Carta a Neymar (com tudo que Tite e Gil Cebola não dizem)

Gian Oddi
Gian Oddi
Neymar, em amistoso da seleção
Neymar, em amistoso da seleção Aurelien Meunier/Getty Images

Prezado Neymar

Estava revendo agora, por acaso, alguns trechos da sua entrevista de ontem ao lado do Tite. E é incrível, Neymar. É incrível como as pessoas que deveriam e poderiam te ajudar, porque você as ouve, não fazem o mínimo para isso.

Não estou falando apenas do seu pai, do Gil Cebola, dos outros parças que você sustenta ou da Marquezine.

É incrível que depois do que houve na Copa, depois de você ter virado piada mundial, tudo que o técnico da seleção brasileira e o seu “superior” conseguem fazer é, primeiro, dizer que você é “um menino que sofreu demais”; e depois te dar de presente a faixa de capitão da seleção.

Não dá, Neymar.

Na verdade, alguns dos meus colegas também não ajudam, eu sei. Ontem, quando você finalmente resolveu falar desde o fim da Copa (mea-culpa em propaganda não vale), teve um repórter que usou o gancho do “dia do sexo” para te fazer uma pergunta sobre sua relação com a bola!

Você, por sua importância, causa esse deslumbramento. Basta ver quantas “celebridades” correram ao Instragram para atacar o Miguel Layún, aquele jogador mexicano, depois do pisão que ele te deu na Copa (eu até achei sua reação meio exagerada na ocasião, mas deixa pra lá). É incrível, mas tem colega meu que parece se realizar ao te chamar de “parça”, Neymar. Enfim, eles não importam...

O que importa é você se ligar para, a partir de agora, já aos 26 anos, deslanchar e repercutir apenas pelo futebol jogado, pelos títulos conquistados e, vá lá, pela conquista do prêmio de melhor do mundo com o qual você também parece se importar.

Bola para isso você tem, todos sabemos.

Bom, eu não sou seu amigo, não te chamo de parça e, sinceramente, não tenho essa intenção até porque a gente tem bem pouco em comum. Mas eu sou louco por futebol, e como qualquer amante de futebol adoraria ver você jogando o máximo, sempre, sem ser ofuscado por outras questões.

Então, do alto da minha insignificância (e já que o Gil Cebola e o Tite não o fazem), queria te dizer que:

Ninguém te critica por usar sua habilidade, por driblar e “partir para cima do adversário”. Te criticam, eventualmente, por fazer isso sempre, mesmo quando há uma opção melhor.

Ninguém te critica por sofrer falta – caras bons como você vão apanhar, sempre. Te criticam por agir como quem sofreu falta mesmo quando o adversário mal encostou em você.

Ninguém te critica de graça. Te criticam quando, por exemplo, você finge que vai dar a mão a um adversário para ajudá-lo a levantar e depois prefere deixá-lo no vácuo. Por que?

Sim, talvez alguns te critiquem injustamente pelo cabelo e pelas roupas que você usa, mas, entenda, se você não der espaço para as críticas em campo, ninguém terá coragem de fazer essas críticas bestas fora dele (olha o Ronaldo português...).

Para encerrar, se me permite, não vai te fazer mal algum admitir, uma vez ou outra, que errou, que passou do ponto, exagerou, que talvez pudesse ter feito melhor. Além de um exercício legal de autoconhecimento, isso ainda vai ajudar na sua imagem, tenho certeza.

E se não quiser fazer isso falando com jornalistas, use suas populares redes sociais: afinal, elas não servem apenas para recorrer aos clichês de superação, amor, empenho e resiliência que contaminam uns 90% dos posts que a gente vê por aí (os seus inclusive).

Elas também podem te ajudar, assim como as pessoas que não o fazem.

Abraço e boa sorte.

 
No instagram @gianoddi
No Facebook /gianoddi 

Fonte: Gian Oddi

Comentários

Carta a Neymar (com tudo que Tite e Gil Cebola não dizem)

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Na metade da carreira, Neymar consegue sua principal façanha

Gian Oddi
Gian Oddi

.
As imagens rodaram o mundo neste domingo: enquanto o PSG fazia sua estreia pelo Campeonato Francês na temporada 2018-19, torcedores do clube parisiense não mediam palavras para criticar e ofender Neymar, entre faixas pedindo “vaza daqui” e gritos chamando-o de “filho da p...”.

Três dias antes, o diário esportivo AS, de Madri, colocava no ar uma enquete perguntando aos torcedores do Real Madrid se eles gostariam que Neymar fosse contratado pela equipe da capital espanhola. Resposta, após mais de 160 mil votos computados: 60% para o não, 40% para o sim.

Uma consulta ainda mais relevante, porque realizada através de contato direito e não pela internet, foi feita com os sócios do Barcelona para responder à pergunta “você quer a volta de Neymar?”. O placar foi mais de 70% para o “não” e menos de 30% para o “sim”.

É incrível que Neymar tenha conseguido chegar a este ponto.

É incrível que um jogador que é considerado por muita gente o terceiro com maior potencial do planeta não seja um desejo unânime de qualquer torcida entre os clubes mais poderosos do mundo.

É incrível que, mesmo sabendo do interesse do PSG em se desfazer de Neymar, nenhum clube da Premier League, a principal e mais rica liga de futebol do mundo, tenha demonstrado o mínimo interesse em contratar o brasileiro.

Faz pouco mais de uma década, no dia 7 de março de 2009, com apenas 17 anos, que Neymar fazia sua estreia profissional no futebol com a camisa do Santos.

De lá para cá ele conquistou uma Champions League, uma Libertadores, uma Copa do Brasil, uma medalha de ouro olímpica, dois campeonatos espanhóis e dois franceses, uma Copa da França e três Copas do Rei, entre outras conquistas menores. Não é pouca coisa.

Mas seu maior feito até aqui, aquele mais impressionante, acontece nesta pré-temporada do futebol europeu: conseguir, mesmo com a enorme qualidade que tem, ser rejeitado pela maior parte das torcidas dos clubes que cogitam mantê-lo ou contratá-lo.

Neymar no PSG: custo de 222 milhões de euros e passagem frustrada
Neymar no PSG: custo de 222 milhões de euros e passagem frustrada EFE/Christophe Petit Tesson

É desnecessário apontar novamente as razões do feito. Todos estão cansados de saber, muito já foi dito e escrito a respeito – eu mesmo o fiz em setembro do ano passado na “Carta a Neymar (com tudo que Tite e Gil Cebola não dizem)”.

É triste, porém, constatar que mais da metade da carreira de Neymar em alto nível físico já se foi. Se considerarmos que ele jogará até os 37, Neymar está exatamente no meio de sua trajetória como jogador profissional. Mas não é padrão esperar que um jogador tenha aos 35, 36 ou 37 anos o mesmo rendimento que teve aos 25, 26 ou 27.

O tempo está passando, e com ele as chances de Neymar ser tudo o que os apaixonados por futebol um dia imaginaram que ele seria.

Para sua sorte, rejeições de torcidas são facilmente reversíveis em qualquer parte do mundo. Dependendo do caso, bastam algumas declarações, meia dúzia de gols, um punhado de bons jogos ou até mesmo o simples ato de vestir uma nova camisa.

Neymar terá mais uma chance. Ainda em um clube poderoso. Ainda ganhando milhões. Ainda com craques ao seu lado. Ainda com toda a qualidade que tem à disposição.

Já está claro, porém, que não lhe basta um contexto favorável.

Sem a percepção própria de que a gestão da sua carreira é um sucesso do ponto de vista financeiro, mas um relativo fracasso do ponto de vista esportivo, dificilmente o panorama irá mudar.

Os episódios e a rejeição dos últimos meses terão servido para algo nesse sentido? A ver.


 
No instagram @gianoddi
No Facebook /gianoddi

Fonte: Gian Oddi

Comentários

Na metade da carreira, Neymar consegue sua principal façanha

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

É grave (e arriscado) o que está acontecendo com o Palmeiras

Gian Oddi
Gian Oddi

Primeiro é bom relembrar: o cenário relatado abaixo refere-se ao time que venceu dois dos últimos três Campeonatos Brasileiros. Ao time que conquistou três títulos relevantes desde 2015, um ano depois de escapar por pouco do rebaixamento para a segunda divisão.

Trata-se, portanto, de um clube cujo trabalho de reestruturação, constatado não apenas pelos resultados desportivos, é inquestionável.

Esse cenário, de completa reorganização e recuperação do Palmeiras nos últimos cinco anos, torna ainda mais absurda e incompreensível a reação da torcida organizada "Mancha Alvi Verde" no último sábado, na porta do centro de treinamento do time, assim como já havia ocorrido após a eliminação nos pênaltis durante o último Campeonato Paulista.

Até aí, nenhuma novidade. Buscar bons argumentos para compreender a truculência e ignorância deste e de outros grupos similares é missão natimorta, e os constrangedores “comunicados oficiais” emitidos por seus líderes deixam claro que qualquer esforço nesse sentido seria em vão.

O problema do Palmeiras é outro.

O principal problema do Palmeiras, de uns tempos para cá, é o estreitamento das relações entre os responsáveis pelas cenas bizarras vistas no último sábado e aqueles que comandam ou ainda virão a comandar o clube.

Na semana passada, numa reunião extraordinária, o Conselho Deliberativo do clube não titubeou ao decidir pela suspensão de Genaro Marino, conselheiro e candidato à presidência palmeirense na última eleição, por ter levado, supostamente com intenções eleitoreiras, uma proposta (de fato bizarra) de patrocínio às vésperas do último pleito.

O ex-presidente Paulo Nobre, ligado a Genaro Marino, recebeu uma advertência pelo mesmo caso, apelidado de “caso Blackstar”, e por ter sido submetido a esse processo de sindicância resolveu renunciar ao seu cargo no Conselho Deliberativo.

Não vale aqui entrar nos méritos deste caso e das punições aplicadas, possivelmente corretas. Mas chama atenção que o mesmo rigor utilizado para tomar decisões nesse episódio não seja aplicado, por exemplo, aos conselheiros palmeirenses indiscutivelmente ligados à liderança da "Mancha Alvi Verde".

O Palmeiras tem hoje em seu quadro de diretores estatutários, nomeados pelo presidente, alguns nomes ligados à organizada – se não mais formalmente, ao menos com relação de proximidade, como se nota numa breve passagem por suas redes sociais.

Além disso, Paulo Serdan, presidente da escola de samba "Mancha Verde" e ainda figura das mais influentes da organizada, também famoso por sua irresponsável intempestividade nas redes sociais após qualquer derrota palmeirense, é muito próximo a Leila Pereira – conselheira mais votada, patrocinadora e futura candidata (favorita) à presidência do clube.

Como se vê, o distanciamento entre o Palmeiras e sua principal torcida organizada, que havia sido imposto por Paulo Nobre durante sua gestão, já não existe faz tempo. E mesmo após episódios como o de sábado as manifestações do clube nesse sentido têm sido muito discretas – uma breve nota no site, neste caso. 

Depois de tudo que tem ocorrido, convenhamos, não caberia outro caminho ao Palmeiras que não brecar completamente a influência e os privilégios da "Mancha Alvi Verde" dentro do clube. Mas isso não ocorre.

