Dérbi Eterno seguiu o roteiro esperado: muita emoção e confusão na vitória do Partizan sobre o Estrela Vermelha

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Vitória alvinegra por 2 a 0 em um dos maiores clássicos do mundo
Vitória alvinegra por 2 a 0 em um dos maiores clássicos do mundo Partizan

Nenhum clássico no futebol mundial tem um nome tão imponente quanto "Dérbi Eterno". Partizan Belgrado e Estrela Vermelha são protagonistas de uma das maiores rivalidades esportivas. Os dois rivais da capital sérvia voltaram a se enfrentar no domingo pelo campeonato nacional, e a festa foi preta e branca.

O Partizan venceu por 2 a 0, em jogo válido pela nona rodada, foi a 17 pontos e se aproximou do Estrela Vermelha, que tem um a mais, na tabela. Os dois clubes ocupam a quinta e a quarta colocações, respectivamente, e têm dois jogos a menos que o líder Backa Topola, por conta dos compromissos continentais em Europa League e Champions League.

O campeão europeu de 1991 iniciou sua campanha na Liga dos Campeões com derrota, no meio da semana, para o Bayern, fora de casa, por 3 a 0. Já o Partizan recebeu o AZ e ficou no empate em 2 a 2 pela Liga Europa.

Mais de 30 mil pessoas lotaram o Stadion Partizana, que curiosamente, fica muito próximo da casa adversária, o Marakana: os dois estão distantes apenas um quilômetro, cerca de dez minutos caminhando. Por conta dos compromissos europeus, os treinadores pouparam alguns titulares no início do jogo, casos de Lazar Markovic, Umar Sadiq e Zoran Tosic pelos mandantes e Aleksa Vukanovic, Mirko Ivanic e Milan Pavkov pelos visitantes, além do meio-campista argentino Mateo García, que sequer foi relacionado.

O técnico do Partizan é o ex-centroavante Savo Milosevic, de 46 anos, que defendeu o clube como jogador, além de Aston Villa, Zaragoza, Parma, entre outros. A carreira como técnico começou em março deste ano, a convite do clube de coração, após experiência como assistente na seleção de Montenegro.

A partida, como em todos dérbis, foi muito tensa. O esquema de policiamento é similar ao de um confronto armado em plena cidade. A Sérvia, diferentemente do que acontece em diversos locais pelo mundo onde o fanatismo nas torcidas impera, não adotou o modelo de torcida única. Ainda no primeiro tempo, quando Marko Marin foi cobrar um escanteio bem em frente aos ultras do Partizan, uma bomba estourou próxima aos seus pés.

Em campo, taticamente, o Estrela Vermelha jogou na variação do 3-5-2 para o 5-3-2, mudando para o 4-4-2 no segundo tempo, enquanto os donos da casa utilizaram 4-3-3/4-1-4-1 da fase ofensiva para a defensiva. A tensão das arquibancadas passa para o gramado, e jogadas fortes acontecem aos montes. Pouquíssimas chances de gol no primeiro tempo.

Logo no início da segunda etapa, a tradicional chuva de sinalizadores da torcida do Estrela Vermelha aconteceu, quando vários são atirados em direção à pista de atletismo. Na Sérvia, os bombeiros já esperam isso em todos os Dérbis Eternos e, inclusive, deixam a pista molhada como forma de prevenção. Aos 21, foi a vez dos torcedores do Partizan paralisarem o jogo, graças à fumaça de seus sinalizadores. 

O único brasileiro em campo foi o lateral-esquerdo Jander, de 31 anos, que começou a carreira no Marília e passou pelo Juventude, antes de seguir para a Europa

Outra paralisação aconteceu aos 31 minutos, quando parte da torcida do Partizan estendeu uma faixa com dizeres contra o presidente da federação sérvia, Slavisa Kokeza. Nenhum policial se arriscou a entrar no meio da principal organizada do clube, a Grobari. Um membro da torcida, após cinco minutos com o jogo parado, a retirou.

E até mesmo quando o futebol predomina, com o golaço marcado por Seydouba Soumah aos 38, em finalização de fora da área, tem confusão. O atacante guineano comemorou em direção à torcida do Estrela Vermelha; O goleiro Milan Borjan foi tirar satisfação e o empurra-empurra começou.

Já nos acréscimos, aos 48, Zoran Tosic, que tinha acabado de entrar, definiu o placar, já com o Estrela Vermelha com um jogador a menos, após a expulsão de Milo Vulic, pouco antes.

No total, os clubes já se enfrentaram 252 vezes em todas competições, com 109 vitórias do Estrela Vermelha, 63 empates e 80 triunfos do Partizan Belgrado. Não é um jogo em que a técnica se destaca, mas não há outro clássico no mundo com tamanha tensão.

Fonte: Gustavo Hofman

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Argentina campeã: bastidores de uma Copa América diferente

Gustavo Hofman
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A expectativa era enorme na recepção do Windsor Brasília, na capital federal, bem próximo à Esplanada dos Ministérios. Crianças e adultos, camisas da Argentina e do Barcelona no corpo e nas mãos, olhavam para o vazio esperando Lionel Messi. Os argentinos chegariam apenas à noite, mas desde a manhã a guarda já estava montada.

À medida que as horas passavam, a ansiedade de todos aumentava, assim como os aparatos de segurança exigidos pela AFA. O desejo de todos se tornou frustração, com pedidos da segurança do hotel para não fotografarem, além de biombos colocados no caminho dos atletas para evitar qualquer contato. Esse foi o padrão das passagens da seleção argentina por Rio de Janeiro, Brasília, Goiânia e Cuiabá durante a Copa América.

Recepção do hotel onde a Argentina se hospedou em Brasília
Recepção do hotel onde a Argentina se hospedou em Brasília Gustavo Hofman/ESPN

A pandemia exige protocolos mais rígidos, mas a maior preocupação sempre foi o camisa 10. Se muitos ali, que eram hóspedes apenas porque sabiam que a Argentina ficaria no hotel, se frustravam, do lado de fora um simples aceno dos jogadores nas chegadas e saídas dos ônibus geravam euforia. Messi foi sempre simpático, assim como Ángel di María. Já Sergio Agüero não se importava tanto assim. Eram os três que mais provocavam gritos e pedidos de um simples olhar.

Essa relação foi uma marca da passagem da seleção argentina pelo Brasil, na vitoriosa campanha da Copa América 2021. Relatos de seguranças contratados pela Conmebol e espalhados pelos hotéis onde os argentinos ficaram, confirmam a simpatia da maioria dos jogadores. No Rio de Janeiro, no hotel da mesma rede na Barra da Tijuca e última hospedagem antes da final, Lionel Messi ficou no décimo andar, quarto 1012, de frente para o mar. Cumprimentava a todos no corredor e chegou a tirar uma foto com um segurança mais ousado, que descumpriu a ordem expressa passada a todos eles de não incomodar qualquer pessoa das delegações.

Copa América: Argentina vence o Brasil com golaço de Di María e é campeã no Maracanã




Já as atitudes de membros da parte administrativa e de segurança da AFA, totalmente ao contrário dos jogadores, desagradaram muita gente. A reportagem da ESPN ouviu de dois gerentes desses hotéis relatos de antipatia e pedidos exagerados na estadia, principalmente na comparação com as demandas de outras seleções. Os uruguaios, por exemplo, costumavam tirar fotos com todos nas recepções e chegaram a usar as piscinas de onde estavam. 

Dia a dia

A pandemia impediu que dezenas de jornalistas, como seria habitual em uma grande cobertura, saíssem da Argentina e viessem para o Brasil. Assim, além da equipe da ESPN Brasil, apenas mais duas emissoras de televisão estavam desde o início da cobertura argentina, ambas de fora, além de um jornal espanhol. Em uma Copa América marcada pela desistência de Argentina e Colômbia em sediá-la, a corrida contra o tempo exigida pela decisão brasileira de trazer a competição para cá teve um preço na organização.

Arena Cuiabá foi um dos palcos de jogos da seleção argentina
Arena Cuiabá foi um dos palcos de jogos da seleção argentina Gustavo Hofman/ESPN

Nos primeiros jogos, os funcionários contratados para trabalhar nos estádios ainda estavam muito confusos quanto às informações. Os jornalistas se acostumaram a perambular de um portão para o outro, sempre com orientações incorretas. As próprias chegadas e partidas da seleção argentina nos hotéis estavam desorganizadas no início, sem qualquer preocupação com os jornalistas que ali estavam para transmitir as imagens para os torcedores. À medida que a competição avançou, tudo melhorou. Os periodistas, por exemplo, ganharam cercadinhos nas portas dos hotéis para não precisarem "brigar" por espaço com os torcedores.

Curioso que, em um torneio que recebeu torcedores apenas na final, muitos deles se tornaram grandes personagens. O principal deles foi Igor Magalhães, um apaixonado por Lionel Messi e que surpreendeu uma TV argentina, que fazia uma entrada ao vivo, com enorme tatuagem do jogador do Barcelona nas costas. A imagem chegou até Messi, que disse desejar conhecê-lo. A assinatura foi o complemento necessário na tattoo.

Isso fez com que os argentinos começassem a se interessar pelo tema "brasileiros torcendo para a Argentina" - que se tornou a principal pauta no Brasil nos últimos dias, enquanto a final da Copa América era tratada como decisão de Copa do Mundo na Argentina. Encontramos o sósia (mais ou menos) do craque em Goiânia, assim como um  Lionel Messi Gomes Ciqueira, de apenas três anos. Mais tatuagens e homenagens apareceram e encantavam a imprensa argentina, boquiaberta pela admiração de brasileiros.

Duas variantes brasileiras de Lionel Messi
Duas variantes brasileiras de Lionel Messi Gustavo Hofman/ESPN

Enquanto o pequeno Messi não entendia o que estava acontecendo ali, apenas se divertia com o microfone da ESPN, as incontáveis crianças em todas cidades por onde passou a Argentina, com camisas principalmente do Barça, mas muitas também de Manchester City e Paris Saint-Germain, evidenciavam - para quem ainda não aceita - a presença do futebol europeu entre os fãs brasileiros. Essa é uma realidade pouco debatida entre os clubes nacionais, que perdem espaço nas camadas jovens.

A própria torcida a favor da seleção argentina tem muito a ver, também, com a idolatria por jogadores de clubes europeus. Obviamente não é o único fator, e as questões políticas envolvendo o Brasil atual, o distanciamento dos torcedores da seleção que acontece há anos e as críticas ao estilo de jogo da seleção brasileira e ao técnico Tite fizeram parte do contexto explicado aos argentinos.

Garotos no aguardo da seleção argentina em Cuiabá
Garotos no aguardo da seleção argentina em Cuiabá Gustavo Hofman/ESPN

Protocolos e pandemia

Foi possível ver, também, como a pandemia é tratada de maneira muito distinta em capitais brasileiras. A Conmebol aplicou seus protocolos e exigiu testes RT-PCR negativos de todos jornalistas. Inicialmente, se acontecesse na Colômbia e na Argentina, a própria competição ofereceria estrutura de testagem a todos. Com a mudança repentina para o Brasil, a entidade decidiu que cada jornalista teria que fazer o teste por conta e subir o resultado no site resultados.copaamerica.com, 48 horas antes de cada partida.

Esse controle foi bem feito. Havia uma equipe, Covid Control, que cuidava apenas disso durante toda Copa América e, caso houvesse algum problema no arquivo, a pessoa precisava apresentar o resultado na porta do estádio para conseguir entrar. A boa organização apresentada nesse controle não foi repetida no acesso dos torcedores no dia da final. A Conmebol lavou as mãos na distribuição das entradas para Argentina x Brasil, no Maracanã, em 10 de julho. Argentinos e brasileiros se aglomeraram no portão 7 do estádio, sem qualquer orientação de pessoas da entidade, seguranças ou stewards. Ninguém se importou com a bagunça que acontecia do lado de fora.

Questionada pela ESPN, a assessoria de imprensa da entidade informou que assim que entravam no estádio, os torcedores ficavam em filas bem organizadas. Além disso, informou que as pessoas sabem que não podem se aglomerar. Todos os torcedores precisavam apresentar teste negativo, além do convite distribuído por AFA e CBF para conseguirem as credenciais.

Faltou organização para a retirada dos ingressos para a final
Faltou organização para a retirada dos ingressos para a final Gustavo Hofman/ESPN

Um episódio isolado de descontrole do protocolo aconteceu com a seleção argentina em um treino no estádio Ciro Machado, em Brasília, no dia 19 de junho. O motorista do ônibus que levou os jogadores, após o início do treinamento, deixou o local e se dirigiu a uma lanchonete ao lado para beber um cafézinho.

Foi cercado por curiosos e passou a mostrar, no celular, fotos dos jogadores. Sem qualquer constrangimento, tirou a máscara e passou a conversar com todos, alguns sem máscara também. A reportagem da ESPN alertou os seguranças que estavam na porta do estádio, e uma funcionária informou seus superiores sobre o que estava acontecendo. No dia seguinte, véspera da vitória sobre o Paraguai por 1 a 0, a cena se repetiu.

Motorista de ônibus da Argentina, sem máscara, conversa com pessoas fora do treino da seleção
Motorista de ônibus da Argentina, sem máscara, conversa com pessoas fora do treino da seleção Gustavo Hofman/ESPN

Felizmente, a delegação argentina, diferentemente de outras nesta Copa América, não apresentou casos positivos de coronavírus durante a competição. Justamente por causa da pandemia, a Argentina adotou estratégia pouco usual em grandes torneios. Ao invés de permanecer em território brasileiro, optou por retornar a Buenos Aires nos intervalos maiores entre os jogos e seguir os treinamentos em Ezeiza. Já nos hotéis, reservavam entre três e cinco andares, quartos individuais, e não dividiam o elevador com os hóspedes - neste caso, mais uma vez, postura diferente de jogadores e integrantes da deleção, já que alguns atletas não se preocupavam com essa determinação.

Foi, de maneira  geral, uma Copa América fria, que se transformou na última semana. Com as semifinais definidas e a real possibilidade de Argentina e Brasil na final, o próprio interesse das pessoas nas ruas surgiu. No início da Copa América, nos arredores dos estádios, era comum pedestres e motoristas de carro interpelarem a equipe da ESPN sobre qual jogo iria acontecer. Foi também um torneio que rendeu boas lembranças, como por exemplo a passagem de Diego Armando Maradona por Goiânia durante a Copa América de 1989. Isso porque os argentinos, agora em 2021, se hospedaram no mesmo hotel.

A próxima Copa América acontecerá em 2024, caso a Conmebol não crie uma edição extraordinária por qualquer motivo aleatório. Se isso realmente não acontecer, o Equador deve receber a 48a edição do torneio de seleções sul-americanas. Antes disso, no final de 2022, a Copa do Mundo já nos brindará com grandes histórias no campo e também nos bastidores de uma cobertura jornalística.

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Brasil x Argentina, Neymar x Messi: análise da grande final da Copa América

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Quando a Copa América começou, o favoritismo era da seleção brasileira. O trabalho de longo prazo de Tite, a invencibilidade, a segurança defensiva, tudo isso fazia do Brasil o time mais forte, indiscutivelmente, da América do Sul. Passadas quatro semanas, a disputa aumentou.

Por mais que muitas pessoas critiquem a forma de jogo do Brasil, a consistência e o equilíbrio dessa equipe permanecem intactos. O que mudou, no entanto, foi a avaliação do rival deste sábado (10), na final da Copa América, em pleno Maracanã. A Argentina é um time, hoje, melhor do que era no início da competição.

São os dois melhores ataques, com 12 gols para o Brasil e 11 para a Argentina - pouco abaixo da média de expected goals (xG) criada pelas equipes: 13,94 para os argentinos e 13,83 para os brasileiros, as duas maiores da competição. Foram os dois times que mais finalizaram (86 e 76, respectivamente) também.

Brasil x Argentina é Neymar x Messi na final: os absurdos números dos dois craques da Copa América; assista

Na posse de bola, Equador (56,8%) e Chile (56,7%) encerram a Copa América nas duas primeiras posições do ranking. Na sequência, vêm Brasil (55%), Paraguai (51,4%) e Argentina (50,9%). No caso argentino, reflexo claro da queda de rendimento do time em segundos tempos. Isso pode ser averiguado por outra estatística também, de passes para o último terço, onde há diferença grande entre os finalistas: 50,59 x 38,01. A Argentina, porém, cruza bem menos bolas na área do que o Brasil. Foram 55 até aqui contra 96 dos brasileiros. Em dribles e ações de 1x1 novamente se igualam, com 226 para Neymar e companhia e 208 para Messi y los compañeros.

