A boa vontade que temos com Messi na seleção não temos com Neymar

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi


Com Messi em campo, a Argentina foi derrotada pela Colômbia em sua estreia na Copa América, sábado. O maior jogador do mundo tentou, brigou, mudou de posição no campo em vários momentos, jogou individualmente, tentou dialogar com seus companheiros, mas o fato é que fracassou junto com o time.  

Assim como já havia fracassado na Copa do Mundo de 2018.

Nas Copas Américas de 2015 e 2016, ele levou a equipe à final, mas a Argentina perdeu nas duas ocasiões nos pênaltis para o Chile. E perdeu também na final da Copa de 2014 para a Alemanha, além de ter ficado no meio do caminho em 2006 e 2010.

Messi tem um único título com a seleção argentina: a medalha de ouro olímpica em 2008. Curiosamente, a conquista solitária da própria seleção de seu país desde a Copa América de 1993.

O tamanho de Messi não combina com seu desempenho na seleção. Mas sempre existiram justificativas para que o seu futebol do Barcelona não fosse replicado com a camisa azul e branca

O caos da AFA, a quantidade de treinadores e métodos diferentes de jogo que ele encarou… mesmo que neste período ele tenha ao seu lado uma geração de atacantes de primeiríssimo nível, com nomes do naipe de Aguero e Di María, por exemplo.

Messi durante a derrota da Argentina para a Colômbia na estreia na Copa América
Messi durante a derrota da Argentina para a Colômbia na estreia na Copa América Getty

E se a gente mudasse algumas coisas na história acima? E se em vez da camisa argentina, Messi usasse a camisa amarela do Brasil? Como ele seria tratado? Um craque de clube? Um “meio” brasileiro (afinal, ele saiu do país com 13 anos), um atleta frio demais, indiferente na hora de defender seu país? Um jogador que só consegue atuar no modelo do Barcelona?

E se, em vez de Messi, ele fosse Neymar? Seus fracassos teriam tantas explicações e justificativas?

Em número de conquistas pelas respectivas seleções, Messi e Neymar estão quase iguais (o brasileiro tem uma Copa das Confederações que o argentino não tem).

Messi é imenso, um dos maiores jogadores de todos os tempos! E este tamanho todo faz com que as análises sobre seu desempenho na seleção sejam sempre menos ácidas por aqui.

Neymar, excelente jogador, mas cada vez mais se afastando da possibilidade de ser o melhor do mundo, não tem esta colher de chá. Ele é criticado duramente, mesmo que seu desempenho com a seleção brasileira seja pelo menos parecido com o de Messi pela Argentina.

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Seleção registra maior renda do futebol brasileiro. A que preço?

Eduardo Tironi
Torcida do Brasil
Torcida do Brasil Getty

Com um tom positivo, manchetes estamparam que Brasil 3 x 0 Bolívia teve a maior renda já divulgada na história do futebol brasileiro: R$ 22.476.630,00. (jogos de copa do mundo não têm a renda divulgada).

Agora, vem o escárnio: o valor médio do ingresso para o jogo foi de R$ 485,00. O salário mínimo no Brasil é de R$ 998. Ou seja, o ingresso para ver a Seleção custou quase metade de um salário mínimo.

A organização deve explicações: antes da partida os ingressos estavam esgotados, mas o público total no estádio foi de 47.260 presentes. Havia espaço vazio na arquibancada.

Uma vitória de 3 a 0 diante de um adversário fraquíssimo em que o placar só foi aberto no segundo tempo não traz notícia boa de dentro de campo. O Brasil jogou no máximo para o gasto e a análise do jogo termina aqui.

O alarmante foi o comportamento da torcida que foi ao Morumbi. Vaias como as que a Seleção levou ao fim do 0 a 0 do primeiro tempo foi o mais próximo de um sentimento. O silêncio na maior parte deu o tom da indiferença da torcida.

E é nesta indiferença que mora a coisa mais chocante do jogo. A culpa pode ser do perfil do público que foi ao estádio, muito mais cliente do que torcedor. Mas mesmo clientes podem ter alguma relação de apreço por um time de futebol. Estes não tiveram.

É como se a Seleção Brasileira tenha se tornado uma diversão de segundo plano. Em primeiro está a selfie, a risadinha para a câmera.

O processo de afastamento de público e Seleção é claríssimo e ninguém faz nenhum movimento para uma reaproximação. O valor dos ingressos é absurdo, os jogadores passam pelo Brasil apenas de helicóptero, os amistosos são disputados fora do país. E por fim, o time nesta sexta-feira jogou um futebol no máximo burocrático, contra um rival ridículo.

Mas quem se importa com isso quando o que interessa é ter a maior renda já registrada no futebol brasileiro?

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Flamengo x Corinthians: jogo da coragem

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi

O Flamengo tinha a vantagem de jogar pelo empate. Poderia esperar o adversário e especular em um contra-ataque. O Corinthians poderia fazer o que se acostumou e que vem dando certo: se fechar e aguardar uma oportunidade rara para fazer um gol.

Mas os dois times preferiram fazer do jogo da Copa do Brasil um dos mais legais do ano no futebol brasileiro porque pautaram suas estratégias em uma palavra que está em falta por aqui: coragem.

O Corinthians foi para cima no começo, o Flamengo foi surpreendido, ficou atordoado, mas em nenhum momento abriu mão de jogar também. Apenas não conseguia saídas em determinada parte do primeiro tempo. Como o lutador de boxe que se vê encurralado no córner, mas não tenta o clinche e sim escapar do adversário lutando.

Bruno Henrique em ação contra o Corinthians
Bruno Henrique em ação contra o Corinthians Flamengo

No segundo tempo o Flamengo passou a ter apoio decisivo de personagem importante: a sua torcida. A partir do momento em que ela entrou em campo, as coisas foram melhorando para o Rubro-Negro. Um ponto importante: a torcida empurrou o time porque o time nunca abriu mão da coragem. É mais fácil conquistar a arquibancada desta forma.

O gol de Rodrigo Caio (excelente mais uma vez) premiou o time que no total dos 180 minutos foi melhor. Duas vitórias sem contestação.