Por que? Política e medo são provavelmente as melhores respostas.

A estreita relação entre Leila Pereira – principal patrocinadora não só do Palmeiras como da escola de samba "Mancha Verde" – e Paulo Serdan evidentemente não ajuda para que o presidente Maurício Galliote, também muito ligado a Leila (mas nem por isso poupado das ofensas da "Mancha Alvi Verde"), atue com mais firmeza diante dos absurdos protagonizados pela organizada. Para que se tenha uma ideia do problema: há no Palmeiras quem tema ver Paulo Serdan como um dos vice-presidentes de Leila Pereira em seu eventual mandato.

Há, por outro lado, conselheiros que gostariam e até ameaçaram agir, mas que não o fazem temendo por sua integridade física se iniciarem, em relação aos nomes ligados à "Mancha Alvi Verde", um processo interno similar (embora por razões diferentes) ao que foi iniciado para apurar o envolvimento de Genaro Marino no “caso Blackstar”. Sejamos justos: é preciso entender esse temor, considerando o modus operandi daqueles que estariam envolvidos nas investigações.

E assim caminha o Palmeiras: recuperado dentro de campo. Recuperado financeiramente. Recuperado em suas categorias de base. Mas vivendo uma turbulência incompreensível e incompatível com o desenvolvimento dos últimos anos e com sua situação atual nos mais diversos aspectos.

Torcedores do Palmeiras protestam em frente à Academia de Futebol antes do clássico contra o Corinthians
Torcedores do Palmeiras protestam em frente à Academia de Futebol antes do clássico contra o Corinthians Reprodução

Mauricio Galliote faz até aqui uma gestão competente para dar prosseguimento ao processo de recuperação iniciado por Paulo Nobre e somando a ele, por seus próprios méritos, vitórias importantes como o significativo aumento de receitas de televisão decorrente de árduas e desgastantes negociações.

Porém, se não agir rápido e com vigor, Galliote poderá ser lembrado no futuro como o presidente que abriu a porta do Palmeiras para que figuras desequilibradas e despreparadas assumissem o futebol do clube que ele mesmo ajudou a recuperar.

Seria um desastre, e não é preciso explicar as razões.

Porque o trabalho de recuperação de um clube de futebol costuma ser longo. Mas para destruir tudo podem bastar poucos meses.


 
No instagram @gianoddi
No Facebook /gianoddi

Fonte: Gian Oddi

Comentários

É grave (e arriscado) o que está acontecendo com o Palmeiras

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Lágrimas em Roma: o que explica tanta emoção no adeus de De Rossi

Gian Oddi
Gian Oddi

.

Para quem não é romano ou romanista talvez não seja tão simples, como foi na despedida de Francesco Totti, entender a quantidade de lágrimas derramadas entre os torcedores durante os longos minutos do vídeo acima, na despedida de Daniele De Rossi da Roma. Motivos, porém, não faltam.

Era março de 2016 quando De Rossi compareceu ao velório de Pietro Lombardi, um antigo e querido roupeiro da seleção italiana que morrera aos 92 anos, e deixou para sempre em seu caixão, como homenagem ao velho colega, a medalha de campeão do mundo que ganhara na Copa de 2006 com a Azzurra.

Dez anos antes, num jogo em que a Roma vencia o Messina por 1 a 0 pelo Campeonato Italiano, De Rossi instintivamente colocou uma bola para dentro das redes com a mão. O gol, porém, não foi validado só porque o próprio jogador confirmou a irregularidade ao árbitro Mauro Bergonzi – que aplaudiu De Rossi e, claro, poupou-lhe do cartão amarelo.

Já em novembro de 2017, quando a Itália empatava por 0 a 0 com a Suécia um jogo em que precisava vencer para ir à Copa do Mundo, o volante não se conformou ao ser chamado no banco de reservas para entrar na partida que já caminhava para sua reta final: “Eu? Por que cazzo eu? Precisamos ganhar, não empatar!”, disse De Rossi, apontando para o atacante Insigne, então o melhor jogador italiano que incompreensivelmente ficara na reserva.

Antes daquela frustrante partida que tirou a Itália da Copa, o hino sueco foi vaiado pela torcida. Após o jogo, De Rossi foi ao ônibus da delegação sueca parabenizar os adversários pelo feito e, sobretudo, desculpar-se pelas vaias. “O ambiente no ônibus foi: ‘Nossa, isso aconteceu mesmo?’. Foi um dos momentos mais legais que vivi no futebol. Que grande figura ele é!”, afirmou o zagueiro Pontus Jansson sobre a atitude do volante.

Os quatro episódios acima são apenas exemplos. Exemplos de sua personalidade, que ajudam a entender por que o anúncio abruto, truncado e inesperado de que Daniele De Rossi deixaria a Roma ao final desta temporada causou a comoção que causou. Sobretudo em Roma, mas não só.

De Rossi, com a família, se despede da torcida que representou por 18 anos
De Rossi, com a família, se despede da torcida que representou por 18 anos Getty

Entre tantas faixas exibidas para protestar pela decisão da diretoria romanista de não renovar o contrato do volante – em Roma, Paris, Nova York, Dublin, Copenhague, Dusseldorf, Tunes e outras cidades –, talvez a mais significativa tenha aparecido em Turim, justamente pelo fato de ter sido confeccionada pelos torcedores da rival Juventus e exibida no estádio da Juve no mesmo dia em que havia uma série de feitos e personagens juventinos a celebrar. Os dizeres: “Ciao De Rossi. Primeiro homem, depois jogador”.

De Rossi não é santo, longe disso, mas foi estigmatizado no Brasil por sua tatuagem que reproduz um carrinho na canela e por certos narradores que o rotulavam como “carniceiro” sem ter a mais vaga ideia sobre seu futebol. Jogador de inúmeras qualidades, técnicas inclusive, ninguém atinge marcas como as suas por acaso. Ninguém se torna o quarto jogador com mais partidas de uma seleção como a Itália (pela qual fez 21 gols) e o segundo com mais atuações pela Roma sem saber jogar futebol.

Entre suas qualidades dentro e fora dos gramados, porém, a principal talvez seja a capacidade de representar em campo, melhor que ninguém, a torcida do clube que ama desde criança e cuja camisa, não por falta de propostas, foi a única que defendeu em seus 18 anos de carreira – e por ele teria sido a única da vida. De Rossi foi não só o capitão de um time, mas de uma torcida – com todo o empenho e benefícios, mas também com todos os exageros e prejuízos que isso significa.

De Rossi criança, já romanista
De Rossi criança, já romanista divulgação pessoal

Numa era de jogadores-celebridades tão ou mais preocupados com sua imagem do que com o desempenho em campo, De Rossi é um raro caso de ídolo sem contas em redes sociais. Bastaram seu futebol e suas entrevistas para que o volante demonstrasse sua personalidade e inteligência inquestionáveis.

Como fez, por exemplo, na coletiva em que foi anunciado o rompimento de sua história com a Roma. Ao ouvir dos dirigentes do clube que lhe ofereceram um cargo na direção porque “De Rossi é muito inteligente e capaz, e seria um ótimo dirigente”, o jogador, ainda que sorrindo, rebateu: “Não sei se eu seria tão bom assim, porque se fosse diretor eu renovaria o contrato com um jogador como eu”.

A revolta da torcida pela maneira como o vínculo foi encerrado aumentou quando veio a público um áudio em que o jogador se dispunha a receber apenas por partida disputada. Porque o problema de De Rossi nos últimos tempos era jogar pouco devido a lesões, mas não jogar mal: quando estava em campo era sempre dos melhores do time. E sua atuação nos vestiários, como o próprio afirmou, era apenas “para solucionar problemas, nunca para os criar”.

Criar problemas, de fato, não combina com um jogador que passou quase toda carreira sendo chamado de Capitan Futuro, sempre à sombra de Francesco Totti, o maior ídolo da história da Roma e de quem recebeu enfim a faixa de capitão há apenas dois anos. “A faixa que usei eu recebi das mãos de um irmão, de um grande capitão e do jogador mais incrível que vi vestir esta camisa. Não é para qualquer um jogar 16 anos ao lado do próprio ídolo”, escreveu o volante em sua emocionante carta de despedida.

De Rossi abraça Totti: um dos momentos de maior emoção da despedida
De Rossi abraça Totti: um dos momentos de maior emoção da despedida Getty

Na cabeça de De Rossi, seu período de capitania oficial duraria mais algum tempo, até que ele próprio decidisse parar de vez, sem ter que vestir nenhuma outra camisa que não a da Roma: “Eu me imaginava cheio de curativos, manco, e o clube insistindo para que eu continuasse. Não foi bem assim, mas agora não quero mais pensar nisso para não sofrer”.

Feito o desabafo no dia do anúncio, em sua carta de despedida divulgada na véspera de seu último e emocionante jogo, De Rossi tratou de fazer o que sempre fez, de jogar pelo time: agradeceu ao presidente James Pallotta e pediu encarecidamente que os protestos por sua saída cessassem: “Agora, o maior presente que vocês podem me dar é deixar a raiva de lado e, unidos, recomeçar a empurrar a única coisa que amamos, a coisa que vem antes de tudo e todos, a Roma”.

O pedido foi atendido, porque o que prevaleceu entre os 60 mil presentes no Estádio Olímpico nesse domingo, no último e derradeiro jogo de Daniele De Rossi com a camisa da Roma, foram sobretudo aplausos, homenagens, inúmeras faixas e lágrimas. Muitas lágrimas.  

 Sem De Rossi e Totti, restará à Roma começar uma nova era e tentar conquistar títulos. Meros e improváveis títulos, que jamais terão a mesma importância que Daniele De Rossi e Francesco Totti, suas duas bandeiras eternas.


 
No instagram @gianoddi
No Facebook /gianoddi

Fonte: Gian Oddi

Comentários

Lágrimas em Roma: o que explica tanta emoção no adeus de De Rossi

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Orçamento do Palmeiras prevê mais R$ 34,5 milhões do EI caso clube não feche com a Globo na TV aberta

Gian Oddi
Gian Oddi

.
Se não fechar contrato com a TV Globo para transmissão de suas partidas na TV aberta, o Palmeiras receberá neste ano mais R$ 34,5 milhões do Esporte Interativo, com quem tem assinado acordo para exibição de suas partidas na TV fechada. É o que consta na previsão orçamentária do clube para 2019 à qual o blog teve acesso. De acordo com o documento, o pagamento está distribuído em 9 parcelas de R$ 3,83 milhões, entre abril e dezembro deste ano.

Segundo diversas fontes consultadas pelo blog, o item é fruto de uma cláusula do contrato entre o Palmeiras e a Turner, proprietária do Esporte Interativo, e serve como garantia de que o clube terá uma compensação caso o negócio com a Globo não seja fechado porque o Palmeiras acertou com a Turner na TV fechada – o que de fato acontece até aqui. A cláusula, segundo confirmou uma das fontes, existe não apenas para 2019, mas para os seis anos de contrato entre Palmeiras e Turner.