Estão também entre as melhores defesas. Brasil e Uruguai sofreram somente dois gols, enquanto a Argentina concedeu um a mais. Duas equipes bem equilibradas na média de idade, balanceando bem jovens e veteranos: 27,7 anos para a Albiceleste e 27,1 para a Canarinho. Em quesitos defensivos ainda, apenas o Uruguai sofreu menos finalizações no total (32), mas também se despediu antes da competição. Foram 36 contra os brasileiros e 44 contra os argentinos no total.

A seleção comandada por Tite pressiona mais o adversário quando não está com a bola do que os jogadores comandados por Lionel Scaloni. A média de PPDA (Passes per Defensive Action), que mede o número de passes do adversário com a posse, foi de 8,54 contra 10,57 dos rivais deste sábado.

Individualmente, esta é a Copa América de Lionel Messi e Neymar. Os dois são os protagonistas da competição em todos aspectos de análise possíveis, inclusive nas estatísticas. São os dois que mais participaram de gols, nove e cinco respectivamente, contando gols e assistências. Além disso, lideram em vários índices como finalizações, dribles e arrancadas.

As estratégias serão extremamente importantes nos dois lados. Tite e Scaloni têm dúvidas e problemas para definir as equipes titulares. Pelo lado brasileiro, sem Gabriel Jesus, ao menos quatro jogadores disputam a vaga. Everton Cebolinha é o favorito, com Everton Ribeiro em segundo lugar. Roberto Firmino aparece com menos chances, assim como Gabigol.

Neymar e Messi brigam pela bola em um Brasil x Argentina
Neymar e Messi brigam pela bola em um Brasil x Argentina Getty

Cebolinha é a opção natural, sem esforço tático. Fecha o lado e ataca o espaço com a bola, além de possibilitar inversões de lado com Richarlison. O meia do Flamengo também faz essa função, mas com características diferentes, por jogar mais por dentro. A entrada de Firmino ou Gabigol demandaria mudança de posicionamento de Lucas Paquetá para o lado, o que parece absolutamente improvável neste momento, pelo bom rendimendo do jogador do Lyon por dentro.

Já a Argentina vai para a decisão deste sábado com dúvidas em mais de uma posição. Cuti Romero segue com um problema no joelho esquerdo e não deve jogar, mantendo assim Germán Pezzela na defesa ao lado de Nicolás Otamendi. Nas duas laterais há disputa: Nahuel Molina é favorito sobre Gonzalo Montiel pela direita e Marco Acuña pode recuperar o lugar que foi de Nicolás Tagliafico contra a Colômbia.

O meio-campo terá Giovani Lo Celso ao lado de Guido Rodríguez, muito provavelmente, com Leandro Paredes sendo a outra opção. O 4-4-2 argentino ainda contará com Rodrigo De Paul pelo lado direito e Nicolás González pela esquerda. Com a bola, a movimentação é grande já que Nico é um atacante pelo lado e De Paul um meia que fecha bastante, além da referência de movimentos ser Messi. A equipe evoluiu e ganhou mais opções, inclusive com Ángel di María saindo do banco de reservas, além de Papu Gómez.

É o maior clássico do futebol sul-americano, um dos maiores do futebol mundial. Se o Brasil está invicto há 13 jogos, a Argentina não perde há 19, segunda maior sequência na história da equipe - fica atrás apenas dos 33 jogos entre 1991 e 93 com Alfio Basile. A última derrota brasileira foi no amistoso de novembro de 2019, 1 a 0 para os argentinos. Assim como o último revés da Argentina foi para o Brasil, na semifinal da Copa América de 2019.

Messi e Neymar não ganharam a Copa do Mundo. O argentino chegou perto em 2014, mas ainda não possui qualquer taça com a seleção principal. O atacante brasileiro ganhou a Copa das Confederações em 2013 e, assim como seu amigo, ainda luta por uma Copa América. Aos 34 anos, Messi não deve ter outra para jogar. Neymar, aos 29, quer o título que não pôde conquistar há dois anos. Será um jogo maravilhoso.

Fonte: Gustavo Hofman

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66 curiosidades sobre os 66 times inaugurais da Conference League (para você se tornar especialista em futebol alternativo)

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Finalmente começou a UEFA Conference League
Finalmente começou a UEFA Conference League UEFA

Começou a Conference League! Para quem não sabe, a UEFA inverteu a importância das competições e decidiu, finalmente, privilegiar o futebol alternativo, em detrimento da Champions League e da Europa League, duas "modinhas". Bem, não é exatamente assim... Mas fato é que agora temos uma nova competição internacional para viajarmos pela Europa.

Nesta semana, terça e quinta-feira, aconteceram as partidas da primeira fase qualificatória da Conference, torneio voltado para os países de  menor expressão no futebol. Ainda haverá mais três até a fase de grupos. São 66 times e muitas histórias. Abaixo, você encontrará uma para cada um dos 66 clubes inaugurais, no formate "tuíte", para espalhar o futebol alternativo por aí.

Slask Wroclaw: Slask é a palavra em polonês para Silésia, região onde está o time e dividida entre Polônia, Tchéquia e Alemanha.  Pronúncia em português: "Xiláunski". Wroclaw (Vratislav) ficou em primeiro lugar no ranking da fDi Magazine sobre "Cidades Globais do Futuro 2021-22".

Spartak Trnava: 5x campeão tchecoslovaco, esteve perto da glória maior na Europa. Na semi da Copa dos Campeões de 1968-69, perdeu na ida para o Ajax, de Cruyff, por 3 a 0, e na volta em casa fez 2 a 0. Em 66-67, conquistou a Mitropa Cup batendo Honvéd, Fiorentina, Lazio e Újpest.

Žilina: clube que leva o nome da cidade eslovaca, quarta maior do país. Em 2009, a Kia Motors inaugurou enorme fábrica no local, com investimento de € 1,6 bilhão, transformando Žilina em seu hub europeu. Cerca de 60% das vendas da montadora coreana no continente partem de lá.

Maribor: Marcos Tavares, atacante brasileiro de 37 anos, ex-Grêmio e Athletico, é o maior artilheiro e ídolo na história do clube. Está no Maribor desde 2007 e se tornou também uma celebridade nacional em toda Eslovênia. Conquistou oito títulos eslovenos e quatro Copas.

Domžale: apenas 13 mil habitantes vivem na cidade, que empresta o nome a este clube esloveno. Com capacidade para 3 mil torcedores, o Športni park comporta quase um quarto da população, mas dificilmente tem mais de mil pessoas nas arquibancadas.

Puskás Akadémia: em homenagem ao maior jogador húngaro da história, o clube, fundado em 2005, leva seu nome. Por trás está o primeiro-ministro, Viktor Orbán, que cresceu em Felcsút, cidade da equipe, que ganhou um estádio (Pancho Arena) com capacidade para 2x a população local.

Fehérvár: trata-se do antigo Videoton, vice-campeão da Copa da Uefa em 1984-85. No primeiro jogo da final, 3 a 0 para os merengues na Hungria. Na volta, no Santiago Bernabéu com 98.300 torcedores, histórica vitória contra Míchel, Valdano e Butragueño, insuficiente para o título.

Swift Hesperange: há na cidade de Hesperange uma ponte estaiada bastante parecida com a existente sobre a Marginal Pinheiros, em São Paulo. Possuem extensões parecidas (260 e 290 metros, respectivamente). A luxemburguesa é mais antiga (1993) do que a paulista (2008).

Racing Union Luxembourg: clubes com presidentes mulheres já não são novidade há muito tempo. A advogada Karine Reuter preside o Racing-Union desde 2016, e antes disso se tornou celebridade na TV luxemburguesa em um programa onde ela resolvia problemas jurídicos para a população.

Suduva: o técnico espanhol Víctor Basadre, 51 anos, foi assistente técnico de Unai Emery no Valencia. Assumiu o Suduva neste ano, seu terceiro clube no terceiro país diferente nos últimos três anos (Volos na Grécia e Formenteras na Espanha foram os outros).

Kauno Žalgiris: o basquete é o esporte mais popular da Lituânia. O Kauno Žalgiris é a divisão de futebol do Žalgiris Kaunas, clube mais popular e maior campeão do país, um dos mais importantes de toda Europa no basquete. No futebol, ainda luta pelo primeiro título.

Ararat Yerevan: um dos maiores clubes da Armênia, é o único a ter conquistado o Campeonato Soviético em toda história. Em 1973, superou todas as potências russas e ucranianas, incluindo o Dinamo Kiev, do artilheiro do campeonato Oleg Blokhin, que ficou com o vice.

Noah: com quatro anos de existência, este clube armênio já mudou de nome (surgiu como Artsakh), cores, escudo e conquistou a copa nacional em 2020. A República de Artsakh (Nagorno-Karabakh) é um dos locais de maior tensão geopolítica no mundo, envolvendo Armênia e Azerbaijão.

Urartu: antigo FC Banants, desde 2019 FC Urartu, que remete ao termo assírio para designar a região onde hoje está a Armênia. O clube informa em seu site oficial possuir vagas para treinadores na base. Interessados devem enviar currículo para fcurartuacademy@mail.ru.

Liepajas: o clube pertence a Maris Verpakovskis maior artilheiro na história da seleção letã com 29 gols, que é da cidade com o mesmo nome do time - que, na verdade, é a versão refundada do tradicional Liepajas Metalurgs, dissolvido em 2013 por problemas financeiros.

RFS: o Rigas Futbola Skola está em uma das mais belas cidades presentes na Conference League. Riga, capital da Letônia, foi apelidada de "Paris dos Bálticos" e foi declarada pela Unesco Patrimônio da Humanidade. No futebol, o RFS é potência no futebol nacional feminino.

Valmiera: Janis Dalinš conquistou a medalha de prata na marcha de 50km nas Olimpíadas de 1932, em Los Angeles, e se tornou o primeiro letão medalhista olímpico. Ele nasceu em Valmiera, no interior da Letônia, e empresta o nome ao estádio onde joga o time de futebol da cidade.

Vllaznia: clube de futebol mais antigo da Albânia, fundado em 16/fev/1919. Porém, é somente o quarto maior campeão com nove títulos nacionais. Durante a II Guerra, o Campeonato Albanês foi disputado e em 1940 o time foi campeão, mas essa taça não é reconhecida oficialmente.

Partizani Tirana: apenas o Partizani, clube historicamente ligado ao exército da Albânia, terá a oportunidade de decidir a primeira Conference League em casa. A decisão está marcada para 25/mai/2022, em Tirana, na Arena Kombëtare - Air Albania Stadium, pelos naming rights.

Laçi: cada um tem o 7 a 1 que merece, certo? Pois o Laçi possui dois, para não esquecer! A maior derrota do clube como mandante, na história, foi em 18/dez/2004, 7 a 1 para o Vllaznia. Já a maior lembrança negativa internacional foi um 7 a 1 para o Dnepr MOgilev, de Belarus.

Sileks: está na segunda divisão macedônia! Foi rebaixado na temporada passada, mas conquistou a Copa do país, ao bater o Akademija Pandev na decisão. Nesta primeira fase da Conference, apenas Sileks e Gagra, da Geórgia, não estão em suas primeiras divisões nacionais.

Shkupi: em 2012 o Slogan Jugomagnat, clube tradicional do país, se fundiu ao FC Albarsa para criar o Shkupi. Por questões políticas, envolvendo as relações entre Macedônia do Norte e os albaneses que vivem na região, essa sucessão não é reconhecida pela federação local.

Struga: a cidade de Struga, localizada na região sudoeste da Macedônia do Norte, banhada pelo lago Ohrid, é um destino turístico e cultural. Lá acontece um dos principais festivais de poesia no mundo, que já premiou grandes nomes do gênero na história, como Pablo Neruda.

Sarajevo: a rivalidade com o Željeznicar é uma das maiores dos Balcãs, o dérbi reúne as duas maiores torcidas da Bósnia. Na temporada passada, ambos foram superados pelo Borac Banja Luka, que voltou a ser campeão após dez anos. O Sarajevo foi vice e o Željeznicar somente sétimo.

Velež Mostar: em Mostar está um dos principais destinos turísticos da Bósnia. A Stari Most é uma ponte que sobreviveu a 427 anos de história, sobre o rio Neretva, até ser destruída na Guerra da Iugoslávia em 1993. Foi reconstruída e se tornou um símbolo para toda nação.

Široki Brijeg: a cidade de mesmo nome é de maioria croata, localizada no sul da Bósnia, no Cantão Ocidental de Herzegovina. O clube representa para seus torcedores o nacionalismo croata, e a torcida é conhecida como Škripari - termo usado por uma guerrilha fascista nos anos 40.

Sfîntul Gheorghe: o clube ainda é jovem, tem apenas 17 anos, mas os últimos têm sido bem marcantes. Atual campeão da Copa da Moldávia, após dois vices seguidos, venceu também a Supercopa neste ano. Só não conseguiu levar ainda o Campeonato Moldavo, onde bateu na trave em 2019.

Petrocub Hînce?ti: são três temporadas consecutivas caindo na primeira fase qualificatória da Europa League, com eliminações para Osijek-CRO, AEK Larnaca-CPR e Backa Topola-SER, ainda sem uma única vitória. Buscará a primeira contra o Sileks, da Macedônia.

Milsami Orhei: em 2015, ao conquistar o Campeonato Moldavo, se tornou o primeiro clube fora da capital, Chisinau, e de Tiraspol, cidade do Sheriff, a ficar com o título nacional. Não venceu mais depois disso, apesar de ter levantado o troféu da Copa da Moldávia em 2018.

Dundalk: fundado como um clube de rugby pelos trabalhadores da Great Northern Railway em 1883, adotou o association football vinte anos depois e não se arrependeu. Tornou-se um dos maiores times da Irlanda. Nos últimos anos, disputou duas vezes a fase de grupos da Europa League.

Bohemian: a origem do Bohemians, como é chamado por todos, é extremamente nobre. O clube foi fundado por membros da Real Escola Militar Hibernian, instituição que surgiu para cuidar de órfãos de militares. Disputa o Dublin Derby com o Shamrock Rovers, principal clássico irlandês.

Sligo Rovers: o jogador mais famoso que já atuou pelo Sligo Rovers é o lateral Séamus Coleman, atualmente no Everton. Coleman, que jogava futebol gaélico antes, foi descoberto pelo clube ainda na base, quando defendia o St Catherine's, na cidade de Coleman, a litorânea Killybegs.

Inter Turku: "Desenvolver jogadores para clubes europeus e ensiná-los a jogar um futebol atrativo e agressivo com a bola, baseado em um jogo fluido de passes". Essa é a ousada estratégia deste clube finlandês. Atualmente é comandado pelo técnico espanhol José Riveiro.

KuPS: Kuopion Palloseura é o significado das quatro letras que compõem a forma mais comum de referência a este clube. Kuopio é a oitava cidade mais populosa da Finlândia com 121 mil habitantes. Palloseura não possui tradução literal, mas significa "clube de esportes com bola".

Honka: o brasileiro Lucas Kaufmann, de 30 anos, é um dos grandes ídolos na história do clube. Desde 2017 no Honka, o meia, que passou pela base do Internacional, já tem mais de 100 jogos pela equipe finlandesa e mais de 20 gols marcados. Lucas joga e mora na Finlândia há uma década.

Gagra: a cidade de Gagra fica na Abkhazia, parte integrante da Geórgia, mas reconhecida como república independente pela Rússia. Há enorme tensão na região, e por isso o clube nunca pôde atuar em casa, mandando seus jogos desde o início, em 2004, na capital georgiana, Tbilisi.

Dinamo Batumi: o Batumi Stadium é uma belíssima arena inaugurada em 2020, ao custo de 36 milhões de euros e que atende aos padrões exigidos pela UEFA. Está construído em uma área de 30.660 m2 e possui ainda 1200 vagas de estacionamento, além de capacidade para 20 mil torcedores.

Dila Gori: Dila é o nome de um poema escrito por Joseph Stalin, que nasceu e viveu a infância em Gori, no interior da Geórgia. Há um museu na cidade sobre Stalin e em frente à assembléia municipal uma estátua dele, que chegou a ser removida em 2010, mas recolocada após dois anos.