Jogos de mata-mata são um convite para o cuidado excessivo, sobretudo no Brasil. Mas dá para achar exemplos fora do país também, como a final da Liga dos Campeões.

Flamengo 1 x 0 Corinthians contrariou esta tendência. Porque foi jogado com coragem. O futebol brasileiro precisa muito disso.

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Até agora, casamento de Tite e Neymar é um fracasso

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi
Neymar não será mais o capitão da seleção
Neymar não será mais o capitão da seleção Getty


Uma das inúmeras críticas feitas a Dunga era sobre sua incapacidade de lidar com Neymar. Ao transformar o craque da Seleção Brasileira em apenas mais um do elenco, o treinador não conseguia extrair todo o potencial do jogador.

O próprio treinador tentou mudar esta imagem e foi quem pela primeira vez deu a tarja de capitão ao atacante. Não funcionou e Dunga caiu, quando a ameaça de ficar fora da Copa do Mundo da Rússia rondava a Seleção.

Chegou Tite, disparado o melhor treinador brasileiros dos tempos recentes. E com ele chegou a ideia de que, sob seu comando, Neymar melhoraria em todos os aspectos, tanto dentro de campo quanto fora. Era necessário uma figura como o novo treinador para entender e exigir mais do maior talento do país.

Até agora, o casamento Tite/Neymar é um fracasso retumbante. O jogador entregou muito menos ao Brasil do que qualquer um poderia imaginar.

Tite foi incapaz de lidar com a principal estrela da Seleção, que chegou à Copa do Mundo como candidato a maior destaque da competição e terminou como piada mundial devido às simulações de falta. E o Brasil parou nas quartas-de final.

A tarja de capitão que o treinador entregou para o jogador tampouco funcionou. Pior, virou mais um problema do que solução a partir do momento em que Neymar agrediu um torcedor na final da Copa da França. A lembrança óbvia foi a de que Douglas Costa havia deixado de ser chamado recentemente por cuspir em um adversário no Campeonato Italiano.

Nesta segunda-feira, Tite deu sua primeira entrevista após a convocação para a Copa América. Passou mais da metade do tempo respondendo a questões envolvendo Neymar. E sem ter muito o que explicar, falou muito sem dizer muita coisa.

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O símbolo do Corinthians foi Fágner. Do São Paulo foi Pato

Eduardo Tironi
Fagner Corinthians Palmeiras Campeonato Brasileiro 05/11/2017
Fagner Corinthians Palmeiras Campeonato Brasileiro 05/11/2017 DJALMA VASSÃO/Gazeta Press


O árbitro poderia encerrar a partida assim que o Corinthians fez o seu gol, aos seis minutos de jogo. Porque depois disso pouca coisa aconteceu em mais um clássico ruim em vários aspectos. Faltou tudo ao São Paulo, inclusive encarar a disputa como um clássico. E o time de Carille foi o de sempre após abrir o placar: especulou no contra-ataque e saiu com os três pontos.

Foi um jogo padrão Brasil: o time que faz o primeiro gol tem pouco apetite para fazer mais do que isso, mesmo diante de um adversário apático e que poderia sair bem mais machucado de campo do que saiu. Se um estrangeiro quiser saber como é o futebol que se joga por aqui, o clássico paulista foi um bom exemplo. Iniciativas corajosas, ousadas e diferentes até existem aqui e ali, mas são exceção.

Nada a reclamar sobre o que fez o Corinthians. Afinal venceu de novo e, jogando isso aí, já é o terceiro colocado do Brasileirão, o que apenas exemplifica o escrito acima. Isso é o suficiente para se colocar entre os primeiros da elite nacional.

A diferença sobre como cada time encarou o jogo em Itaquera ficou resumida aos 15 minutos do segundo tempo, quando em uma mesma jogada, os jogadores do Corinthians ganharam três divididas seguidas dos são-paulinos e o time arrancou para mais um contra-ataque que não resultou em gol.

Se de cada lado de campo um jogador simbolizasse o seu time neste domingo o Corinthians seria representado por Fágner. Firme na defesa, apoiando o ataque o tempo todo, sendo uma das principais saídas para o jogo de Carille. O São Paulo seria representado por Pato: disperso, em rotação muito mais baixa do que o jogo exigia. Deu no que deu.

Carille  disse não estar satisfeito com a produção ofensiva do Corinthians. De fato, falta fazer mais do que apenas contra-atacar. A boa notícia é que o treinador está incomodado.

Cuca, que acabou de chegar, fez até agora o São Paulo piorar de rendimento jogo a jogo. Neste domingo, o time não teve nem sequer a vontade necessária para um clássico.

O jogo deste domingo representou bem o que são Corinthians e São Paulo hoje.

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Caso Sidão: 'zoeira never ends' não é jornalismo

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi
Sidão durante derrota do Vasco para o Santos, pelo Brasileirão
Sidão durante derrota do Vasco para o Santos, pelo Brasileirão Gazeta Press


Tem hora que dá errado. E deu errado neste domingo a mistura entre jornalismo, humor, entretenimento, “zoeira never ends”, etc, etc…

Sidão foi humilhado em cadeia nacional depois de ser “eleito” o craque do jogo em votação pela internet na transmissão da Globo da partida entre Santos e Vasco pelo Brasileiro. E o desfecho não poderia ter sido mais desastrado: ele efetivamente recebeu o prêmio das mãos da (constrangida) repórter Julia Guimarães.

Em certo sentido é bom que desastres como este aconteçam de tempos em tempos. Porque nessas horas um importante debate volta sobre para a superfície: o que é jornalismo, o que é outra coisa… e nem sempre outra coisa convive bem com jornalismo.

Esporte é entretenimento, mas não necessariamente o jornalismo esportivo tem de ser em todos os momentos. Ele deve rezar pela mesmíssima cartilha da editoria de política, economia, etc, etc, etc. Não significa ser sempre sisudo, mas obrigatoriamente tem de ser um guardião do bom senso.