O impasse entre Palmeiras e Globo na TV aberta ocorre porque o clube não aceita ter o valor de sua cota reduzida em 20% como uma espécie de "multa" por ter assinado contrato com outra emissora na TV fechada. O Palmeiras argumenta ainda que o valor total destinado pela Globo às cotas de TV aberta já sofreu diminuição, pois parte desse dinheiro foi deslocada à TV fechada para fazer frente à concorrência do Esporte Interativo.

Maurício Galiotte durante entrevista coletiva na Academia de Futebol do Palmeiras
Maurício Galiotte durante entrevista coletiva na Academia de Futebol do Palmeiras Cesar Greco/Ag Palmeiras

Atualmente, a Globo paga R$ 600 milhões anuais pelos direitos de transmissão de TV aberta, divididos da seguinte forma: 40% do valor é repartido de maneira igual entre todos os clubes que assinarem com a Globo (coisa que só o Palmeiras não fez), 30% de acordo com a classificação no Campeonato Brasileiro e os outros 30% de acordo com o número de partidas exibidas pela TV aberta.

Ou seja, entre os três diferentes critérios de divisão, apenas os 40% podem ser calculados com precisão: R$ 12 milhões por equipe, se os 20 clubes fecharem com a Globo. Restaria, portanto, conhecer a divisão dos outros R$ 360 milhões, sendo 180 de acordo com a classificação e 180 de acordo com o número de jogos exibidos – o normal seria imaginar o Palmeiras bem colocado e tendo mais jogos exibidos que a média dos outros times (embora menos do que Flamengo e Corinthians).

Ainda que seja impossível, por conta dos critérios, prever exatamente quanto o Palmeiras receberia se assinasse contrato com a Globo, e mesmo que esse valor possa ser superior aos 34,5 milhões previstos como compensação, é evidente que o montante garantido pela Turner dá fôlego ao Palmeiras para endurecer a negociação na TV aberta.

Já em relação aos direitos do pay-per-view – que não foram assinados por Palmeiras e Athletico Paranaense – essa compensação não existe, e o prejuízo pela eventual falta do acordo, neste caso, será total. Ainda assim, para acertar, o Palmeiras exige que o valor seja dividido segundo a audiência dos jogos e não de acordo com pesquisas sobre tamanho de torcidas no país ou mesmo entre os assinantes do serviço.

Embora tanto a Globo quanto o Palmeiras ainda trabalhem com a possibilidade de fechar negócio e aleguem intenção de chegar a um acordo, as conversas não têm avançado muito nas últimas semanas. Dois dos quatro jogos já realizados pelo clube paulista no Brasileiro, contra CSA e Atlético Mineiro, não foram exibidos em plataforma alguma.

Apesar disso, em diversas manifestações nos estádios e em redes sociais, a torcida do Palmeiras tem se colocado favorável à posição do clube. A mesma unanimidade em relação à postura da direção alviverde não existe dentro do Palmeiras, onde muitos conselheiros acreditam que o clube está esticando demais a corda nas negociações e que o acerto com a Globo é necessário para cobrir os crescentes custos do departamento de futebol.

Do outro lado, a Globo também sofre pressão: não só pelo cancelamento de assinaturas dos torcedores palmeirenses no pay-per-view, mas principalmente porque o Procon notificou diversas operadoras de TV paga sobre a necessidade de conceder descontos no Premiere devido à redução de quase 20% no número total de jogos do pacote, consequência das ausências das partidas de Palmeiras e Athletico Paranaense.

Numa tentativa de sanar o problema, o serviço Premiere anunciou recentemente que jogos da Copa do Brasil passariam a fazer parte do pacote dos assinantes – algo que já ocorreu nesta quarta-feira. Contudo, segundo matéria do UOL Esporte, o Procon já  informou que essa atitude não isentará as operadoras de conceder o desconto no Premiere enquanto os jogos de Palmeiras e Athletico não estiverem no pacote.   

 
No instagram @gianoddi  
No Facebook /gianoddi

Fonte: Gian Oddi

Comentários

Orçamento do Palmeiras prevê mais R$ 34,5 milhões do EI caso clube não feche com a Globo na TV aberta

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Mais notável que o feito de Guardiola é tentar diminuí-lo pela queda na Champions

Gian Oddi
Gian Oddi


Pep Guardiola fez de novo: ganhou um título nacional por pontos corridos, algo que se repetiu em 9 das 11 vezes nas quais o treinador espanhol disputou uma competição do gênero, seja na Espanha, na Alemanha ou na Inglaterra.

Agora, contudo, não foi necessário repetir a melhor campanha da história da Premier League, que ele obteve com este mesmo Manchester City na temporada passada: desta vez “bastou” ao treinador a segunda melhor performance de todos os tempos, ao conquistar 98 dos 114 pontos disputados numa Premier League que teve, nesta temporada, os quatro finalistas das duas mais importantes competições interclubes da Europa – Liverpool, Tottenham, Chelsea e Arsenal.

Para levar o primeiro bicampeonato do futebol inglês em uma década, o time de Guardiola precisou ganhar 14 jogos seguidos e reverter uma vantagem do Liverpool que, na 24ª rodada, era de 5 pontos. Assim, além dos 98 pontos ganhos, o City terminou a competição com o melhor ataque, sendo também o time com mais posse de bola, mais troca de passes e mais finalizações a gol da competição.

Feitos incríveis, não se discute. Mas você pode estar se perguntando: celebrar o trabalho de Guardiola não é ressaltar o óbvio? Deveria ser, mas não é.

Desde a passagem do espanhol pelo Bayern de Munique, há quem procure diminuir seus feitos e sua capacidade com a argumentação de que pouco valem os títulos nacionais se Pep “não consegue ganhar a Champions” (a mesma que ele já ganhou duas vezes como técnico, diga-se). Frases como “Quem contrata o Guardiola quer a Champions” ou “a Champions virou obrigação” são repetidas a favor dessa argumentação.


O problema dessa tese é que a tal “obrigação” de Champions, usando a mesma lógica, torna-se automaticamente válida para outros times. Ou será que a Juventus, ao contratar Cristiano Ronaldo, não passou a ter a mesma obrigação? E o PSG, que entre tantas estrelas contratou o jogador mais caro do mundo por 222 milhões de euros? E o Barcelona, que tem o melhor do mundo? E o Bayern? E o Real?

Considerar a Champions "obrigação" para qualquer equipe é ignorar a essência do futebol e sua imprevisibilidade, sobretudo num torneio com tantas equipes poderosas disputando mata-matas nos quais os detalhes e o acaso têm chances enormes de definir um confronto (se você ainda não leu, leia a entrevista de Eriksen após a semifinal no meu último post). O próprio roteiro da eliminação do City é um exemplo disso.

O termo “obrigação” para que times de futebol conquistem títulos em geral não faz sentido. Usá-lo para competições por pontos corridos onde uma equipe tem enorme vantagem financeira sobre todas as demais – casos de PSG, Juventus e Bayern em seus cenários nacionais – ainda vai; em outros cenários, não dá.

Josep Guardiola levanta o troféu da campeão da Premier League pelo City
Josep Guardiola levanta o troféu da campeão da Premier League pelo City EFE/EPA/JAMES BOARDMAN

Olhando para esta temporada especificamente, não é absurdo atribuir a Jurgen Klopp, do Liverpool, o melhor trabalho entre os treinadores do mundo – mesmo que não conquiste título algum. Klopp chegou à final da Champions League superando uma semifinal que parecia insuperável sem dois de seus melhores jogadores; mas, tão importante quanto, Klopp fez nos pontos corridos uma campanha que só não lhe daria o título (como não deu) em duas de todas as edições da Premier League.

Já Pep Guardiola ainda estaria na Champions League, talvez até na final contra o Liverpool, se não tivéssemos entrado bem agora na (justa!) era do VAR. É do jogo, foi correto, mas foi um detalhe (milimétrico) apenas. Guardiola já ganhou a Copa da Liga Inglesa, a Premier League e, se vencer o Watford na final da Copa da Inglaterra em que é muito favorito, terá conquistado uma inédita tríplice coroa nacional disputando todos esses três títulos contra as quatro equipes finalistas das copas europeias. É muita coisa, é um absurdo.


Independentemente de quem seja o melhor técnico da temporada, Guardiola segue como melhor do mundo na função. Por seu passado e seu presente. Por seu legado, por sua revolução, mas sobretudo porque continua fazendo trabalhos espetaculares. Ganhando ou não a Champions League.

 
No instagram @gianoddi  
No Facebook /gianoddi

Fonte: Gian Oddi

Comentários

Mais notável que o feito de Guardiola é tentar diminuí-lo pela queda na Champions

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

A incrível entrevista de Eriksen, o sorriso de Klopp e nossa distante realidade

Gian Oddi
Gian Oddi



Jurgen Klopp durante derrota do Liverpool para o Barcelona, no Camp Nou
Jurgen Klopp durante derrota do Liverpool para o Barcelona, no Camp Nou VI Images via Getty Images

 “Foi um jogo absurdo. Nós estávamos longe da vaga, lutamos por ela, mas tivemos apenas sorte. Eu sinto pelo Ajax, porque eles jogaram melhor que nós nas duas partidas. Mas nós tivemos mais chances, tivemos sorte e marcamos. É um alívio. Não conseguiríamos olhar para o espelho se tivéssemos perdido por 4 ou 5 a 0. A bola foi na direção certa, não tem nada a ver com tática. Foi só coração e Lucas Moura. Espero que ele ganhe uma estátua na Inglaterra depois disso”.

A frase do meio-campista dinamarquês Christian Eriksen após a épica virada do seu Tottenham em cima do Ajax pelas semifinais da Champions League impressiona.

Nem tanto pela pouca generosidade e pela rigidez analítica com o incrível feito de seu time, mas por não ter problema algum em escancarar o fato de que, no futebol, mesmo nas vitórias, muitas vezes são os detalhes a decretar os destinos de vencedores e perdedores. A tal “bola na direção certa”, alguns milímetros, um dia inspirado de um companheiro ou rival, a falta ou o excesso de sorte.

A conhecida calma e equilíbrio de Eriksen certamente o ajudaram a ter leitura tão fria e imparcial após um jogo tão quente e emocionante. Mas também é certo que o dinamarquês falou o que falou por ter a convicção de que o Tottenham não está na final da Champions por acaso. Por saber que, ok, a sorte pode até ter ajudado desta vez assim como já prejudicou em outras vezes, mas que não foi apenas isso. A confiança de que seu trabalho e o do Tottenham são bons e de que o time de Maurício Pochettino chega à final cheio de méritos colaboram para o surto de sinceridade do meia.

Em um contexto diferente, praticamente oposto, o caso é similar ao sorriso de Jurgen Klopp que as câmeras de transmissão da TV focalizaram logo depois que o Liverpool tomou o segundo (ou terceiro?) gol dos 3 a 0 impostos pelo Barcelona na partida de ida das semifinais, no Camp Nou.

É evidente que aquele sorriso não significava felicidade ou menosprezo pelo que ocorria em campo, mas, oras, no que a reação corporal do técnico mudaria o destino de seu time na competição? A tradução daquele sorriso era até meio óbvia: “Caras, eu vim até a Espanha encarar o Barcelona, joguei de igual para igual, meu time criou um caminhão de chances, só que eles têm esse ET que resolve os jogos. O que eu posso fazer?”.