Gzira United: Gzira é uma minúscula cidade de Malta de apenas 1,5km², mas com população de 11 mil habitantes. Gzira significa "ilha" em maltês, e a nomeia por causa da Ilha Manoel, localizada à frente no mar. Mais adiante, no outro lado da baía, fica a cidade murada de Valletta.

Birkirkara: a poderosa Associação Europeia de Clubes, agora presidida por Nasser Al-Khelaifi após a destituição de Andrea Agnelli, surgiu em 2008 e possui ao menos um representante de cada uma das federações filiadas à UEFA. O Birkirkara, de Malta, é um dos membros fundadores!

Mosta: o atacante Nixon, revelado pelo Flamengo, está no Mosta desde o ano passado (ao menos assim consta). O futebol maltês é um caminho para vários jogadores brasileiros nos últimos anos. Na temporada passada, 52 deixaram o Brasil para atuarem em Malta, quinto principal destino de brasileiros.

FH: o glorioso Fimleikafélag Hafnarfjarðar, ou simplesmente FH, é um clube com várias modalidades esportivas na Islândia. Apesar dos oito títulos nacionais conquistados desde 2004, o futebol não é o esporte mais vencedor do clube, bem atrás do handball masculino (16 taças).

Stjarnan: a série televisiva infantil LazyTown se tornou famosa internacionalmente e passou também no Brasil. Foi produzida entre 2004 e 2007, totalizando 78 episódios. Misturava bonecos com atores de verdade. Pois bem: foi gravada em Garðabær, na Islândia, cidade do Stjarnan.

Breiðablik: quem assistiu a série Katla, no Netflix? Se você ainda não viu, pare de ler porque há spoiler na sequência. Parou? O Povo Oculto é uma lenda urbana de Kópavogur, cidade que é a casa do Breiðablik, campeão islandês uma única vez, em 2010.

The New Saints: Llansantffraid-ym-Mechain, em Gales, e Oswestry, na Inglaterra, são cidades distantes apenas 13 km. O clube é o representante das duas desde 2006, quando o Oswestry Town fundiu com o Total Network Solutions e, três anos depois, mudou de nome para The New Saints.

Bala Town: duas mil pessoas vivem em Bala, no leste de Gales. No Canadá há outra Bala, em homenagem à cidade galesa. O ator Christopher Timothy, famoso na televisão britânica pela série All Creatures Great and Small, produzida pela BBC entre as décadas de 1970 e 90, nasceu lá.

Newton: para celebrar a participação na Conference, quarto torneio internacional na história do Newton AFC, o clube vai lançar um Programa de Jogo especial - colorido e em formato A4. Interessados em patrocinar a publicação devem procurar o Barry Gardner pelo +44 0793914941.

Coleraine: poucos clubes no mundo jogam em um estádio com um nome não chamativo: The Showgrounds. Lá, em 15 de setembro de 1982, o Tottenham enfrentou o Coleraine diante de 10 mil torcedores. Recorde até hoje do clube norte-irlandês, da cidade de mesmo nome.

Glentoran: a temporada 1973-74 foi inesquecível na história do Glentoran. Após conquistar a Copa Norte-Irlandesa, garantiu vaga na Recopa europeia e caiu apenas nas quartas de final para o Borussia Mönchengladbach, de Jupp Heynckes e Berti Vogts.

Larne: o cenário é espetacular, digno do Senhor dos Anéis. Pela cidade passa a rodovia A2, mais conhecida por Antrim Coast Road. A maior parte de seus 385km é beira-mar, nas colinas cinematográficas do Condado de Antrim. Um local marcante fica em Larne, o Blackcave Tunnel.

Europa: o tradicional Europa FC, tradicional ao menos em Gibraltar, tem uma disputa pela própria história. Fundado em 1925, por muito tempo fez parceria com o College FC e se chamou College Cosmos, mas quando isso acabou, em 2013, a disputa começou, já que existe o College 1975.

St. Joseph's: o técnico do St. Joseph's é o ex-zagueiro espanhol Jaime Molina, de carreira respeitável na Espanha nos anos 1980 e 90, tendo defendido Málaga, Espanyol e outros clubes menores. Ele assumiu o comando da equipe gibraltina em junho deste ano.

Mons Calpe: a federação de Gibraltar se filiou à UEFA apenas em 2013, mas o futebol é jogado neste território ultramarino britânico desde o início do século passado. O Mons Calpe, porém, é um dos clubes mais novos, fundado justamente no ano da filiação continental.

Sutjeska: a Batalha de Sutjeska foi um confronto em 1942, durante a II Guerra, entre o Eixo e a resistência comunista na Iugoslávia, os Partisans. O FK Sutjeska Nikšic possui esse nome desde 1945 - até então fora Hajduk e Hercegovac - em homenagem a todos os mortos iugoslavos.

Decic: Refik Šabanadžovic, lateral-direito campeão europeu com o Estrela Vermelha em 1991, começou na base do Decic e é de Tuzi, cidade no interior de Montenegro, sede do clube - que, aliás, jamais conquistou um título na elite montenegrina ou iugoslava.

Podgorica: a cidade de Podgorica, capital de Montenegro, foi chamada de Titograd entre 1946 e 92. Grandes nomes do futebol mundial surgiram lá, como Predrag Mijatovic e Dejan Savicevic na base do Buducnost. O FK Podgorica é um time pequeno, refundado em 2014 a partir do OFK Mladost.

Levadia: segundo maior campeão estoniano com nove títulos, atrás apenas do rival Flora, nem sempre o Levadia esteve na capital Tallinn. O clube era de Maardu e se chamava Olümp, até ser patrocinado pelo grupo empresarial Levadia em 1998 e se mudar para Tallinn em 2004.

Paide Linnameeskond: o clube surgiu como base para o Flora, da capital Tallinn. Evoluiu, desenvolveu vida própria e nos últimos anos foi vice-campeão da Copa da Estônia (2014-15) e vice nacional neste ano. Na temporada passada jogou a primeira fase qualificatória da Europa League.

Llapi: em Podujevo, cidade do Llapi, está localizado um dos principais destinos dos kosovares nos feriados. O Lago Batlava foi construído no período iugoslavo e se tornou também a maior fonte de água para a população de Podujevo e também da capital Pristina.

Drita: um dos maiores clássicos do Kosovo é disputado entre Drita e Gjilani, ambos da cidade de Gjilan, no interior do país. O jogo é chamado de Kosovo Derby pela enorme rivalidade que existe entre as torcidas, com alguns grupos de ultras nos dois lados.

Runavík: as Ilhas Faroe, como o próprio nome indica, são ilhas (jura, gênio? Auto-ironia com o autor). Eysturoy, onde fica Runavík, é a segunda maior em tamanho (286,3 km2) e em população com menos de 12 mil pessoas. Algumas costuma ir aos jogos do Runavík.

: Klaksvíkar Ítróttarfelag. Fale rápido agora o nome completo do glorioso KÍ. Difícil, não é mesmo? Porém, a tradução do faroês é bem simples: Esporte Clube de Klaksvik - segunda maior cidade das Ilhas Faroe com cinco mil habitantes (10% da população nacional).

Sant Julià: uma única vez em toda história o Sant Julià avançou da primeira fase de uma competição continental. Na temporada 2009-10, o clube de Andorra jogou contra o Tre Fiori, de San Marino, pela primeira qualificatória da Champions e passou nos pênaltis. Depois perdeu para o Levski.

Santa Coloma: não há clube maior em Andorra do que o Santa Coloma. São 13 títulos nacionais, em um campeonato criado em 1995. Se bem que o FC Andorra, propriedade de Gerard Piqué, joga no futebol espanhol, possui mais qualidade e atualmente já está na terceira divisão.

La Fiorita: a única universidade de San Marino, país com 33 mil habitantes, está em Montegiardino - que não possui nem mil pessoas morando lá. No futebol, San Marino ocupa a lanterna no ranking de coeficientes da UEFA.

Tre Penne: Maicon, ex-lateral da seleção brasileira em diversas competições, incluindo duas Copas, está no Tre Penne, de San Marino. Aos 39 anos, esteve em campo na estreia da equipe na Conference League, goleada sofrida por 4 a 0 para o Dinamo Batumi.

Fonte: Gustavo Hofman

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Protagonistas da Copa América, Lionel Messi e Neymar lideram diversas estatísticas ofensivas no torneio

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

A lista de artilheiros da Copa América tem Lionel Messi na liderança com quatro gols, seguido por Neymar -  com uma partida a menos - e mais nove jogadores com dois, cada um. No entanto, à medida que buscamos estatísticas mais avançadas, o domínio da ex-dupla do Barcelona se mostra evidente.

Somando as assistências, Messi dobra a participação direta em gols para oito, assim como Neymar com quatro. Ninguém os supera. São os dois atletas que mais finalizações possuem na competição, com 22 e 17, respectivamente - médias de 4,02 e 3,87, também os maiores índices. Destas, no total, 16 do argentino fora da área e nove do brasileiro, maiores marcas.

Messi é o artilheiro da Copa América até aqui com quatro gols
Messi é o artilheiro da Copa América até aqui com quatro gols AFA

Todos que acompanham a Copa América percebem como Neymar e Messi buscam o jogo o tempo todo, muitas vezes tentando decidir as jogadas sozinhos. São os líderes em lances de 1x1 e dribles: 71 para o atacante do PSG e 56 para o camisa 10 do Barcelona, atualmente sem contrato.

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Os dois aparecem novamente na liderança no ranking de passes para profundidade, que superam a última linha de marcação adversária, com 16 e 12 - Neymar à frente mais uma vez. Já em chances criadas para os companheiros, empatam em primeiro lugar com oito para cada lado. Outro índice que mantém os dois na ponta é de passes para a grande área, a menos de 20 metros do gol, que colocam o companheiro em condição de finalizar: Messi tem 16 e Neymar está com 13.

Neymar é a referência técnica da seleção brasileira
Neymar é a referência técnica da seleção brasileira Lucas Figueiredo/CBF

Algo que tem sido notório nesta edição da Copa América é a forma como os dois arrancam com a bola nos pés, superando muitas vezes com facilidade a defesa do rival. Messi soma 28 arrancadas, perseguidos por marcadores, enquanto Neymar tem apenas três a menos. Todas as estatísticas foram obtidas na plataforma Wyscout.

Vale mais uma vez a ressalva que o brasileiro foi poupado por Tite na partida contra o Equador, por isso soma 395 minutos jogados, contra 493 de Messi, que atuou nos cinco jogos da Argentina. As semifinais da Copa América, Brasil x Peru e Argentina x Colômbia, acontecem nesta segunda e e nesta terça-feira, respectivamente, com transmissão dos canais ESPN e FOX Sports. 

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Muito além de Messi, Argentina precisa se tornar forte coletivamente

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Lautaro Martínez foi um dos melhores jogadores da Inter de Milão, campeão italiana na última temporada. O atacante argentino foi responsável, em todas competições, por 19 gols e 11 assistências. Ainda na Itália, Christian Romero e Rodrigo de Paul foram destaques por Atalanta e Udinese, respectivamente. A Premier League viu Emiliano Martínez ser escolhido, por muitos, o melhor goleiro do campeonato.

Marcos Acuña se tornou peça importante no Sevilla, Leandro Paredes é titular do Paris Saint-Germain, Nico González está prestes a trocar o Stuttgart pela Fiorentina... Isso sem falar em Ángel di María e Ángel Correa, reservas atualmente na seleção argentina, mas destaques em seus clubes. Muito além de Lionel Messi, há ótimos jogadores na Argentina que podem formar um time melhor do que temos visto.

São 15 partidas de invencibilidade para a Albiceleste, com oito vitórias e sete empates. A última derrota foi em 2 de julho de 2019, semifinais da Copa América, 2 a 0 para o Brasil. De lá para cá, entre amistos e eliminatórias, muita irregularidade que permanece na atual edição do torneio continental. As críticas maiores recaem sobre Lionel Scaloni, pelas muitas alterações e incapacidade de fazer da seleção argentina uma equipe dominante.

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Em todas entrevistas coletivas, os jogadores ressaltam que o time possui uma identidade bem definida. "Temos a maior parte do grupo junta há muito tempo e agora as novas incorporações. A ideia é bastante clara e é o momento de dar o golpe, essa Copa América pode ser a possibilidade", afirmou Messi antes do empate em 1 a 1 com o Chile na estreia. O camisa 10 marcou de falta conta os chilenos e deu a assistência na vitória por 1 a 0 sobre o Uruguai, gol de Guido Rodríguez.

Lionel Messi é o melhor jogador do mundo e o que ele faz na seleção é incrível. Já afirmou, também, que seu maior sonho é ser campeão com a Argentina, e luta com todas as forças para torná-lo realidade nesta Copa América. Messi possui a melhor relação entre gols+assistências esperadas e convertidas (0,88) - ou seja, converte em realidade lances de dificuldade alta. Nas duas primeiras partidas, as tradicionais arrancadas com a bola estiveram presentes, e ninguém o fez mais que ele até agora (15).

Ainda nas duas primeiras rodadas, Messi foi o segundo que mais driblou (25), atrás apenas de Neymar (27), e é justamente nesse aspecto que entra a análise coletiva. Inevitavelmente, os melhores jogadores de Argentina e Brasil vão ficar muito com a bola. São dois atletas que não se esconden do jogo, pelo contrário, querem resolver muitas vezes em ações individuais. No entanto, para o individual ser potencializado, o coletivo precisa ser forte. Essa é a principal diferença entre as seleções de Argentina e Brasil.

Retomenos a "ideia clara" de jogo, citada por Messi. É consenso que a seleção argentina quer ter a posse de bola e controlar o ritmo dos jogos, pressionando o adversário pela maior qualidade técnica que possui em vários casos. Após dois jogos nesta Copa América, a média de posse de bola dos argentinos ficou em 48%. Dos quatro tempos jogados até aqui, o primeiro contra o Uruguai foi o melhor: pressão sobre o rival, posse, chances criadas, gol marcado. Já no segundo, contra os chilenos, bloco baixo de marcação, falta de iniciativa ofensiva, pressão do adversário. Na comparação objetiva com a seleção brasileira, o trabalho de longo prazo de Tite faz do Brasil um time muito mais confiável.

A questão não é a falta de talento na Argentina, e sim a transformação desse grupo de jogadores talentosos em um time forte. De Paul já foi bem melhor contra o Chile, ajudando muito na fase defensiva; Romero subiu o nível da defesa, é um zagueiro espetacular; as duas laterais ainda despertam dúvidas, falta jogo apoiado; no meio-campo, Lo Celso já conseguiu acelerar mais e Guido Rodríguez pode ser o "5" que tanto procuram; Nico González dá variação tática do 4-4-2 para o 5-3-2 sem a bola pelo lado esquerdo e muita entrega em campo; Lautaro não pode perder gols como fez nos dois primeiros jogos, e Sergio Agüero não parece em grande forma.

Há bons sinais, assim como há outros preocupantes ainda. Diante do Paraguai, na segunda-feira, a Argentina terá a chance de provar a todos que está em crescimento nesta Copa América. Contra o Uruguai jogou melhor do que contra o Chile, e é essa evolução que se espera de todo time, porque Lionel Messi estará lá para achar um lindo gol de falta, carregar toda defesa adversária ou fazer um belo cruzamento na pequena área. 

Jogadores argentinos celebram o gol da vitória sobre o Uruguai
Jogadores argentinos celebram o gol da vitória sobre o Uruguai AFA

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Primeiro brasileiro campeão da Euro, Marcos Senna relembra Luis Aragonés e a carreira na Espanha

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Serão sete brasileiros na Eurocopa que começa nesta sexta-feira. Jorginho, Rafael Tolói e Emerson Palmieri foram convocados pela seleção italiana, enquanto Mário Fernandes defenderá a Rússia, Marlos mais uma vez foi chamado pela Ucrânia e Thiago pela Espanha - com a ressalva de ter nascido na Itália, mas ter sido elegível para a seleção brasileira no passado. O último deles é o único que já levantou a taça da Euro, o zagueiro Pepe, por Portugal, que, no entanto, não foi o primeiro brasileiro a conseguir esse feito.

Em 2008, já consolidado no meio-campo do Villarreal após se transferir do São Caetano, Marcos Senna foi campeão europeu com a Espanha. Titular indiscutível na equipe do técnico Luis Aragonés, foi considerado por muitos o melhor jogador do torneio, superior inclusive a Xavi, eleito pela UEFA. As lembranças daquele 29 de junho de 2008 ainda estão muito vivas na memória do, agora, diretor de Relações Institucionais do Submarino Amarelo desde 2015. Principalmente os momentos anteriores à vitória por 1 a 0 sobre a Alemanha.