Em um ambiente impregnado de tudo (fakenews, ofensas, humilhações, grosseria, violência, humor inconsequente...) cabe ao jornalismo estabelecer onde ele (jornalismo) trafega. O consumidor pode consumir o que quiser, mas não pode ser levado a crer que tudo é a mesma coisa. Porque não é.

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Futebol jogado no Brasil não encanta nem uma criança

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi
Salah: ídolo no Brasil?
Salah: ídolo no Brasil? Salah

Um grande amigo meu que adora futebol está em viagem fora do país no momento. Ele me contou que recebeu uma ligação do seu filho e o primeiro assunto que ouviu foi sobre os jogos da Liga dos Campeões de terça e quarta-feira. O menino de onze anos é fã do Salah e gastou parte do papo para falar das jogadas, das viradas, da festa no final, etc, etc.

A ligação acabou e meu amigo não ouviu em nenhum momento a palavra “Palmeiras”, time do coração dos dois.

Em um jogo que valia muito pouco em termos de classificação, o Palmeiras venceu o San Lorenzo no Allianz Parque por 1 a 0, horas depois de o Tottenham passar pelo Ajax de maneira espetacular e avançar para a final da Liga dos Campeões. É injusto cobrar que partidas de relevância tão diferentes dividam a atenção das pessoas de forma igual. Ao mesmo tempo, é de se esperar que um torcedor se interesse quando o seu time entra em campo, o que não aconteceu.

O pai resumiu:

- Os olhos dele brilham mesmo é com jogos internacionais.

O filho representa um grão de areia no meio de um universo de pessoas que gosta de futebol, cada um do seu jeito e com suas preferências. Mas não deixa de ser interessante (e preocupante) a relação que uma criança de onze anos estabelece com seu time de coração.

Por acaso meu amigo é palmeirense, mas poderia ser corintiano, são-paulino, rubro-negro, colorado… que não mudaria o ponto central deste texto: que tipo de relação estamos tendo com o nosso futebol?

Não dá pra dizer que seja de prazer. Mais provável que seja de alívio nas vitórias, raiva nas derrotas. E isso passa pelo jogo que praticamos e que aceitamos no Brasil, aquele que tenho chamado de “futebol cagão”, com o perdão da palavra. É o jogo do “1 a 0 e fecha a casinha” ou, na sua versão piorada “fecha a casinha e, se der, faz 1 a 0.”

A pobreza de nosso jogo que para muitos é aceitável porque, afinal, “quem quer espetáculo vai ao teatro”, tem um risco: formar gerações desinteressadas no futebol local. Meu amigo já está sentindo os efeitos disso. Ele me diz: “Você não sabe o trabalho que dá tentar convencer meu filho de que os jogos daqui são legais”

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Luxa e o Vasco precisam fazer algo diferente do que fizeram nos últimos anos

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi
Vanderlei Luxemburgo foi demitido do Sport após derrota na Sul-Americana
Vanderlei Luxemburgo foi demitido do Sport após derrota na Sul-Americana Gazeta Press


Recentemente Vanderlei Luxemburgo esteve no “Futebol Na Veia” da ESPN Brasil. Tinha programado ficar uma hora no programa. Ficou quase três. Deu pitaco em tudo: de Neymar ao futebol jogado hoje, passando pelo Sport Recife, seu último trabalho.

Mas ficou particularmente incomodado depois de falar sobre como deveriam ser trabalhados os jogadores da base: para ele, ex-atletas com experiência no futebol não podem ser descartados. Não é lá uma opinião nova vinda de quem jogou futebol.

Mas quando foi perguntado se ele próprio toparia trabalhar em alguma divisão de base, o céu escureceu: “Vocês estão querendo me aposentar!”

Quem convive com Luxemburgo diz que ele não reconhece que seu melhor momento no futebol passou. Convicto de que sua competitividade permanece a mesma dos tempos de Cruzeiro, Palmeiras, Corinthians ou Santos, Luxa rebate e não aceita críticas. “Eu sou bom pra car…” é sua resposta padrão.

Este é o novo treinador do Vasco. Um clube enterrado há anos em uma crise política e financeira.

Há quem diga que Luxemburgo precisa do Vasco tanto quanto o clube precisa do treinador. Em comum neste momento, existe a decadência dos dois. E o fato de que tanto um quanto outro necessita fazer algo diferente do que fizeram nos últimos anos.  

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A vitória da coragem no Brasil do futebol medroso

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi
Fernando Diniz pensa o futebol de forma diferente
Fernando Diniz pensa o futebol de forma diferente Gazeta Press


Com 20 minutos de jogo o time se vê perdendo por 3 a 0 na casa do adversário. Neste cenário, a maioria absoluta dos treinadores brasileiros faria o movimento de estancar a sangria e fecharia o time. Voltaria para casa com nenhum ponto, uma derrota dolorida no lombo, mas com a sensação de ter evitado uma tragédia maior.

Fernando Diniz não fez isso. Seguiu tentando jogar e o fim desta história você já sabe. O Fluminense venceu o Grêmio por 5 a 4 em um jogo que pode ser classificado como espetacular, maluco, divertido… só não dá para dizer que alguém tenha ficado indiferente ao que aconteceu em Porto Alegre.

No ambiente brasileiro em que cautela, prudência e, por que não?, medo são as palavras mais importantes embora pouco faladas abertamente, o treinador do Flu adotou a coragem. Entre a certeza da derrota e a "irresponsabilidade" de tentar uma vitória quase perdida, optou pelo segundo caminho. E escreveu o capítulo mais legal deste Brasileiro até aqui.

Ousar vencer uma partida perdida incomoda quem se satisfaz com o jogo indecente que temos no Brasil. Estes vão encontrar apenas falhas no Grêmio x Flu (e elas existiram aos montes). Vão dizer que o que aconteceu em Porto Alegre foi obra apenas no acaso.

Vão desprezar que a partida foi uma das que mais tiveram passes certos trocados na rodada (912), sinal de que os dois times tentaram construir alguma coisa além de chutar a bola pra frente esperando uma ajuda divina.