Pois bem. Klopp até mostrou o que podia fazer no jogo de volta, mesmo sem dois de seus melhores jogadores. Aquele sorriso do jogo de ida era só uma reação, a mais espontânea possível, à imprevisibilidade e casualidade que nem sempre são determinantes nos jogos de futebol, mas que muitas vezes estabelecem não apenas a vitória ou derrota de um time como também o destino das carreiras de técnicos e jogadores. É assim que funciona, por mais que façamos malabarismos retóricos para tentar justificar tudo em mesas redondas de TV, em jornais, rádios e internet.

O essencial, porém, é perceber que tanto a entrevista de Eriksen como o sorriso de Klopp foram de certa forma reflexos de convicções. A convicção de que trabalhos honestos e extremamente competentes tinham levado suas equipes até aquelas semifinais e que essas convicções – deles próprios, da imprensa e até mesmo de torcedores – não mudariam quaisquer que fossem os resultados das semifinais.

Klopp e Pochettino, respectivamente há quatro e cinco anos em seus clubes, ainda não ganharam título algum com Liverpool e Tottenham. Mas eram, e independentemente das semifinais continuariam sendo, técnicos acima de qualquer suspeita. É por isso que agem como agem.

Agora se pergunte: como reagiríamos, por aqui, ao sorriso de Klopp?


 
No instagram @gianoddi  
No Facebook /gianoddi

Fonte: Gian Oddi

Comentários

A incrível entrevista de Eriksen, o sorriso de Klopp e nossa distante realidade

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Palmeiras bate o pé por valores, mas pressões podem aproximar acordo com Globo

Gian Oddi
Gian Oddi
CSA x Palmeiras: primeiro jogo do time paulista com 'apagão' na TV
CSA x Palmeiras: primeiro jogo do time paulista com 'apagão' na TV Cesar Greco/Ag Palmeiras


O Palmeiras fez nesta quarta-feira, contra o CSA, o primeiro do que podem ser seus 26 jogos sem qualquer transmissão de televisão neste Campeonato Brasileiro – um total de mais de 68% das partidas do atual detentor do título na edição de 2019 da competição.

Por qualquer sondagem realizada, pelo termômetro (imperfeito) das redes sociais ou até mesmo pela ausência de qualquer comunicado/protesto de uma torcida que costuma ser muito ativa politicamente, até agora está claro que os palmeirenses estão ao lado do clube, apoiando-o na briga para receber mais pelos direitos de TV.

À favor de sua batalha, o Palmeiras tem também um patrocinador que já disse não se incomodar com a ausência das transmissões se isso for o melhor para o clube, além de, segundo o seu último balanço divulgado nesta semana, ter dependência abaixo da média dos clubes brasileiros em relação aos direitos da TV: o item foi responsável por 22,6% do dinheiro arrecadado pelo clube em 2018.

Se nesses últimos dois aspectos o panorama não deve se alterar muito, a pergunta que fica é se a postura compreensiva do torcedor palmeirense pode mudar à medida que mais jogos – e, sobretudo, jogos ainda mais importantes – deixarem de ser exibidos e puderem ser acompanhados apenas pelo rádio ou por narrações na internet. Só esperando para ver.


Do outro lado, uma nova pressão também pode surgir já que, pela primeira vez desde o início do Brasileirão, o Procon notificou as principais operadoras de TV paga do país sobre a necessidade de conceder descontos na compra do pacote de pay-per-view do Brasileirão a partir do momento em que 74 dos 380 jogos (19,47%) da principal competição de futebol do Brasil não fazem mais parte do produto.

Vale ressaltar: o número só é esse porque, assim como o Palmeiras, o Athletico Paranaense também não fechou com o pay-per-view, embora tenha fechado com a TV Globo para transmissão na TV aberta – o que faz com o que o “apagão geral” em suas partidas ocorra em número bem menor do que no caso do clube paulista.

De acordo com levantamento da Folha de S.Paulo, o serviço de pay-per-view do futebol brasileiro conta com cerca de 2 milhões de assinantes (entre mensalistas e compras avulsas) que gastam uma média de R$ 100 reais mensais com o produto. Ou seja, se praticarmos um desconto de 19,47% (percentual de jogos a menos) sobre R$ 200 milhões de faturamento, estamos falando de quase R$ 39 milhões de reais mensais de perda com a arrecadação do produto, isso sem considerar possíveis (e prováveis) cancelamentos do pacote por parte dos torcedores do Palmeiras e do Athletico.

Vale a pena para os detentores de direito? Parece que não, mas, além de não sabermos se o tal desconto será mesmo aplicado, é difícil responder sem conhecer com precisão a maneira como esse dinheiro é distribuído entre a Globo e as operadoras e também sem saber exatamente os números mínimos exigidos não só pelo Palmeiras como pelo Athletico Paranaense para fechar novos contratos.

As negociações, porém, continuam firmes.

O blog apurou que a intenção de acerto permanece por todas as partes, ainda que o Palmeiras seja hoje irredutível em não aceitar ter cotas reduzidas pelo fato de ter fechado com uma concorrente da Globo (a Turner) na TV fechada. O clube entende que, como são contratos diferentes e independentes, a prática não faz sentido. Outro ponto no qual o clube bate o pé é para que a distribuição do valor do pay-per-view não seja baseado em pesquisas de torcida, mas na audiência dos jogos pela plataforma.

Na penúltima reunião entre Globo e Palmeiras, na semana retrasada, houve boa evolução nas conversas; enquanto na última, ocorrida nesta semana, o avanço foi menor. Resta saber agora como as novas pressões que podem e devem surgir tanto de um lado como do outro influenciarão nas duas partes. Se elas tiverem efeito, um novo capítulo apontando para o acerto pode ser anunciado.


 

No instagram @gianoddi
No Facebook /gianoddi


Fonte: Gian Oddi

Comentários

Palmeiras bate o pé por valores, mas pressões podem aproximar acordo com Globo

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Como a ótima primeira rodada do Brasileirão poderia ter sido excepcional

Gian Oddi
Gian Oddi
Grêmio x Santos na 1ª rodada do Brasileiro
Grêmio x Santos na 1ª rodada do Brasileiro Ivan Storti/Santos FC

Esperamos que 117 dias de 2019 se passassem para que o Campeonato Brasileiro, a mais importante e melhor competição de futebol do Brasil, finalmente começasse.

E ela começou bem demais.

Ainda que o jogaço entre Grêmio e Santos seja reflexo de como os técnicos dos dois times veem futebol e, portanto, não possa ser considerado um padrão do que veremos neste Brasileirão, foi ótimo poder assistir aos 90 minutos de bola rolando em Porto Alegre para lembrarmos que, sim, também é possível jogarmos grande futebol por aqui.

Mas não foi só isso. Tivemos um Flamengo x Cruzeiro que, ideias de treinadores à parte, contou com ótimos momentos por uma razão bastante simples: ambos os times têm grandes jogadores, como aliás os têm pelo menos sete ou oito elencos que disputam a competição.

Vimos um Palmeiras enfim fazendo valer sua qualidade e pressionando o adversário por 90 minutos atrás de mais gols. Um Athletico outra vez avassalador escancarando de novo o quão eficiente é sua estratégia de preparação. Um Bahia que se impôs contra o sempre eficiente campeão paulista Corinthians.

Houve mais coisa boa não só dentro em campo, com uma média de 3,3 gols em 10 jogos que não tiveram um empate sequer, mas também fora dele.

Segundo informa o jornalista Rodolfo Rodrigues, a média de público desta primeira rodada, com 21.411 torcedores por jogo, é disparada a maior média de uma primeira rodada na história do Brasileirão por pontos corridos: um acréscimo de quase 27% em relação ao recorde anterior, de 16.909 torcedores no ano de 2017.

O dado mostra não apenas como a importância dada ao Campeonato Brasileiro vem crescendo, mas também como o torcedor gradualmente vai compreendendo a importância que têm absolutamente todas as rodadas no formato de disputa por pontos corridos.

Até em relação à arbitragem (e sabemos que neste caso é cedo demais para comemorar) houve melhora na comparação com o cenário desolador que costumamos viver: tivemos que esperar o último jogo da rodada, entre Fluminense e Goiás no Maracanã, para que detratores do VAR (embora o problema por aqui seja sempre a incompetência dos árbitros) pudessem se manifestar com mais ímpeto.

Enfim, os tais 117 dias se passaram e já ficou clara, em apenas 10 jogos, a diferença absurda que existe entre este ótimo Campeonato Brasileiro e os insossos estaduais que ocuparam quase um terço do ano.

Vale destacar, aliás, que dos 9 campeões estaduais que disputam o Brasileiro, nada menos que seis perderam seus jogos, e dos três vitoriosos, Flamengo, Bahia e Athletico, os dois primeiros venceram enfrentando outros campeões de estados.

Seja como for, ainda que tarde demais, o fato é que este início de Brasileirão foi muito bom.

Imagine então como será no dia em que o início da competição coincidir com o início da temporada, sem times em crise, sem técnicos já substituídos, ainda sem pressão e com a abstinência de fim de ano do torcedor podendo ser saciada logo de cara num jogo que vale muito, contra rivais de verdade?

Seria o Brasileirão dos sonhos.

 

No instagram @gianoddi
No Facebook /gianodd

Fonte: Gian Oddi

Comentários

Como a ótima primeira rodada do Brasileirão poderia ter sido excepcional

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Brasileirão nem começou, e Cruzeiro já deixa exemplo a seguir; e o seu clube?

Gian Oddi
Gian Oddi
Para baixar os preços, Cruzeiro pediu autorização à CBF, que (com bom senso) aceitou
Para baixar os preços, Cruzeiro pediu autorização à CBF, que (com bom senso) aceitou divulgação

O Cruzeiro anunciou nessa quinta-feira uma medida que não deveria, mas surpreende muita gente pelo fato de contrariar uma política vigente na maioria dos clubes de futebol do Brasil: a criação de um setor com ingressos populares ao custo de R$ 10 valendo para todos os 19 jogos do time em casa pelo Campeonato Brasileiro de 2019.

Não se trata, portanto, de uma ação oportunista só porque a procura por ingressos tem sido baixa ou porque o time precisa mais do que nunca de sua torcida. Também não estamos tratando de uma ação de marketing daquelas que põe meia dúzia de ingressos à disposição por preço especial: são 6.850 ingressos para cada jogo, ou seja, mais de 130 mil ingressos que serão vendidos a apenas R$ 10 durante todo o Brasileirão.

Se por um lado os ganhos esportivos (de apoio em campo), de imagem, de marketing e de acesso a uma camada da população antes sem condições de assistir presencialmente aos jogos são óbvios, fica uma questão: financeiramente, qual o custo da operação? Quanto o Cruzeiro perde (ou melhor, deixa de arrecadar) com uma decisão do gênero?

É difícil dizer com precisão, mas é possível tentar uma aproximação, até para que a gente possa analisar com frieza uma mudança que, sem colocarmos na ponta do lápis, poderia ser acusada de meramente populista e nociva ao futuro do clube (que já não gasta pouco para o que arrecada, diga-se).