Marcos Senna jogou a Copa de 2006 e ganhou a Euro em 2008 pela Espanha
Marcos Senna jogou a Copa de 2006 e ganhou a Euro em 2008 pela Espanha Divulgação

"O Luis Aragonés era especial, aquele estilo de treinador capaz de convencer o jogador a fazer o que ele quer. Acho que a função do treinador é essa, obviamente ele precisa saber da parte tática, mas ter o time na mão é o mais difícil. Ele sempre contava alguma piada para a gente relaxar. Na final contra a Alemanha, começou a errar alguns nomes, chamar o Schweinsteiger de Bastinteiger, o Ballack de Wallace. Eu estava bem centrado, bem concentrado na preleção dele, mas em uma situação como essa não tem como! Todos os jogadores riram muito. Risos e nervosismo, acabou tendo um equilíbrio. Assim fomos mais relaxados para a final", lembra Marcos Senna.

A trajetória do meio-campista com a Fúria começou dois anos antes e incluiu o Mundial. Tudo graças ao desempenho em campo pelo Villarreal e a vontade de Luis Aragonés. "Jamais na minha vida imaginei jogar por uma seleção que não fosse do meu país de origem. Meu sonho era atuar na seleção brasileira, mas as coisas surgiram e foram acontecendo muito rápido. Para a Copa de 2006 já tínhamos uma seleção brasileira formada, com grandes figuras. Eu jogando no Villarreal, ainda desconhecido... Quando veio o Luis Aragonés falar comigo, não pensei duas vezes. Era a possibilidade de jogar uma Copa do Mundo. Foi uma experiência incrível, quatro anos fantásticos e grandes amizades".

O início de toda essa história foi muito marcante não apenas para o jogador brasileiro, mas também para a própria Espanha. A primeira convocação de Marcos Senna foi a primeira também de Andrés Iniesta e Cesc Fàbregas. "Meninos novinhos, já eu estreei com 29. O Luis Aragonés, no vestiário, falou para todos que quem tinha 100 jogos ou estava chegando, era tudo igual. 'Trato todos iguais'. Os jogadores naturalmente já o conheciam, havia muito respeito por ele, e sabiam que, se pisassem fora do lugar, ele não pensaria duas vezez em puxar a orelha". A forma de trabalho do treinador, que faleceu em 2014 aos 75 anos, foi determinante para a total adaptação do brasileiro ao elenco. "Cheguei e senti essa confiança, que ele era neutro, queria apenas o bom trabalho do grupo. Ele me colocou para jogar e os jogadores me trataram super bem".

Presente e história no Villarreal

Como diretor de Relações Institucionais do Villarreal, Marcos Senna possui agenda movimentada. Sua conta no Instagram apresentam os registros fotográficos que comprovam isso. Está presente em eventos com torcedores, compromissos com entidades ou no cotidiano time principal. Hoje, o clube da pequena Vila-real, com cerca de 50 mil habitantes na Comunidade Valenciana, possui tamanho e organização superiores a tudo que ele viu em 2002, quando foi contratado. E Marcos Senna conhece muito bem o principal responsável por essa transformação.

Marcos Senna segue trabalhando no Villarreal
Marcos Senna segue trabalhando no Villarreal Divulgação

"Tive o privilégio de pegar o clube nesse crescimento e participar desse processo. O presidente Fernando Roig é o nome principal de todos esse projeto. Chegamos a um patamar que muitos não acreditavam que chegaríamos, um clube de uma cidade pequena, mas o presidente desde o início teve essa convicção, de manter o clube na primeira divisão e chegar na Europa. A princípio todos acharam que era um fanfarrão, mas foi tudo ao contrário. O Villarreal teve um crescimento enorme", conta Marcos Senna. Fernando Roig possui fortuna estimada em US$ 1,4 bilhão de dólares. É proprietário da rede de supermercados Mercadona na Espanha e assumiu o controle do Villarreal na temporada 1997-98, na segunda divisão. 

Outro nome extremamente importante no crescimento do clube e estabelecimento como uma das principais forças do futebol espanhol neste século foi Manuel Pellegrini. O técnico chileno comandou o Submarino Amarelo de 2004 a 2009 e esteve à frente na histórica campanha semifinalista na Champions, em 2006. Foi determinante também na formação do próprio estilo da equipe. "O Villarreal é um clube com uma metodologia a ser seguida, uma referência. Jogadores e treinadores contratados vêm com o perfil marcado. O clube tem um sistema de jogo de toque, sair jogando desde a defesa, não tem o estilo do chutão. Geralmente os jogadores precisam se encaixar nesse padrão. Não buscamos, por exemplo, aquele tipo de centroavante alto, batalhador, e sim atacantes que se encaixam nesse perfil", explica Marcos. 

Há ainda alguns aspectos que apenas as pessoas que viveram intensamente o Villarreal nas duas últimas décadas podem descrever. "O pessoal aqui é muito apaixonado por futebol. Não sei se é mais ou menos que no Brasil, mas perder não perde. Nosso estádio tem capacidade para 24 mil torcedores, temos 20 mil sócios que dificilmente perdem jogos. A torcida está cada vez mais apaixonada. Antigamente era uma torcida mais calada, que não cantava tanto, e hoje vejo uma geração de meninos que tinham oito, dez anos na minha época de Champions, que mudou bastante. Já dá para ouvir a torcida no estádio".

Ida para a Espanha

Um detalhe curioso e pouco divulgado sobre a carreira de Marcos Senna, revelado pelo Rio Branco, de Americana, no interior de São Paulo, envolve sua chegada ao Villarreal. Em 2002, o clube fechou com Gilberto Silva, que estava no Atlético Mineiro. Os espanhóis, no entanto, apenas acertaram com o volante da seleção brasileira verbalmente, sem assinatura de contrato. Com o destaque obtido pelo jogador no Mundial e o título conquistado, o Arsenal se interessou pela contratação e acabou levando o jogador para Londres. Isso obrigou o Villarreal a buscar outro meio-campista e, "por acaso", achou no Brasil.

"O vice-presidente veio atrás do Somália, atacante. Acho que o Somália nem sabe disso. Assistiram as semifinais contra o América, no México, e eu acabei fazendo um ótimo jogo. Já o Somália não apareceu, estava super bem, fez um ótimo campeonato, mas a partir daí surgiu o interesse. Depois foram ao Brasil já exclusivamente para falar comigo no dia anterior à final da Libertadores". Nessa época, já como volante graças a Oswaldo de Oliveira. "Fui contratado pelo Corinthians para jogar como meia. Na estreia do Brasileiro de 1999, contra o Gama, surgiu um imprevisto com o Vampeta, que teve que ir para a seleção. Com isso o Oswaldo me recuou para jogar ao lado do Rincón e fui super bem. Eu gostei, porque não recebia bola de costas, prefiro jogar de frente".

Hoje em dia Marcos Senna mora com a família em Valência, ao lado de Vila-real, onde trabalha. Jamais esqueceu suas raízes, mas criou mais algumas muito fortes em território espanhol. Estará na torcida pela seleção espanhola nesta segunda-feira, na estreia contra a Suécia pela Eurocopa.

Marcos Senna se despediu do Villarreal em 2013 e retornou ao clube anos mais tarde, após encerrar a carreira no New York Cosmos
Marcos Senna se despediu do Villarreal em 2013 e retornou ao clube anos mais tarde, após encerrar a carreira no New York Cosmos Divulgação

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Primeiro brasileiro campeão da Euro, Marcos Senna relembra Luis Aragonés e a carreira na Espanha

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Competitiva e sem empolgar, seleção brasileira muda taticamente e mantém excelente aproveitamento

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Competitividade. Talvez essa seja a palavra que melhor define a seleção brasileira sob o comando do técnico Tite. Aproveitamento acima de 80% contando todas competições desde setembro de 2016, 100% nas atuais eliminatórias para a Copa do Mundo.

Contra Equador e Paraguai nesta Data FIFA, vitórias por 2 a 0 sem grandes riscos ou brilho contra seleções medianas da América do Sul. Como falamos na edição de terça-feira o Futebol no Mundo na ESPN, faltam jogos contra as potências europeias para o Brasil ser mais testado, o que é bastante necessário e preocupante.

Na partida contra os equatorianos, manutenção do sistema tático utilizado nas rodadas anteriores, com a variação defensiva pelo lado esquerdo para compensar a falta de recomposição defensiva de Neymar. Já diante dos paraguaios, formação diferente e sem necessidade de grandes adaptações.

Tite sacou Lucas Paquetá e colocou Roberto Firmino, além de trocar Gabigol por Gabriel Jesus; manteve Fred entre os titulares, com Douglas Luiz no banco; ainda trocou o goleiro, dando mais uma oportunidade a Ederson. Continuou marcando no 4-4-2, mas com Richarlison fechando o lado esquerdo, ao invés de Fred, que se manteve na faixa central com Casemiro. Com a entrada de Paquetá na vaga do meio-campista do Manchester United, no intervalo, na fase defensiva nada mudou.

Marcação brasileira foi mantida no 4-4-2, com novo jogador pelo lado esquerdo
Marcação brasileira foi mantida no 4-4-2, com novo jogador pelo lado esquerdo BuildLineup

Uma mudança importante aconteceu na saída de bola da seleção brasileira. No sistema contra o Equador, o lateral-esquerdo dava amplitude na fase ofensiva e deixava o início da construção de jogo no 2-3 ou 3-2, com os dois zagueiros, mais Danilo, Casemiro e Fred. Já contra os paraguaios, Alex Sandro se manteve na segunda linha inicial, como na imagem abaixo, próximo aos meio-campistas e à frente de Éder Militão e Marquinhos.

Saída de bola da seleção brasileira no primeiro tempo contra o Paraguai
Saída de bola da seleção brasileira no primeiro tempo contra o Paraguai BuildLineup

Com a bola no ataque, Gabriel e Richarlison eram os responsáveis por abrir a defesa adversária com primeira linha de cinco joggadores. Sem centroavante, Neymar e Firmino se alternavam para armar o jogo por dentro. Casemiro e Fred davam sustenção na faixa central, com auxílio de Alex Sandro muitas vezes e em raros momentos de Danilo. Paquetá passou a executar a função de Fred e depois, com a entrada de Douglas Luiz no lugar de Firmino, foi adiantado.

Neymar e Firmino jogaram com liberdade no ataque da seleção
Neymar e Firmino jogaram com liberdade no ataque da seleção BuildLineup

Nas estatísticas, chamou atenção a posse de bola absolutamente equilibrada, com mínima vantagem para o Brasil (50,1%), explicada também pelo baixo número de recuperações de bola - apenas 42, menor marca destas eliminatórias para a seleção. Nas finalizações, 13 a 10 para os brasileiro, com quatro a três no alvo e gols acima do índice esperado (xG 1,5).

Cinco jogadores da Premier League, dois de LaLiga, dois da Serie A e dois da Ligue 1 foram titulares contra o Paraguai. Isso indica muito como pensa a comissão técnica em relação à competitividade citada no texto. São atletas de Manchester City, Liverpool, Manchester United, Real Madrid, Juventus e Paris Saint-Germain, alguns dos maiores clubes do planeta. O representante do Everton foi o melhor brasileiro no último Campeonato Inglês.

Mauro Naves exalta Neymar ‘inspirado’, analisa atuação de Gabriel Jesus e fala de vitória do Brasil: ‘Taticamente bem interessante’


         
     

Todos atletas de altíssimo nível, que mantém a seleção brasileira como uma das mais fortes do mundo, mesmo sem empolgar. Nos dois últimos jogos, a comissão técnica mostrou mais uma vez a capacidade de variar a estratégia ou as funções dos jogadores em campo. Não há, atualmente, uma seleção que esteja sobrando no futebol mundial, nem mesmo a França, que indiscutivelmente possui o melhor elenco.

Com o turbilhão político e moral envolvendo o presidente da CBF, Rogério Caboclo, aparentemente encaminhado para a solução que jogadores e comissão técnica queriam, é hora de voltar as atenções para a polêmica Copa América. Uma oportunidade a mais para a seleção evoluir dentro de campo, mas contra os mesmos adversários de sempre.

Richarlison e Neymar comemoram o primeiro gol brasileiro contra o Paraguai
Richarlison e Neymar comemoram o primeiro gol brasileiro contra o Paraguai Lucas Figueiredo / CBF

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Quatro continentes e muitas experiências: conheça o técnico brasileiro à frente de Guiana

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Márcio Máximo e seu assistente na seleção de Guiana, Wilson Toledo
Márcio Máximo e seu assistente na seleção de Guiana, Wilson Toledo Arquivo pessoal

A diversidade de seleções e clubes no currículo de Márcio Máximo impressiona. Aos 59 anos, o treinador brasileiro comanda Guiana nas eliminatórias da Concacaf para a Copa do Mundo e luta pela classificação para a próxima fase. Terá, inclusive, jogo decisivo nesta sexta-feira contra São Cristóvão e Névis, de outro técnico brasileiro, Léo Neiva, cuja história já foi contada neste blog.

Carioca, super descontraído e com enorme experiência internacional, Márcio já fez parte da comissão técnica da seleção brasileira sub-17, onde foi um dos responsáveis por levar um jovem atacante do São Cristóvão, de nome Ronaldo, para a Granja Comary. Levado por Humberto Redes para ao Catar, também trabalhou nas seleções de base no país árabe para, depois, seguir a carreira de treinador. Vivência incrível: seleções das Ilhas Cayman e da Tanzânia, Livingston (Escócia), Young Africains (Tanzânia) e alguns clube brasileiros. Quatro continentes e muitas experiências.

"As pessoas quando falam em África têm uma ideia de fome, de guerras, e não é isso. A Tanzânia é um país que foi comunista por muito tempo e ainda possui algumas nuances do comunismo. É um país muçulmano também, basicamente muçulmano. Vários hábitos ainda são oriundos do tempo que eles ficaram fechados, era o comunismo chinês. Eles não tinham opção, iam para o lado americano ou para o chinês, de Mao Tsé-Tung. Optaram pelo Mao e pelo menos não houve guerra civil lá, já foi uma vantagem. Porém, não se desenvolveu tanto", lembra Márcio, que comandou a seleção tanzaniana de 2006 a 2010 e em 2014 esteve no Young Africains. "É um lugar belíssimo, com praias lindas, como em Zanzibar. Tive a oportunidade de fazer o safári no Serengeti também. Nossa vida no exterior possibilita algumas situações, que se não fosse pelo futebol, faríamos apenas o turismo tradicional".

A missão atual é levar Guiana para a próxima fase das eliminatórias da Concacaf. Com três pontos após duas rodadas, sabe que precisa da vitória contra São Cristóvão e Névis. "O Léo é um amigo de longa data, técnico jovem com enorme potencial. É sempre bom termos brasileiros inseridos no mercado, seja ele qual for. A exportação de técnico brasileiros tem sido difícil, temos poucos trabalhando no mundo", conta Márcio sobre a relação com o colega. "Nós importamos 50% da seleção, ingleses. Nosso desafio é unir os dois grupos, local e internacional, e tentar fazer uma equipe competitiva no curto período que temos de treino. Aqui mantemos um trabalho com os jogadores locais. Eles têm um potencial muito grande. Renovamos muito a seleção, a média de idade é de 23 anos, porque acreditamos que dessa maneira conseguimos mudar a mentalidade dos jogadores e adaptá-los ao nível intenso do jogo que queremos. Os jogadores precisam completar renda com trabalho. A tendência é que a liga se torne totalmente profissional em breve".

Márcio já viveu em locais belíssimos
Márcio já viveu em locais belíssimos Arquivo pessoal

Márcio está na Guiana com o assistente Wilson Toledo. Eles têm promovido muitas mudanças, como o foco no futebol local. No início do trabalho, em 2019, 90% do elenco da seleção era formado por atletas que atuam fora do país. Assim como várias seleções do Caribe, Guiana busca jogadores de origem guianesa. "Curaçao, por exemplo, traz 24 jogadores de fora e não desenvolve o futebol local. FIFA e Concacaf deveriam se preocupar mais com isso. Não sei se limitando o número de jogadores estrangeiros, mas deveria haver um a ação que integrasse mais os jogadores locais".

