí, um bode, é o mascote do Colônia". Fizemos uma entrada ao vivo do gramado e a tratadora do bode estava mais ou menos do nosso lado. Ainda falei para o Rogério, "não chega perto porque o bicho é bravo". Aí o Rogério resolveu fazer uma gracinha no bode, que tentou dar uma chifrada nele. O Rogério deu um pulo para trás! São experiências que não esquecemos.

Fonte: Gustavo Hofman

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Primeira transmissão, retorno da Bundesliga, jogo mais marcante: Gerd Wenzel relembra a carreira

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Números e estatísticas avançadas da Bundesliga para estudar e entender

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Arquibancadas estarão vazias no retorno da Bundesliga
Arquibancadas estarão vazias no retorno da Bundesliga Bayern

A Bundesliga vai recomeçar neste final de semana, com a realização da rodada 26 sob estritas regulações. Em campo, oito jogos em realidade física e técnica bem diferentes do período pré-pandemia. Os treinos não são ideais e todos atletas estarão sem ritmo de jogo.

Descobriremos, com o passar dos dias, se o plano da DFB será realmente viável e a competição terá sequência. Por enquanto, podemos olhar para trás e analisar, pelas estatísticas (algumas avançadas), tudo que já foi feito pelos 18 times.

GOLS A FAVOR

Bola parada: Colônia, 14 (36% do total)
Após lançamentos: RB Leipzig, 12 (19%)
Contra-ataque: Colônia, 10 (26%)
Faltas diretas e pênaltis: Freiburg, 7 (21%)

Nos contra-ataques, o Borussia Dortmund também marcou dez vezes, mas com menos impacto no total (15%). Mesma situação do RB Leipzig nos gols resultantes de faltas diretas e pênaltis (11%).

Primeiro tempo: Bayern, 31
Segundo tempo: Borussia Dortmund, 45
1'-15: Bayern, 13
16'-30': Borussia Dortmund, 11
31'-45': RB Leipzig, 15
46'-60': Borussia Dortmund, 16
61'-75': Borussia Dortmund, 16
76'-90': RB Leipzig, 19

GOLS CONTRA

Bola parada: Werder Bremen, 14 (25%)
Após lançamentos: Union Berlim, 9 (22% do total)
Contra-ataques: Eintracht Frankfurt, 8 (20%)
Faltas diretas e pênaltis: Hertha Berlim, 9 (19%)

Nos lançamentos, o Paderborn também sofreu nove gols, mas com impacto menor no total (17%). Assim como Fortuna Düsseldorf e Augsburg nos contra-ataques (16% e 15%, respectivamente) na comparação com o Frankfurt.

Primeiro tempo: Paderborn, 29
Segundo tempo: Augsburg, 36
1'-15: Paderborn, 11
15'-30': Paderborn, 10
31'-45': Mainz, 15
46'-60': Augsburg, 14
61'-75': Fortuna Düsseldorf, 14
76'-90': Mainz, 18

PADRÕES TÁTICOS MAIS UTILIZADOS

Borussia Mönchengladbach: 4-2-3-1 (55,6% do total)
Augsburg: 4-4-2 (52,8%)
Paderborn: 4-4-2 (48,8%)
Bayern Munique: 4-2-3-1 (47,6%)
Colônia: 4-2-3-1 (46,6%)
Bayer Leverkusen: 4-2-3-1 (42,1%)
Borussia Dortmund: 4-2-3-1 (38,1%)
RB Leipzig: 4-4-2 (37,7%)
Freiburg: 3-4-3 (37,7%)
Eintracht Frankfurt: 3-4-1-2 (37,7%)
Union Berlim: 5-4-1 (33%)
Schalke: 4-3-1-2 (32,8%)
Hoffenheim: 3-5-2 (31,9%)
Wolfsburg: 3-4-3 (31,4%)
Mainz: 4-3-1-2 (29,1%)
Werder Bremen: 4-3-1-2 (21,7%)
Fortuna Düsseldorf: 4-4-2 (20,7%)
Hertha Berlim: 3-5-2 (17,4%)

Após trocar o húngaro Pál Dárdai pelo croata Ante Covic após a temporada passada, o Hertha deu pouco tempo ao novo treinador. Em novembro ele foi substituído por Jürgen Klinsmann, que saiu após fogo cruzado dentro do clube. Alexander Nouri chegou a ser treinador interino e Bruno Labbadia foi oficializado em 9 de abril. Ou seja, não surpreende o baixo padrão tático do time.

FINALIZAÇÕES A FAVOR

Maior média: Bayern Munique, 16.95
Menor média: Augsburg, 9.28
Maior distância média: Fortuna Düsseldorf, 19.91m
Menor distância média: Borussia Mönchengladbach, 16.26m

FINALIZAÇÕES CONTRA

Maior média: Freiburg, 15.48
Menor média: Bayern Munique, 8.1
Maior distância média: Colônia, 18.85m
Menor distância média: Fortuna Düsseldorf, 16.05m

Como padrão para entendimentos dos números acima, vale mencionar a medida da grande área: 16.5m de largura. Apenas o Düsseldorf, entre todos os times, tem média de finalizações sofridas dentro da própria área. O Paderborn, com 16.6, é quem mais se aproxima. A favor, somente Gladbach e Bayern conseguem ter média dentro da área adversária.