São aqueles que comemoraram um pouco cedo demais quando o Grêmio fez 3 a 0 e que no final do ano vão dizer que tinham razão porque o Fluminense não foi campeão. Deixando de lado todo o contexto do que será considerada uma boa campanha para um clube afundado em problemas financeiros, com capacidade financeira reduzida e elenco pobre.

Para estes, apenas o dinheiro produz o futebol que se vê quase que diariamente na Europa, algo tão distante da nossa indigência atual que é comum ouvir a expressão "parece outro esporte".

Mas quando alguém tenta reproduzir aqui algo que fuja do padrão "fazer um gol e me fechar para buscar um contra-ataque ou um gol de bola parada" imediatamente é combatido como se fosse apenas um irresponsável entre os inteligentes pragmáticos que preferem "saber sofrer" a jogar com coragem.

O jogo maluco entre Grêmio e Fluminense, cheio de falhas, está longe de ser um exemplo em vários aspectos. Mas indiscutivelmente foi a vitória da coragem em um ambiente em que esta palavra é quase uma ofensa.

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Diretoria do São Paulo testa o amor do seu torcedor

Eduardo Tironi
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Torcida São Paulo no Morumbi
Torcida São Paulo no Morumbi Rubens Chiri/saopaulofc.net


O São Paulo só tem uma coisa a se orgulhar nos seus últimos sete anos: o apoio que a sua torcida deu ao time em campo. Nos bons e, principalmente, nos maus momentos.

Ela teve participação decisiva na luta contra o rebaixamento em 2017, isso para ficar em apenas um exemplo. Em momento nenhum abandonou o time. E ela, com toda a certeza, foi a torcida mais humilhada pelos rivais locais Corinthians, Palmeiras e Santos.

Neste período de fila, o torcedor viu o São Paulo ser detonado pelo Corinthians (6 a 1) e nunca viu uma vitória em Itaquera. Bem como no Allianz Parque. Eliminações para o Santos em Campeonatos Paulistas também viraram rotina.

A torcida também viu times potencialmente bons serem desmanchados, promessas serem vendidas prematuramente, o maior ídolo de sua história tomar um pontapé no traseiro. E respondeu com protestos, mas sem nunca deixar de apoiar.

O São Paulo vive uma seca de títulos justamente no momento em que as redes sociais são um importante meio de comunicação. Ali a zoação é fácil, rápida, simples e com potencial de se alastrar muito rapidamente. Isso não impediu a torcida são-paulina de seguir ao lado do seu time onde interessa: no campo.

Agora, ela é “premiada” com mais uma: o reajuste dos preços dos ingressos para o jogo contra o Flamengo no Morumbi.

Dirigentes, economistas, analistas de balanço podem ter todos os argumentos financeiros que justifiquem este reajuste. Mas nunca conseguirão convencer o torcedor que isso não é uma baita sacanagem. O time que não oferece taças ao seu torcedor é o time que também tira mais dinheiro do bolso dele.


É neste momento que um grande sucesso na voz da saudosa Beth Carvalho vem à cabeça: “você pagou com traição, a quem sempre lhe deu a mão…”
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A justiça do VAR cobra um preço que ainda não sabemos qual é

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi

Guardiola e Pochettino: alegria e frustração em minutos
Guardiola e Pochettino: alegria e frustração em minutos Getty

A Copa de 1982 teve duas das comemorações de gol mais lindas da história do futebol: a de Falcão contra a Itália (veja aqui) e a do italiano Tardelli na final contra a Alemanha (veja aqui).

São resumos perfeitos da emoção de um gol. Uma explosão de euforia, catarse, loucura que não tem paralelo com nenhum outro esporte. A escassez de pontos no futebol é um dos motivos da paixão que ele desperta em tantas partes do planeta.

Quarta-feira em Manchester, o City fez um gol nos momentos finais contra o Tottenham. Este gol levaria o time de Guardiola à semifinal da Liga dos Campeões. Sterling, o autor, comemorou saindo em disparada, o estádio veio abaixo, Guardiola enlouqueceu, a câmera tremeu como se fosse um terremoto, resumindo a emoção que tomou conta do ambiente.

Este gol foi anulado por impedimento. A comemoração foi para o lixo, não valeu. O classificado foi o Tottenham. Justíssimo! Realmente houve uma irregularidade no lance, acertadamente detectada pelo VAR.

Como já disse inúmeras vezes, sou a favor do VAR. Acho que vai evitar erros grosseiros, injustiças imensas, dará mais limpeza ao jogo. Pelo menos quando bem empregado.

Isso não pode impedir críticas ao seu funcionamento e pelo menos o lamento pelo prejuízo que ele traz em alguns aspectos. A interrupção da explosão do gol é um deles.

A redação dos canais ESPN quase veio abaixo com o gol do City nos acréscimos. Não porque se trata de uma redação formada por ingleses de Manchester, mas porque o lance foi daqueles momentos que explicam porque tanta gente ama o futebol e ajuda a explicar por que aquelas pessoas escolheram ser jornalistas esportivos.

A anulação do gol foi um momento estranho, frustrante, como uma descoberta tardia de que Papai Noel não existe. O enredo digno de filme de Hollywood não se concretizou. Mas foi justo e sobre isso não se discute.

A Justiça fria traz  assepsia ao jogo, mas isso tem um preço. O receio é o de que em um futuro próximo, comemorações lindas como as de Falcão e Tardelli não existam mais. Pelo fato de que agora, quando um gol é marcado, não é mais possível saber na hora se ele foi legal ou não.

Isso leva a uma outra pergunta: o “neo” futebol seguirá encantando multidões pelo mundo? Por enquanto, esta é uma pergunta sem resposta.  Por enquanto está valendo a pena apostar que sim.

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Após atentado, não dava para cobrar desempenho do Palmeiras

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi

Era jogo para o Palmeiras entrar em campo, vencer bem e mostrar que a eliminação no Campeonato Paulista é coisa do passado e que as críticas sobre a falta de um melhor futebol não são justas.

O Palmeiras até venceu com facilidade, porém mais pela fragilidade do Junior Barranquila do que pelo que produziu. Acontece que um fato acontecido antes da partida embaralha qualquer avaliação.