Essa forma de trabalho não é a buscada por Márcio Máximo na Guiana, pelo contrário. "Precisamos definir o perfil do jogador que queremos. Não adianta trazer alguém da quinta ou da quarta divisão inglesa, que pouco vai somar à qualidade do time. Procuramos jogadores de 22, 21, que nem sempre jogam na equipe principal, mas que atuam na Championship. Temos atletas do Watford, por exemplo, que não estão no primeiro time, mas eventualmente entram nos jogos. Jogador é formação. Todos os casos possuem exceções, mas não é a tendência".

Situação diferente que ele viveu nas Ilhas Cayman, no final dos anos 1990. Quando recebeu o convite, considerou uma equipe de pouca relevância mesmo no continente, mas havia algo a mais. "Eu não ia aceitar o convite das Ilhas Cayman, porque considerei uma ilha inexpressiva. Na época, porém, o General-Secretário me disse que poderíamos contar com jogadores ingleses. Por ser território britânica, a seleção de Ilhas Cayman poderia usar os ingleses, daí vieram jogadores da Championship, da Premier League escocesa, houve uma mudança. Empatamos com a Jamaica, amistoso com o DC United, que era o time do Etcheverry, fizemos grandes jogos. Só que infelizmente, a FIFA não permitiu que utilizássemos esses jogadores nas eliminatórias para a Copa, porque eles não tinham ascendência caimanesa", explica. 

No final das contas, foi justamente a experiência com atletas britânicos que lhe rendeu o convite para assumir o Livingston, na primeira divisão escocesa - primeiro treinador brasileiro na história a trabalhar no Reino Unido. A experiência não deu tão certo, já que o clube mudou de proprietário e não comprou totalmente as ideias de Márcio, de revelar jogadores. Mesmo assim, em seis meses por lá, conseguiu revelar jogadores como Robert Snodgrass, atualmente no West Brom. "Fui para a Europa através de uma ilha do Caribe, mas não sei se fiz a opção certa", conta o treinador, que também foi entrevistado em outros momentos por Southampton e Exeter.

O melhor trabalho em clube foi, sem dúvida, no futebol tanzaniano. "O Young Africains é o Flamengo de lá. O estádio, construído pelos chineses, que investem muito no leste da África, tem capacidade para 60 mil pessoas sentadas. Quando jogam Yanga e Simba, o grande clássico nacional, ficam 60 mil pessoas dentro e 160 mil fora querendo entrar". Antes, na seleção, subiu 80 posições no ranking da FIFA e levou a equipe para o Campeonato das Nações Africanas.

Graduado pela licença Pro da CBF, Márcio Máximo foca agora nas eliminatórias para a Copa. Sem esquecer suas raízes e suas ideias de formação do atleta.

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Quatro continentes e muitas experiências: conheça o técnico brasileiro à frente de Guiana

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O caso de amor entre Villarreal e América do Sul

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Entre os jogadores com mais partidas na história do Villarreal há dois argentinos. Rodolfo Arruabarrena é o sétimo, com 270, enquanto Gonzalo Rodríguez empata com Javi Venta na nona posição. Marcos Senna, brasileiro naturalizado espanhol, é o quarto com 363. Entre os maiores artilheiros a presença de sul-amdericanos é maior, já que Diego Forlán é o terceiro com 58 gols, Juan Román Riquelme o quinto (45), seguido de Carlos Bacca na sexta posição (43) e Nilmar em décimo (34). A história entre o Submarino Amarelo e a América do Sul é longa e nesta semana ganhou mais um personagem.

Na última quarta-feira, um goleiro natural de La Plata, na província de Buenos Aires, se tornou herói na conquista da Europa League. Gerónimo Rulli começou a carreira no Estudiantes e chegou ao futebol europeu em 2014 pela Real Sociedad, onde teve regularidade em cinco temporadas. Foi contratado pelo Manchester City nesse período, mas emprestado novamente à equipe basca e jamais atuou pelos ingleses. Deixou a Espanha em 2019 para jogar pelo Montpellier e, já no ano seguinte, foi contratado pelo Villarreal.

Rulli entrou para a história do Villarreal com essa defesa
Rulli entrou para a história do Villarreal com essa defesa Divulgação

Aos 29 anos, não está entre os melhores goleiros argentinos da atualidade. Pela seleção, recebeu algumas convocações entre 2015 e 2017, mas não ganhou qualquer oportunidade para jogar. A estreia aconteceu somente em 8 de setembro de 2018, sob o comando de Lionel Scaloni, em um amistoso contra a Guatemala. Posteriormente enfrentou o Méximo, em novembro, e não atuou mais pela Argentina. Na atual temporada, foi reserva de Sergio Asenjo durante toda LaLiga, mas como é costume entre muitos clubes europeus, foi o goleiro titular nas Copas.

Na Copa do Rei caiu nas quartas de final para o Levante, mas na Europa League garantiu momentos eternos na pequena cidade de Vila-real, de 50 mil habitantes, localizada na província de Castellón, na região da Comunidade Valenciana. Ao defender o 11o pênalti cobrado pelo Manchester United, deu o primeiro título de expressão ao pequeno clube.

Os argentinos são maioria na história do Villarreal com 32 desde a fundação do clube. O primeiro deles foi Salgado, na longínqua temporada 1959-60, com a equipe ainda na terceira divisão. Em LaLiga, já com Fernando Roig como presidente, Walter Gaitán, procedente do Rosario Central, debutou em 1998. Na sequência aparecem brasileiros (12) e uruguaios (11), completando a trinca de nações estrangeiras com mais jogadores pelo Villarreal.

O meio-campista Alexandre, na temporada 1994-95, foi o primeiro brasileiro a defender o clube. Depois vieram Fernando (1996-97), Evando (1996-97), Rubem (1996-97), Belletti (2002-04), Sonny Anderson (2003-05), Edmílson (2008-09), Nilmar (2009-12), Cicinho (2010-11), Gabriel Paulista (2013-15), Leo Baptistão (2015-16) e Alexandre Pato (2016-17).

Houve ainda na história um boliviano, dois chilenos, três equatorianos e cinco colombianos, considerando o elenco atual também. Para essa estatística, considera-se o país defendido pelo atleta no futebol e não necessariamente o local de nascimento. Por isso Marcos Senna não conta como brasileiro e Matías Fernández, nascido na Argentina e jogador da seleção chilena, não aparece como argentino. Além de Rulli, há outros dois argentinos campeões da Europa League, Ramiro Funes Mori e Juan Foyth, além do colombiano Carlos Bacca e do equatoriano Pervis Estupiñan. 

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Onze campeões, 26 títulos e muito equilíbrio nas oitavas de final da Libertadores

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Seis brasileiros, seis argentinos, dois paraguaios, um equatoriano e um chileno. Os 16 times classificados às oitavas de final da Libertadores da América estão divididos entre cinco países, com amplo domínio de Brasil e Argentina.

O pote 1 tem Atlético Mineiro, Palmeiras, Racing-ARG, Barcelona-EQU, Flamengo, Argentinos Jrs-ARG, Fluminense e Internacional, exatamente a partir da melhor campanha. Já o 2 soma mais títulos de Libertadores (17 x 9) com São Paulo, Boca Juniors-ARG, Vélez Sarsfield-ARG, Cerro Porteño-PAR, Defensa y Justicia-ARG, River Plate-ARG, Universidad Católica-CHI e Olimpia-PAR.  Haverá confrontos pesados.

Dos cinco times que jamais foram campeões, somente dois não possuem ao menos uma final da competição no currículo - Cerro e DyJ, na comparação com Barcelona (vice em 1990 e 98), Universidad Católica (1993) e Fluminense (2008). Os argentinos, ao menos, ganharam recentemente Copa Sul-Americana e Recopa, enquanto os paraguaios nunca passaram de qualquer semifinal continental e amargam o recorde de participações na competição sem título (41). Já entre aqueles que mais jogaram finais de Libertadores, ninguém supera o Boca com 11 (seis títulos), seguido - entre os sobreviventes - por River e Olimpia com sete (quatro conquistas millonarias, três do Decano).

Diferentemente de anos recentes, em que Flamengo e River destoaram dos demais tecnicamente, com times bem superiores, não há uma equipe com esse status. O Galo é fortíssimo e obteve a melhor campanha, com Nacho Fernández e Hulk como destaques. O São Paulo, segundo em seu grupo, priorizou a reta final do Campeonato Paulista em detrimento de alguns jogos na Libertadores e está em clara evolução. O Barcelona, talvez o menos badalado integrante do Pote 1 por não ser brasileiro ou argentino, tem uma ótima equipe e um veterano que desequilibra, Damián Díaz.

Há ainda boas surpresas, como a classificação da Católica do técnico Gus Poyet, uruguaio que estreia na América do Sul após comandar Brighton-ING, Sunderland-ING, AEK-GRE, Betis-ESP, Bordeaux-FRA e Shanghai Shenhua-CHN. Outros menos surpreendentes como o já citado Defensa y Justicia, do sempre-opção-para-os-clubes-brasileiros Sebastián Beccacece. Veteranos de peso também, como Daniel Alves, Fred, Nenê, Roque Santa Cruz, Carlos Tévez e Enzo Pérez (como meio-campista, provavelmente).

O sorteio dos confrontos no mata-mata continental acontece na próxima terça-feira e não possui qualquer trava. Ou seja, times do mesmo país ou que estiveram no mesmo grupo podem se enfrentar. O intervalo até as oitavas de final, porém, será longo. Por aqui, o Campeonato Brasileiro terá início e verá muitos times desfalcados logo nas primeiras rodadas, por causa da disputa da Copa América. Partidas de Libertadores, novamente, apenas em meados de julho.

Até lá, dos pampas gaúchos, passando pelo litoral brasileiro, até a Cordilheira dos Andes, muita coisa ainda pode mudar para estabelecimentos definitivos de favoritos. Afinal de contas, "la Copa se mira y no se toca". Ao menos até vencê-la.

Palmeiras vai defender o título conquistado em 2020
Palmeiras vai defender o título conquistado em 2020 Staff Images/Conmebol

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Minha seleção de LaLiga 2020-2021 tem Suárez, Messi e domínio do Atlético de Madrid; veja como ficou

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

A emoção foi garantida até à última rodada de LaLiga nesta temporada. O Atlético de Madrid garantiu o título, apesar da queda de rendimento que permitiu a aproximação de Real Madrid, Barcelona e Sevilla.

Betis, Real Sociedad e Villarreal tiveram times muitos competitivos, que jogaram ótimo futebol. Na luta contra o rebaixamento, incrivelmente o Elche, no qual o São Paulo foi buscar o meia-atacante Emiliano Rigoni, conseguiu a salvação e viu Huesca, Real Valladolid e Eibar caírem.

Temporada de destaques individuais, grandes jogos e poucos sortudos torcedores apenas no final. Abaixo, a seleção de LaLiga 2020-2021 escalada pelo blog, baseada nas análises de transmissões dos canais ESPN e FOX Sports e estatísticas do Wyscout.

Emocionante! Suárez senta no gramado e chora ao celular enquanto conversa com a família após título do Atlético de Madrid; assista

JAN OBLAK - Goleiro

Foi o jogador que mais atuou nesta temporada de LaLiga, com 3643 minutos. Pilar defensivo do Atlético de Madrid, foi responsável direto por muitos muitos conquistados: dos quatro pênaltis marcados contra a equipe, apenas um entrou; além disso, foi o segundo goleiro que mais fez defesas com 108. Ao todo, sofreu apenas 25 gols nas 38 partidas disputadas pelo Atleti.

JESÚS NAVAS - Lateral-direito

Trinta e cinco anos e muita disposição na lateral direita do Sevilla. Foram 34 partidas, seis assistências e excelente desempenho para Jesús Navas na temporada. Líder de LaLiga em cruzamentos (190), aproveitamento em dribles (73,68%), quinto em passes que geram chance de gol para o companheiro (30), 16o em passes totais (1782) e apenas quatro cartões amarelos recebidos. 

JULES KOUNDÉ - Zagueiro

O jovem zagueiro francês de 22 anos desperta a /atenção de grandes clubes de toda Europa. Justíssimo. Disputou 34 partidas pelo Sevilla e foi um dos líderes da terceira melhor defesa de LaLiga. Ganhou 61% dos duelos aéreos, recebeu apenas quatro cartões amarelos em 34 jogos e ainda marcou dois gols. Foi também o principal construtor de jogo do Sevilla com 2167 passes, oitavo no total de LaLiga e segundo entre zagueiros - aliás, gosta bastante de subir para o ataque.

PAU TORRES - Zagueiro

Sétimo colocado de LaLiga, garantido ao menos na próxima Conference League, o Villarreal ainda tem a final da Europa League para disputar contra o Manchester United e, se vencer, vai para a Champions. Com 24 anos, Pau Torres se destacou defensivamente entre os veteranos da equipe. Foi o terceiro jogador de LaLiga que mais bloqueou finalizações com 24 e nono em duelos aéreos vencidos na própria área (33). Ofensivamente, colaborou com dois gols em 33 partidas.

YANNICK CARRASCO - Lateral-esquerdo

Seis gols, oito assistências, 30 jogos e responsável pela maior mudança tática do Atlético de Madrid na era Diego Simeone. Yannick Ferreira Carrasco se tornou ala pela esquerda na linha de cinco defensores do treinador argentino, dentro da variação de 3-5-2 e 3-4-3 utilizada durante a temporada. Carrillero, como dizem na Espanha, preencheu muito bem o corredor esquerdo na fase ofensiva e foi o 14o de LaLiga em passes progressivos para o ataque (204), que colocam o companheiro próximo à grande área adversária. Para completar, obteve o melhor aproveitamento em finalizações na temporada com 58,7%.

KOKE - Meio-campista

Alma do Atlético dentro de campo, Koke é o jogador mais importante do time e um dos maiores na história do clube. Além da evidente liderança que o meio-campista de 29 anos exerce sobre os companheiros, seus números nos 37 jogos que disputou impressionam. Quinto em passes na temporada de LaLiga (2333), quarto em passes para o último terço (354) e 11o em duelos vencidos (263), além de um gol anotado.

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CASEMIRO - Meio-campista

Se fosse a NBA, o meio-campista brasileiro seria escolhido como melhor jogador defensivo da liga. Primeiro em interceptações (226), décimo em finalizações bloqueadas (10), 18o em duelos aéreos (189) e 14o em duelos defensivos (247). Ofensivamente, colaborou com seis gols (igualou a melhor marca da carreira) e quatro assistências em 34 jogos e ainda foi o 13o da temporada de LaLiga em passes (1846). Permanece como um dos pilares do Real Madrid.

MARCOS LLORENTE - Lateral-Meio-campista

Apenas dois jogadores na temporada conseguiram duplo-duplo de gols e assistências: Marcos Llorente e Iago Aspas. O lateral/meio-campista/atacante do Atleti foi responsável por 12 gols e dez assistências nas mais variadas funções determinadas por Diego Simeone. Foi ainda o sétimo de LaLiga em passes que criaram situações de gol para um companheiro com 27. 

LUIS SUÁREZ - Atacante

Com sobras, a melhor contratação da temporada. Luis Suárez foi o artilheiro do Atlético na temporada de LaLiga com 21 gols e a queda da equipe teve muito a ver com a seca de gols do atacante no segundo turno, algo totalmente superado na reta final. Os dois últimos marcados pelo jogador de 34 anos garantiram as viradas sobre Osasuna e Valladolid, os dois jogos finais do Atleti. Foi também o jogador com maior diferença entre gols esperados a partir das finalizações (xG) e gols marcados: +6,23, o que indica ótimo aproveitamento em chances que não foram fáceis.

KARIM BENZEMA - Atacante

Mais uma temporada incrível do atacante, agora novamente, da seleção francesa. Karim Benzema marcou 23 gols (apenas um de pênalti) e deu nove assistências para seus companheiros. Segundo em finalizações com 120 e primeiro em toques na bola dentro da grande área com 200. O time do Real Madrid, vice-campeão de LaLiga, funciou ao redor dele.

LIONEL MESSI - Atacante

Para alguém que não queria continuar no Barcelona, até que os números foram bons... Depois de todo turbilhão político no clube envolvendo Lionel Messi, o argentino brilhou como sempre faz. Artilheiro de LaLiga com 30 gols, ainda deu sete assistências, liderando a competição na soma dos dois quesitos. Também foi primeiro em passes anteriores a assistências (6), finalizações (191), bolas na trave (6, com Benzema), dribles (353), passes atrás da linha da defesa (151), passes que criam chances de gol (35), arrancadas com a bola (175) e passes para dentro da grande área com exceção de cruzamentos (155). Inquestionável.