POSSE DE BOLA

Bayern Munique: 66.8%
Bayer Leverkusen: 62.2%
Borussia Dortmund: 59.2%
RB Leipzig: 52.6%
Schalke: 52.5%

PASSES POR JOGO

Bayern Munique: 635.13
Borussia Dortmund: 616.42
Bayer Leverkusen: 574.67
RB Leipzig: 489.89
Hoffenheim: 444.36

RECUPERAÇÕES

Média total: RB Leipzig, 84.12
Primeiro terço do campo: RB Leipzig, 37.4
Segundo terço do campo: Bayer Leverkusen, 37.96
Terceiro terço do campo: Bayern Munique, 15.58

PASSES PERMITIDOS POR AÇÃO DEFENSIVA

Bayern Munique: 7.28
Bayer Leverkusen: 7.31
Wolfsburg: 9.13
Borussia Mönchengladbach: 9.33
Eintrach Frankfurt: 9.37

CRUZAMENTOS

Bayern Munique: 22.96
Eintracht Frankfurt: 20.03
Bayer Leverkusen: 16.43
Colônia: 15.43
RB Leipzig: 15.25

PASSES PARA O ÚLTIMO TERÇO

Bayern Munique: 78.52
RB Leipzig: 61.37
Borussia Dortmund: 59.40
Bayer Leverkusen: 58.78
Eintrach Frankfurt: 52.81

A forma como o Bayern pressiona os adversário quando perde a bola é uma das principais características do time comandado por Hansi Flick. É o quinto no total, até pela alta posse de bola, mas o primeiro isolado no último terço, próximo à área adversária. Vale destacar também o baixo número de passes permitidos por ação defensiva - ou seja, a cada momento que a equipe adversária tem a bola.

Outra evidência desse time, que inclusive vinha rendendo comparações ao estilo implantado por Jupp Heynches no clube, é a objetividade com a bola nos pés. A posse é alta, mas as transições são rápidas e a busca pelo gol mais direta. Por isso a enorme vantagem em passes para o último terço do campo.

Obs. base de dados: Wyscout

Fonte: Gustavo Hofman

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Os 5 melhores jovens da Bundesliga

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Haaland, do Borussia Dortmund, comemora após marcar contra PSG
Haaland, do Borussia Dortmund, comemora após marcar contra PSG Getty Images

A Bundesliga recomeça, em meio a muitas incertezas e protocolos rígidos, neste final de semana. Briga pelo título, luta contra o rebaixamento e disputa por vagas europeias passarão pelos pés de jovens estrelas da competição.

Aliás, esse é um bom motivo para acompanhar o equilibrado e fortíssimo Campeonato Alemão: a capacidade de ser forte e revelador de talentos, ao mesmo tempo. Abaixo, uma lista com os cinco melhores jogadores de até 21 anos da Bundesliga. E olha que grandes talentos como Achraf Hakimi, Josh Sargent, Joshua Zirzkee, Giovanni Reyna, entre outros, ficara de fora.

Jadon Sancho (Borussia Dortmund)

São 14 gols e 15 assistências na atual Bundesliga, participação direta em 42,6% de todos os gols marcados pelo Borussia Dortmund. Tudo isso com apenas 20 anos e em sua terceira temporada na elite alemã pelo clube.

Sancho nasceu em Camberwell, na região de Londres, filho de pais de Trinidad e Tobago, e começou na base do Watford. Aos 14 anos se mudou para o Manchester City e cinco meses após completar 17 foi contratado pelo Dortmund.

No 3-4-3 do técnico Lucien Favre, o destro atacante inglês atua aberto pela pontas, podendo fazer os dois lados do campo. Tem contrato com o Dortmund até junho de 2022 e é alvo de grandes clubes da Premier League, pelo talento notável.

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Erling Haaland (Borussia Dortmund)

Com apenas 19 anos, a ascensão do atacante norueguês foi meteórica. Na atual temporada, contando todas as competições e seus dois clubes (Red Bull Salzburg e Borussia Dortmund), são 33 jogos oficiais e incríveis 40 gols, além de nove assistências.

Ele é filho de Alf-Inge Rasdal Haaland, ex-jogador de Nottingham Forest, Leeds United e Manchester City, que teve a carreira encurtada por uma entrada violenta de Roy Keane em um dérbi de Manchester.

Há menos de dois anos, Haaland ainda estava no Molde, jogando o Campeonato Norueguês. Por isso o tempo de observação ainda é curto, mas a capacidade e a frieza na finalização já o colocaram como uma das maiores promessas do futebol mundial.

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Kai Havertz (Bayer Leverkusen)

Trata-se do jovem alemão com mais talento da atualidade. Fruto da excelente base do Bayer Leverkusen, o meio-campista Kai Havertz une talento e força física, com 1m89 e 82kg aos 20 anos.

O habilidoso canhoto sempre foi considerado uma jóia nas seleções menores da Alemanha e agora já é figura constante nas convocações de Joachim Löw. O contrato com o Leverkusen ainda é longo, vai até junho de 2022, e seu valor de mercado está em 81 milhões de euros, segundo o Transfermarkt.

Na atual Bundesliga é o quarto na média de passes, com 47,15 por jogo, aproveitamento de 88,3%. É o meia avançado no 4-2-3-1 do técnico Peter Bosz, com liberdade para flutuar pelos lados e costuma buscar mais a direita.

Alphonso Davies (Bayern Munique)

Em 20 de abril, após atuações impressionantes na Bundesliga e na Champions League, Alphonson Davies assinou contrato com o Bayern Munique até 30 de junho de 2025. Movimento inteligentíssimo do clube bávaro, para segurar o jovem talentoso de linda história.

Alphonso, atualmente com 19 anos, nasceu em um campo de refugiados em  Buduburam, Gana. Seus pais, liberianos, fugiram da Segunda Guerra Civil no país e apenas quando o filho tinha cinco anos, conseguiram asilo no Canadá, onde criaram a família.

Seu talento foi descoberto pelo Vancouver Whitecaps, da Major League Soccer, que o revelou para o mundo. Inicialmente como meia aberto pela esquerda e posteriormente como solução para a lateral-esquerda do Bayern, já nas mãos de Niko Kovac e Hansi Flick.