Vamos às contas, então. Considerando que o Cruzeiro venda todos os 6.850 ingressos para o setor Laranja Inferior nos 19 jogos que fará em casa no Brasileirão 2019 (o que não é nenhum absurdo dado seu preço realmente popular), ele arrecadará R$ 1.301.500 com essas entradas, sendo R$ 68.500 por partida.

Para comparação: no Brasileiro de 2018, os mesmos ingressos custavam R$ 40. E ainda que por economia operacional o setor nem fosse aberto nos jogos com previsão de público inferior a 30 mil pagantes, consideremos, numa estimativa já otimista (o Cruzeiro não tem esses dados exatos), que tenha havido uma média de 50% de ocupação no tal setor Laranja Inferior durante 19 jogos da competição, o que significaria R$ 137 mil arrecadados por jogo – um total de R$ 2.603.000 por todo o Brasileiro 2018.

Tomando como base as contas acima, que só escancaram a obviedade de que bem mais gente vai ao estádio se o ingresso for mais barato, a diferença entre as estimativas de arrecadação em 2018 e 2019 apenas com os ingressos que agora são promocionais é de cerca de R$ 1,3 milhão. Pode-se considerar este, então, o valor que o Cruzeiro faturaria a mais se não criasse o novo setor popular. 

(A diferença nem deve chegar a tanto se considerarmos que, com os percentuais de desconto de meia entrada e de sócio torcedor, a perda em números absolutos é maior para 2018, quando os ingressos custavam mais, do que para 2019. Mas, para não ser acusado de manipular as contas a favor da tese, mantenhamos R$ 1,3 milhão como o valor que o Cruzeiro deixará de arrecadar.)

Pois bem, quanto esse valor significa para a realidade de custos do Cruzeiro?

Segundo levantamento publicado no Blog do Mauro Cezar, no portal UOL, a folha salarial do clube mineiro, contando apenas os gastos com contratos CLT (que podem aumentar em até 40% se incluirmos os direitos de imagem) é de 7,6 milhões por mês, o que dá por ano, incluindo o 13º salário, um total de R$ 98,8 milhões.

Ou seja: para disponibilizar 130 mil ingressos a preços realmente populares durante todo o Campeonato Brasileiro de 2019 e desfrutar de todos os benefício já citados que essa medida trará, o Cruzeiro não gastará nem 1,4% de sua folha salarial anual (e se a gente incluir na folha os gastos com direitos de imagem esse percentual diminui ainda mais).

 Vale ou não a pena? É ou não é uma iniciativa a ser copiada, ainda que com eventuais ajustes, por outros grandes clubes do Brasil? A resposta parece óbvia.

 
No instagram @gianoddi
No Facebook /gianoddi

Fonte: Gian Oddi

Comentários

Brasileirão nem começou, e Cruzeiro já deixa exemplo a seguir; e o seu clube?

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Dudu, Carneiro, Kaio Jorge e o vazio sobre analisar pênaltis

Gian Oddi
Gian Oddi


 

Qualquer técnico de futebol, de qualquer escola ou estilo, escalará numa cobrança de pênaltis aqueles jogadores que, na sua opinião e baseado nas informações de que dispõe, têm mais chances de converter as penalidades.

Parece um pressuposto óbvio, ainda que discussões sobre quem deveria ou não ter batido as penalidades ocupem horas e horas de debates de jornalistas e torcedores – sempre depois das cobranças e de acordo com os placares, claro. 

Cada treinador pode ter seu critério e dar pesos diferentes aos aspectos técnicos, psicológicos e físicos, sendo que os dois últimos podem inclusive ser alterados pelo que ocorre nos 90 ou 120 minutos de bola rolando antes das penalidades. 

É certo que técnico algum irá, por capricho ou razões pessoais, preferir um jogador com menos chances de converter uma penalidade a um com maiores possibilidades de fazê-lo, e é lógico admitir ser improvável haver alguém mais apto que o treinador de um time a fazer essas escolhas. 

Acontece que se no futebol de maneira geral os resultados já costumam impregnar as análises sobre atuações coletivas ou individuais, na cobrança de pênaltis essa impregnação atinge patamares constrangedores.

As últimas cobranças de pênaltis nas semifinais do Campeonato Paulista ilustram bem: destacou-se, com maior ou menor grau, a “falta de coragem” do palmeirense Dudu num momento decisivo, a “frieza e personalidade” do são-paulino Gonzalo Carneiro e a “inexperiência” do jovem santista Kaio Jorge.

É curioso como a definição dos vencedores e os eventuais milímetros que definem a entrada ou saída de uma bola do gol são capazes de determinar (e mudar) certezas absolutas sobre escolhas certas ou equivocadas e sobre a capacitação emocional, física ou técnica de jogadores.

Dudu não é um bom batedor de pênaltis e já havia perdido sua cobrança na final do último campeonato estadual. Foi, porém, o jogador mais decisivo nos jogos mais decisivos de seu time nos últimos anos. Só que bastou um pênalti não batido para se tornar um “jogador que foge nos momentos decisivos”.

Há quem tenha recorrido ao seu salário para invocar sua “obrigação” em bater a penalidade e “chamar a responsabilidade”, como se uma planilha de Excel contendo a folha salarial de um elenco fosse a ferramenta a determinar com melhor precisão os batedores de pênaltis ideais de um time.

O episódio de Kaio Jorge, o garoto santista de apenas 17 anos a perder um dos dois pênaltis de seu time na semifinal contra o Corinthians, é outro tipo clássico de condenação de “escolha errada” daqueles que costumam considerar o Excel essencial na hora da cobrança de penalidades.

Nesse caso, porém, deixa-se de lado a coluna dos salários e ordena-se de forma decrescente a coluna das idades para definir quem deve ou não bater pênaltis. Kaio Jorge, com toda sua inexperiência, nem bateu mal, mas a bola não entrou – por milímetros. Tivesse entrado, a palavra para definir o atacante seria “personalidade”, e apenas ela.

O caso de Carneiro é de certa forma o inverso: para um jogador pouco relevante, com capacidade técnica ainda discutida e já marcado por atos de pouco profissionalismo, a distância a separar sua festejada “personalidade” da “irresponsabilidade” e do provável fim de sua passagem pelo São Paulo não foi maior que os poucos centímetros que separaram a bola dos pés do goleiro após sua cobrança com cavadinha.

O resultado, porém, determinará sempre o certo e o errado, o festejado e o acusado.

Zico, Baggio, Sócrates, Maradona, Platini e Schevchenko, entre outros, foram grandes jogadores a perder pênaltis em Copas do Mundo. Não havia motivo algum para que eles não cobrassem suas penalidades,  mas eles perderam.

Os pênaltis, mais que qualquer outro momento, escancaram o quanto aceitar que escolhas certas podem dar errado e escolhas erradas podem dar certo é essencial no futebol.

 
No instagram @gianoddi
No Facebook /gianoddi

Fonte: Gian Oddi

Comentários

Dudu, Carneiro, Kaio Jorge e o vazio sobre analisar pênaltis

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Traição, brigas e mentiras: o caos do atacante de 110 milhões de euros para quem os gols são só detalhe

Gian Oddi
Gian Oddi

.

Domingo, 7 de abril, estádio San Siro de Milão. Enquanto coros com as palavras “mercenário” e “homem de merda” são gritados pela torcida organizada da Internazionale na Curva Nord, outra boa parte dos mais de 60 mil torcedores presentes no jogo contra a Atalanta reagem com vaias para abafar a manifestação daquela minoria barulhenta.

Não chega a surpreender, pois poucos dias antes um comunicado dos ùltras (a versão italiana das organizadas) da Inter havia deixado claro qual seria a posição do grupo: “Não daremos um passo atrás sobre Icardi. Ele não pode ser o futuro da Inter... e cavou seu próprio túmulo”. Não é que o restante da torcida discorde totalmente sobre “o futuro da Inter” sem Icardi, mas há para eles, hoje, um pacto maior pela busca da vaga na Champions.

Era uma das poucas polêmicas que faltavam na carreira do ótimo atacante argentino de 26 anos: Mauro Icardi, que já havia ameaçado (e irritado) a organizada da Inter em sua autobiografia, conseguiu agora dividir a própria torcida com a mesma intensidade com que incomoda companheiros, treinadores e dirigentes – e é incrível que tudo possa ser exemplificado apenas nos meses mais recentes de sua carreira.

Se houve um tempo em que Icardi, pelo futebol jogado na Inter, era visto como vítima de uma poderosa panela formada pelos jogadores mais renomados da seleção argentina e por isso não era convocado, esse tempo ficou para trás.

Não é segredo, e agora parece pouco relevante, que a relação dele com Wanda Nara, ex-mulher do hoje vascaíno Maxi Lopez, foi fundamental para que Icardi não fosse bem quisto pelos companheiros de seleção: menos até por seu envolvimento com Nara quando ela ainda era casada com Maxi, mais por suas atitudes provocadoras após o caso, que envolviam até os filhos de Maxi (de quem fora muito amigo) com a ex-mulher.

Wanda Nara, que se tornou então empresária de Icardi, virou a partir daquele episódio pivô de inúmeras polêmicas envolvendo o jogador. Atuando sempre de maneira midiática, com declarações fortes e interpretações emocionadas na televisão, Nara colocou sobre o atacante holofotes que ele só precisava ter apontados para si dentro de campo.

E assim, em fevereiro, a Inter anunciou através de uma nota seca em seu site que Icardi perdera a faixa de capitão para o goleiro Handanovic. A atitude foi uma reação do diretor Beppe Marotta às declarações da empresária sobre a complicada renovação de contrato com a Inter: a gota d’água foi a ameaça de o argentino vestir a camisa da rival Juventus. Para os dirigentes, a atitude não “condizia com a de um capitão”.

Wanda Nara chegou a ir à televisão após a punição. E chorou, dizendo que tudo o que Icardi mais queria era jogar pela Inter.

Não foi o que se viu. Afinal, após se recusar a viajar para um jogo da Liga Europa, Icardi alegou problemas físicos negados pelos próprios médicos da Inter (!) e ficou por mais de um mês afastado. “Precisar de mediação para fazê-lo vestir a camisa da Inter é uma coisa humilhante. Perguntem a qualquer torcedor o que ele pensa disso”, afirmou recentemente o técnico Luciano Spalletti a respeito da ausência do atacante, que a partir de um certo momento o próprio treinador optou por não convocar.

A irritação de Spalletti com Icardi fez com que ele subisse o tom de maneira surpreendente no final de março, após derrota para a Lazio na qual optou por não tê-lo em campo: “A Inter ficou seis anos sem ir à Champions, e Icardi estava aqui. Quantas partidas assim, ou piores, perdemos com ele em campo? Essa narrativa interessa a vocês [jornalistas] que fazem ficção. Quem faz diferença em campo são Messi, Ronaldo e poucos outros”.