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TIME TITULAR

Jan Oblak (Atlético de Madrid); Jesús Navas (Sevilla), Jules Koundé (Sevilla), Pau Torres (Villarreal) e Yannick Carrasco (Atlético de Madrid); Koke (Atlético de Madrid), Casemiro (Real Madrid) e Marcos Llorente (Atlético de Madrid); Luis Suárez (Atlético de Madrid), Karim Benzema (Real Madrid) e Lionel Messi (Barcelona).

TIME RESERVA

Marc-André Ter Stegen (Barcelona); Kieran Trippier (Atlético de Madrid), Diego Carlos (Sevilla), Mario Hermoso (Atlético de Madrid) e Jordi Alba (Barcelona); Luka Modric (Real Madrid), Dani Parejo (Villarreal) e Frenkie de Jong (Barcelona); Iago Aspas (Celta de Vigo), Gerard Moreno (Villarreal) e Mikel Oyarzabal (Real Sociedad).

Suárez, do campeão Atlético de Madrid, está na minha seleção de LaLiga 2020-2021
Suárez, do campeão Atlético de Madrid, está na minha seleção de LaLiga 2020-2021 Getty Images
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Minha seleção de LaLiga 2020-2021 tem Suárez, Messi e domínio do Atlético de Madrid; veja como ficou

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Possível despedida de Marcelo pode marcar recorde histórico para o brasileiro no Real Madrid

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Marcelo tem ainda um ano de contrato com o Real Madrid. O nome do histórico lateral-esquerdo merengue, no entanto, aparece com frequência em listas de reformulação total no elenco da equipe. Inclusive, nos últimos dias, o Inter Miami, dos Estados Unidos, surgiu como um possível destino para o jogador de 33 anos.

Neste sábado (21), pela derradeira e decisiva rodada de LaLiga, o lateral brasileiro deve começar no banco de reservas contra o Villarreal, na capital espanhola, já que entrou em atrito com Zinédine Zidane nas últimas semanas. Apesar de muitos desfalques, incluindo Ferland Mendy, ele chegou a ficar fora de uma convocação e perdeu espaço para o garoto Miguel Gutiérrez, de 19 anos. Mesmo assim, recordes podem aparecer.

A emoção na busca pelo título de LaLiga: como estão os torcedores de Real Madrid e Atlético


O Real Madrid precisa vencer o Villarreal e torcer para o Atlético de Madrid, fora de casa, no máximo empatar com o Valladolid. Como levam vantagem no confronto direto, os madridistas podem terminar empatados em pontos com os rojiblancos que comemorarão a 35ª taça de LaLiga. 

Para Marcelo, significaria a sexta conquistada desde 2007, quando chegou do Fluminense para ser reserva de Roberto Carlos. Treze anos depois, o ex-jogador, quatro vezes campeão de LaLiga pelo Real Madrid (assim como Evaristo de Macedo, Adriano e Flávio Conceição), já foi superado na lista de brasileiros com mais títulos do Campeonato Espanhol por Marcelo - e apenas Daniel Alves, com seis pelo Barcelona, possui mais.

Em 1935, Fernando Giudicelli se tornou o primeiro brasileiro a vestir a camisa do Real Madrid; Canário, em 1960, o primeiro a ser campeão da Champions League - na época Copa dos Campeões da Europa - com os blancos. Lendas do Brasil vestiram a camisa branca madridista como Didi, Evaristo de Macedo e Ronaldo, além de uma legião de outros atletas nas últimas décadas como Flávio Conceição, Robinho, Zé Roberto, Sávio, Júlio Baptista, Emerson, Cicinho, Kaká e Danilo. 

Marcelo tem 527 partidas na história pelo Real Madrid, mesma marca de Roberto Carlos. São os brasileiros recordistas pelo clube. Caso saia do banco de reservas neste sábado, quebrará a histórica marca. Na sequência, bem distante, aparece Casemiro com 284 e duas LaLigas conquistadas.

O elenco do Real Madrid tem ainda Éder Militão, Rodrygo e Vinícius Júnior, todos com pouco tempo de clube na comparação com os outros dois brasileiros merengues, em busca do bicampeonato espanhol. O "duelo" com o Atlético de Madrid conta ainda com Renan Lodi e Felipe, mais dois brasileiros de sucesso na Espanha, atrás da primeira taça de LaLiga na carreira.

Marcelo está prestes a atingir dois recordes pelo Real Madrid
Marcelo está prestes a atingir dois recordes pelo Real Madrid Divulgação
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Possível despedida de Marcelo pode marcar recorde histórico para o brasileiro no Real Madrid

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'Significado ainda maior', afirma Danilo sobre título da Juventus na Copa da Itália

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Para um clube acostumado a títulos como a Juventus, o significado de mais uma taça de Copa da Itália poderia ser pequeno. O momento atual, porém, indica o contrário.

A equipe perdeu a hegemonia no Campeonato Italiano, impedida de conquistar o decacampeonato nacional pela Inter de Milão. Andrea Pirlo, estreante treinador, está muito pressionado pela diretoria e ameaçado de não continuar no cargo. No próximo domingo, a Juve enfrenta fora de casa o Bologna, dependendo de um tropeço de Milan ou Napoli para se garantir na Champions League. Para completar, após a frustrada tentativa de criação da Superliga, a Vecchia Signora, com as atitudes de Andrea Agnelli, se tornou vilã no mundo do futebol. 

"Todas as conquistas são importantes, mas principalmente num ano de transição do clube, em meio a pandemia, tem um significado ainda maior para nós e para nossos torcedores", afirmou Danilo, com exclusividade ao blog, após a vitória por 2 a 1 sobre a Atalanta, na quarta-feira (19). Triunfo que garantiu à Juve sua 14ª taça da competição na história. 

Danilo com a taça da Copa da Itália no retorno para Turim
Danilo com a taça da Copa da Itália no retorno para Turim Divulgação

Já o lateral brasileiro conquistou o 23º título da carreira profissional. Marca invejável e alcançada, principalmente, na Europa. Revelado pelo América Mineiro, em 2009 foi campeão pela primeira vez na Série C do Campeonato Brasileiro. Com o Santos comemorou a Copa do Brasil no mesmo ano, o Campeonato Paulista (2011) e a Libertadores da América (2011). A trajetória no Velho Continente começou em 2012 no Porto e é marcada por conquistas e passagens em grandes clubes.

"Sou muito realizado profissionalmente, mas tenho ainda ambição de muito mais. Os números são importantes e me orgulho muito de todas essas conquistas. Mas penso sempre em ganhar o próximo, e mais importante, desfrutando da jornada", garante o lateral de 29 anos, ex-Real Madrid e Manchester City, também frequente nas convocações da seleção brasileira. Chamado para os próximos dois jogos do Brasil pelas eliminatórias para a Copa do Mundo, contra Equador e Paraguai, foi titular nas quatro partidas anteriores da competição, onde o Brasil venceu todas.

 

 Ceni explica escalação inicial do Flamengo: 'Ideia era aumentar a altura do time para prevenir as bolas aéreas'


Danilo é parte importante da variação tática implantada por Tite e sua comissão técnica. Enquanto Renan Lodi avança pela esquerda, dando amplitude na fase ofensiva no setor, Danilo é o lateral construtor, que trabalha a saída de bola por dentro com os zagueiros e os meio-campistas centrais - quando o Brasil ataca, tem se posicionado no 2-3-5. Já sem a bola, o jogador da Juventus tem enorme capacidade defensiva. Em seu clube, por exemplo, é o líder em recuperações de bola com 188 até a penúltima rodada do Italiano. Curiosamente, voltará a disputar posição com Daniel Alves, que em termos de títulos na carreira, é insuperável no futebol mundial, com 42.

Pela seleção principal Danilo ainda não foi campeão, somente pela sub-20, onde conquistou o Sul-Americano e o Mundial em 2011. Vivendo atualmente um dos melhores momentos na carreira, tem tudo para seguir na equipe até a Copa do Mundo no próximo ano.

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Tática, aceleração, Neymar e concorrência: os motivos que deixam Gerson fora da seleção principal

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

A agenda do Flamengo para as próximas duas semanas está pesada. Nesta quarta-feira (19) entra em campo no Maracanã, contra a LDU-EQU, para confirmar a classificação às 8ªs de final da Conmebol Libertadores. Na sequência decide o Campeonato Carioca no sábado (22), diante do Fluminense, e depois fecha a participação na fase de grupos do torneio sul-americano contra o Vélez Sarsfield-ARG. Sem descanso, estreia no Campeonato Brasileiro contra o Palmeiras dia 30.

Por conta dessa maratona, o clube entrou em acordo com a CBF para adiar os jogos pela Copa do Brasil e pelo Brasileirão durante a próxima data Fifa, entre os dias 31 de maio e 8 de junho. Quatro jogadores rubro-negros, no entanto, seguirão atuando. Éverton Ribeiro e Gabriel Barbosa foram convocados por Tite para a seleção brasileira que enfrenta Equador e Paraguai pelas eliminatórias para a Copa do Mundo. O terceiro chamado não estará no grupo principal. Gerson, em meio à negociação de transferência para o Olympique de Marselha, foi lembrado por André Jardine para a seleção olímpica, o que gerou enorme repercussão - o atacante Pedro é o quarto, também chamado por Jardine.

O meio-campista de 23 anos é um dos destaques do futebol brasileiro desde quando retornou da Itália, onde atuou por Roma e Fiorentina entre 2016 e 2019, após ser negociado pelo Fluminense. Foi peça determinante no histórico time comandado por Jorge Jesus e segue como um dos mais influentes atletas com Rogério Ceni. Gerson possui histórico de negativas a convocações para seleções de base. Pré-olímpico de 2019, após jogar o Mundial de Clubes pelo Flamengo, e pedido de dispensa do Mundial sub-17 em 2013 estão na lista. Mesmo assim, apesar da polêmica surgida há dois anos, o jogador jamais esteve "vetado" pela seleção principal. Os motivos para sua ausência são, acima de tudo, táticos e técnicos, ou seja, opção da comissão técnica.

Tite trabalha com cinco atletas por posição, em média.  Lista elaborada pelo treinador com seus auxiliares e analistas de desempenho, Cléber Xavier, Matheus Bachi, César Sampaio, Thomaz Araújo e Bruno Baquete. O responsável pela avaliação física e constante troca de informações com os clubes brasileiros e estrangeiros é Fabio Mahseredjian. Não são todas posições, atualmente, que contam com cinco opções reais para convocações. No caso do segundo meio-campista, sim.

Flamengo reagiu e buscou empate contra o La Calera-CHI pela Libertadores; assista

Os 'rivais' de Gerson

Gerson disputa com Douglas Luiz (Aston Villa), Fred (Manchester United), Arthur (Juventus) e Bruno Guimarães (Lyon) duas vagas entre 23 convocados. A cada lista preparada, características da própria equipe e do adversário são levadas em conta para a elaboração final, que sempre acontece na manhã das sextas-feiras, dia tradicional de convocação da seleção brasileira. Cada um desses cinco jogadores possui qualidades e defeitos na visão da comissão técnica.

Douglas é o titular atualmente e responsável pela variação tática na fase defensiva do Brasil. Começou jogando nos quatro jogos da seleção pelas eliminatórias e nos últimos três desempenhou função determinante no meio-campo. O jogador do Aston Villa trabalha por dentro, na faixa central, quando o time tem a posse de bola a partir de um 2-3-5 ou 2-2-6, dependendo da função de um dos laterais (construção por dentro ou apoio e amplitude). Quando a equipe faz a recomposição defensiva, variando do 4-4-1-1 para o 4-4-2, é Douglas quem se desloca do centro para a esquerda. A movimentação que foge do padrão tático tradicional nessas variações e será mantida para os confrontos com Equador e Paraguai ocorre por um principal motivo: Neymar.

O que Neymar tem a ver com isto?

O atacante do PSG já atuou em diferentes posições e teve variadas funções com Tite e outros treinadores. Nos últimos meses, no entanto, está muito claro para a comissão técnica a necessidade de ter Neymar com pouca responsabilidade na recomposição defensiva. "Arco e flecha", como descreve Tite, o atacante no atual esquema tem liberdade para atacar da esquerda para dentro, com movimentação total. Sem a bola, ajuda na pressão imediata no campo adversário, mas não baixa com as linhas. Já na recuperação da posse, está menos desgastado para fazer a transição e buscar as jogadas de um-contra-um. Essa é a ideia trabalhada, na teoria e na prática, pela comissão técnica nos treinos e nos jogos - mesmo nos dois últimos das eliminatórias, quando Neymar não esteve em campo.

Esse é um primeiro ponto negativo de Gerson na avaliação atual. A exigência defensiva dessa função no atual esquema não se encaixa no perfil do atleta. No Flamengo o jogador trabalha na faixa central com e sem a bola, sem a necessidade de fechar o lado do campo na segunda linha - algo necessário na seleção. Ele ainda precisa ser testado com a camisa do Brasil jogando assim, justamente para a comissão confirmar a impressão que possui decorrente de avaliações dele pelo rubro-negro.

Douglas, obviamente, não está na seleção apenas pela consistência defensiva. É titular do Aston Villa, faz boa temporada pela Premier League e possui ótima inversão de jogo na avalição da comissão técnica, além de ser capaz de atuar na função de primeiro meio-campista, como fez contra o Uruguai, na ausência de Casemiro e Fabinho. Ele, no entanto, não estará disponível para a partida contra o Equador, no próximo dia 4, em Porto Alegre. Suspenso, deve dar lugar a Fred, titular do Manchester United. Convocado para a Copa do Mundo, mas indisponível durante o torneio por lesão, o meio-campista está de volta à seleção pelo ótimo desempenho na temporada inglesa e pelas funções que consegue desempenhar.

A questão defensiva é preenchida por Fred, acostumado no próprio United a coberturas pelo lado na segunda linha de marcação. Além disso, possui outra característica superior a Gerson, considerando uma disputa direta: aceleração. Enquanto o jogador do Flamengo segura mais a bola, gera muito contato, Fred acelera bem mais o jogo com o pé direito ou esquerdo, sem a necessidade de ajustar tanto o corpo. Além disso, a comissão técnica já conhece muito bem Fred, cinco anos mais experiente que Gerson e atuando na melhor liga nacional do mundo.

Já Arthur e Bruno Guimarães, também ausentes nesta convocação da seleção principal, possuem estilos diferentes na disputa por um lugar entre os 23 convocados. O meio-campista da Juventus, titular na última Copa América, oferece a Tite um jogo apoiado forte, consegue circular bem a bola. Já o jogador do Lyon, na lista da seleção olímpica, tem maior qualidade no apoio ao ataque, com chegada na grande área. Ambos, assim como Gerson, possuem enorme qualidade técnica, mas devem na recomposição defensiva pelo lado esquerdo, já que pela direita o responsável tem sido Richarlison ou Gabriel Jesus, com Everton Ribeiro ou Philippe Coutinho - e agora Lucas Paquetá - por dentro ao lado de Casemiro.

Gerson sofreu pênalti, e Fluminense e Flamengo ficaram no empate na ida da final do Carioca; assista

Tite jamais pensou em punir Gerson. Mas há as declarações de Juninho Paulista e Jardine 

O coordenador de seleções, Juninho Paulista, alimentou as teorias de conspiração sobre Gerson na seleção principal com a declaração dada em 2019. "Tem que saber os momentos, né? Eu acho que tudo é levado em conta, não só o aspecto técnico. A gente olha todo o aspecto. O técnico é o principal, mas tem também o comprometimento, a disponibilidade e o foco. Tudo isso a gente leva em consideração". Tite e membros da comissão técnica jamais pensaram em punir Gerson. Posteriormente, Branco, coordenador de seleções de base, garantiu em entrevista ao SporTV que não houve punição em convocações futuras.

Jardine, no entanto, na coletiva de imprensa após a última chamada, deixou claro entender que o jogador do Flamengo errou. "A gente acredita que o erro faz parte. Nós erramos muito, os jogadores erram. A gente espera realmente que o Gerson tenha amadurecido. É um passado talvez até distante para ele. Vejo ele num momento maravilhoso, não só técnico, mas também comportamental, muito maduro no que faz. Fui em alguns jogos in loco observar, em alguns momentos até exclusivamente ele. Senti dele um jogador muito maduro, concentrado naquilo que faz, muito focado em conquistar títulos, em decolar na carreira. Já manifestou para nós o desejo de jogar em qualquer seleção."