Dayot Upamecano (RB Leipzig)

A capacidade de recrutamento de todos os clubes da Red Bull é notória. O RB Leipzig, sendo o principal representante de futebol na estrutura da empresa, se aproveita muito bem disso. Um ótimo exemplo é o zagueiro Dayot Upamecano, campeão da Euro sub-17 pela França.

Aos 21 anos, é um dos destaques da Bundesliga. Ainda na base, em 2015, por 2,2 milhões de euros trocou o Valenciennes pelo Red Bull Sazburg, que o alocou no Liefering, seu clube B na Áustria. Depois jogou apenas uma temporada na elite austríaca e foi negociado com o Leipzig por 10 milhões de euros em 2017.

Detalhe importante é a duração do atual contrato de Upamecano, que vai somente até junho do ano que vem, ou seja, mais uma temporada além da atual.

Fonte: Gustavo Hofman

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Protocolos da Bundesliga na retomada vão de higienização da bola à análise de capacidade nacional de testagem

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Reinício da Bundesliga está marcado para o próximo final de semana
Reinício da Bundesliga está marcado para o próximo final de semana Bundesliga

"O objetivo não deve ser garantir 100% de segurança para todos os participantes, já que isso provou ser praticamente impossível. A ideia é garantir risco médico justificável baseado na importância do futebol (em termos sociais, sócio-políticos e econômicos) e no desenvolvimento da pandemia. Todas as medidas são baseadas na premissa estrita de que não há concorrência resultante com os recursos de prevenção da população em geral sobre a COVID-19".

Essa explicação está na primeira página de conteúdo, das 50 no total, de um detalhado documento publicado pela DFL, responsável pela realização da Bundesliga. Trata-se de uma série de protocolos rigorosos a serem seguidos por todos os atores que fazem o futebol na Alemanha e, acima de tudo, considera a situação do país no combate ao coronavírus.

O levantamento da entidade indicou que os testes nas duas principais divisões alemãs representarão apenas 0,4% de toda capacidade disponível nos laboratórios do país, cerca de 818 mil testes por semana, e desta forma não afetarão a sociedade civil. Na semana passada, a chanceler alemã, Angela Merkel, anunciou uma série de medidas de relaxamento das restrições. Nesta terça, o Instituto Robert Koch (RKI), responsável pela prevenção e controle de doenças em território alemão, divulgou que a taxa de infecção deve se manter constante nos próximos dias, apesar do crescimento apresentado após o anúncio do Governo. 

Até a última segunda-feira (11/mai), foram registrados na Alemanha 170.508 casos, com 7.533 mortes. Os estados mais afetados são Baviera, Baden Württemberg e Renânia do Norte-Vestfália.

Paulo Otávio elogia retorno da Bundesliga: 'Alemanha vem sendo exemplo não só no futebol'

Todas as partidas da Bundesliga poderão ter, no máximo, 98 pessoas na área do campo, incluindo os jogadores, além de 115 trabalhando no estádio. Para alguns estádios, haverá a liberação extra de 109 funcionários para a área externa. Já na Bundesliga 2, os limites são menores: 90 pessoas no campo, 98 nas arquibancadas e 82 no exterior do estádio. Essas três divisões foram classificadas no documento como Zonas 1, 2 e 3 - e cada uma tem outra série de restrições para as respectivas atividades profissionais. Há também limitação de tempo e funcionários para cada área de trabalho, com delimitação de início e fim de expediente. Tudo será muito controlado no cronograma da partida.

O longo documento deixa claro que os casos detectados serão prontamente informados às autoridades sanitárias e as pessoas isoladas, assim como todos ao redor. Isso já gerou um empecilho para a retomada da segunda divisão. Dois jogadores do Dynamo Dresden, na terceira rodada de testes conduzidos pela liga, apontaram positivo. Com isso, toda equipe foi colocada em quarentena e a retomada da Bundesliga 2 será feita com uma partida a menos.

Pessoas pertencentes ao grupo de risco precisam ser excluídas dos treinamentos e, naturalmente, dos jogos, deixa claro o documento. Todos os jogadores têm o poder de decisão de não participar dos jogos também, e a responsabilidade de avisar sobre os riscos existentes cabe ao médico do clube. Um detalhe, por exemplo, que consta nas 50 páginas elaboradas pela DFL, é o limite para permanência no vestiário antes dos jogos para atletas e árbitros: 40 minutos no máximo.

Não haverá: crianças, mascotes, fotos do time, cerimônia de abertura, cumprimento com as mãos, organização das equipes em grupos, repórteres de campo, entrevistas antes, no intervalo e depois do jogo - as coletivas serão virtuais. Os bancos de reservas terão que ser adaptados, já que há obrigação de distância mínima de 1.5m entre as pessoas. Assim, as arquibancadas podem ser utilizadas ou mesmo assentos simples colocados ao lado.

Haverá, naturalmente, diversas medidas básicas de higiene, distanciamento social e cuidado pessoal, já tomadas por todas as pessoas responsáveis no mundo. Portanto, com exceção dos jogadores em campo, todos deverão usar máscaras. Jornalistas terão que respeitar a distância mínima entre eles. Fora todos os protocolos de limpeza e higienização do ambiente, assim como das bolas selecionadas para a partida. Toda alimentação das equipes deve ser levada pelos próprios clubes e não por terceiros, garrafas terão que ser de uso individuais, assim como a utilização de chuveiros - banhos em casa ou no hotel, ao invés de no estádio, são recomendados. Aliás, todas as medidas são exigidas também dos hotéis credenciados para receber as equipes. O nível de detalhamento é tão grande, que há a indicação para temperatura e umidade dos quartos (21°C, 50–60%), onde não for possível manter as janelas abertas.

E antes de pensar no retorno dos jogos, foi elaborada a estratégia de treinamentos dos times. Grupos menores, atletas distantes entre si e todas as orientações básicas já citadas acima. A preocupação se estende aos familiares e aos cuidados necessários em casa também. Tudo muito bem descrito.