Inacreditavelmente o ônibus do time foi recebido a pedradas no Allianz Parque antes da partida. Isso mesmo: a própria torcida (ou uma parte mesmo que pequena dela), agrediu o elenco no caminho do estádio que tanto orgulha o palmeirense.

O elenco ameaçou não entrar em campo. Enfim o jogou rolou, mas o time atuou de maneira burocrática e venceu mais uma vez graças aos talentos individuais e não por uma estrutura de time envolvente. Hoje, especificamente hoje, não ter feito um grande jogo é absolutamente compreensível diante do atentado sofrido.

Era jogo para o time fazer as pazes com a torcida. Não se sabe se isso seria possível, uma vez que a falta de evolução parece evidente em 2019. Porém, impossível fazer este tipo de cobrança após as pedradas.

Ônibus apedrejado
Ônibus apedrejado ESPN

Fica a vitória, fica a tranquilidade para a classificação na Libertadores e fica a melhor atuação de Dudu em 2019. O jogo do time ainda não apareceu. E as pazes com a torcida foram adiadas.

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Corinthians se classificou e o futebol perdeu

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi

Reservo o primeiro parágrafo deste texto para falar que acho Carille um ótimo técnico, que se colocou muito rapidamente entre os melhores do país. 

Posto isso, ele foi foi engolido por Sampaoli no Pacaembu. 

O torcedor corintiano tem todo o direito de comemorar mais uma batalha vencida. Jogadores podem sair de campo e falar a frase do momento: "a gente soube sofrer".  Mas nada disso esconde o que aconteceu na noite desta segunda-feira. O Corinthians não foi capaz de trocar três passes contra um Santos com um elenco  médio, mas que se mostrou obcecado pela bola, pelo ataque, pelo gol. Um time com fome de vitória.

As estatísticas são assustadoras. Chutes a gol 23 x 3, posse de bola 68% x 32, passes certos 473 x 126. Todas a favor do Santos.

Alguém vai falar que o Corinthians soube se defender, mas nem isso é verdade. Quem soube se defender foi o time de Sampaoli, que nunca foi incomodado.

Ao final da partida, Carille abriu sua entrevista coletiva dizendo que seu time jogou muito mal e está preocupado com o desempenho. É um alento. Cansamos de ver aqui no Brasil treinadores relativizando qualquer coisa em nome de uma vitória ou classificação mesmo que injustas.

O jogo produzido hoje por Sampaoli pode servir para que os resistentes revejam suas posições. Trata-se de um treinador de outro nível que hoje colocou no bolso um dos melhores do Brasil.

A desclassificação santista, este noite, foi uma derrota do futebol.

Corinthians se classificou na cobrança de pênaltis
Corinthians se classificou na cobrança de pênaltis Gazeta Press

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Na final do Carioca, Fernando Diniz é a referência mesmo fora da disputa

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi
O jogo proposto por Fernando Diniz pressiona Abel e Valentim
O jogo proposto por Fernando Diniz pressiona Abel e Valentim Reprodução ESPN

Flamengo e Vasco chegam à decisão do Estadual do Rio com muitas diferenças e uma semelhança.

Financeiramente os times vivem momentos completamente diferentes. O elenco de um e outro time também é praticamente incomparável.

Mas as duas torcidas se unem em um ponto: as críticas ao comando técnico de seus respectivos times.

Abel Braga e Alberto Valentim chegaram à decisão do Estadual tendo de enfrentar desde a desconfiança até a oposição clara de boa parte de seus torcedores. O Rubro-Negro entende que um time com tantos bons jogadores pode entregar mais jogo do que está entregando. E não engole a presença de Arrascaeta no banco.

O vascaíno sabe que o seu elenco não pode oferecer muito, mas também não aceita um jogo tão pobre.

A desconfiança e falta de paciência de um ou outro torcedor tem origem em um elemento que nem sequer estará em campo no próximo fim de semana. Ele atende pelo nome de Fernando Diniz.

Ah, como assim? O Fluminense perdeu para o Vasco na Final da Taça Guanabara e foi eliminado pelo Flamengo na semifinal do Estadual. Tudo verdade: mas mesmo com um elenco mais fraco do que seus rivais conseguiu incomodar. E na comparação, o Fluminense entregou neste campeonato mais “jogo” do que os dois finalistas.

Não chegou à decisão, porque os limites de seu elenco impediram.

A sensação é a de que o Flamengo não chegou nem perto do que o potencial do grupo indica. Todos os jogos contra o próprio Fluminense foram muito duros, com um equilíbrio muito maior do que a lista dos jogadores de cada equipe indica quando comparados.

No caso do Vasco, o raciocínio é outro: se o Fluminense foi capaz de desenvolver um jogo, como o Cruzmaltino não consegue, mesmo com as mesmas dificuldades dentro e fora de campo?

A final do Carioca colocará em disputa além do título, um “vale paciência”. Quem vencer, ganhará uma trégua, mesmo que breve. Quem perder não terá vida fácil em seguida.

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Carille, treino fechado e a relação com a imprensa

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi

Carille: mais tenso do que o normal?
Carille: mais tenso do que o normal? Eduardo Valente/FramePhoto/Gazeta Press


Fabio Carille deu entrevista coletiva nesta sexta-feira com um tom um pouco mais irritado que o normal (ele dificilmente se irrita). Decretou treinos fechados para este sábado e domingo, diferentemente do que sempre adotou.

O motivo: alguém da imprensa teria passado detalhes do que ele treina para adversários recentemente.

Primeiro sobre treinos fechados: treinadores têm todo o direito de fechar seus treinos se entenderem que isso é importante. No mundo isso é feito com frequência e não vira mais assunto em rádios, TVs e internet.

Segundo: sobre a relação treinador/jogador/dirigente e imprensa. No Brasil e no jornalismo esportivo engatinhamos ainda neste aspecto.