Torcida da Inter para Icardi, ainda em 2016: 100 gols e 100 troféus não apagarão a merda que você é
Torcida da Inter para Icardi, ainda em 2016: 100 gols e 100 troféus não apagarão a merda que você é Getty Images (arquivo)

As frases de Spalletti não agradaram a diretoria da Inter, que nos dias seguintes viu uma matéria da Gazzetta dello Sport tratar sobre a desvalorização de Icardi: por todos os imbróglios, de acordo com o jornal, o atacante cuja cláusula rescisória de 110 milhões parecia passível de ser paga por gigantes europeus no início da temporada, hoje não vale mais de 60 milhões de euros.

Ao não convocar Icardi, porém, Spalletti deixava mais que subentendido não o fazer também por um desejo do elenco, inconformado com a postura do argentino: “Eu preciso ter credibilidade dentro do vestiário, e isso eu tenho há 22 anos. A disciplina é a coisa mais importante em um grupo”.

Se foi por pressão da diretoria ou não, o fato é que Icardi foi chamado já para o jogo seguinte ao da Lazio, aquele que gerou as fortes declarações de Spalletti. Atuando contra o Genoa fora de casa, o atacante voltou ao time, fez um gol de pênalti, deu assistência para Perisic – apontado como um de seus principais desafetos no grupo – e foi eleito o melhor jogador em campo na goleada por 4 a 0.

Foi só mais uma prova de que, para alguns jogadores de futebol, a qualidade é apenas um detalhe.

 
No instagram @gianoddi
No Facebook /gianoddi

Fonte: Gian Oddi

Comentários

Traição, brigas e mentiras: o caos do atacante de 110 milhões de euros para quem os gols são só detalhe

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Federação Paulista e TJD erram feio. Mas Palmeiras não ajuda a expor os absurdos

Gian Oddi
Gian Oddi
Maurício Galliote, presidente do Palmeiras: rompido com a FPF
Maurício Galliote, presidente do Palmeiras: rompido com a FPF ESPN

.

O Palmeiras tem, desde abril do ano passado, inúmeras razões para se irritar, criticar, e combater judicialmente a Federação Paulista de Futebol e o Tribunal de Justiça Desportiva do Estado.

Tudo começou com a  estranha posição da Federação Paulista ao se recusar a investigar a suposta interferência externa na arbitragem da final do Campeonato Paulista de 2018 contra o Corinthians.

Não está em pauta aqui o pênalti (que para mim não houve) daquela final em si, até porque o clubismo impregnado nessa discussão acaba por ofuscar o que de mais importante houve em todo aquele imbróglio: o desinteresse da FPF por buscar a verdade sobre a eventual interferência externa e, se possível, melhorar.

Ao contrário do que fazem até os mais maquiavélicos bandidos da política brasileira, a batida frase “vamos apurar o que houve e, se necessário, tomar as providências devidas, punir os culpados e evitar que esse tipo de coisa volte a acontecer” foi imediatamente descartada pela Federação. Por mais que houvesse indícios da tal interferência, à FPF nunca interessou saber.


Um ano depois, a briga entre Palmeiras e Federação Paulista segue firme (alimentada por embates da política alviverde que não interessam aqui) e, quem diria, viu a entrada de uma terceira instituição que deveria ser, pelo menos em teoria, “independente”: o TJD-SP.

Na semana passada, o presidente desse tribunal, Antonio Olim, respondeu assim aos questionamentos do Palmeiras a respeito de uma possível má utilização do VAR nas quartas-de-final contra o Novorizontino:

“Chamar de Paulistinha, quer esculachar? Desculpa, isso é uma vergonha para o Palmeiras, vamos ganhar na bola, no jogo, vamos parar de chorar. O Palmeiras é um grande clube, mas esse cara (Maurício Galiotte) pensa num mundinho pequeno, tem de pensar no Palmeiras, e não pensar num timinho”.

Não discordo inteiramente da afirmação (logo chegaremos lá), mas certamente não caberia a Olim emitir tal opinião, nessa forma, dias antes de participar de julgamentos importantes envolvendo o clube.

Chegamos então a esta quinta-feira, quando o portal UOL informa que este mesmo Tribunal pode ter tirado o meio-campista Moisés do Paulista através de uma manobra “sem previsão na legislação esportiva. Consultado pelo portal a respeito do fato, o TJD se limitou a dizer que a manobra está “prevista no regimento interno do tribunal”, se recusando, porém, a mostrar o regimento (ao contrário do que é praxe em diversos tribunais, desportivos ou não).

De novo: é séria e grave a falta de transparência de Federação Paulista e, agora, do TJD-SP. O Palmeiras tem razão para se incomodar.

O clube, porém, age de maneira contraproducente para escancarar os absurdos quando toma suas atitudes muito mais com o coração do que com a razão.

Ir às redes sociais menosprezando o Campeonato Paulista chamando-o mais uma vez de “Paulistinha” é não apenas um desrespeito aos torcedores que já pagaram (caros) ingressos para assistir às suas partidas, como uma incoerência sem tamanho para quem chega a priorizar a escalação no tal “Paulistinha” em detrimento da Libertadores. Vociferar contra lances de arbitragens discutíveis atribuindo-os ao rompimento com a Federação também não ajuda em nada, é apenas mais do mesmo.

O Palmeiras tem motivos reais para reclamar e precisa se ater a eles, combatendo-os com informação e equilíbrio, através de procedimentos jurídicos e de comunicação. Caso contrário, as manifestações do clube só dão margem para serem ignorados e ironizados. O que só é bom para a Federação Paulista e, claro, para o “independente” TJD.

 
No instagram @gianoddi
No Facebook /gianoddi

Fonte: Gian Oddi

Comentários

Federação Paulista e TJD erram feio. Mas Palmeiras não ajuda a expor os absurdos

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

A nova divisão sobre o VAR: dois times atacando o mesmo gol

Gian Oddi
Gian Oddi

.
A atuação do VAR em “lances interpretativos” x “lances objetivos” tornou-se, desde o último sábado, o principal enfoque da discussão sobre o uso da ferramenta no Brasil.

Não surpreende. Nos países onde o árbitro de vídeo foi implementado antes, como Alemanha, Itália e Portugal, a discussão também imperou desde o início: QUANDO e QUANTO o árbitro de campo deve utilizar a ferramenta foi o principal ponto de debate desde os primeiros jogos com a novidade.

Há quem, recorrendo àquilo que supostamente “está escrito na regra”, defenda o uso constante do VAR durante uma partida. Para esses, todo lance passível de revisão que gere um mínimo de dúvida deveria ser revisado, se necessário, pelo próprio árbitro, para que ele possa tomar a melhor decisão possível com todos os recursos disponíveis.

Há quem, pelo contrário, considere que a utilização do monitor por parte do árbitro de campo deva ser evitada o tanto quanto for possível para evitar aquilo que antes mesmo da implementação do VAR era apontado por seus detratores como uma perda significativa para o futebol: o prejuízo na dinâmica do jogo.

São duas linhas compreensíveis de raciocínio, ambas com seus prós e contras.

Particularmente, prefiro a segunda. Menos porque o fato de a regra falar em “erro claro e óbvio” me parece excluir os tais “lances interpretativos” e mais porque, embora sempre tenha sido e continue sendo um defensor contumaz do VAR, concordo que a dinâmica do jogo precisa ser preservada ao máximo.

VAR
VAR Gazeta Press

Somam-se a esses outros dois fatores: primeiro, se o VAR chegou para reduzir as polêmicas de arbitragem, utilizá-lo em casos nos quais sua intervenção potencializará a discussão por conta da mudança de decisão não faz sentido; e por fim, o fato de países com VAR há mais tempo optarem pela segunda linha (a Espanha talvez seja o exemplo mais claro) não pode ser desconsiderado. É preciso aprender com os erros dos outros.

É claro que há e sempre haverá casos pontuais, como por exemplo aqueles em que o árbitro não vê, dentro de campo, um lance considerado “interpretativo”. Nesse caso, é mais do que justo que o responsável pela decisão tenha acesso às imagens disponíveis para, aí sim, interpretar e resolver o que marcar.

O lado que adotamos nessa discussão, contudo, é hoje o menos relevante. Importa bem mais a qualidade das argumentações e a capacidade de reconhecê-las, mesmo que contrárias à sua ideia inicial.

Porque seja qual for sua preferência, a de utilização mais constante do monitor em campo ou seu acionamento apenas em casos específicos, é preciso entender que a partir de agora o esforço de todos precisa ser pela evolução do VAR, para ajustar a ferramenta e não para eliminá-la. Combater o VAR, hoje, é mais ou menos como combater a existência das vacinas.

 
No instagram @gianoddi
No Facebook /gianoddi

Fonte: Gian Oddi

Comentários

A nova divisão sobre o VAR: dois times atacando o mesmo gol

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

O VAR não é páreo para nossos jogadores chiliquentos

Gian Oddi
Gian Oddi

Cena mais comum no Fla x Flu da Taça Rio
Cena mais comum no Fla x Flu da Taça Rio MAGALHÃES JÚNIOR/Photopress/Gazeta Press

.

Como ocorreu em qualquer praça onde já foi implementado, o VAR no Brasil precisará atravessar um processo de reconhecimento, evolução e ajustes por parte de árbitros e assistentes, mas também de jogadores, técnicos, imprensa e torcedores.

Foi assim na Itália, Portugal e Alemanha. Está sendo assim na Espanha. Será assim na Inglaterra.

Nesses países, entender quando e quanto o VAR deveria ser utilizado para não prejudicar a dinâmica do jogo era o maior desafio no início; seguiu-se então a meta de agilizar a utilização quando o recurso fosse acionado; tornar o processo todo mais transparente foi outra preocupação; e assim ocorreu e ainda ocorre, semana após semana, numa constante evolução.

No Brasil, porém, o desafio será maior e terá uma significativa dificuldade extra, está claro pelos poucos testes realizados e cujo clássico entre Flamengo e Fluminense, pela semifinal da Taça Rio, é provavelmente o exemplo mais emblemático até aqui.

Por aqui, a maioria esmagadora dos jogadores, com o aval e a cooperação de seus treinadores, não reclama apenas ao sentir-se injustiçada por uma decisão equivocada – o que, convenhamos, seria compreensível.

Aqui a regra é reclamar para enganar. Reclamar para levar vantagem no lance seguinte. Reclama-se pedindo o VAR mesmo sabendo que ele não mostrará o que se deseja. Reclama-se durante a utilização do VAR. Reclama-se depois da utilização do VAR. E tentar enganar as imagens é uma hipótese.

A pressão é a regra. E pressionar o árbitro é mais essencial do que pressionar o adversário.

De tão infundadas, muitas das queixas em campo soam patéticas. Os gritos, peitadas, perdigotos e caras feias em direção ao árbitro ou adversário não são as demonstrações de virilidade que nossos jogadores parecem aprender a reproduzir desde as categorias de base, desde os jogos na esquina de casa. São apenas chiliques. Chiliques de quem não sabe perder, de quem não sabe ganhar, de quem não sabe competir.

A fragilidade e a incontestável incompetência da arbitragem brasileira será certamente utilizada por parte das pessoas para justificar a atitude de atletas e técnicos. A lógica do se-eu-não-reclamo-o-outro-vai-fazê-lo-e-levará-vantagem será evocada por alguns.

E assim seguiremos nesse poço, tentando escalar as paredes com as mãos e jogando cada vez mais terra na própria cabeça.