Acima de tudo, a DFL deixa claro que é impossível eliminar todos os riscos e assume a importância social e econômica do futebol como principal motivo para sua retomada, baseada no amparo legal do Governo e das autoridades de Saúde. Para isso, houve uma extensa pesquisa e elaboração de medidas para garantir maior segurança possível a todos os envolvidos. A partir do próximo sábado descobriremos a eficácia de tudo isso e se a Bundesliga apontará o caminho para outras ligas.

O documento da DFL é público e está disponível neste link.

Lateral do Wolfsburg, Paulo Otávio fala em 'semanas muito difíceis', mas já projeta retorno na Bundesliga

Fonte: Gustavo Hofman

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Quem segura o Bayern no retorno da Bundesliga?

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Hansi Flick e Robert Lewandowski têm se dado muito bem
Hansi Flick e Robert Lewandowski têm se dado muito bem Bayern

Em 2 de novembro do ano passado, o Bayern de Munique foi goleado pelo Eintracht Frankfurt por 5 a 1 e demitiu o técnico Niko Kovac. Trinta e três dias antes, vencera de maneira inquestionável o Tottenham, em Londres, por 7 a 2 pela Champions League. Os dois resultados ajudam a entender os altos e baixos da equipe bávara sob o comando do técnico croata, algo que mudou bastante após sua saída e a efetivação de Hansi Flick.

O ex-assistente técnico de Joachim Löw na seleção alemã permaneceu na DFB por mais de dez anos - posteriormente como diretor esportivo. Chegou ao Bayern em julho de 2019 para trabalhar com Kovac, e poucos meses depois coube a ele a recuperação de um dos maiores clubes do mundo.

São 18 vitórias , um empate e duas derrotas somando todas as competições oficiais com Flick. Os quatro pontos de desvantagem para o líder Borussia Mönchengladbach na Bundesliga se tornaram quatro de vantagem sobre o Dortmund; a classificação para as quartas de final da Champions League está virtualmente garantida após o 3 a 0 na ida sobre o Chelsea, em Londres; na Copa da Alemanha aguarda a definição das datas das semifinais para encarar o Eintracht Frankfurt.

Tudo isso com alguns desfalques, recuperação de outros jogadores, trocas no time titular e subida de desempenho individidual dos atletas. O trabalho foi rapidamente reconhecido pela diretoria do clube, que optou por se antecipar ao final da temporada e assinou novo contrato com Hansi Flick até a metade de 2023.

Poucos meses atrás, esse cenário era absolutamente improvável. O futebol na Alemanha abriu 2019-20 em enorme equilíbrio. O Bayern tinha problemas com Kovac e seus adversários se aproveitavam muito bem. O Gladbach, do técnico Marco Rose, era uma das equipes mais bem organizadas em campo na Bundesliga. O RB Leipzig, sem surpresas, se manteve como um dos times mais fortes do país, com Timo Werner sendo a referência em campo. E o Borussia Dortmund, com um elenco jovem e bem comandado por Lucien Favre, provava que seria um forte concorrente.

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A recuperação bávara passa a impressão, agora, que não haverá mais disputa. Vimos isso acontecer diversas vezes nos últimos anos, com o domínio absoluto do Bayern na competição. Há indícios, porém, que isso não deve acontecer - por mais que o Bayern seja, sem dúvida, o maior favorito.

O cometa Haaland segue sua trajetória na Alemanha
O cometa Haaland segue sua trajetória na Alemanha Dortmund

O Dortmund foi um dos times que melhor se reforçaram na janela de transferências, antes ainda do futebol ser paralisado pela pandemia de coronavírus. Erling Haaland causou impacto imediato e ascendeu como promessa mundial. Emre Can foi uma excelente contratação para o meio-campo, com técnica e experiência para ser um dos líderes da equipe. Por fim, Jadon Sancho, com 14 gols e 15 assistências na atual Bundesliga, vinha no melhor momento da carreira, assim como Achraf Hakimi.

Já o Leipzig perdeu fôlego e deixou impressão ruim antes da pausa. Nas dez partidas derradeiras, somou quatro vitórias, uma derrota e cinco empates, o que o manteve com 50 pontos - um a menos que o Dortmund e cinco atrás do Bayern. Há muitas dúvidas sobre como retornarão os times agora, mas os comandados de Julian Nagelsmann têm uma boa oportunidade para se recuperarem, liderados por Timo Werner e seus 21 gols até aqui.

Quem passou a correr por fora nessa briga pelo título é o Borussia Mönchengladbach, que liderou a Bundesliga entre a sétima e a 13a rodadas. Marco Rose, de ótimo trabalho anterior no Red Bull Salzburg, tem o elenco menos forte em mãos dentre os quatro primeiros colocados. Aposta na força coletiva e já provou isso em campo, com grandes atuações, além de alguns destaques individuais também, como é o caso do meio-campista Denis Zakaria.

É inevitável, de qualquer modo, colocar o Bayern no topo de qualquer lista de apostas para o título da Bundesliga. Todos os times alemães terão dificuldades na retomada da competição, afinal, os treinamentos, repletos de restrições, não são os ideais e os jogadores voltarão sem ritmo de jogo também - algo que é diminuído em uma pré-temporada com a realização de amistosos.

Mesmo assim, a paralisação serviu para o Bayern recuperar totalmente seu melhor jogador. Robert Lewandowski sofreu uma lesão no joelho esquerdo, na vitória sobre o Chelsea na Champions, e ficaria quatro semanas afastado dos gramados. Na prática realmente ficou, mas sem grande prejuízo técnico ao time, já que apenas mais três partidas foram disputadas pelos bávaros depois disso: 6 a 0 no Hoffenheim, fora de casa, e 2 a 0 no Augsburg, pela Bundesliga, além do triunfo por 1 a 0 sobre o Schalke, nas quartas de final da DFB Pokal. Muita gente talvez nem se lembre, mas o que o atacante polonês vinha fazendo era impressionante. 