Ao pedir que câmeras não filmem o treino, mas ao permitir que jornalistas assistam ao que se passa em campo, Carille estabelece uma relação de confiança com a imprensa. O que, em certa medida, é perigoso. (relações com a imprensa devem ser profissionais e falo disso mais abaixo)

Se algum jornalista ali presente publicasse em um jornal, internet, blog, etc… o que se passou no treino, não estaria errado no seu papel, embora quebrasse uma relação de confiança proposta pelo treinador. O repórter estaria fazendo algo às claras, informando seu público. Agora, não dar esta informação publicamente e passar secretamente a um rival é inaceitável. E não é jornalismo.

Portanto, entendo que Carille está no seu direito de cortar esta relação de confiança e fechar treinos.

O técnico do Corinthians falou mais. Disse ter ouvido que estaria "mais arrogante" ultimamente. Como sempre deu entrevistas bem sinceras, gosta de falar do jogo, não esconde (não escondia, pelo menos) escalação, fala com clareza quando o time joga mal ou bem… soa estranho quando ele muda um pouco seu comportamento.

E ele também tem o direito de mudar.

Chego, enfim, à relação da imprensa com os personagens do esporte. Não há problema em uma relação ser tensa, desde que profissional. Perguntas duras podem ser feitas (desde que não sejam ofensivas), respostas duras também podem ser dadas na mesma medida.

Perguntar se o time jogou mal, criticar uma atuação, substituição ou o trabalho de um profissional do esporte faz parte do jogo. Ouvir respostas duras também.

Em outras áreas do jornalismo isso parece ser mais natural. Nos Estados Unidos e em boa parte da Europa ocidental a relação jornalista/entrevistado é naturalmente tensa.  Às vezes alguém passa do limite, mas com menos melindre do que vemos por aqui.

No jornalismo esportivo brasileiro, sobretudo nas relações com figuras de clubes de futebol, ainda tratamos a coisa meio na camaradagem. Quando alguém sai deste limite, surge um crise na relação. O ideal seria um trato 100% profissional. Ainda temos muito a caminhar neste sentido.

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Carille, treino fechado e a relação com a imprensa

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Sem talento individual, Palmeiras cai

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi
San Lorenzo x Palmeiras
San Lorenzo x Palmeiras Getty

O Palmeiras perdeu para o San Lorenzo na Argentina e, de quebra, a liderança do Grupo F da Libertadores.

O que preocupa é menos não ser mais o primeiro colocado e mais a falta de jogo coletivo. Laterais cobrados na área, cruzamentos da intermediária, bola esticada para Deyverson ou para Dudu. O repertório do time de Felipão se limitou a isso.

A derrota veio graças a uma série de fatos que dificilmente acontecem numa mesma partida do Palmeiras, mas aconteceram: a falta de pelo menos um talento individual em um dia bom + fragilidade defensiva.


Em 2018, o Palmeiras foi campeão brasileiro exatamente porque algum jogador resolvia jogos e o time não sofria lá atrás. Mas quando precisou mostrar algo mais coletivo e elaborado, foi eliminado na Libertadores e Copa do Brasil.

Por enquanto tudo ainda são flores pelos lados da Academia. O elenco segue muito forte, as vitórias chegam naturalmente também porque defensivamente o time é muito seguro.

O problema é quando se precisa de algo além disso, porque este algo simplesmente não existe. O San Lorenzo, apesar do carimbo de “time argentino”, é  tecnicamente fraquíssimo. Nesta temporada disputa as últimas colocações do campeonato nacional. Mas na noite desta terça-feira foi muito mais organizado do que o time brasileiro e, com seu jogo coletivo, venceu a ausência de tudo do lado palmeirense.

Na entrevista pós-jogo, Felipão não reclamou da falta de jogo, mas das falhas defensivas. Esta é a sua preocupação e sempre vai ser. Ele aposta que ofensivamente algum dos muitos ótimos jogadores vai resolver.

A esperança de que a derrota desta quarta-feira não tira nada do controle está, pasmem, na declaração de Deyverson ao fim da partida. Mesmo sem ser perguntado, ele falou pelo menos três vezes do jogo do fim de semana contra o São Paulo pela semifinal do Paulistão. Quem sabe o time não estava com a cabeça em outro lugar e isso afetou o desempenho na Argentina?

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Para dar certo, o VAR precisa ser debatido

Eduardo Tironi
Juiz consulta o VAR em jogo da Islândia contra a NIgéria
Juiz consulta o VAR em jogo da Islândia contra a NIgéria Getty Images


A chegada do VAR ao Brasil dividiu o público que gosta de futebol em três grupos.

1 - O RADICAL CONTRA - É o sujeito que entende que o VAR destruiu a dinâmica do jogo. Para este ser, o futebol como ele sempre amou está morto e enterrado. Quem é a favor não passa de uma figura criada pela avó que nunca chutou uma bola na rua. Ele sofre quando o VAR demora para decidir lances e provoca um anticlímax devastador. Mas gosta de falar em seguida: “eu avisei”.

2 - O RADICAL A FAVOR - Este entende que o VAR chegou para organizar este mundo bárbaro de simulações, marcações erradas, erros e injustiças. Quem é contra ou quem critica o VAR é um ser medieval que não merece viver nestes novos tempos em que a tecnologia chegou para nos salvar. Quando o VAR corrige um erro, ele sorri e diz: “É isso...”.

3- O DÁ PRA MELHORAR - Este aprova o VAR, mas gosta de levar a conversa ao limite, testar a eficiência da ferramenta, jogar cascas de banana no caminho, procurar argumentos de parte a parte. Nunca vai reprovar o uso, mas sempre vai ponderar alguma coisa. Chega a ser meio chato.

Humildemente me coloco nesta terceira tribo. Sou a favor do VAR, quanto mais instrumentos para acabar com os erros melhor. Mas acho que muita coisa pode melhorar. Entre elas, a clareza sobre sua utilização.

No site da Federação Paulista de Futebol (FPF) existe uma página explicando como e quando o VAR deverá ser utilizado. Lá está escrito que ele deve entrar em ação na situação de pênalti mal assinalado. Sábado, Dudu cai quando Reinaldo põe a mão nas suas costas e o árbitro marca. Em seguida, é alertado pelos homens na sala de VAR que ele deveria rever o lance. Ele revê e anula a marcação.