Algo precisa ser feito.

Se a mudança não vier com medidas preventivas como palestras, explicações e, sobretudo, com a consciência de todos os treinadores num pacto para diminuir esse circo que transforma nossos jogadores em palhaços, que seja na força. Com cartões.

Não seria certamente uma medida popular. Um festival de cartões e expulsões geraria, num primeiro momento, revolta geral e um festival de reclamações por parte de torcedores e, claro, também da imprensa.

Mas entre chiliques de jogadores ou de jornalistas, o segundo caso me parece bem menos nocivo ao futebol.

 
No instagram @gianoddi
No Facebook /gianoddi

Fonte: Gian Oddi

Comentários

O VAR não é páreo para nossos jogadores chiliquentos

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

O descaso pelos clássicos tem sido o melhor dos Estaduais em 2019

Gian Oddi
Gian Oddi




Se rivalidades locais são constantemente apontadas como o grande combustível para os campeonatos estaduais, temos agora mais um motivo para revê-los, se não em sua existência, pelo menos em seus formatos.

Sei que tratamos aqui de primeiras fases modorrentas nas quais (surpresa!) 11 dos 12 grandes clubes que concorrem nos quatro principais campeonatos estaduais do país conseguiram suas vagas para jogar os mata-matas – um resultado que mais uma vez mostra a inutilidade da disputa dessas fases por esses times.

Muito embora ser a melhor notícia dentro desse panorama possa não significar muita coisa, me parece que, neste caso, ela tem relevância. Afinal, o descaso pelos clássicos é o melhor acontecimento dos campeonatos estaduais de 2019 justamente por atingir um nível que exige repensar esses campeonatos. Um dos últimos argumentos a favor deles, a força dos clássicos, está caindo. 

Tivemos ontem um Fla x Flu em que o Fluminense, mesmo contando com elenco bem inferior ao do rival, não titubeou em rechear seu time de reservas. Já tivemos também o recém-chegado Sampaoli pouco se lixando para um confronto do Santos contra o campeão brasileiro, por causa da Copa Sul-Americana. Tivemos, creiam, um Gre-Nal jogado com reservas: de um lado por protesto, do outro para responder ao protesto, mas sobretudo, de ambos os lados, pela irrelevância do jogo.

São apenas alguns exemplos, tivemos outros, e em todos eles as decisões tomadas pelos técnicos ou diretorias soaram corretas.

O valor esportivo desses jogos, à parte o contexto histórico que inclui a EVENTUAL possibilidade de os times iniciarem, manterem ou encerrarem tabus contra arquirrivais, é apenas o de oferecer um adversário de nível superior aos em geral frágeis times dos campeonatos estaduais. É pouco.

Precisamos admitir também que a atuação da imprensa, ávida por supervalorizar a importância de jogos num panorama de quase absoluta irrelevância do futebol nacional em seu primeiro trimestre, muitas vezes colabora para colocar holofotes exagerados naquilo que poderia ser iluminado com uma lâmpada de 40 watts.

Nem mesmo a argumentação de que “o torcedor quer saber é de clássicos” tem servido como regra. Ainda que num campeonato como o Paulista tenhamos quatro dos seis clássicos já disputados entre os jogos com mais público, o mesmo não ocorre com o Campeonato Carioca, justamente aquele com a maior abundância de confronto entre grandes.

Fossem os clássicos, por si só, um atrativo, teríamos os times do Rio muito bem posicionados no ranking de equipes com mais público do Brasil até aqui. Afinal, devido ao regulamento de seu Estadual, essas equipes disputaram mais clássicos que os grandes de outros estados.

Acontece que, exceção feita à óbvia liderança do Flamengo, a maior (e hoje empolgada) torcida do Brasil, temos Vasco, Fluminense e Botafogo respectivamente na 11ª, 16ª e 20ª colocações do ranking elaborado pelo Globoesporte.com. E mais: no ranking de jogos dos maiores públicos do Campeonato Carioca até aqui, entre as cinco partidas com mais pagantes constam apenas dois clássicos, ambos entre Flamengo e Fluminense.

Houve também, na mesma Taça Guanabara, aquele que é certamente um fato emblemático: um clássico entre Flamengo (de novo: estamos falando da maior torcida do país!) e Botafogo sendo jogado para apenas 5.314 pagantes, o menor público de um clássico na história do Engenhão em seus 12 anos de existência.

Que o torcedor prefere clássicos a jogos contra outros adversários é óbvio, mas para isso os dois tipos de partidas precisam estar inseridos no mesmo contexto. 

É triste constatar que o contexto oferecido por essas fases insossas dos estaduais é capaz de tudo – inclusive de estragar um clássico, que é das coisas mais legais do futebol. 


 
No instagram @gianoddi
No Facebook /gianoddi

Fonte: Gian Oddi

Comentários

O descaso pelos clássicos tem sido o melhor dos Estaduais em 2019

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

O mal que Cristiano Ronaldo faz a Messi. E vice-versa

Gian Oddi
Gian Oddi
Ronaldo e Messi: sempre juntos (nas comparações)
Ronaldo e Messi: sempre juntos (nas comparações) AFP

Que Messi estimula Cristiano Ronaldo e que Cristiano Ronaldo estimula Messi parece evidente já faz um bom tempo. 

Por mais que ambos tenham obsessão com suas carreiras (e creio que nesse aspecto o português está um pouco à frente), parece lógico, após anos atuando rigorosamente nos mesmos campeonatos, imaginar que as marcas de um não seriam as mesmas sem o outro.

Porque ainda que alguém possa discutir se o empenho deles seria tão diferente ao entrar em campo caso o outro não existisse, é difícil duvidar que tanto Messi quanto Ronaldo teriam jogado menos vezes não fosse a disputa por marcas particulares, artilharias, prêmios e todo o tipo de reconhecimento e rivalidade que sempre envolveu suas espetaculares trajetórias.

É evidente que toda e qualquer comparação não apenas entre eles, mas também aquelas envolvendo jogadores do passado, só poderá ser feita com um pouco mais de precisão quando ambos encerrarem suas carreiras e derem a elas números e feitos definitivos.

Mesmo assim, quando ambos tiverem parado, por mais que sejam divertidas, as tais comparações serão sempre inconclusivas, porque também subjetivas, e haverá certezas para os dois lados sobre quem foi melhor, quem foi mais ou menos beneficiado pelo contexto que o envolvia, quais deveriam ser os pesos das seleções nesses paralelos e tantas outras certezas quantas você puder encontrar.

Há uma certeza, porém, que dificilmente alguém poderá rebater: a de que, se não houvesse um Cristiano Ronaldo, Messi só poderia ser comparado com jogadores do passado. E a de que, se não houvesse um Messi, Cristiano Ronaldo também seria incomparável aos seus contemporâneos.


Não que lhes falte reconhecimento, e nem poderia diante dos absurdos que produzem semanalmente há tantos anos, mas é justamente nesse ponto que um craque acaba, de certo modo, por “minimizar” o tamanho do outro: a existência de um faz com que os feitos e o futebol do outro sejam alcançáveis, apesar de anormais. Se não houvesse Ronaldo, imagine qual seria a distância de Messi para o humano mais próximo. E vice-versa. 

Se por um lado Messi e CR7 certamente estimulam um ao outro, por outro lado a existência de um faz o outro parecer humano.

 
No instagram @gianoddi
No Facebook /gianoddi

Fonte: Gian Oddi

Comentários

O mal que Cristiano Ronaldo faz a Messi. E vice-versa

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Pequenos são os títulos diante do futebol. A Roma comprova

Gian Oddi
Gian Oddi
De Rossi e Florenzi: duas pratas da casa romanista, dois ídolos
De Rossi e Florenzi: duas pratas da casa romanista, dois ídolos Getty Images

Quando o técnico Eusebio Di Francesco escalou três ou quatro reservas para enfrentar a Fiorentina no fim de semana para poupar alguns dos jogadores que enfrentariam o Barcelona na terça-feira, foi tachado de maluco por muita gente. E aí a derrota por 2 a 0 para o time de Florença, jogando em Roma, só fez crescer a desconfiança em relação à decisão do treinador.

Afinal, abrir mão de pontos importantes na acirrada disputa por vaga na próxima Champions League não parecia fazer sentido se o objetivo seguinte seria reverter, na Champions atual, uma desvantagem de 4 a 1 no jogo de ida contra um elenco avaliado em mais de 1 bilhão de euros e que incluía apenas o melhor jogador do planeta.

Só que estamos falando de futebol.

E foi o futebol que fez avançar aquele que foi, indiscutivelmente, o melhor time nos 180 minutos dos dois confrontos. Porque se os 4 a 1 do jogo de ida pareceram um placar exagerado, os 3 a 0 da Roma nessa terça-feira apenas refletiram com precisão aquilo que aconteceu em campo.

Não são, porém, os aspectos em campo que mais interessam no evento ocorrido nessa noite mágica no estádio Olímpico de Roma.

Porque as proporções da incrível virada em cima do Barcelona são de difícil compreensão para boa parte dos torcedores de clubes multimilionários da Europa, aqueles que costumam atrelar seu nível de alegria no futebol ao número de troféus na estante.

Alguns episódios ocorridos depois da épica vitória, contudo, talvez ajudem esses torcedores, digamos, mais “materialistas” a entender o que significou o dia 10 de abril de 2018 em Roma.

O presidente James Pallotta se jogando numa fonte da Piazza del Poppolo; crianças e adultos chorando copiosamente na arquibancada; a reação alucinada na área de imprensa após o apito final; as ruas de Roma sendo tomadas após um jogo de quartas de final; a incrível festa no vestiário do Olímpico; as inúmeras mensagens de felicitações de clubes rivais como Juventus, Milan, Napoli, Fiorentina e Inter; as capas de jornais. (A quem se interessar, vários desses vídeos estão na timeline do meu Twitter e na minha página no Facebook).

Não, de fato não foi um título. E o mais provável, ainda, é que nem seja parte do caminho que levará a um. Mas já foi indiscutivelmente um dos maiores momentos da história do clube e, provavelmente, do ponto de vista esportivo, o maior desde o dia 17 de junho de 2001, quando a Roma derrotou o Parma para (aí sim) conquistar o terceiro scudetto de sua história.

Pequenez? Nada disso. Apenas a consciência de que a relação das pessoas com o futebol, e com um clube especificamente, não pode e nem deve depender apenas de conquistas, de taças, de números.

Crianças vibram no Olímpico
Crianças vibram no Olímpico reprodução TV

As 60 mil pessoas presentes ontem no estádio Olímpico de Roma mostraram isso, torcendo de verdade, apoiando o time de um jeito raro nesta incrível (mas ainda assim pasteurizada no que diz respeito ao público) Champions League – porque, acreditem, boa parte dos que ali estavam nem confiava muito no feito que acabaria se realizando. Mas estavam lá.

Boa parte daqueles 60 mil também chorou naquela absurda e emocionante despedida de Totti, que preferiu seu time de infância e sua cidade às glorias e à grana. E quase todos eles também amam incondicionalmente o atual capitão De Rossi, porque ele vai seguindo os passos do antigo capitano: toda a vida num só clube.