Assinatura de contrato em tempos de coronavírus: distanciamento social
Assinatura de contrato em tempos de coronavírus: distanciamento social Bayern

Outro que aproveitou a interrupção da temporada foi Thomas Müller. Com Hansi Flick o veterano atacante de 30 anos ganhou relevância na equipe. Passou a atuar muitas vezes centralizado, mais próximo a Lewandowski, e explodiu em números. Marcou seis gols - até aí nada demais - e distribuiu incríveis 16 assistências - líder na estatística. Em 7 de abril ele assinou extensão de contrato até 30 de junho de 2023.

Houve também notícias ruins relativas a outros jogadores. Philippe Coutinho, de oito gols e seis assistências na Bundesliga, operou o tornozelo direito em 24 de abril e corre o risco de não atuar mais na temporada. Por outro lado, Ivan Perisic, que fraturou um osso do tornozelo em fevereiro, já estará disponível a Hansi Flick.

A maior preocupação ainda é o combate à pandemia de coronavírus, mas todas as respostas sobre o desempenho dos times passarão a ser respondidas neste sábado, 16 de maio, quando a Bundesliga for retomada.

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Quem segura o Bayern no retorno da Bundesliga?

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Para diretor esportivo do Leverkusen, torcedores respeitarão distanciamento dos estádios no retorno da Bundesliga

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Simon Rolfes é o diretor esportivo do Bayer Leverkusen
Simon Rolfes é o diretor esportivo do Bayer Leverkusen Bayer Leverkusen

Aos 33 anos, em 2015, Simon Rolfes encerrou uma bem sucedida carreira de jogador de futebol. Revelado pelo Werder Bremen, obteve maior destaque com a camisa do Bayer Leverkusen, clube que defendeu por dez anos.

O volante disputou 26 partidas pela seleção alemã e fez parte do grupo vice-campeão da Euro 2008. Aliás, também fez parte de dois vices com o Leverkusen - Bundesliga 2010-11 e DFB Pokal 2008-09.

Quando parou, se dedicou à carreira de comentarista e ao curso de mestrado da Uefa para jogadores. Formou-se com o tema "Academias de futebol na Europa" e desde dezembro de 2018 é o diretor esportivo do Bayer Leverkusen.

Nesta entrevista, ele aborda a atualidade do futebol alemão, com o iminente retorno das atividades, e um pouco da história do clube com jogadores brasileiros e a formação de atletas.

Qual é a sua opinião e a posição do Bayer Leverkusen sobre os planos da DFL de retomar a Bundesliga?
A gente espera conseguir jogar em um futuro próximo, talvez em maio. Esperamos começar a liga novamente e a nossa posição é a mesma da DFL. A nossa consolação aqui na Alemanha é que todos os clubes estão muito unidos e próximos, com a DFL e os políticos, para recomeçar. Vamos fazer o nosso melhor para seguir os médicos e conseguirmos jogar de novo, provavelmente a primeira liga no mundo a recomeçar.


Você acha que já é seguro voltar a jogar futebol em maio?
Acho que sim. Quando vejo as orientações médicas, vejo que elas são muito confiáveis, muito profissionais. A situação aqui na Alemanha, como sociedade, é conseguir reabrir as coisas, passo a passo, são muitas coisas. Eu também tenho três filhos, que costumavam ir para a escola. Se eles usarem esse conceito da Bundesliga, nós ficaríamos muito felizes e não teríamos preocupações com isso.


Acredita que os torcedores respeitarão as decisões e não irão aos arredores dos estádios em dias de jogos?
Acho que sim. Dois meses atrás eu diria não, porque ninguém sabia o tamanho da crise e o impacto na sociedade alemã, na Europa e em outras partes do mundo. Nós sabemos da dificuldade da situação, então acho que os torcedores ficarão em casa e farão o melhor para a gente seguir em frente.


Como estão os treinos do Leverkusen atualmente?
Hoje em dia estamos treinando em grupos de oito jogadores. Começamos em grupos de dois, aumentamos para quatro, cinco e agora estamos em grupos de oito.

Quando a DFL decidir recomeçar a Bundesliga, quanto tempo será necessário para os clubes voltarem a jogar?
Eu acho que o time estará pronto. Com certeza será diferente. Se você perguntar a um técnico, ele com certeza dirá que vai precisar de seis semanas, em todo lugar é a mesma coisa. Em todo lugar a situação de preparação é a mesma, então acho que é um balanço de competitividade. Acho que está tudo bem, porque todo clube está nessa situação de ter uma, duas semanas, dez dias para se preparar. Então para mim essa não está em questão, estamos treinando desde o começo de abril em pequenos grupos. Os jogadores estão em forma, é possível jogar.

O Leverkusen tem uma grande história com jogadores brasileiros. Como é essa relação dos clubes com atletas do Brasil?
Nós temos uma ótima relação e história com os jogadores brasileiros, jogadores fantásticos. Zé Roberto, eu joguei com o Juan, Roque Junior, Renato Augusto… É muito especial a relação que temos com os jogadores. É uma situação única, acho que tivemos 25 jogadores nas últimas décadas jogando pelo Bayer Leverkusen. Tivemos muitos jogadores bem-sucedidos, que fizeram carreiras fantásticas na Europa. Temos um departamento de integração onde falamos espanhol ou português. Se assinamos com um jogador do Brasil, gostamos de conhecer eles como família, investimos tempo e energia de fazer com que eles se sintam em casa, assim como suas famílias. Para os jogadores brasileiros, é importante se sentir familiar no clube. Acho que por isso muitos gostam de jogar aqui.