O protocolo do VAR no seu item 3, diz: "A decisão dada pelo juiz em campo não será modificada a não ser que o vídeo mostre claramente que sua decisão foi um claro e evidente erro."

Para mim, este é um ponto central desta discussão. O que é um erro claro e evidente?

Vamos ao dicionário. O significado de claro é: “que não apresenta ambiguidade, não oferece dúvidas; explícito, inequívoco”

O significado de evidente é: “claro, aceitável, indiscutível pela incontestabilidade; indubitável, patente, irrefutável”

O pênalti em Dudu, ao meu ver, não é isso. Há quem entenda ter sido pênalti, há quem entenda não ter sido nada.

Sábado tuitei que o lance não poderia ser objeto do VAR, por não ter sido um lance claro e evidente. Hoje, entendo que me precipitei.  Por que? Porque o protocolo indica que todo os lances são monitorados, mas nem todos são compartilhados com o árbitro. No caso do pênalti, o que deve ter acontecido? Houve unanimidade dentro da sala de que não houve falta e orientaram o árbitro de campo a rever o lance. Ele voltou atrás. E me parece, agora, que este procedimento foi o correto.

Porém, há uma pergunta, que os radicais a favor do VAR não suportam: era um lance para o VAR ser acionado?

Depois de ler e ouvir muita gente boa que entende o assunto, eu entendo que sim. Mas este é um entendimento, não uma certeza. E os argumentos contrários não são desprezíveis. Muita gente que entende de arbitragem acha que não. E agora?

Só há uma saída: comunicação mais clara. A cada caso controverso, muito debate e aprendizado com as decisões tomadas. Para o VAR ser bem aceito, todos precisam saber ouvir. O radicalismo ensurdece. E cega.

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VAR é o derrotado do clássico. São Paulo e Palmeiras estão satisfeitos

Eduardo Tironi

São Paulo e Palmeiras empataram em casa na primeira partida da semifinal do Paulistão. Jogo equilibrado, melhor no primeiro tempo do que no segundo, mas dá para reclamar apenas da falta de gols, porque o jogo merecia. (O que achei do lance do pênalti está no final do texto).

Para se classificar o São Paulo vai ter de conquistar a vaga no Allianz Parque, estádio em que nunca sequer empatou, sempre perdeu. Ainda assim, o time foi aplaudido pelos mais de 40 mil torcedores que foram ao Morumbi neste sábado.

Isso é significativo. Porque a torcida está vendo o nascimento de um time e percebendo que ele pode ficar bom. Parece estranho dizer isso quando estamos batendo na porta de abril, mas esta é a situação atual do São Paulo.

Fato é que o time jogou de igual para igual contra um rival muito mais estrelado, psicologicamente leve e com um trabalho de longo tempo. De novo, parece estranho comemorar "apenas" igualdade contra um rival histórico, mas nos últimos tempos isso aconteceu poucas vezes.

Este time, com jogadores da base destacados, terá mais paciência da torcida. Este foi mais uma vez o recado da arquibancada ao aplaudir logo depois do apito final. E esta paciência poderá ajudar no trabalho de reconstrução do São Paulo.

Já o Palmeiras sai de campo com um ótimo resultado. Poder decidir em casa é uma grande vantagem para um time experiente e com um elenco muito forte e numeroso. O jogo pela Libertadores no meio da semana é uma preocupação pelo desgaste.

O torcedor que cobra um jogo mais vistoso do time se contentou hoje (e deveria ter se contentado mesmo) com um palmeiras forte, que de novo fez uma partida no nível que o campo impôs. Contra um rival que incomodou e foi perigoso, o time de Felipão respondeu com segurança e equilíbrio entre defesa e ataque. E também incomodou. não ficou jogando apenas no erro do rival. Se pode jogar mais? Nesta tarde, fez o suficiente. Esta é a melhor resposta.

O VAR

Quem imaginava o fim das polêmicas com a implantação do VAR no Brasil está decepcionado. Por aqui, estamos conseguindo desmoralizar a ferramenta que deveria deixar tudo mais transparente.

Foi pênalti? Achei que não. Mas o árbitro me pareceu convicto de que sim, tanto que apitou sem titubear. O que o fez mudar de opinião? Alguém na sala dizendo que não houve de maneira nenhuma a falta e portanto ele deveria voltar atrás na marcação ou alguém dizendo que ele deveria olhar novamente para ter certeza da sua decisão?

Pergunte para dez pessoas se elas acharam se foi pênalti ou não e não haverá unanimidade. O VAR pode interferir em lances interpretativos neste nível?

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Além de demonstrar alegria pela volta, Pato precisa jogar. Muito.

Eduardo Tironi
Alexandre Pato foi apresentado nesta sexta
Alexandre Pato foi apresentado nesta sexta []

O São Paulo ganhou  uma "disputa" com o Palmeiras e contratou Alexandre Pato. Antes de tentar adivinhar se ele vai funcionar ou não é importante saber por que tamanho esforço.

Uma das principais motivações parece ser ganhar uma queda de braço contra o clube mais poderoso financeiramente do país. Mesmo que até agora não esteja claro qual o tamanho do apetite palmeirense no negócio. Mas de qualquer forma, a vitória dá um ar de ousadia e coragem para a diretoria. E muito do que a cartolagem atual do clube precisa é de apoio da arquibancada.

Por ter tido uma passagem de razoável para boa no Tricolor e por ter ido melhor no Morumbi do que no Corinthians ele tem enorme simpatia da torcida são-paulina. Não duvide de que a diretoria pensou também nisso na hora de abrir o cofre.

A partir daí, resta tentar decifrar outros pontos relevantes.

Em qual posição Pato vai jogar? Pelo lado, tirando a vaga de Everton ou Antony? Ele sempre jogou melhor pelo lado esquerdo. Vai se sacrificar jogando pela direita se necessário? Ou jogará pelo meio, tirando a vaga de Pablo, contratado a peso de ouro?  Fato é que muito improvável que ele fique no banco de reservas, considerando tudo o que envolveu sua contratação.