Não há "acordos" de liberação de jogadores para a olímpica por parte da seleção principal, por mais que o trabalho seja alinhado e o convívio entre as equipes na CBF harmonioso - trabalham em salas lado a lado. Os 24 jogadores convocados por Tite são exatamente os 24 que ele queria levar, entre todos disponíveis. Jardine monta a sua equipe com os "outros", o que ainda lhe garante enorme qualidade. Será responsável por uma conversa com Gerson sobre a necessidade de acelerar mais o jogo. A comissão técnica de Tite avalia, inclusive, que o jogador do Flamengo foi muito bem nesse quesito na partida contra o Fluminense, pela ida das finais do estadual.

A chamada, agora, para a seleção olímpica surge como grande oportunidade para Gerson mostrar que merece uma vaga no time que jogará as Olimpíadas e que pode fazer, também, o papel que Tite espera dele na equipe principal. Qualidade para ser jogador da seleção brasileira já está evidente que Gerson tem.

Gerson em ação pelo Flamengo. Lista de motivos explica jogador fora da seleção brasileira principal, ao menos por enquanto
Gerson em ação pelo Flamengo. Lista de motivos explica jogador fora da seleção brasileira principal, ao menos por enquanto Alexandre Vidal / Flamengo
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Tática, aceleração, Neymar e concorrência: os motivos que deixam Gerson fora da seleção principal

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Luis Suárez e Renan Lodi mudaram o roteiro de Iván Rosado e Ante Budimir

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

O retorno à LaLiga fora conquistado poucos meses antes. Em abril de 2003, o Atlético de Madrid ainda era um clube em reconstrução, se recuperando da passagem pela segunda divisão espanhola. Um dia antes de completar 100 anos, o clube programou enorme festa na capital.

O Vicente Calderón receberia, pela 31ª rodada, o Osasuna. A equipe basca, assim como a colchonera, estava no meio da tabela, sem grandes pretensões, querendo se distanciar da zona de rebaixamento. Jogos no El Sadar sempre foram muito difíceis para todas equipes espanholas, mas em casa o Atleti tinha tudo para garantir a comemoração do centenário com uma boa vitória.

Equipe do Atlético na comemoração do centenário
Equipe do Atlético na comemoração do centenário Atlético

Sem Fernando Torres, jovem estrela colchonera, o técnico Luis Aragonés mandou a campo uma equipe experiente, na qual se destacavam Emerson, Demetrio Albertini e José Mari. As arquibancadas do Calderón estavam completamente lotadas, 56 mil rojiblancos em uma festa que começou horas antes, pelas ruas madrilhenhas em plena quarta-feira. Um enorme bandeirão foi carregado até o estádio, os hinchas tomaram as margens do rio Manzanares e celebraram a paixão de suas vidas. "Atleti, Atleti, Atleti".

Iván Rosado, atacante revelado pelo Recreativo de Huelva e que, antes de defender o Osasuna, jogara pelo Rayo Vallecano, foi o responsável por estragar a festa. Aos 44 minutos, o marfinense radicado na Itália  Cristian Manfredini recebeu passe na entrada da área e chutou cruzado. Juanma espalmou muito mal, deixou que a bola sobrasse na pequena área para Rosado tocar para o gol vazio. Dali até o final, aflição e nervosismo nas arquibancadas, reflexo do que se via em campo. Os fogos de artifício que iluminaram a noite de Madri foram o fim melancólico de uma amarga festa.

Dezoito anos depois, neste 16 de maio, quando Ante Budimir fez 1 a 0 para o Osasuna no moderno e vazio Wanda Metropolitano, parecia que o destino da equipe basca era, definitivamente, traumatizar a torcida colchonera. Em Bilbao, o Real Madrid já vencia o Athletic por 1 a 0, gol de Nacho. A combinação de resultados dava aos merengues a liderança de LaLiga na última rodada.

GOLS: Suárez marca no fim, Atlético de Madrid vira sobre o Osasuna e se aproxima de título de LaLiga


         
     

Budimir tem uma bela história de superação, assim como muitas crianças que deixaram suas casas nos Balcãs durante a guerra da Iugoslávia na década de 1990. Natural de Zenica, na Bósnia, mudou-se para Velika Gorica, nos arredores de Zagreb, capital da Croácia, com poucos meses de vida. Lá cresceu, perdeu o pai em um acidente de carro, se apaixonou pelo futebol e virou fã de um jogador. "Luka Modric é um capitão em todos os sentidos da palavra. Lembro-me de quando nos conhecemos na Suíça, em um elevador. Eu me encontrei com Modric e para mim foi como 'uau!' Ele me deu as boas-vindas. Eu não estava treinando naquele dia; era o último dia da janela de transferência e eu estava assinando meu contrato online [com o Osasuna] em meu quarto, então não treinei com a equipe”, disse o atacante. Nos conhecemos melhor na hora do jantar, quando ele me disse: ‘Vamos nos ver no campo este ano! Estou muito feliz por você’. Ele é o cara que te motiva, que o lidera em campo. E, particularmente, ele é uma pessoa muito calma e amigável. É bom tê-lo ao seu lado".

Havia um belo roteiro acontecendo em Madri e Bilbao, sem dúvida, com a terrível coincidência - pelo aspecto colchonero - da presença do Osasuna na capital. Renan Lodi e Luis Suárez, no entanto,  trataram de reescrevê-lo. Os gols marcados pelo brasileiro e pelo uruguaio promoveram uma virada épica e recolocaram o Atleti na primeira posição de LaLiga. Dois personagens marcantes, de maneiras bem diferentes, na temporada rojiblanca.

Jogadores foram à loucura com o gol marcado por Luis Suárez
Jogadores foram à loucura com o gol marcado por Luis Suárez Atlético

Quando, ainda no primeiro turno, Diego Simeone mudou o esquema tático do Atlético de Madrid, o lateral perdeu o lugar entre os titulares. A linha de cinco defensores, com Yannick Carrasco como carrillero pela esquerda, fez com que o titular da seleção brasileira fosse para o banco. Enquanto isso, o atacante brilhava nos primeiros jogos como colchonero. Dispensado pelo Barcelona, Luis Suárez causou impacto imediato e se tornou peça fundamental no ataque do Atleti. A queda de desempenho da equipe no segundo turno muito teve a ver com o sumiço de gols do uruguaio. 

Neste domingo, mais uma vez, Lodi começou na reserva. Entrou em campo aos 21 minutos e não conseguiu cortar o cruzamento que terminou com a cabeçada de Budimir. Defensivamente chegou a ser criticado por Simeone durante a temporada, após ter se destacado no anterior. O gol marcado por ele aos 37 trouxe novamente a esperança à torcida do Atlético. Ainda não era suficiente, o Real Madrid permanecia em vantagem. El Pistolero, então, surgiu para redefinir o roteiro ao marcar o segundo do Atleti, seis minutos depois. Luis Suárez não comemorava um gol há cinco jogos.

Na última rodada de LaLiga, valendo título, o Atlético, com 83 pontos, visita o Valladolid, que ainda luta contra o rebaixamento. Já o Real Madrid, com 81 pontos e vantagem no confronto direto, recebe o Villarreal, de olho na final da Europa League e ainda brigando pela própria competição. O filme de 2003, com Rosado e Budimir como protagonistas, foi cancelado. A obra de 2021 segue em produção e terá o último capítulo escrito no próximo final de semana.

Atlético de Madrid vira sobre o Osasuna em final alucinante e mira título de LaLiga; veja melhores momentos


         
     
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Para cada 5 mil islandeses, há um jogador de futebol fora do país; Brasil segue na liderança entre expatriados

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Nos últimos anos, antes da pandemia de coronavírus, a Islândia, país com cerca de 365 mil habitantes e localizado a norte do Oceano Atlântico, se tornou um destino para viajantes desbravadores. As paisagens cinematográficas formadas pelas dezenas de vulcões impressionam a todos. Também no futebol, a seleção islandesa se destacou com as quartas de final alcançadas na Euro 2016 e a classificação para a Copa do Mundo de 2018.

Essas campanhas, aliadas ao projeto de desenvolvimento da base no país, com a construção de vários campos, fizeram que a Islândia se tornasse uma exportadora de talento. Atualmente, para cada 5585 habitantes há um jogador de futebol profissional em atividade fora das fronteiras islandesas. O dado faz parte do levantamento demográfico divulgado anualmente pelo CIES Football Observatory.

Islândia possui mais de 30 vulcões ativos
Islândia possui mais de 30 vulcões ativos Divulgação

O índice considera apenas países com pelo menos 50 atletas expatriados, ou seja, jogadores que não atuam no país onde se formaram. Na sequência do ranking aparecem Montenegro (6759), Croácia (10793) e Uruguai (11889). De fora da Europa, além dos uruguaios, apenas a Gâmbia (42464) aparece entre os 20 primeiros.

Sem surpresas, nos dados gerais o Brasil permanece na liderança com mais jogadores expatriados no mundo. Eram 1287 atletas espalhados pelos cinco continentes em maio deste ano, quando o levantamento foi finalizado. A pesquisa analisou dados de 145 ligas nacionais em 98 países. França (946) e Argentina (780) ocupam o pódio, mas há um processo de mudança em curso. Na comparação com 2020, houve pequena queda de brasileiros (-14) e argentinos (-13) e grande aumento de franceses (+124). Na prática, de qualquer modo, as três nações superam 1/5 dos expatriados no futebol mundial (21,4%).

Jogadores expatriados (maio/2020)

Brasil 1287
França 946
Argentina 780
Inglaterra 494
Alemanha 442
Sérvia 440
Espanha 432
Nigéria 394
Colômbia 379
Croácia 375

São ao todo 13664 jogadores expatriados nas competições analisadas (13025 em 2020), média de 5,94 por time. As equipes da UEFA possuem a maior porcentagem nos elencos, com 26,4%, média bem superior à menor medida, no caso a Conmebol (8,9%). A média global de idade dos atletas expatriados é de exatos 27 anos no último levantamento.



Inglaterra, Itália e Espanha lideram entre os países que mais recrutam pé de obra estrangeiro. Foram 771 atletas expatriados atuando no futebol inglês, 695 em território italiano e 626 nas ligas espanholas. A maior rota migratória, no entanto, continua sendo do Brasil para Portugal: movimento de 236 jogadores no período analisado. Inglaterra-Escócia (120) e Argentina-Chile (111) são as rotas seguintes com mais movimentação. O estudo completo do CIES Football Observatory está disponível neste link.

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Ex-Inter e Grêmio, Gavilán trabalha com Arce no Cerro Porteño e aponta enorme vantagem dos clubes brasileiros na Libertadores

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman


Diego Gavilán vestiu as camisas de InternacionalGrêmioFlamengo e Portuguesa no Brasil. Revelado pelo Cerro Porteño, o volante defendeu Newcastle e Udinese na Europa, além de outros clubes na América Latina. Aos 41 anos, voltou para suas origens em janeiro e trabalha no Cerro.

Atualmente em processo para conseguir a licença A no curso de técnicos da CBF, ele comanda o time sub-23, que serve como transição da base para o profissional no clube paraguaio, que tem Francisco Arce como técnico principal. Foi do ex-lateral de Grêmio e Palmeiras que partiu o convite para Gavilán, ou apenas Diego, retornar ao Cerro, após ter comandado o Pelotas no Campeonato Gaúcho.

Diego Gavilán é técnico do time sub-23 do Cerro Porteño desde janeiro deste ano
Diego Gavilán é técnico do time sub-23 do Cerro Porteño desde janeiro deste ano Divulgação

A pandemia fez com que toda base do futebol paraguaio parasse. Não há competições oficiais desde o ano passado, por isso o Cerro Porteño montou essa estrutura no departamento de futebol e marca amistosos com outros clubes para não abandonar os jovens. Presente no grupo H da Conmebol Libertadores, ao lado de Atlético Mineiro, Deportivo La Guaira-VEN e América de Cali-COL, o Cerro está na briga pela classificação.

O que te fez aceitar o convite para treinar o time sub-23 do Cerro Porteño, após ter trabalhado no Pelotas?
O principal fato foi o convite do professor Arce. Pra mim, assim como Muricy Ramalho e Mano Menezes são as referências na profissão, o Arce é o melhor treinador do Paraguai na atualidade. Trabalhar com ele, acompanhar o trabalho dele, tudo isso vai acrescentar muito à minha carreira. No futuro, quando eu voltar a ser treinador de um time principal, com elencos profissionais, terei uma experiência vivida com o Arce em aprendizado, gestão e muitas outras coisas. Em equipes grandes, e o Cerro Porteño é muito grande, a gente aprende todos os dias.


Veja lances de Taison pelo Internacional!

 

Vocês foram companheiros de seleção paraguaia também.
Eu tive a sorte de jogar com ele. Aliás, a sorte de jogar com uma geração espetacular de jogadores. Conheço muito ele, como pessoa. Tudo isso soma para tomar a decisão que tomei, por mais que eu seja torcedor do Cerro Porteño, nós somos torcedores. A gente acredita no trabalho a longo prazo, é um dos caminhos para crescermos e buscarmos essa tão especial taça da Libertadores, que o Cerro ainda não conseguiu. É um projeto bem constuído, com jogadores da base, gestão... Não tem muita lógica no futebol, mas acreditamos nesse projeto a longo prazo.

O tricampeonato do Olimpia, maior rival do Cerro, na Libertadores aumenta a pressão por parte de torcida e imprensa?
Pressão assim, não, mas é automática quando o clube não tem e o rival tem. O torcedor do Cerro sonha. Eu tive essa experiência como jogador do Internacional, quando o clube não tinha Libertadores e o Grêmio tinha. De repente o Inter ganhou tudo e passou essa tormenta, e o Cerro vive essa situação.

No Olimpia, atualmente, está outro ex-companheiro seu de seleção paraguaia: Roque Santa Cruz. Aos 39 anos, ainda é importante e decisivo. Qual sua opinião sobre o veterano atacante?
Conheço o Roque desde 14 anos, começamos a jogar juntos. É um dos melhores amigos que tenho na vida e dentro da profissão. São muitas coisas vividas com ele, família, seus irmãos, sua família agora com os filhos, jogando contra... Mantemos contato no dia a dia mesmo quando nos enfrentamos no final de semana. Coisas que acontecem com pessoas especiais, e ele é especial. Graças a Deus consegui conhecer nessa vida. Hoje ele é a referência mais importante do futebol paraguaio em todos sentidos. Esportivamente, já demonstrou muita coisa e continua demonstrando, mas o mais importante pra mim é essa imagem para os meninos. Comportamento, educação, preparação para a vida. Porque o jogador tem data de vencimento, e depois entra em uma etapa da vida que precisa se preparar. Ele está mostrando muita coisa como pessoa, como companheiro, como referência na sua equipe. Preparação atual para se manter competitivo, são muitos fatores. Ele não quer falar sobre isso, mas automaticamente passa uma imagem muito positiva. Quando ele parar, vai continuar dando muito o que falar no futebol porque é uma pessoa muito preparada. Além de jogar, se prepara para o futuro.

E no último clássico com o Olimpia deu Cerro, vitória por 2 a 0 no início deste mês.
Lógico que ali ele defende seu clube, o Olimpia, e eu defendo o meu, o Cerro. Nos últimos dois anos, eles tiveram momentos muito bons, conseguiram ganhar quatro torneios na sequência. Com a chegada do "Chiqui" Arce, conseguimos quebrar a hegemonia do arquirrival. Quando tem o clássico, e do jeito que o seu time ganha, ainda mais como o Cerro ganhou o último, você sabe como é o dia seguinte.

Em relação ao trabalho do Arce no Cerro, o que você faz com a base é alinhado com a metodologia de treino e jogo do time principal?
Esse é um dos pontos mais importantes dentro do convite que recebi. Estamos bem alinhados. É um jogo bem jogado, a história do Cerro sempre foi assim. Ele conseguiu, por exemplo, quando retornou o futebol no ano passado durante a pandemia, a equipe conseguiu manter 24 jogos sem derrota. São coisas que não acontecem de um dia para o outro, e jogando bem, um futebol bonito, associado, triangulações, saída... Tudo aquilo que o torcedor gosta de ver quando paga um ingresso para ver um jogo de futebol. Dentro dessa linha, tentamos criar situações para que eu possa treinar sobre essa metodologia de trabalho. No meu caso, é bem diferente, porque o time principal tem que ganhar quarta e domingo, comigo está sendo diferente já que não tenho competição. O tempo de trabalho que tenho uso tranquilamente, não tem pressa para mandar para cima os guris dos times de transição número um e número dois. Mas somos cobrados internamente, mandamos relatórios para o Arce e a comissão técnica, e isso tem sido bem legal.