Após o 7 a 1 da Copa de 2014, no Brasil falamos muito sobre o desenvolvimento de jovens jogadores na Alemanha. No Leverkusen, como funciona esse trabalho?
Nos últimos anos temos focado na técnica. A história dos jogadores é sobre força e experiência coletiva, mas nos últimos 20 anos temos focado na técnica. O nosso intuito é combinar a parte da mentalidade, mas aumentar as habilidades técnicas. Conseguimos ver isso na seleção, que os jogadores são diferentes de 20 anos atrás. Na história do Bayer temos jogadores da América do Sul, muito técnicos. Se temos um grande talento, trazemos ele rapidamente ao time principal. Como foi o caso do Kai Havertz, que treinou aos 17 anos com o time profissional e jogou com 17 anos. Tentamos trazê-los bem jovens para a equipe principal. Na Alemanha, isso é bem especial, porque integra eles no dia a dia profissional.

Para você, como diretor esportivo do clube, será uma missão bem dura manter o Havertz no Leverkusen nas próximas janelas de transferências?
Vamos ver, vamos ver. Com certeza ele é um jogador fantástico, está levando a carreira dele a um nível mundial. Ele tem capacidade de fazer isso, mas gostamos dele jogando pelo Bayer, de vê-lo nos treinos e nos jogos. Vamos ver como vai ser, mas estamos felizes que ele esteja aqui, conosco.

Como competir financeiramente com Bayern, Dortmund e RB Leipzig financeiramente?
Nós não temos a mesma situação financeira dos outros times, então precisamos ter um bom recrutamento, desenvolver os jovens da melhor maneira. Com essa combinação, nós conseguimos competir com eles. Essa é a força do Bayer Leverkusen, não é sobre dinheiro, é sobre gerenciar, recrutar e desenvolver os jogadores. Esse é o nosso foco e tivemos sucesso com isso nos últimos anos.


Antes da paralisação da Bundesliga, houve muitos protestos de torcidas de variados times contra os proprietários de Hoffenheim e RB Leipzig. Qual é a sua opinião sobre esses incidentes?
Eu acho que essa é uma discussão genuína do papel do futebol na sociedade e na nossa situação econômica, de clube para empresas. Os torcedores têm uma visão muito tradicional, e acho que com essa crise, nós, como futebol, precisamos pensar no nosso impacto na sociedade. Eu acho que essa é uma chance de melhorar e pensar um pouco sobre a direção que o futebol está tomando.


Fonte: Gustavo Hofman, em casa

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Abrir o placar garante 70% de vitórias nos campeonatos nacionais, indica levantamento. Para alguns clubes, bem mais

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Estrela Vermelha é a potência no futebol sérvio
Estrela Vermelha é a potência no futebol sérvio Srdjan Stevanovic/Getty Images

Marcar o primeiro gol do jogo não é regra para ser o vencedor. Isso é evidente. Porém, para alguns times, significa estar muito próximo de somar três pontos. Um exemplo? Vamos ao melhor de todos.

No Campeonato Sérvio, entre janeiro de 2015 e dezembro de 2019, o Estrela Vermelha fez o gol de abertura em 135 partidas. Venceu 130 delas. É o melhor aproveitamento (96,3%) nesse quesito no futebol mundial.

Os números fazem parte de levantamento do CIES Football Observatory em 92 campeonatos nacionais, divulgados nesta segunda-feira. Na média mundial, o índice de vitórias após fazer o primeiro gol é pouco inferior a 70% nas competições avaliadas - predominância de pontos corridos no formato.

O segundo da lista é o Sheriff Tiraspol, da Moldávia, que ganhou 96 de 102 jogos nos quais marcou primeiro (aproveitamento de 94,1%). Nesse período analisado, o Estrela Vermelha foi três vezes campeão sérvio (2015-16, 17-18 e 18-19), enquanto o Sheriff só não conquistou o título em 2014-15.

Nas cinco grandes ligas europeias - Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália e França - os três melhores são: Paris Saint-Germain (89,9%, 124 de 138), Barcelona (88,5%, 116 de 131) e Manchester City (87,1%, 115 de 132).

O Campeonato Brasileiro também esteve sob análise, e o Palmeiras ficou na ponta. O alviverde venceu 82,1% dos jogos em que marcou o primeiro gol (92 de 112). Botafogo (79,3%, 65 de 82) e Flamengo (79,1%, 87 de 110) completam o pódio.

O Brasileirão, no geral, teve média de 71,6% (1204 de 1681) nesse quesito.

Há o outro lado da moeda também. Aquelas equipes que, mesmo anotando antes do adversário, poucas vezes triunfam. Caso do Central Coast Mariners, na Austrália, com mísero aproveitamento de 37,7% (20 de 53). O Chile tem a pior média com 65,1%.

O estudo completo está disponível neste link.

Hofman elege seu Top 5 de maiores jogadores de todos os tempos e explica critérios


Fonte: Gustavo Hofman, em casa

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Bundesliga pretende voltar em maio com diversas restrições

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Com portões fechados, Bundesliga pode retornar em maio; Linares atualiza

A Deutsche Fussball Liga anunciou nesta quinta-feira a intenção de retomar a Bundesliga e a Bundesliga 2 em maio. Todo esporte na Alemanha está paralisado, por causa da pandemia de coronavírus.

Houve acordo com os detentores de direitos de transmissão para tentar o encerramento da temporada até 30 de junho. Dirigentes da entidade, responsável pela organização das duas primeiras divisões no futebol alemão, se reuniram e divulgaram uma série de medidas para que as atividades voltem.

- Partidas da Bundesliga poderão ter no máximo 98 pessoas na área do campo, incluindo os jogadores, e 115 trabalhando no estádio. Para alguns estádios, haverá a liberação extra de 109 funcionários para a área externa;

- Na Bundesliga 2 os limites são menores: 90 pessoas no campo, 98 nas arquibancadas e 82 no exterior do estádio.