Uma fidelidade que não se encerra com os que nasceram em Roma e cresceram na Roma. “Prefiro ficar aqui, onde sou feliz. Se dinheiro fosse minha motivação, teria mudado de clube várias vezes, meu salário poderia ter subido seguidamente”, afirmou Radja Nainggolan há menos de dois meses. Na última janela de mercado europeu, Dzeko disse não ao Chelsea e também à própria Roma, que pretendia vendê-lo: só ficou porque bateu o pé.

Será que são fatos menores? Um adeus como o de Totti, a história de fidelidade quase incompreensível dos jogadores, o amor incondicional de uma torcida e de uma cidade como Roma... Não se trata de desfazer das conquistas, sempre importantes. 

Mas, no futebol atual, quantos clubes podem ostentar fatos como os citados acima?

Aos outros, restam apenas os títulos. Que sejam felizes com eles.

 
No instagram @gianoddi
No Facebook /gianoddi 

Fonte: Gian Oddi

Comentários

Pequenos são os títulos diante do futebol. A Roma comprova

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Os prováveis convocados e o otimismo do Uruguai a 80 dias da Copa

Gian Oddi
Gian Oddi
Luis Suárez: Uruguai de hoje vai além da sua maior estrela
Luis Suárez: Uruguai de hoje vai além da sua maior estrela DANIEL DUARTE/AFP/Getty Images


Ao vencer o País de Gales por 1 a 0 na última segunda-feira, três dias depois de derrotar a seleção da República Tcheca por 2 a 0, o Uruguai sagrou-se campeão da China Cup, torneio quadrangular que também contou com a participação do país anfitrião. Bem mais importante que o título do torneio amistoso, porém, foram os sinais que o time do técnico Óscar Tabarez transmitiu aos seus torcedores a menos de três meses do início da Copa da Rússia.

Se os uruguaios sempre tiveram confiança em sua poderosa dupla de ataque formada por Cavani e Suárez, assim como na dupla de zaga composta por Godín e Gimenez (que para facilitar as coisas jogam juntos no Atlético de Madri), os indícios de evolução na China Cup apareceram sobretudo nas laterais e no meio-campo, algo essencial para deixar o futuro uruguaio no Mundial mais promissor.  

Embora Martins Cáceres não tenha podido jogar por estar (de novo) machucado, o problema das laterais, que preocupava Tabarez há não muito tempo, parece estar se resolvendo com as boas atuações de Guillermo Varela (Peñarol) pela direita e, mais surpreendente por ter sido uma improvisação de um meio-campista, de Diego Laxalt (Genoa) pela esquerda.

No meio-campo, Matias Vecino (Internazionale) e Rodrigo Betancour (Juventus) vão se firmando como homens capazes de dar consistência e, sobretudo o segundo, também capacidade de criação ao time uruguaio. Na Copa, eles devem formar o setor ao lado de Nahitan Nández (Boca Juniors) e Cebolla Rodriguez (Peñarol), com o cruzeirense De Arrascaeta brigando por fora pela vaga de Rodriguez.

Com laterais agora participativos e um setor de meio-campo com mais criatividade que o Uruguai vinha mostrando nas últimas competições, o time de Tabárez tem apresentado disposição física e qualidade técnica que têm deixado a imprensa do país otimista pelo menos em relação à primeira fase da Copa, na qual a equipe enfrentará a anfitriã Rússia, o Egito e a Arábia Saudita.

O gol que garantiu o título da China Cup contra o País de Gales, com a participação de nove jogadores trocando 11 passes antes de Cavani finalizar para as redes, foi destacado como exemplo de qualidade coletiva e paciência que a Celeste não tinha até pouco tempo atrás. Assista no vídeo abaixo: 

 
Após os testes na China Cup, Óscar Tabárez parece já ter definido pelo menos 21 dos 23 jogadores que estarão na lista final para a Copa do Mundo da Rússia. São eles:

GOLEIROS
Fernando Muslera (Galatasaray-TUR), Martín Silva (Vasco-BRA), Martín Campaña (Independiente-ARG);

DEFENSORES
Guillermo Varela (Peñarol-POR), Martín Cáceres (Lazio-ITA), Diego Godín (Atlético de Madri-ESP), José María Giménez (Atlético de Madri-ESP), Maximiliano Pereira (Porto-POR), Sebastián Coates (Sporting-POR), Gastón Silva (Independiente-ARG) e Diego Laxalt (Genoa-ITA);

MEIO-CAMPISTAS
Matías Vecino (Internazionale-ITA), Rodrigo Bentancur (Juventus-ITA), Cristian Rodríguez (Peñarol-URU), De Arrascaeta (Cruzeiro-BRA), Nahitan Nández (Boca Juniors-ARG) e Carlos Sánchez (Monterrey-MEX);

ATACANTES
Luis Suárez (Barcelona-ESP), Edinson Cavani (PSG-FRA), Cristhian Stuani (Girona-ESP) e Maximiliano Gómez (Celta-ESP).

AS VAGAS QUE RESTAM
Evidentemente as vagas abertas podem virar mais que duas caso algum dos jogadores da lista acima tenha problemas físicos. Hoje, contudo, parece provável que um entre as jovens revelações Lucas Torreira, da Sampdoria, e Federico Valverde, do La Coruña (emprestado pelo Real Madrid), esteja na lista. E assim a outra vaga ainda aberta seria disputada por Gastón Ramírez (Sampdoria-ITA), Jonathan Urretaviscaya (Pachuca-MEX) e Nicolás Lodeiro (Seattle Sounders-EUA).

  /  No instagram @gianoddi / No Facebook /gianoddi 

Fonte: Gian Oddi

Comentários

Os prováveis convocados e o otimismo do Uruguai a 80 dias da Copa

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

O futebol está ficando chato? Tente o circo!

Gian Oddi
Gian Oddi

Puyol coibe comemoração de gol com dancinha no Barcelona
Puyol coibe comemoração de gol com dancinha no Barcelona Reuters

.

A cantilena de que o futebol está ficando chato é o que há de verdadeiramente chato no futebol nos dias de hoje.

Não é o caso de entrar no mérito sobre se Vinícius Júnior pode ou não comemorar um gol com o gesto do chororô.

Não é o caso chamar de piada ou canalhice Neymar tirar a mão logo após estendê-la para ajudar um adversário a se levantar.

Não é o caso de julgar o jogador que comemora um gol levando as mãos aos ouvidos ou fazendo o gesto de silêncio à torcida adversária.

Não é o caso de classificar como mau humor ou respeito ao rival a advertência feita por Puyol às dancinhas comemorativas de gol.

Eu mesmo tenho opiniões diferentes sobre os exemplos acima.

O limite entre a piada e o desrespeito, entre a descontração e provocação, vai sempre variar de acordo com as pessoas envolvidas, com o contexto, com a cultura de um país, de uma região. De um clube, até, como no caso do Barcelona.

A brincadeira para um é ofensa para o outro, e contanto que as reações não sejam exageradas e incoerentes, porque o autor da zoeira de hoje tem que saber ser zoado amanhã, seria legal aprender a conviver com isso.

O duro é aceitar que o futebol, disparado o esporte mais popular do mundo, esteja ficando chato pela ausência ou pela repressão a estas bobagens. Que podem até dar um molho, divertir, mas nem de longe são o determinante para definir o futebol como chato ou legal.

O futebol é muito maior.

Veja a Premier League: trata-se provavelmente da liga nacional onde gestos como os exemplos acima seriam menos bem vistos. É a liga onde um jogador é duramente vaiado por se jogar e tentar enganar o árbitro. Onde o fair play é exigido. Onde o limite entre a brincadeira ou a esperteza e o desrespeito ofensivo aparece antes.

Não se trata, neste caso, da cultura do futebol, mas da cultura de um país, de um povo. 

E nem por isso, quem gosta verdadeiramente DE FUTEBOL há de convir, podemos chamar a Premier League de “chata”.

Se você a considera chata, haverá sempre a alternativa do circo.   : )

Fonte: Gian Oddi

Comentários

O futebol está ficando chato? Tente o circo!

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

A não adoção do VAR no Brasileirão é uma derrota até para quem é contra o VAR

Gian Oddi
Gian Oddi
Árbitro de vídeo sendo utilizado na Série A da Itália
Árbitro de vídeo sendo utilizado na Série A da Itália AIA.it

.

É para lamentar, mas não surpreender: o mesmo Conselho Técnico do Campeonato Brasileiro que nesta segunda-feira liberou o absurdo que é a venda de mandos nos jogos do Campeonato Brasileiro até a 33ª rodada, vetou a utilização do árbitro de vídeo na competição em sua edição de 2018.

As decisões não surpreendem por um motivo simples: dinheiro.

Enquanto a venda de mando faz com que os clubes da Série A possam arrancar um dinheirinho de governos municipais ou estaduais pelo país, a utilização da arbitragem de vídeo, pelo contrário, os obrigaria a colocar a mão no bolso.

Em ambos os casos, lamentavelmente, privilegia-se o dinheiro em detrimento dos aspectos técnicos e esportivos.

Mesmo quem acredita que o VAR não traria benefícios ao campeonato deve admitir: embora estejamos falando de uma implementação de alto custo (R$ 20 milhões para todo o Brasileirão), o aspecto econômico não deveria ser o determinante para decisão tão relevante no cenário do futebol nacional.

Manoel Serapião, responsável pelo VAR na CBF, informou que, além do dinheiro, outros motivos foram alegados pelos clubes para tomar a decisão.

Um deles, de tão patético, só escancara o quanto estamos falando apenas de questões financeiras: segundo alguns clubes, seria melhor “esperar o efeito do VAR” nos 64 jogos da Copa do Mundo, como se mais de 680 partidas dos campeonatos nacionais de Alemanha e Itália (sem falar nas Copas) nesta temporada não bastassem para se fazer uma análise e até um aperfeiçoamento do sistema.

Falta vontade de agir, de melhorar e, claro, de gastar.

É até compreensível e louvável que os clubes brasileiros, em sua maioria ainda mal geridos e endividados até o pescoço, digam não para novos gastos. É compreensível que também exijam da milionária (e pelo menos em seu passado recente corrupta) CBF o pagamento da implementação do sistema, como aliás ocorrerá na Copa do Brasil.

Não é compreensível, contudo, que estes mesmos clubes sigam reféns de federações ou confederações parasitas para implementar as melhoras necessárias ao futebol nacional.

A não adoção do VAR, por este motivo, é mais uma derrota do futebol brasileiro. Até para quem é contra o VAR.


PS. Atendendo a muitos pedidos, eis a relação de quais clubes votaram contra e quais votaram a favor da utilização do VAR. A favor: Bahia, Botafogo, Chapecoense, Flamengo, Grêmio, Internacional e Palmeiras. Contra:  América, Atlético-MG, Atlético-PR, Ceará, Corinthians, Cruzeiro, Fluminense, Paraná, Santos, Sport, Vasco e Vitória. O São Paulo não votou porque seu presidente deixou a reunião antes da votação. 

Fonte: Gian Oddi

Comentários

A não adoção do VAR no Brasileirão é uma derrota até para quem é contra o VAR

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

mais postsLoading