Após três rodadas no grupo H da Libertdaores da América, o Cerro soma quatro pontos. Três a menos que o Atlético Mineiro, à frente do Deportivo La Guaira com três e o América de Cali, com um. Que avaliação você faz do turno jogado pelo Cerro Porteño?
Acho que o Cerro Porteño fez o seu trabalho no turno de boa maneira. Embora o resultado contra o La Guaira, aqui em Assunção, não tenha sido aquilo que esperávamos. A bola não entrou, e o time adversário defensivamente se postou muito bem. Contra o Atlético Mineiro sabíamos que seria uma situação muito difícil, por muitos fatores. Embora o placar tenha sido 4 a 0, sabemos que o futebol brasileiro está em um nível muito acima do paraguaio. Em todas situações: estrutura, financeiro, muita coisa que na hora H marca muito a diferença. O Cerro durante a pandemia pouco se reforçou, trouxe o Jean, goleiro do Atlético Goianiense, ex-São Paulo, e o Mauro Boselli, que estava no Corinthians, mais ninguém. Hoje, o elenco do Cerro é formado na maioria pela base, não fez grandes investimentos por causa da pandemia, que não permite. Competir com Atlético Mineiro, Palmeiras, Grêmio, Inter, é absurdo, não é lógico. Dentro disso, acho que estamos indo bem. Disputar com o Atlético pelo primeiro lugar no grupo é difícil, mas com La Guaira e América de Cali podemos conseguir bons resultados. Temos ainda a partida de volta contra o Atlético em casa, quem sabe o resultado seja diferente.

O Atlético Mineiro é um dos favoritos ao título da Libertadores?
Eu começo a ver os favoritos na hora do mata-mata. Já tive essa experiência, acompanhar times com bom futebol na fase de grupos e no mata-mata ficou fora. Quem começar a encorpar no mata-mata aí já é outro torneio. A equipe embala, o elenco pega confiança, 180 minutos já são bem diferentes.

Temos visto nos últimos anos os clubes de maior poder financeiro conseguirem se destacar mais na Libertadores, e isso nem sempre foi uma regra no nosso continente. A tendência é vermos essa diferença entre os maiores clubes de Brasil e Argentina aumentar cada vez mais em relação aos demais times do continente?
Sim. Na Argentina, o River tem mantido um nível de competição importantíssimo e o Boca sempre é Boca, mas depois marca muito a diferença. Na hora da montagem do elenco, estrutura de trabalho para jogadores e treinadores, para trabalhar no dia a dia, logística, isso faz a diferença. Sempre falamos que o futebol é onze contra onze, mas com o calendário que temos atualmente e o costuma dos times brasileiros com jogos a cada 72 horas, outros países não estão acostumados. Com essa estrutura de recuperação, alimentação, logística, não é todo mundo que consegue fazer. O Brasil tem o potencial financeiro para fazer essa diferença. Não à toa os clubes brasileiros marcam diferença nas competições internacionais e a seleção brasileira é sempre candidata a conseguir a primeira colocação nas eliminatórias.

Qual é o clube brasileiro com o qual você tem a maior identificação na carreira?
Olha, sempre fico entre Inter e Grêmio. Porque o Inter foi o clube onde cheguei da Europa e tive três anos maravilhosos, fui feliz. Ao mesmo tempo, em 2007, tive a felicidade de passar pelo Grêmio, o arquirrival, e fui feliz, muito feliz. Cheguei, falando esportivamente, em um ponto que jamais tinha alcançado, que foi jogar uma final de Libertadores. Esse momento pra mim foi muito marcante. Falo sempre que Porto Alegre foi meu melhor clube, mas é necessário saber que lá tem o Inter e o Grêmio. Foram três anos espetaculares no Inter e um ano no Grêmio, hoje eu sou grato a esses dois clubes.

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Ludogorets, Bayern e Dinamo Zagreb ampliam hegemonias nacionais. Outras estão por vir

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman


A temporada europeia tem sido marcada pela manutenção de algumas hegemonias nos campeonatos nacionais e o fim de outras. No sábado, antes mesmo de entrar em campo, o Bayern Munique conquistou a nona Bundesliga consecutiva. Tornou-se, atualmente, o time com a melhor sequência de títulos entre as cinco grandes ligas europeias.

Não é, no entanto, o detentor do recorde entre todos campeonato nacionais na Europa no momento. Isso porque, no meio da semana, o Ludogorets confirmou o décimo título búlgaro consecutivo. O clube do interior da Bulgária tem apoio de um milionário local, Kiril Domuschiev, desde 2010. Na temporada seguinte, 2011-12, iniciou a atual sequência que inclui todos os dez títulos búlgaros na história do Ludogorets.

Havia outros dois clubes que poderiam ter alcançado o decacampeonato nacional também. O Celtic, na Escócia, foi impedido pelo Rangers, do técnico Steven Gerrard. Já a Juventus, na Itália, viu a Internazionale, de Antonio Conte, ser campeã e está em situação difícil, até mesmo, para conquistar vaga na próxima Champions League. 

Choupo-Moting e Sané celebram o eneacampeonato alemão do Bayern
Choupo-Moting e Sané celebram o eneacampeonato alemão do Bayern Divulgação

Em outras ligas menos badaladas, hegemonias estão sendo mantidas. Neste domingo, por exemplo, o Dinamo Zagreb conquistou o tetracampeonato croata com três rodadas de antecipação ao golear o Rijeka por 5 a 1, fora de casa. A temporada foi marcante, com a saída do técnico Zoran Mamic, preso após acusação de evasão fiscal, dias antes do confronto com o Tottenham pelas oitavas de final da Europa League. No final, os croatas avançaram, mas caíram na quartas para o Villarreal.

Jogadores do Dinamo Zagreb comemoram o tetracampeonato croata
Jogadores do Dinamo Zagreb comemoram o tetracampeonato croata Divulgação

Nas semanas anteriores, outros clubes importantes da Europa ampliaram suas sequências de títulos também e com enorme facilidade. Casos de Olympiacos, bicampeão grego com 20 pontos de vantagem no momento, e Slavia Praga, tricampeão tcheco, que ainda busca a conquista invicta - faltam apenas três rodadas. Por fim, o Zenit São Petersburgo, que se tornou tricampeão russo sem grandes adversários na disputa, tem exercido seu poder financeiro bancado pela Gazprom. Já ali do lado, na Ucrânia, o Shakhtar Donetsk parou no tetracampeonato ao ver o Dinamo Kiev, de Mircea Lucescu, voltar a ser campeão.

Uma sequência que está longe de acabar e tem tudo para seguir como uma das mais longevas na Europa é do Red Bull Salzburg. Faltando três rodadas para o término da Bundesliga austríaca, a equipe tem nove pontos de vantagem sobre o Rapid Viena e três rodadas ainda por jogar. Além disso, no primeiro critério de desempate, possui saldo de gols de 52 contra 26 do rival. Na prática, conta as horas para comemorar o octacampeonato nacional.  Quem também pode alcançar essa marca é o Qarabag, no Azerbaijão.

Empurrão, soco e... risada? No Resenha, Élber relembra briga em roda de bobinho com ídolo do Bayern






O recorde histórico na Europa pertence a dois clubes. Entre 2002-03 e 2015-16, o Lincoln dominou o campeonato nacional de Gibraltar com 14 títulos consecutivos. Mesma marca obtida pelo Skonto Riga, na Letônia, entre 1991 e 2004.

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Na Libertadores, veteranos atacantes foram decisivos nas duas primeiras rodadas da fase de grupos

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

A derrota na estreia para o Deportivo Táchira por 3 a 2 colocou enorme pressão sobre o Olimpia na Conmebol Libertadores. Na segunda partida, em casa, contra o Always Ready, a equipe paraguaia precisava dos três pontos para ficar na briga por uma das duas vagas do Grupo B às oitavas de final. No intervalo, do banco, saiu o jogador que definiu a partida.

Aos 39 anos, Roque Santa Cruz é uma referência do Olimpia. O veterano atacante, pela idade, não consegue começar jogando em todas partidas do tricampeão da Libertadores, mas segue muito importante. Já em campo, ele viu os bolivianos fazerem 1 a 0 aos 19 minutos. Não se assustou, assumiu a responsabilidade e empatou aos 26. Pouco depois, aos 35, brigou pelo alto na grande área e a bola sobrou para Richard Ortiz virar. Em 45 minutos, Santa Cruz se tornou o melhor jogador em campo.

Roque Santa Cruz foi decisivo na vitória do Olimpia contra o Always Ready
Roque Santa Cruz foi decisivo na vitória do Olimpia contra o Always Ready Divulgação

Veteranos como o paraguaio não são exceções na competição sul-americana, fazem parte da nossa realidade esportiva-financeira. O atacante, revelado pelo Olimpia em 1997, deixou o Paraguai para se tornar jogador do Bayern dois anos depois e trilhou carreira na Europa. Blackburn, Manchester City, Betis, Málaga, até uma passagem pelo futebol mexicano (Cruz Azul) e o retorno para casa em 2016.

Foram cinco Bundesligas, quatros Copas da Alemanha, uma Champions e um Mundial conquistados com os bávaros, mas na maior parte do tempo entre os reservas. Afinal, à frente dele estavam nomes históricos do Bayern como Élber e Claudio Pizarro. Além disso, Roque Santa Cru teve uma longa trajetória na seleção paraguaia, com a qual foi vice-campeão da Copa América de 2011 e disputou as Copas de 2002, 2006 e 2010. Já não possui mais, naturalmente, a mesma condição física de outrora, mas a qualidade técnica ainda se destaca em jogadas isoladas. Assim como ele, há outros atacantes bem experientes nos gramados da Libertadores sendo decisivos.

Fred já tem três gols na fase de grupos da Libertadores
Fred já tem três gols na fase de grupos da Libertadores Divulgação

Mais "novinhos", Fred e Tevez são dois exemplos de protagonismo em suas equipes. O Fluminense somou quatro pontos nas duas primeiras rodadas do Grupo D ao empatar com o River Plate no Rio de Janeiro e ganhar do Independiente Santa Fe na Colômbia. Os três gols foram marcados por Fred, e um deles com assistência de Nenê, 39 anos.

Já o Boca Juniors tem 100% de aproveitamento após vencer Strongest na Bolívia e Santos na Vila Belmiro. Contra os bolivianos, Carlitos foi poupado pelo técnico Miguel Ángel Russo pelo enorme desgaste físico de se jogar nos 3600 metros de altitude de La Paz. Diante dos brasileiros, porém: um gol, uma assistência e o prêmio de melhor em campo.

Nesta semana, o Olimpia viaja até Porto Alegre, na quarta-feira, para enfrentar o Internacional. O Flu joga na quinta contra o Junior, em Barranquilla, enquanto o Boca atua na terça contra o Barcelona, em Guaiaquil. Todos com seus veteranos e ainda decisivos atacantes prontos.



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Red Bull Salzburg leva o tri na Copa da Áustria e vai em busca do octa no Campeonato para se despedir de Jesse Marsch

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

O final de semana foi de festa em Salzburg e em Klagenfurt, onde o Red Bull, no sábado, venceu o LASK Linz por 3 a 0 e conquistou seu oitavo título da Copa da Áustria na história. Todos na era das bebidas energéticas.

Jesse Marsch está de saída para o RB Leipzig
Jesse Marsch está de saída para o RB Leipzig Divulgação


O domínio tem sido absoluto do Red Bull nos últimos anos. O título na Copa foi, na verdade, um tricampeonato, enquanto a sequência na Bundesliga é ainda maior com sete taças consecutivas. A oitava deve ser conquistada em breve, já que o time possui seis pontos de vantagem sobre o Rapid Viena com quatro rodadas ainda por jogar. O Campeonato Austríaco possui fase final, com os seis primeiros colocados da temporada regular, por isso ainda haverá o confronto direto entre os dois primeiros colocados.

No sábado, o Red Bull foi mais uma vez totalmente superior sobre o LASK, que completou seis partidas sem vitória somando o campeonato nacional. Na temporada passada, a equipe de Linz praticamente "entregou" o título para o adversário de Salzburg, com erro administrativo que rendeu perda de pontos, além de incrível queda de rendimento na fase final. Agora, perdeu em campo a chance de conquistar sua segunda Copa da Áustria na história - a outra foi no longínquo ano de 1965.

Taticamente, o técnico Jesse Marsch, de saída para assumir o RB Leipzig, mandou o Salzburg a campo no 4-4-2, com Patson Daka (Zâmbia) ao lado de Mergim Berisha (Alemanha) no ataque. Enock Mwepu (Zâmbia) e Brenden Aaronson (Estados Unidos) compunham o quarteto ofensivo, com Antoine Bernéde (França) e Zlatko Junuzovic (Áustria) como meias centrais. Muita posse de bola e pressão alta deram o controle da partida ao Red Bull. Só que o gol de abertura do placar demorou a sair, somente aos 45 minutos, com Berisha em finalização na entrada da grande área.

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"O primeiro gol foi muito importante. Ele permitiu que nos impuséssemos mais e mais no segundo tempo, e criamos muitas chances como resultado disso. Defendemos bem durante todo jogo e jogamos muito bem. Estou muito feliz pelos garotos com a conquista desse troféu", afirmou Marsch após o jogo.

O LASK, do treinador Dominik Thalhammer, entrou em campo com proposta defensiva, linha de cinco defensores e bloco baixo. Chegou a subir e pressionar a saída de bola do Red Bull em alguns momentos, mas após o 1 a 0 contra foi obrigado a se expor mais no segundo tempo. Assim, aos 21 minutos, após recuperação de bola no campo de defesa e contra-ataque, o Red Bull marcou o segundo gol com Aaronson. 

Se o primeiro foi determinante, o segundo deixou a vitória bem encaminhada. Por isso, mesmo com o pênalti desperdiçado por Daka aos 25, tudo permaneceu sob controle e o compatriota Mwepu fez o terceiro aos 43 minutos em outro contra-ataque com muita velocidade, dando números finais à decisão.

Red Bull Salzburg conquistou a Copa da Áustria no sábado
Red Bull Salzburg conquistou a Copa da Áustria no sábado Divulgação

Há dois brasileiros no elenco, o lateral Bernardo, ex-Brighton, que entrou na segunda etapa, e o zagueiro André Ramalho, ídolo da torcida. André se tornou o primeiro jogador brasileiro a passar por toda estrutura de futebol da Red Bull do Brasil à Áustria - Red Bull Brasil, Liefering e Red Bull Salzburg. Desde que retornou ao clube, em 2018, após passagens por Bayer Leverkusen e Mainz, virou um dos líderes da equipe e referência para os mais jovens. 

Hoje, aos 29 anos e com contrato até o final da próxima temporada, André é um dos vice-capitães no elenco e muito respeitado pelos torcedores na Áustria. Bernardo, posteriormente, seguiu o mesmo caminho pela Red Bull da América do Sul à Europa.

Vale lembrar, ainda, que o LASK Linz é o ex-clube do técnico Oliver Glasner, que conduziu a equipe até a primeira divisão e posteriormente foi contratado pelo Wolfsburg. Ele chegou a ser cogitado nos últimos dias para o cargo do RB Leipzig, após o anúncio do acerto de Julian Nagelsmann com o Bayern, mas no final das contas o escolhido veio da própria estrutura da empresa, como esperado. 

Jesse Marsch está no cargo na terra de Mozart desde 2019, após ter sido assistente justamente em Leipzig e treinador no New York Red Bulls. O substituto dele seguirá o processo natural da Red Bull: será Matthias Jaissle, de apenas 33 anos, ex-técnico do sub-18, que estava à frente do time B, o Liefering desde janeiro, após a saída de Bo Svensson para o Mainz. Tudo em "casa". 

André Ramalho é um dos destaques do Salzburg na temporada
André Ramalho é um dos destaques do Salzburg na temporada Divulgação

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Red Bull Salzburg leva o tri na Copa da Áustria e vai em busca do octa no Campeonato para se despedir de Jesse Marsch

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