Bundesliga pretende retornar em maio
Bundesliga pretende retornar em maio Getty Images

Além disso, a DFL promoverá testes regulares em todos os profissionais envolvidos com o futebol profissional dos clubes. Para tanto, foram consultados cinco grandes laboratórios do país para entender a capacidade de testagem existente e o impacto que a decisão de voltar com o futebol geraria.

O levantamento da entidade, coornado pelo professor Doutor Tim Meyer, indicou que os testes nas duas principais divisões alemãs representarão apenas 0,4% de toda capacidade disponível nesses laboratórios, cerca de 818 mil testes por semana. Ou seja, não afetarão a sociedade civil.

O comunicado da DFL deixa claro que todo planejamento será levado adiante apenas com a anuência dos órgãos governamentais. A entidade também doou 500 mil euros para pesquisa e firmou parceria com o laboratório Sonic Healthcare para cessão de todos os dados obtidos na testagem.

A Alemanha apresentou, até 23 de abril, 153.129 casos confirmados de covid-19 e 5.575 mortes, além de 103.300 pessoas recuperadas.

Os clubes alemães voltaram aos treinos no início de abril, com uma série de restrições nas atividades. Os treinamentos têm contado com grupos menores de jogadores e distanciamento entre eles.

Distanciamento tem sido respeitado nos treinos do Bayern
Distanciamento tem sido respeitado nos treinos do Bayern Bayern

Bayern Munique e RB Leipzig ainda aguardam para saber o que vai acontecer com a Champions League desta temporada, assim como Bayer Leverkusen, Wolfsburg e Eintrach Frankfurt na Europa League.

Fonte: Gustavo Hofman, em casa

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Do sonho à realidade: o fracasso do Quadrado Mágico

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Jamais o campeão da Copa das Confederações levou também o Mundial seguinte. Em 2005 essa "maldição" ainda não era tão forte. O título brasileiro na já finada competição, após histórica vitória sobre a Argentina na decisão por 4 a 1, elevou a confiança da torcida a um grau máximo.

Os passos seguintes que contribuíram decisivamente para o oba oba geral na Copa de 2006 foram a terrível preparação em Weggis, na Suíça, e o ineficiente, porém sempre lembrado com um equivocado saudosismo, Quadrado Mágico.

Afinal, quem não gostaria de contar com Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Adriano e Ronaldo em um mesmo time? O Brasil, comandado por Carlos Alberto Parreira, teve, mas por pouco tempo - e isso, certamente, foi um dos motivos para seu fracasso.

As lembranças do torcedor recaem muito mais no individual desses jogadores, porque como equipe, analisando o coletivo, jamais funcionaram juntos em alto nível.

Início do sucesso

A trajetória vitoriosa da seleção rumo à Copa do Mundo na Alemanha começou com a emocionante decisão da Copa América de 2004. Na ocasião, o gol de Adriano aos 48 minutos do segundo tempo garantiu o empate em 2 a 2. Nos pênaltis, vitória por 4 a 2.

O time ainda era muito diferente daquele que Parreira levaria para a disputa da Copa das Confederações. Na prática, ele não conseguiu convocar a equipe ideal para o torneio.

"O Ronaldo alegou problemas particulares que o impedem de se dedicar à seleção brasileira no momento. Então a comissão técnica resolveu liberá-lo", explicou o técnico da seleção brasileira ao site da CBF. O atacante havia se separado há poucos dias de Daniela Cicarelli e queria ter férias no meio do ano. "Eu já fui em todas as competições da seleção brasileira, e não estou chegando agora pedindo para jogar só a Copa do Mundo", afirmou Ronaldo, em declaração publicada na Folha de S.Paulo à época.

Cafu e Roberto Carlos, veteranos das duas laterais da seleção, foram poupados, já que o treinador queria observar mais outras opções. A primeira fase foi complicada, com vitória sobre a Grécia por 3 a 0, derrota para o México por 1 a 0 e empate com o Japão em 2 a 2. Na semifinal, boa atuação e triunfo por 3 a 2 sobre a Alemanha.

Dida, Cicinho, Lúcio, Roque Júnior e Gilberto; Emerson, Zé Roberto, Kaká e Ronaldinho; Robinho e Adriano. Foi com esse time que o Brasil entrou em campo no dia 29 de junho de 2005, no Waldstadion, em Frankfurt, e goleou os argentinos com com dois de Adriano, um de Kaká e um de Ronaldinho. O Quadrado Mágico ainda não tinha Ronaldo.

"Não precisamos definir nada a nove meses da Copa. Mas, sendo bem transparente, eu imagino que, com Kaká na direita e Ronaldinho na esquerda, teríamos Ronaldo, Adriano e Robinho para definir quem formará a dupla, dependendo de quem estiver melhor". Essas palavras foram ditas por Carlos Alberto Parreira ao programa Bem Amigos, do Sportv, em setembro.

Ou seja, a empolgação em torno da seleção se dava quase que exclusivamente pelo talento individual dos jogadores. A nove meses do principal objetivo, ainda não era possível avaliar o desempenho dos jogadores juntos. Apenas na imaginação e no sonho do torcedor.

A primeira vez

Muita coisa é inventada com o passar do tempo e ganha ares de verdade. O Quadrado Mágico foi utilizado apenas em quatro jogos oficiais e dois amistosos durante o ciclo da Copa de 2006. Jamais fez parte de todo planejamento da equipe, até porque os momentos vividos pelos atletas eram muito diferentes também.

Kaká, Ronaldinho, Adriano e Ronaldo começaram uma partida pela primeira vez juntos em 12 de outubro de 2005, no 3 a 0 sobre a Venezuela em Belém, último compromisso do Brasil - já classificado - pelas eliminatórias. Os dois últimos marcaram e Roberto Carlos completou o placar.

Depois disso, foram utilizados desde o início novamente apenas nos dois amistosos pré-Mundial, já na Suíça, contra a amadora seleção de Lucerna (8x0) e Nova Zelândia (4x0). A empolgação a essa altura, em pleno carnaval que se tornou Weggis, já era enorme.