Ao longo de toda a carreira Pato foi um jogador pouco competitivo. Algumas vezes demonstrou até alheio ao mundo que o cerca. Ele terá a noção do momento histórico que vive o São Paulo, da pressão que é atuar pelo time, das cobranças da torcida? Veremos em campo um outro Pato?

A entrevista na tarde desta sexta-feira mostrou um jogador nitidamente feliz. Falou sobre o amor que nutre pelo clube e de como foi bem recebido no Morumbi.

O melhor desfecho para esta história seria desempenho e foco em campo na mesma intensidade de sua alegria desde que foi contratado.

Menos do que isso e a chegada do jogador vai ser como sempre foi a carreira de Pato: expectativa maior do que a realidade.

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Comparar Messi, Cristiano Ronaldo, Pelé... Por que não?

Eduardo Tironi


Vinícius Júnior disse em entrevista esta semana que trabalha para ser o melhor jogador do mundo em 2026. Neymar teria saído do Barcelona para se descolar de Messi e tentar ser protagonista em outra equipe para abocanhar o título de melhor jogador.

Cristiano Ronaldo e Messi disputam palmo a palmo a honraria ano a ano. Quando foi para a Europa, Robinho gravou um recado em sua secretária eletrônica mais ou menos assim: “Você está falando com o futuro melhor jogador do mundo.”

Ou seja: os jogadores de primeira prateleira, sim, se importam com isso. Seja por dinheiro, vaidade, competitividade… Isso não é algo irrelevante.

Quando algum jogador da atualidade faz alguma coisa fora do comum surgem logo as comparações. Messi x Pelé é a da vez. E isso parece incomodar muita gente. Seja porque acham o brasileiro eternamente incomparável com qualquer outro, seja porque devemos “apenas desfrutar do talento de gênios” sem querer apontar quem é o melhor.

Vamos por partes.

Em primeiro lugar não acho absurdo comparar Messi a Pelé. Assim como o brasileiro no seu tempo, o argentino é muito superior a praticamente todos os seus rivais (exceção a Cristiano Ronaldo), joga em alto nível há muito tempo e disputa campeonatos muito fortes. E ainda está construindo a sua história. Hoje, Pelé tem a “vantagem” de não atuar mais, portanto o que ele fez está aí, pronto. Todos os seus feitos são avalizados por quem o viu atuar (e consequentemente o julgamento tem uma dose de saudosismo e aquela coisa de “no meu tempo era melhor”). Messi terá a mesma “vantagem” quando parar. Seus netos, caro leitor,  ouvirão história incríveis de um argentino baixinho. Pode escrever.

Em segundo lugar, comparar é estabelecer uma competição, com vencedores e vencidos. Esta é a essência do jogo, esta é a essência do esporte. Ninguém liga para a máxima do Barão de Coubertin “o importante é competir”. Esportistas, naturalmente competitivos, querem mesmo é vencer. Torcedores querem ganhar, nem que seja a discussão.

Comparar é competir. Esporte é competição.


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Um jantar com Eurico Miranda

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi, blogueiro do ESPN.com.br


No dia 14 de março de 2017 Eurico Miranda esteve nos estúdios da ESPN para fazer um Bola da Vez. Ele só topou participar com uma condição: se fosse ao vivo. Condição aceita, o programa foi ao ar na mesma data. Depois do programa os participantes (eu incluído) saíram para jantar, já muito tarde na noite paulistana.

Dias depois escrevi sobre o assunto em uma coluna no LANCE!, que reproduzo abaixo.

Em 2017, como se fosse nos anos 80

O telefone toca e ele tira o aparelho do bolso da calça que está segura por um suspensório. O aparelho é flip (daqueles que você abre para atender, cujo modelo mais famoso foi o lendário StarTac da Motorola. Você mesmo deve ter tido um desses). Não tem email, whatsapp, aplicativos, internet… nada… Faz e recebe chamadas apenas. Pode parecer uma aberração hoje, mas era assim que a coisa funcionava não muito tempo atrás.

A conversa ao fone não dura mais do que cinco minutos e ele volta  a atenção para a mesa de jantar do restaurante. Ele não quer ver o cardápio. Prefere pedir seu prato à moda antiga.

Eurico Miranda, ex-presidente do Vasco
Eurico Miranda, ex-presidente do Vasco Thiago Ribeiro/Agif/Gazeta Press

"O que vocês servem aqui?" E o garçom: "Tem carne, tem massa...". Ele interrompe: "Eu perguntei o que vocês servem aqui. O que é bom? Qual a especialidade da casa?" O garçom: "É massa". Ele: "Então eu quero ravioli". Garçom: "Com qual molho?" Ele: "Sem molho". Garçom: "Só na manteiga?". Ele: "Sem molho."

Como em todos os estabelecimentos comerciais da cidade, é proibido fumar. Mas ele gostaria de acender seu charuto como nos velhos tempos em que isso era permitido. Gostaria de bater as cinzas num cinzeiro colocado à mesa (pensar nisso hoje em dia é quase como uma bizarrice. As mesas nem sequer tem cinzeiros em cima). E ganha uma autorização especial do dono da cantina, já que o restaurante está vazio no começo da madrugada em São Paulo.

Sua fragilidade física contrasta com seu discurso veemente e a voz ainda forte. Fala sobre tudo com um mau-humor que chega a ser engraçado. Olha para todos por cima dos óculos. É um homem que viveu e passou muitas coisas, entre elas uma doença gravíssima.

Tudo isso dá a esse personagem um charme sedutor. É irresistível tentar encontrar doçura naquela imensidão de truculência e ela é brota quando ele conta histórias do futebol de uma forma deliciosamente divertida.

Depois de algumas horas ao lado deste personagem, mesmo quem não soubesse de sua existência perceberia que se trata de alguém que vem de longe, que vive em um mundo distante das loucuras, da velocidade de tudo de hoje e que mantém seus hábitos e crenças intactos, como se ainda estivesse nos anos 80. Em 2017, Eurico Miranda é o presidente do Vasco.

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