Apesar do enorme saldo positivo nos três jogos com o Quadrado Mágico até a Copa, a fragilidade dos adversários era evidente. Assim como a falta de entrosamento entre os jogadores e a ausência de encaixe tático dos quatro. 

Pobre Mundial

A vitória por 1 a 0 na estreia contra a Croácia foi recheada de críticas. O bom futebol não apareceu, o Quadrado Mágico não rendeu e, inclusive, foi desfeito aos 25 minutos do segundo tempo, com a entrada de Robinho no lugar de Ronaldo. Kaká marcou o único gol aos 44 da etapa inicial.

Robinho merece ser mais citado. Na prática, o bom rendimento da seleção antes do Mundial aconteceu quando o atacante, então no Real Madrid, compôs o criticado quarteto na vaga de um dos titulares. A goleada sobre o Chile nas eliminatórias por 5 a 0 (na vaga de Ronaldinho) e a própria final da Copa das Confederações de 2005 (no lugar de Ronaldo) são os dois melhores exemplos.

Adriano, Kaká e Ronaldo
Adriano, Kaká e Ronaldo Getty Images

A segunda rodada foi marcada por outra vitória sem qualquer brilho do Brasil. Desta vez por 2 a 0, sobre a Austrália, e mais uma vez com o Quadrado Mágico sendo desmontado durante os 90 minutos. O Fenômeno saiu aos 27 minutos para a entrada de Gilberto Silva, com a seleção vencendo por 1 a 0, gol de Adriano. No mesmo minuto, Robinho entrou na vaga de Emerson, enquanto Adriano saiu aos 43 para Fred entrar e fazer o segundo gol.

Ronaldo estava muito acima do peso. Apresentou-se assim para a preparação e teve que perder cinco quilos para entrar minimamente em forma. Era um dos mais criticados pelas atuações, mas perseguia o recorde de gols de Gerd Müller. Desencantou no terceiro jogo.

Com o Brasil classificado, Parreira mandou ao campo do Borussia Dortmund um time misto, com Robinho na vaga de Adriano e a manutenção dos outros três craques no ataque. Ronaldo fez o primeiro e o quarto da goleada por 4 a 1 e se igualou ao atacante da seleção alemã com 14 gols em Copas do Mundo.

A tranquila classificação contra Gana, nas oitavas de final, novamente com o Quadrado Mágico em campo, devolveu parte da confiança que tinha sido perdida pela equipe. O Fenômeno abriu o marcador e se tornou isoladamente o maior artilheiro na história da competição; o Imperador fez o segundo gol, enquanto Zé Roberto fechou a conta.

Tragédia anunciada

Pela frente nas quartas de final, o adversário que mais impõe péssimas lembranças à seleção brasileira. As Copas de 1986 e 98 foram intensamente lembradas nos dias anteriores ao confronto, que aconteceu em primeiro de julho de 2006, na casa do Eintracht Frankfurt.

Carlos Alberto Parreira sabia que precisaria mudar para tentar bater os franceses. Seu 4-4-2 com o Quadrado Mágico não funcionara até então.

O grande problema tático envolvia as funções de Kaká e Ronaldinho, além do posicionamento de Adriano e Ronaldo. O ex-meia do São Paulo flutuava da direita para dentro e tinha a responsabilidade defensiva de fechar a segunda linha junto com Emerson e Zé Roberto, bastante sobrecarregados sem a bola. Já o craque do Barcelona era um meia avançado, que teoricamente ocupava o setor esquerdo também. Não havia entrega defensiva dele para colaborar com o meio-campo, e não era algo que ele precisava fazer com essa regularidade no Barça.

Na frente, Ronaldo e Adriano batiam cabeça. Sem a mesma mobilidade e velocidade de outrora, o atacante do Real Madrid brigava por espaço com o companheiro, que vivia um grande momento na Internazionale. Simplesmente não funcionou.

Para colaborar com o fracasso, Cafu e Roberto Carlos, 36 e 33 anos respectivamente, não conseguiram jogar no nível que todos sempre se acostumaram a vê-los. Assim, os corredores pela direita e pela esquerda não eram preenchidos, e o Brasil perdia força ofensiva e ainda deixava os dois laterais muito expostos pela falta de combate no meio-campo. Em diversas situações, o time era obrigado a marcar com seis jogadores e não com pelo menos oito na fase defensiva organizada, como deveria acontecer em um 4-4-2.

"Faltou mais preparação na parte física e mais entrosamento". Essa foi uma das explicações de Parreira após o 1 a 0 para a França. Falha da comissão técnica na elaboração e na execução do planejamento para a Copa.

Dida, Cafu, Lúcio, Juan e Roberto Carlos formaram a linha de defesa. Emerson se machucou contra Gana, mas se recuperou; mesmo assim, foi substituído na formação inicial por Gilberto Silva, que jogou atrás de Zé Roberto e Juninho Pernambucano. O ídolo do Lyon ficou com a vaga de Adriano. Kaká se tornou o meia ofensivo do time, enquanto Ronaldinho Gaúcho foi deslocado para o ataque, com total liberdade com e sem a bola. Ronaldo foi o centroavante.

A mudança tática para o 4-3-1-2 não tornou o Brasil melhor ou organizado em campo. Adriano entrou aos 18 do segundo tempo, já com o placar adverso após o gol de Thierry Henry na falha de marcação dentro da área brasileira. O Quadrado Mágico teve seu último suspiro, por apenas 16 minutos, até Kaká dar lugar a Robinho. 

Foram 11 finalizações da França contra nove do Brasil, quatro a um no alvo. Atuação soberba de Zidane e o fim de uma história que entrou no imaginário popular como grande, mas que jamais triunfou.

Fonte: Gustavo Hofman, em casa

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